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terça-feira, fevereiro 02, 2010
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Música de 2009
Embora 2009 tenha sido um ano com menos entradas neste blog do que era habitual, a música continua omnipresente na minha vida. Seguem-se 10 excelentes álbuns que fizeram parte das minhas escutas regulares ao longo do ano de 2009.
Solo II - António Pinho Vargas
Andrew Bird - Noble Beast

James Blackshaw - The Glass Bead Game

Land of Kush - Against the Day

Timber Timbre - Timber Timbre
Larkin Grimm - Parplar

Elfin Saddle - Ringing for the Begin Again

Ludovico Einaudi - Nightbook

Fire on Fire - The Orchard

Clan of Xymox - In Love We Trust
sábado, julho 11, 2009
Depeche Mode: Previsão do Alinhamento
1.In Chains
2.Wrong
3.Hole To Feed
4.Walking In My Shoes
5.It's No Good
6.A Question Of Time
7.Precious
8.Fly On The Windscreen
9.Little Soul
10.Home
11.Come Back
12.Peace
13.In Your Room
14.I Feel You
15.Policy Of Truth
16.Enjoy The Silence
17.Never Let Me Down Again
Encore:
18.Stripped
19.Master And Servant
20.Strangelove
Encore 2:
21.Personal Jesus
22.Waiting For The Night
PS: Como previsão do alinhamento até nem estaria má, mas um pé partido em Bilbao e tudo fica "em águas de bacalhau". Ainda não é desta que os Depeche Mode tocam no Porto. Segunda tentativa, segundo concerto cancelado. Não creio em bruxas, mas...
2.Wrong
3.Hole To Feed
4.Walking In My Shoes
5.It's No Good
6.A Question Of Time
7.Precious
8.Fly On The Windscreen
9.Little Soul
10.Home
11.Come Back
12.Peace
13.In Your Room
14.I Feel You
15.Policy Of Truth
16.Enjoy The Silence
17.Never Let Me Down Again
Encore:
18.Stripped
19.Master And Servant
20.Strangelove
Encore 2:
21.Personal Jesus
22.Waiting For The Night
PS: Como previsão do alinhamento até nem estaria má, mas um pé partido em Bilbao e tudo fica "em águas de bacalhau". Ainda não é desta que os Depeche Mode tocam no Porto. Segunda tentativa, segundo concerto cancelado. Não creio em bruxas, mas...
domingo, julho 05, 2009
sexta-feira, maio 29, 2009
Lets Grow Old Together...
domingo, maio 17, 2009
Música Suave e Idealismo
Antony Hagerty deslumbrou todos os que ontem à noite se deslocaram ao Theatro Circo em Braga. A sua música centrada no piano e acompanhada por dois violinos, violoncelo, baixo e guitarra eléctrica ou clarinete (alternadamente) seduz todos os ouvidos por onde passa e a sua suavidade contrasta, por vezes de forma chocante, com as letras controversas dos temas interpretados. A inquietude em Another World, o masoquismo e a violência doméstica em Cripple and the Starfish, ou a ambiguidade de género em For Today I Am a Boy e I Fell in Love with a Dead Boy demonstram que Antony não hesita nas palavras necessárias para veicular uma mensagem, mas o concerto torna também evidente que a música não tem que ser transtornada ou violenta para transmitir a essa mesma mensagem.
Os pontos altos do concerto foram, a meu ver, Kiss My Name, pela execução luxuosa das cordas, The Crying Light, pela simplicidade da voz e piano e Shake That Devil pela improvisão que se lhe seguiu. A minha maior surpresa foi a excelente interpretação de Hope Mountain, acompanhada pela explicação impressionista do próprio Antony sobre como o suave teclar do piano significaria a segunda vinda de Cristo, reincarnado como mulher, caminhando sobre as águas num rio do Afeganistão.
Alinhamento:
1. Where Is My Power?
2. Her Eyes Are Underneath the Ground
3. Epilepsy Is Dancing
4. One Dove
5. For Today I Am a Boy
6. Kiss My Name
7. Everglade
8. Another World
9. Shake That Devil
10. The Crying Light
11. I Fell in Love With a Dead Boy
12. Fistful of Love
13. You Are My Sister
14. Hope Mountain
15. Twilight
16. Aeon
----
17. Cripple and the Starfish
18. Hope There's Someone
terça-feira, maio 12, 2009
Antony and the Johnsons
Os bilhetes estão comprados há três meses. Sábado é a grande noite. Antony and the Johnsons ao vivo no Theatro Circo.
A fotografia apresenta uma previsão do alinhamento. O conjunto de temas anuncia-se fenomenal, sendo este Shake That Devil um dos pontos altos.

quarta-feira, janeiro 14, 2009
Euforia
Changing Your Strut When You Know I'm Behind YouChanging Your Ways Cause You Don't Know What To Do
I Only Wanna Tell You
How I Feel Inside
If Only You Could Listen
Try To Change Your Mind
So I Walk Right Up To You
And You Walk All Over Me
And I Ask You What You Want
And You Tell Me What You Need
Can't You Feel It All Come Down
Can't You Hear It All Around
At The Place Where Lost Is Found
That Great Love Sound
Talking To You Makes Me Wanna Shake And Shout
Touching You Makes Me Wanna Come Right Out
You Could Never Want Me
The Same Way I Want You
I'm Love Tornado Struck
I Don't Know What To Do
domingo, janeiro 04, 2009
segunda-feira, dezembro 22, 2008
sábado, dezembro 06, 2008
Caros visitantes do fim-de-semana prolongado...
...tirem 10 minutos do vosso tempo para apreciarem Festival (mp3) dos Sigur Ròs. É por sons como estes que considero a música como a forma mais bela de expressão dos sentimentos e aquela que mais frequentemente me comove. O crescendo que se inicia aos 5 minutos é sublime, uma explosão de alegria que nos faz acreditar que o impossível é possível!...


Um dos melhores do ano de 2008, sem dúvida alguma!
sexta-feira, outubro 31, 2008
Everybody gets a little lost sometimes...
Bairro alto. Galeria ZDB. 30 de Outubro de 2008.
Depois de uma experiência inesquecível com os Godspeed You Black Emperor! há uns anos atrás no Teatro Sá da Bandeira, desta vez assisti a uma versão stripped-down de um colectivo pós-rock: Thee Silver Mount Zion Memorial Orchestra and Tra-la-la Band with Choir.
A banda de Efrim Menuck é extremamente fluida na forma como se apresenta em palco. Desta vez, guitarra eléctrica, bateria, contra-baixo e dois violinos bastaram para interpretar temas dos álbuns mais recentes do colectivo de Montreal. Antes de mais, dizer que é inacreditável que uma banda quase acústica toque tão alto (!), mas acrescentar que a voz dos seus membros contribui para um caos sonoro permanente, que subsiste mesmo nos momentos mais calmos da interpretação. A razão prende-se com o “choir” de que fala o longo nome da banda, que assume a desarmonia das suas vozes como imagem de marca, levando o ouvinte a questionar-se sobre se não se trata de um puro e simples desafinar colectivo, por sinal bastante competente.
Os ASMZ são polémicos e políticos. Os temas longos e as letras particularmente esparsas escondem, por vezes, o carácter contestatário da banda inspirada de Efrim (na foto). God Bless Our Dead Marines é uma marcha fúnebre que expressa a revolta de uma geração contra o instigar do medo do terrorismo pela Administração Bush. As letras não deixam dúvidas sobre a hipocrisia dos líderes face à mortandade da guerra.
Depois de uma experiência inesquecível com os Godspeed You Black Emperor! há uns anos atrás no Teatro Sá da Bandeira, desta vez assisti a uma versão stripped-down de um colectivo pós-rock: Thee Silver Mount Zion Memorial Orchestra and Tra-la-la Band with Choir.
A banda de Efrim Menuck é extremamente fluida na forma como se apresenta em palco. Desta vez, guitarra eléctrica, bateria, contra-baixo e dois violinos bastaram para interpretar temas dos álbuns mais recentes do colectivo de Montreal. Antes de mais, dizer que é inacreditável que uma banda quase acústica toque tão alto (!), mas acrescentar que a voz dos seus membros contribui para um caos sonoro permanente, que subsiste mesmo nos momentos mais calmos da interpretação. A razão prende-se com o “choir” de que fala o longo nome da banda, que assume a desarmonia das suas vozes como imagem de marca, levando o ouvinte a questionar-se sobre se não se trata de um puro e simples desafinar colectivo, por sinal bastante competente.
Os ASMZ são polémicos e políticos. Os temas longos e as letras particularmente esparsas escondem, por vezes, o carácter contestatário da banda inspirada de Efrim (na foto). God Bless Our Dead Marines é uma marcha fúnebre que expressa a revolta de uma geração contra o instigar do medo do terrorismo pela Administração Bush. As letras não deixam dúvidas sobre a hipocrisia dos líderes face à mortandade da guerra.
There's fresh meat in the club tonight
God bless our dead marines
Someone had an accident
Above the burning trees
While somewhere distant peacefully
Our vulgar princes sleep
Dead kids dont get photographed
God bless this century
God Bless Our Dead Marines demonstra esta veia intervencionista, embora com um cunho pessoal assumido, o que a torna emocionalmente arrasadora. Cantada de forma apaixonada e sofrida, é difícil ficar indiferente à mensagem. Arrepiei-me quando comecei a escutar este crescendo, simultaneamente épico e funéreo:
Lost a friend to cocaine
A couple friends to smack
Troubled hearts map deserts
And they rarely do come back
Lost a friend to oceans
Lost a friend to hills
Lost a friend to suicide
Lost a friend to pills
Lost a friend to monsters
Lost a friend to shame
Lost a friend to marriage
Lost a friend to blame
Lost a friend to worry and
Lost a friend to wealth
Lost a friend to stubborn pride
And then i lost myself
Quanto à música, há claramente pontos de contacto com as bandas mais conhecidas de Montreal e que gravam no mesmo estúdio Hotel 2 Tango, como sejam os Arcade Fire ou os Godspeed You Black Emperor. No entanto, os ASMZ parecem ter dado um passo atrás, recusando entrar em “excessos” melódicos e preferindo a distorção das guitarras, os riffs dissonantes e a cantoria desafinada como imagem de marca. Por isso mesmo, têm um número de fãs mais diminuto e menos afoito que, apesar da recepção calorosa, estiveram longe de entrar em transe ou histeria colectiva. Um concerto eficaz para quem não conhecia a banda, mas que deixa a chorar por mais quem os adora.
Set List:
1. 13 blues for thirteen moons
2. One million died to make this sound
3. God bless our dead marines
4. Take these hands and throw them in the river
5. There is a light
6. Microphones in the trees
1. 13 blues for thirteen moons
2. One million died to make this sound
3. God bless our dead marines
4. Take these hands and throw them in the river
5. There is a light
6. Microphones in the trees
domingo, julho 13, 2008
Festival Marés Vivas
Uma pausa no projecto dos 200 anos de música para recomendar o excelente cartaz do Festival Marés Vivas, a ter lugar no próximo fim-de-semana, na cidade em que nasci e vivi durante 18 anos (Vila Nova de Gaia). O Pedro, meu co-blogger do Sofa Station, vai todas as noites. Eu, só poderei estar presente na primeira, uma espécie de noite para "cotas"...Uma oportunidade para rever Peter Murphy, de quem não esqueço o fabuloso concerto que deu no Festival do Sudoeste em 2003 e que coincidiu com a apresentação do álbum Dust. Naquele tempo, o vocalista dos Bauhaus optava por uma sonoridade com fortes influências do Médio Oriente e, em particular, da Turquia. Agora, independentemente das influências musicais, vale a pena ouvi-lo pela sua voz carismática. All Night Long, uma das minhas favoritas:
Quanto aos Sisters of Mercy, pensei até que já não existiam. Muito marcados pelos anos 80, imagino que toquem sobretudo os grandes êxitos, como Temple of Love, This Corrosion, More e Lucretia My Reflection.
Sisters of Mercy - Marian
Os outsiders desta primeira noite são os Shout Out Louds, uma banda que a publicidade OPTIMUSou. Tonight I Have to Leave It, uma espécie de pastiche dos The Cure, é a única que conheço:
sexta-feira, maio 30, 2008
quarta-feira, maio 28, 2008
Coco Rosie: Surrealismo em Palco
É sempre um prazer ser surpreendido. Ontem à noite, no Theatro Circo, Coco Rosie fizeram exactamente isso. A apresentação do 3º álbum, o sucessor de Noah's Ark, com o estranho título "The Adventures of Ghosthorse and Stillborn", foi coroada de sucesso, ainda que se verifique uma ligeira alteração na direcção musical da banda. A música é definida no sítio My Space como "Chinese Pop, Acappella, Drum and Bass", mas estes epítetos são demasiado redutores para tanta diversidade musical. As vozes de Sierra e Bianca oscilam entre o lírico e o "cana rachada", mas sempre de uma doçura comovente.A combinação de instrumentos é invulgar. Para além dos convencionais piano e guitarra acústica, tudo o resto são formas excêntricas, deliciosamente excêntricas, de fazer música. Uma harpa, um telefone de brinquedo, vários samplers de animais e uma extraordinária "beatbox humana", ou seja, um MC que substitui a caixa de ritmos electrónica. Uma das principais diferenças em palco reside na projecção de filmes surrealistas ao longo de todo o concerto, com uma estética muito semelhante a "The Grandmother", a infâme curta-metragem do início da carreira de David Lynch. O conjunto da instalação - música, poesia e filme - demonstram uma criatividade e uma irreverência apaixonante. Confesso-me rendido.
Aqui fica Tekno Love Song, uma das minhas favoritas:
sábado, abril 05, 2008
Diário Mali (2003)
Não sei como é possível este disco ter-me passado ao lado. Diário Mali é uma colaboração de Ludovico Einaudi, um pianista italiano e do guitarrista Ballaké Sissoko, originário do Mali. Interpretações brilhantes, explorando diversos géneros músicais através do diálogo constante entre a guitarra acústica e o piano, transportam-nos mentalmente para as paisagens africanas dos nossos sonhos e dos nossos filmes predilectos.Altamente recomendado para amantes, sonhadores e outros exploradores.
sábado, janeiro 26, 2008
O famoso Rach 3
Como podem depreender pelo nome do blogue, o piano é o meu instrumento musical favorito. No contexto da chamada música clássica, o piano tem um conjunto variado de utilizações. Em primeiro lugar, pode ser utilizado individualmente, em sonatas (como em Beethoven, Brahms, Schubert, Prokofiev, etc.), nocturnos (Chopin, Fauré, Poulenc, etc.), prelúdios (Chopin, Rachmaninov) canções sem palavras (Mendelssohn) ou outras peças avulsas (Bartok, Grieg, Sibelius). O piano é também usado em conjunto com outro(s) instrumento(s), como é o caso das sonatas para violino e piano, quintetos (Schubert, Rimsky-Korsakov) ou sextetos (Glinka).
Mas, para mim, a utilização mais magnífica e genial do piano é no contexto dos concertos para piano e orquestra. Quase todos os grandes compositores produziram obras deste tipo, incluindo Beethoven, Tchaikovsky, Brahms, Chopin e Liszt entre os românticos ou Rachmaninov, Shostakovitch, Ravel ou Gershwin entre os pós-românticos.
De todos os concertos para piano e orquestra já compostos, nenhum atingiu a notoriedade do Concerto para Piano e Orquestra Nº3 em Ré menor, Op. 30 de Sergei Rachmaninov. Perdoe-se-me a comparação, mas o estatuto deste concerto assemelha-se a um tema de música rock, tal a controvérsia gerada. Entre os amantes do cinema, a peça é conhecida por ser o célebre tema de "Shine", um filme que conta a história dramática do pianista David Helfgott, um génio autista maltratado pelo pai e cujo grande desafio é interpretar ao piano o dito concerto.
Porém, o principal motivo para o estatuto da peça é o facto de ser considerada "impossível de tocar". Não será exactamente assim, mas digamos que nem todas as interpretações que podem encontrar em cd obedecem à partitura original escrita por Rachmaninoff, em particular pela não inclusão da cadenza Ossia, que nem o próprio compositor-pianista conseguia tocar. Para piorar as coisas, as composições para piano da autoria do compositor russo são conhecidas por exigirem mãos grandes (!), devido à quantidade de teclas abrangidas pelos acordes. Esta exigência coloca um obstáculo imediato às mulheres intérpretes e explica, em parte, as variações relativamente à partitura original. Ainda assim, estão disponíveis no You Tube interpretações brilhantes de Olga Kern e Martha Argerich, provavelmente a melhor pianista de sempre. A polémica é adensada pelo facto de Rachmaninov, ele próprio pianista, ter afirmado que a sua interpretação do tema por si composto estava longe de ser satisfatória, sobretudo após ter ficado maravilhado ao assistir à interpretação de Vladimir Horowitz em 1930.
No You Tube, esta situação dá origem a discussões acaloradas, por vezes a raiar o insulto, sobre quem é o melhor intérprete deste concerto. A coisa é tão doentia que, um internauta mais empenhado disponibilizou 12 interpretações não identificadas do início do 3º andamento, para que os defensores de uma particular interpretação pudessem testar os seus conhecimentos. Demorou mais de um mês para que todas as interpretações fossem correctamente identificadas.
A audição repetida 12 vezes de cerca de um minuto e meio é um pouco obsessiva e pode deixar-vos tontos, mas um ouvido treinado, que assumo não ter, detecta diferenças evidentes entre interpretações: diferenças de ritmo, notas mal dadas (mais frequente do que se pensa), determinação no ataque ao instrumento (um dos pianistas intérpretes é acusado de carniceiro num dos comentários) e, no limite, variação no grau de paixão colocado na interpretação.
Como é pouco provável que vocês queiram fazer o teste, deixo-vos com os links para o You Tube e a lista das 12 interpretações do Rach 3:
1-Alexis Weissenberg
2-Emil Gilels
3-Van Cliburn
4-Vladimir Horowitz
5-Martha Argerich
6-Arcadi Volodos
7-David Helfgott
8-Zoltán Kocsis
9-Vladimir Ashkenazy
10-Andrei Gavrilov
11-Jorge Bolet
12-Bart Berman
De todas as interpretações disponíveis no mercado, sou proprietário de apenas duas: Martha Argerich e André Watts (não está na lista).
Mas, para mim, a utilização mais magnífica e genial do piano é no contexto dos concertos para piano e orquestra. Quase todos os grandes compositores produziram obras deste tipo, incluindo Beethoven, Tchaikovsky, Brahms, Chopin e Liszt entre os românticos ou Rachmaninov, Shostakovitch, Ravel ou Gershwin entre os pós-românticos.
De todos os concertos para piano e orquestra já compostos, nenhum atingiu a notoriedade do Concerto para Piano e Orquestra Nº3 em Ré menor, Op. 30 de Sergei Rachmaninov. Perdoe-se-me a comparação, mas o estatuto deste concerto assemelha-se a um tema de música rock, tal a controvérsia gerada. Entre os amantes do cinema, a peça é conhecida por ser o célebre tema de "Shine", um filme que conta a história dramática do pianista David Helfgott, um génio autista maltratado pelo pai e cujo grande desafio é interpretar ao piano o dito concerto.
Porém, o principal motivo para o estatuto da peça é o facto de ser considerada "impossível de tocar". Não será exactamente assim, mas digamos que nem todas as interpretações que podem encontrar em cd obedecem à partitura original escrita por Rachmaninoff, em particular pela não inclusão da cadenza Ossia, que nem o próprio compositor-pianista conseguia tocar. Para piorar as coisas, as composições para piano da autoria do compositor russo são conhecidas por exigirem mãos grandes (!), devido à quantidade de teclas abrangidas pelos acordes. Esta exigência coloca um obstáculo imediato às mulheres intérpretes e explica, em parte, as variações relativamente à partitura original. Ainda assim, estão disponíveis no You Tube interpretações brilhantes de Olga Kern e Martha Argerich, provavelmente a melhor pianista de sempre. A polémica é adensada pelo facto de Rachmaninov, ele próprio pianista, ter afirmado que a sua interpretação do tema por si composto estava longe de ser satisfatória, sobretudo após ter ficado maravilhado ao assistir à interpretação de Vladimir Horowitz em 1930.
No You Tube, esta situação dá origem a discussões acaloradas, por vezes a raiar o insulto, sobre quem é o melhor intérprete deste concerto. A coisa é tão doentia que, um internauta mais empenhado disponibilizou 12 interpretações não identificadas do início do 3º andamento, para que os defensores de uma particular interpretação pudessem testar os seus conhecimentos. Demorou mais de um mês para que todas as interpretações fossem correctamente identificadas.
A audição repetida 12 vezes de cerca de um minuto e meio é um pouco obsessiva e pode deixar-vos tontos, mas um ouvido treinado, que assumo não ter, detecta diferenças evidentes entre interpretações: diferenças de ritmo, notas mal dadas (mais frequente do que se pensa), determinação no ataque ao instrumento (um dos pianistas intérpretes é acusado de carniceiro num dos comentários) e, no limite, variação no grau de paixão colocado na interpretação.
Como é pouco provável que vocês queiram fazer o teste, deixo-vos com os links para o You Tube e a lista das 12 interpretações do Rach 3:
1-Alexis Weissenberg
2-Emil Gilels
3-Van Cliburn
4-Vladimir Horowitz
5-Martha Argerich
6-Arcadi Volodos
7-David Helfgott
8-Zoltán Kocsis
9-Vladimir Ashkenazy
10-Andrei Gavrilov
11-Jorge Bolet
12-Bart Berman
De todas as interpretações disponíveis no mercado, sou proprietário de apenas duas: Martha Argerich e André Watts (não está na lista).
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Melhores Canções do Ano de 2007
Se a minha lista de cds causou algumas surpresas, a lista das 10 canções do ano também vai surpreender. Ao K. tenho a dizer que conheço pouco dos LCD Soundsystem e a lista só reflecte cds sobre os quais tenho opinião formada. Já relativamente aos Radiohead, digo ao Vasco que me parece mais do mesmo.
De todas as listas que vi publicadas na Internet em sites de música, muitas mencionam Panda Bear, Arcade Fire e Blonde Redhead. Poucas mencionam Bright Eyes e Andrew Bird. Todas ignoram Björk (uma tremenda injustiça!), Amiina (pelas semelhanças com Sigur Ròs) e Autumn Shade (por desconhecimento). Rufus Wainwright merece uma referência especial. Sendo este o seu quinto álbum, é também o mais brilhante. As orquestrações grandiosas, a emoção da voz e a paixão das letras justificam a minha escolha. O desprezo dos outros fica a dever-se, muito provavelmente, à atitude contestatária e quase anti-patriota de algumas canções ("Going to a town", por exemplo).
Aqui ficam as melhores do ano:
1. Antichrist Television Blues – Arcade Fire
Se Bruce Springsteen escrevesse canções sobre religião soaria assim. Um poema gigante, em dimensão e conteúdo: críticas ao fanatismo religioso (evangélico, islâmico…), Torres Gémeas, exploração de crianças para fins religiosos (leia-se €€€€€ ou $$$$$$). Win Butler e os Arcade Fire, mestres do apocalipse…
Ouvir: Aqui
2. Scythian Empires – Andrew Bird
Um prodígio de melodia, composição e execução. Andrew Bird no auge.
Ouvir: http://www.box.net/shared/static/803d3eoqhx.mp3
3. Earth Intruders – Björk
Um pódio bem merecido. Björk em plena forma. Ela é única e a sua música desafia classificação.
Ver e ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=p3YMf5sRnDs
Ao vivo no Saturday Night Live: http://www.youtube.com/watch?v=p9wZ_P4v3bI
4. Sparrow/Home – Autumn Shade
A primeira vez que ouvi esta música pensei que tinha sido gravada num celeiro de tamanho gigantesco. Depois de saber que os Autumn Shade são de Tulsa, Oklahoma, tenho a certeza que foi gravada num celeiro. Jes Lenee é a descoberta musical do ano.
Ouvir Home: Aqui
Ouvir o disco Ezra Moon: http://www.autumn-shade.com/
5. Intervention – Arcade Fire
Fico com pele de galinha sempre que ouço esta. Tentem lá descobrir o último grande êxito musical em que um órgão de tubos tem papel principal...
Ouvir: Aqui
6. Sunflower’s Here to Stay – Angels of Light
Infelizmente, esta não está disponível em lado nenhum. Podem ouvir um excerto fraquinho aqui: http://www.midheaven.com/fi/audio2/wearehim09.m3u
Em alternativa, Black River Song também do álbum We Are Him: http://www.thankscaptainobvious-music.net/Songs/01%20-%20Black%20River%20Song.mp3
7. Going to a Town – Rufus Wainwright
Ok, esta não ganha o prémio de popularidade entre os americanos. Acontece que nós somos europeus e, política à parte, uma boa canção basta.
Ver e ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=dUIsQo4K70Y
8. Make a Plan to Love Me – Bright Eyes
É a canção de amor do ano.
Ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=rElUB2meWsU
9. La Dame et la Licorne – Shearwater
Vagas semelhanças com os Talk Talk em final de carreira... o que é sempre uma boa referência. Ouvir: Aqui
10. 23 – Blonde Redhead
Alguns dizem que faz lembrar My Bloody Valentine, mas é “apenas” excelente música pop.
Ver e ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=a7FqUNlEdwA
De todas as listas que vi publicadas na Internet em sites de música, muitas mencionam Panda Bear, Arcade Fire e Blonde Redhead. Poucas mencionam Bright Eyes e Andrew Bird. Todas ignoram Björk (uma tremenda injustiça!), Amiina (pelas semelhanças com Sigur Ròs) e Autumn Shade (por desconhecimento). Rufus Wainwright merece uma referência especial. Sendo este o seu quinto álbum, é também o mais brilhante. As orquestrações grandiosas, a emoção da voz e a paixão das letras justificam a minha escolha. O desprezo dos outros fica a dever-se, muito provavelmente, à atitude contestatária e quase anti-patriota de algumas canções ("Going to a town", por exemplo).
Aqui ficam as melhores do ano:
1. Antichrist Television Blues – Arcade Fire
Se Bruce Springsteen escrevesse canções sobre religião soaria assim. Um poema gigante, em dimensão e conteúdo: críticas ao fanatismo religioso (evangélico, islâmico…), Torres Gémeas, exploração de crianças para fins religiosos (leia-se €€€€€ ou $$$$$$). Win Butler e os Arcade Fire, mestres do apocalipse…
Ouvir: Aqui
2. Scythian Empires – Andrew Bird
Um prodígio de melodia, composição e execução. Andrew Bird no auge.
Ouvir: http://www.box.net/shared/static/803d3eoqhx.mp3
3. Earth Intruders – Björk
Um pódio bem merecido. Björk em plena forma. Ela é única e a sua música desafia classificação.
Ver e ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=p3YMf5sRnDs
Ao vivo no Saturday Night Live: http://www.youtube.com/watch?v=p9wZ_P4v3bI
4. Sparrow/Home – Autumn Shade
A primeira vez que ouvi esta música pensei que tinha sido gravada num celeiro de tamanho gigantesco. Depois de saber que os Autumn Shade são de Tulsa, Oklahoma, tenho a certeza que foi gravada num celeiro. Jes Lenee é a descoberta musical do ano.
Ouvir Home: Aqui
Ouvir o disco Ezra Moon: http://www.autumn-shade.com/
5. Intervention – Arcade Fire
Fico com pele de galinha sempre que ouço esta. Tentem lá descobrir o último grande êxito musical em que um órgão de tubos tem papel principal...
Ouvir: Aqui
6. Sunflower’s Here to Stay – Angels of Light
Infelizmente, esta não está disponível em lado nenhum. Podem ouvir um excerto fraquinho aqui: http://www.midheaven.com/fi/audio2/wearehim09.m3u
Em alternativa, Black River Song também do álbum We Are Him: http://www.thankscaptainobvious-music.net/Songs/01%20-%20Black%20River%20Song.mp3
7. Going to a Town – Rufus Wainwright
Ok, esta não ganha o prémio de popularidade entre os americanos. Acontece que nós somos europeus e, política à parte, uma boa canção basta.
Ver e ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=dUIsQo4K70Y
É a canção de amor do ano.
Ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=rElUB2meWsU
9.
Vagas semelhanças com os Talk Talk em final de carreira... o que é sempre uma boa referência.
Alguns dizem que faz lembrar My Bloody Valentine, mas é “apenas” excelente música pop.
Ver e ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=a7FqUNlEdwA
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Melhores Álbuns de 2007 / Best CDs of 2007
1. Neon Bible - Arcade Fire
2. Release the Stars - Rufus Wainwright
3. Ezra Moon - Autumn Shade
4. Armchair Apocrypha - Andrew Bird
5. Kurr - Amiina
6. We Are Him - Angels of Light
7. Volta - Björk
8. Cassadaga - Bright Eyes
9. Person Pitch - Panda Bear
10. North Star Deserter - Vic Chesnutt

Menções Honrosas:
Ghost Will Come and Kiss Our Eyes - Hrsta
Ongiara - Great Lake Swimmers
Palo Santo - Shearwater

You, You're a History in Rust - Do Make Say Think
23 - Blonde Redhead
Amateur - Alog
2. Release the Stars - Rufus Wainwright
3. Ezra Moon - Autumn Shade
4. Armchair Apocrypha - Andrew Bird
5. Kurr - Amiina
6. We Are Him - Angels of Light
7. Volta - Björk
8. Cassadaga - Bright Eyes
9. Person Pitch - Panda Bear
10. North Star Deserter - Vic Chesnutt
Menções Honrosas:
Ghost Will Come and Kiss Our Eyes - Hrsta
Ongiara - Great Lake Swimmers
Palo Santo - Shearwater
You, You're a History in Rust - Do Make Say Think
23 - Blonde Redhead
Amateur - Alogsábado, dezembro 08, 2007
Um cruzamento entre o visual de Marco Paulo e a música de António Variações
Uma amplitude vocal inacreditável, uma atitude de desafio e música pop electrizante levaram à glória Billy Mackenzie e Alan Rankine, a banda que ficou mundialmente conhecida como The Associates. Nasceram em 1979, mas o reconhecimento só chegou em 1982 com o álbum Sulk, uma obra-prima da música pop, admirada por nomes tão diferentes quanto Marc Almond ou Siouxsie Sioux.
Billy Mackenzie cantava com uma intensidade rara, oscilando entre falsettos quase impossíveis nuns momentos e uma voz quase cavernosa noutros. White Car in Germany demonstra estes extremos. Noutro contexto seria apenas mais um exemplo de música euro-trash, tipo Modern Talking ou Bananarama, mas na voz de Billy, naquela voz que parece vinda do além, transforma-se numa peça de música pop sinistra, se é que o rótulo faz sentido...
Na sua fase mais extravagante, os Associates praticavam um pop melódico e energético, com rumores rampantes de falsettos movidos a hélio. Tudo a contribuir para a projecção de Billy até à eternidade. Em termos de letras e música, existem curiosas semelhanças com António Variações, mas já em termos visuais foi em Marco Paulo que pensei. Vejam 18 Carat Love Affair para avaliarem o "Marco Variações" escocês...
Os Associates dissociaram-se em 1984 e Billy segui uma carreira a solo com sucesso intermitente durante a década seguinte.
Billy Mackenzie cometeu suícidio por overdose em 1996.
Billy Mackenzie cantava com uma intensidade rara, oscilando entre falsettos quase impossíveis nuns momentos e uma voz quase cavernosa noutros. White Car in Germany demonstra estes extremos. Noutro contexto seria apenas mais um exemplo de música euro-trash, tipo Modern Talking ou Bananarama, mas na voz de Billy, naquela voz que parece vinda do além, transforma-se numa peça de música pop sinistra, se é que o rótulo faz sentido...
Na sua fase mais extravagante, os Associates praticavam um pop melódico e energético, com rumores rampantes de falsettos movidos a hélio. Tudo a contribuir para a projecção de Billy até à eternidade. Em termos de letras e música, existem curiosas semelhanças com António Variações, mas já em termos visuais foi em Marco Paulo que pensei. Vejam 18 Carat Love Affair para avaliarem o "Marco Variações" escocês...
Os Associates dissociaram-se em 1984 e Billy segui uma carreira a solo com sucesso intermitente durante a década seguinte.
Billy Mackenzie cometeu suícidio por overdose em 1996.
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