Eu sei que os Supertramp são uma banda pirosa e que a voz aguda de Roger Hodgson é detestável para muita gente. Mas recentemente apeteceu-me recordar os meus 18 anos e o primeiro contacto com a banda. A entrada memorável de "School", o dramatismo de "Crime of the Century" e o chilrear de passarinhos em "Even in the Quietest Moments" transportam-me para uma altura em que, para além de feliz, era inocente. Inocente por acreditar na bondade das pessoas, na simplicidade da vida, na evidência das decisões a tomar. Acho que perdi essa inocência quando saí de casa aos mesmíssimos 18 anos. Ou melhor, quando mudei de cidade (Gaia por Braga).
Há alguns dias atrás, o Luís falava de provincianismo. O provincianismo tem vantagens quando observado sob o ponto de vista da inocência. Impede a confrontação dos nossos medos e das nossas insuficiências, poupa-nos a tarefa árdua das escolhas e, em última análise, torna a nossa vida mais segura. Mais segura, mas muito menos interessante.
Ouvir A Soap Box Opera, na sua plenitude orquestral, lembrou-me como pode ser importante olharmos as nossas raízes e rever o percurso que fizemos. Dezoito anos depois, quase todas as premissas foram abandonadas ou reequacionadas. Perguntar-me se ainda reconheço quem era, é demasiado complexo para responder e provavelmente irrelevante para quem só contempla o futuro como opção.
"A Soap Box Opera" performed by Supertramp
PS: O meu agradecimento ao Pedro pela sugestão do título do post
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sexta-feira, novembro 30, 2007
segunda-feira, novembro 26, 2007
Josh Rouse ao vivo no Theatro Circo
quinta-feira, novembro 22, 2007
quinta-feira, novembro 15, 2007
Josh Rouse ao vivo no Theatro Circo
Bilhetes comprados para dia 27. Despachem-se! Já só apanhei a fila K...
quarta-feira, novembro 14, 2007
Pérolas da Dark Wave - Clan of Xymox
Os anos 80 viram nascer um estilo musical conhecido como dark wave. No saco cabiam muitas bandas, desde The Cure a Dead Can Dance, mas em comum tinham o preto como cor dominante na música, na poesia e na indumentária. Os Clan of Xymox, nascidos em 1984, são uma banda holandesa desta corrente e já com um conjunto apreciável de obras, das quais se destacam o homónimo Clan of Xymox (1985), Medusa (1987), Hidden Faces (1997) e o mais recente Breaking Point (2006).
Um excelente vídeo filmado em New York (com Torres Gémeas e tudo) e ao vivo na Cidade do México para o tema Stranger, um dos melhores de sempre dos Clan of Xymox. Visualmente muito bom graças aos contrastes do preto-e-branco e musicalmente apresentando a banda no seu auge, Stranger é uma curta metragem arrojada e a fugir ao estilo estafado dos vídeoclips convencionais. Um must!
sexta-feira, outubro 05, 2007
1. More (1969) - Barbet Schroeder
O primeiro filme do realizador franco-alemão Barbet Schroeder retrata a descida ao abismo de um jovem alemão que se apaixona por uma americana com vasta experiência no mundo da droga. Stefan viaja à boleia para Paris, onde conhece Estelle Miller que o convence a passar o Verão consigo em Ibiza. Aqui, na pequena ilha de Formentera onde todos se conhecem, Stefan experimenta vários tipos de drogas, partindo dos inocentes charros, para as anfetaminas, passando pelo LSD e acabando dependente do cavalo (heroína).O filme surge na ressaca do movimento hippie, do flower power e do Verão do Amor, assumindo uma surpreendente postura crítica do consumo de drogas. O argumento é simples, quase diria amadoresco, e os actores têm desempenhos relativamente fracos, ainda que Mimsy Farmer (Estelle) vista, de forma convincente, a pele de anjo negro. Um dos principais méritos do filme reside na forma como trata o tema da toxicodependência, em contracorrente com o optimismo prevalecente durante grande parte dos anos 60. Nesse sentido, pode ser considerado um percursor, fraco, é certo, de Trainspotting, ou de relatos como os de Christiane F. ou Sid & Nancy.
A banda sonora foi composta integralmente pelos Pink Floyd e constitui outro ponto alto do filme. A música alterna longas sequências psicadélicas (Quicksilver) com interlúdios que contextualizam a acção (Party Sequence ou A Spanish Piece) Os temas mais marcantes são Cirrus Minor, Crying Song e Cymbaline (com voz de Roger Waters e não de David Gilmour, como acontece no álbum original). A paisagem sonora é acompanhada por uma excelente fotografia das paisagens sublimes de Ibiza (pôr-do-sol, mar, falésias, etc.). Não fosse o tema sério, tratado de forma realista, quase diria que se trata de um óptimo filme de Verão, mas provavelmente o contraste entre a vitalidade da paisagem e a decadência das personagens não é casual.
PS: Não deixa de ser curioso o facto de, tanto no cinema como na vida real, os relatos de casais de toxicodependentes atribuírem à mulher o papel de víbora (Sid Vicious & Nancy Spungen, Kurt Cobain & Courtney Love, Estelle & Stefan em More).
sábado, agosto 25, 2007
sexta-feira, agosto 17, 2007
Green is the Colour
Uma crítica ao filme More realizado por Barbet Schroeder foi publicada por mim no Angústias de um Professor. Um dos temas da banda sonora dos Pink Floyd - Green is the Colour - toca ali ao lado...
domingo, agosto 12, 2007
Libertem as estrelas!
Release the Stars, o novo de Rufus Wainwright é um disco absolutamente soberbo. Aqui fica uma amostra...
segunda-feira, agosto 06, 2007
Lee Hazlewood (09-07-1929 - 04-08-2007)
Lee Hazlewood faleceu no passado sábado, dia 4 de Agosto, aos 78 anos, de cancro renal. Nascido em Mannford, Oklahoma, Lee viveu um pouco por todo o mundo: Londres, Paris, Helsínquia, Las Vegas e Phoenix. Nos últimos anos da sua vida passou igualmente temporadas em Espanha e na Florida, mas a sua ligação à Europa mais conhecida é com a Suécia. Tendo vivido e trabalhado entre 1970 e 1977, desenvolvendo uma afinidade tão grande com o país escandinavo que chegou a intitular um dos seus discos como "A Cowboy in Sweden".
Dotado de uma notável voz de barítono, a sua música sempre foi difícil de definir, oscilando entre o mais puro country e o cross-over com o rock. Foi igualmente conhecido pelo tema "These boots are made for walking" composto para Nancy Sinatra e que a tornou uma estrela. Fez inúmeros duetos com Nancy Sinatra, Suzi Jane Hokom, Ann-Margret e Anna Hanski. Os seus discos mais marcantes foram The Very Special World Of Lee Hazlewood (1966), Lee Hazlewoodism Its Cause and Cure (1967), The Cowboy and the Lady (1968) e Requiem for an Almost Lady (1971). Os melhores temas da sua longa colaboração com Nancy Sinatra aparecem na colectânea Fairy Tales & Fantasies. Para além de "These boots are made for walking", um dos temas mais famosos de Lee foi "Summer Wine", que podem escutar em fundo neste blog. A faceta de storyteller de Lee, acompanhado por Donnie Owens, pode ser apreciada no vídeo de "First Street Blues" gravado para o programa da televisão sueca "Love and Other Crimes" (1968).A sua influência musical é notória em nomes conhecidos da música dita alternativa como os Tindersticks, Lambchop, Calexico. Todos eles, assim como Lydia Lunch, Primal Scream, Einstürzende Neubauten, Nick Cave, Anita Lane e Boyd Rice gravaram versões dos seus temas.
domingo, agosto 05, 2007
Qual a banda sonora?
Al Bowlly interpreta o tema de fundo deste blog, "Guilty", que surge integrado numa banda sonora extremamente popular de um filme lançado em 2001. Dois temas interpretados pelo mesmo cantor - "Midnight, the Stars and You" e "It's All Forgotten Now" - haviam sido igualmente utilizados numa obra-prima de terror da década de 80.
Quais os dois filmes em que os temas de Al Bowlly, nascido a 7 de Janeiro de 1899 em Lourenço Marques (território português, portanto), aparecem?
Quais os dois filmes em que os temas de Al Bowlly, nascido a 7 de Janeiro de 1899 em Lourenço Marques (território português, portanto), aparecem?
quarta-feira, julho 18, 2007
sábado, julho 14, 2007
quarta-feira, julho 11, 2007
Momentos
Esgotei os adjectivos para descrever os Arcade Fire. A orquestra louca de Montréal demonstra que nem numa daquelas aparições estereotipadas para televisão estamos seguros... Que o digam as cordas e a guitarra de Win Butler!
sábado, julho 07, 2007
20. OK Computer (1997) - Radiohead

A listagem dos 20 melhores discos da minha vida chega hoje ao fim. Ao longo de 20 entradas, apresentei, critiquei e, na maioria das vezes, elogiei obras discográficas de grande valor pessoal e sentimental. Muitas vezes, estes trabalhos marcaram a minha existência em virtude de um "alinhamento perfeito das estrelas". Alguns eram muito conhecidos e idolatrados, outros obras que pouco venderam e passaram despercebidas à generalidade do público consumidor de música.
Nada como um dos melhores discos dos anos 90 para fechar com chave de ouro. Para verem a dimensão da qualidade da obra, os críticos habitualmente forretas da Pitchfork perderam a cabeça e atribuiram a nota perfeita (10.0) ao álbum.
Confesso que o meu amor pelos Radiohead era muito limitado até ao momento em que lançaram OK Computer. Tinham uma cançãozinha de 4 acordes - Creep - que se recusavam a tocar em concerto por que, afirmavam, era a única que o público queria ouvir... manias!
As referências ao stress quotidiano, à alienação dos yuppies na vida empresarial, o trabalho obsessivo e destituído de sentido são os temas dominantes das letras escritas por Thom Yorke. A famosa dedicatória a Bill Gates do tema Paranoid Android parece confirmar a repulsa pela orientação materialista e consumista do mundo actual.
A obra é por muitos considerada como o primeiro disco anti-globalização, se é que tal faz algum sentido... Paranoid Android é uma das selecções do You Tube para este post. De notar as tiradas geniais como: "Ambition makes you look pretty ugly / Kicking and squealing gucci little piggy"
Ou:
"That's it, sir
You're leaving
The crackle of pigskin
The dust and the screaming
The yuppies networking
The panic, the vomit
The panic, the vomit
God loves his children,
God loves his children, yeah!"
O disco é extremamente "cinematográfico". Canções como Subterranean Homesick Alien ou Lucky demonstram este lado de OK Computer e indicam uma versatilidade até então desconhecida na banda. O melhor exemplo desta vertente "banda sonora" é Exit Music (for a film):
Num disco tão perfeito, é difícil identificar as melhores faixas. Musicalmente, as minhas preferências vão para Exit Music, Lucky, No Surprises e Let Down. Paranoid Android é um invulgar caso de brilhantismo poético e musical e, para mim, a melhor música dos anos 90. Curiosamente, tem também uma duração invulgar para um tema single, com mais de 6 minutos e meio, e uma complexidade de estrutura e composição rara para uma banda rock. A intensidade das faixas de OK Computer é ainda mais vincada ao vivo, como o demonstra o vídeo de Airbag, retirado de uma actuação no programa de Jools Holland. Sublinhe-se a fantástica tirada irónica "In a fast german car / I'm amazed that I survived / An airbag saved my life"
domingo, julho 01, 2007
Carla Bozulich @ Plano B

Carla Bozulich actua esta quinta-feira, dia 5 de Julho, no Plano B no Porto e, no dia seguinte, na Galeria Zé dos Bois em Lisboa. Só se o trabalho apertar muito é que não irei...
Carla Bozulich pertence à excelente editora canadiana Constellation Records, que edita alguns dos músicos mais criativos e irreverentes da onda pós-rock. Embora Evangelista seja o seu disco de estreia na Constellation, Carla está longe de ser uma principante nestas andanças, tendo pertencido à banda Geraldine Fibbers. (Para confirmar os preconceitos do portugueses sobre a ignorância dos americanos, este site indica Porto e Lisboa como sendo "Spain"...)
Há uns tempos atrás considerei Evangelista como o 9º melhor álbum do ano e, na altura, escrevi:
"Ok. Carla Bozulich não é exactamente uma Diamanda Galas, mas aproxima-se de uma P.J. Harvey muito zangada. Evangelista é uma estreia absolutamente surpreendente. Nunca tinha ouvido falar desta mulher até ter ouvido Evangelista I, o primeiro tema do disco. Posso garantir que fiquei arrepiado de medo. Sim, puro e não adulterado medo! A entrada deste cd é um tema com mais de 9 minutos em que Bozulich grita furiosamente as letras do tema por meio de samples, loops e uma secção de cordas composta por violino, viola, violoncelo e contrabaixo tocados de forma muito pouco ortodoxa. A acrescentar a toda esta cacofonia alucinante há ainda um discurso do Elder Otis Jones, pregando no distante ano de 1936. As coisas acalmam bastante depois deste início fulgurante, mas por esta altura já Carla Bozulich tinha ganho entrada directa para a tabela dos 10 melhores do ano. Steal Away é uma ode pungente e How to Survive Being Hit by Lightning um clássico instantâneo. Curiosamente, o cd termina com Evangelista II, uma versão muito mais soft do primeiro tema."
Para saber mais sobre Carla Bozulich visitem o seu site no My Space.
quinta-feira, junho 28, 2007
19. Bring On the Night (1986) - Sting

Para quem conhece bem este blog, esta deve parecer uma estranha escolha. Para alguns poderá ser demasiado comercial; para outros, apenas um apeadeiro na carreira de Sting. Para mim, tem um significado muito especial: foi o primeiro disco de música verdadeiramente boa que gostei, ou melhor, aprendi a gostar. Confusos? Eu explico.
Quando tinha 16 anos, só ouvia música má: Wham!, Duran Duran, Modern Talking, Kim Wilde, A-ha, entre muitos outros pimbas anglo-saxónicos. Este Bring On the Night foi uma revolução para os meus ouvidos. Na altura, os meus amigos gostavam de música muito mais comercial e ligeira, pelo que a repetida audição deste disco não lhes passava pela cabeça. Mas, o que é que faz de Bring On the Night um disco especial?
Sting tinha já uma longa carreira na música pop-rock quando editou este álbum feito de versões da sua antiga banda - The Police - misturadas com originais seus. Até aqui nada de novo. Mas Sting adoptou uma perspectiva revisionista. Pegou em todos aqueles temas pop e transformou-os em versões de fusão com o jazz. Não o fez sozinho. Teve a ajuda de verdadeiros "monstros" da história do jazz, como sejam Branford Marsalis (tocou com Art Blakey, Dizzie Gillespie, Miles Davis e Wynton Marsalis), Omar Hakim (baterista dos Weather Report), Darryl Jones (baixista de Miles Davis) e Kenny Kirkland (teclista de Dizzie Gillespie e Wynton Marsalis). Nas vozes, o disco conta ainda com Janice Pendarvis, que havia trabalhado com Philip Glass, Laurie Anderson, Robert Flack e Peter Tosh, e Dolette McDonald, que colaborou com os Police, Talking Heads e Laurie Anderson.
Sem surpresa, o disco é uma fabulosa demonstração como temas de estúdio podem ser recriados ao vivo num formato integralmente diferente. As versões remisturadas de One World/Love is the Seventh Wave e Bring on the Night/When the World is Running Down são testemunhos da capacidade criativa e irreverente de Sting, demonstrando uma invulgar humildade, que segundo consta não é nada típica do músico-professor. Os solos de saxofone de Marsalis e os solos de piano de Kirkland, infelizmente desaparecido em 1998, tornam o disco um verdadeiro "must have" para apreciadores de jazz.
O meu gosto por este disco transformou-me num pária entre os meus amigos mais chegados. "Lá vem este com o jazz", costumavam dizer. Essa segregação valeu a pena. O inconformismo demonstrado na altura viria a alargar-se para muitas outras áreas da música, confirmando que "não se deve negar à partida uma ciência que se desconhece..."
Bring On the Night, em versão abreviada (o original tem 11 minutos e 42 segundos), pode ser escutado aqui. Os saudosistas podem comparar esta versão jazz, com o original "reggae-pop" dos Police, também disponível no You Tube.
quarta-feira, maio 16, 2007
13. Dark Side of the Moon (1973) - Pink Floyd

Tinha 15 anos. Foi numa tarde de semana em que não tive aulas e fui para casa de um amigo chamado Rui que o ouvi a primeira vez. Certamente influenciado pelo pai, Rui era fã de ficção científica, o que explica termos visto 2001-Odisseia no Espaço vezes sem conta. O filme é, ainda hoje, um dos meus favoritos de sempre, pelas questões que coloca sobre a natureza humana e sobre os condicionamentos provocados pela tecnologia, mas a crítica fica para outra entrada. Aqui vai falar-se de Dark Side, que aborda alguns dos mesmos tópicos e que escutamos inúmeras vezes.
O disco é, a todos os títulos, invulgar. Lançado em 1973, é o primeiro mega-sucesso dos Pink Floyd, que já tinham editado 7 discos anteriormente, "menos convencionais", com uma sonoridade críptica e psicadélica. Estranhamente, Dark Side of the Moon tornou-se um sucesso de forma lenta e persistente: esteve mais de 700 (setecentas!!!) semanas (14 anos!!!) classificado no Billboard 200, top americano de vendas. (Apesar disso, não é o disco mais vendido de todos os tempos.) Este facto chegaria para tornar o disco mítico, mas há mais, muito mais.
Já apelidei muitas edições musicais de "obra-prima", mas provavelmente a nenhuma outra a expressão se adapta melhor do que a Dark Side. É o primeiro disco gravado em som quadrifónico, o que torna a audição nas aparelhagens de som "último modelo" uma delícia e a única capaz de proporcionar a verdadeira apreciação do detalhe sonoro. Produzido por Alan Parsons e pelos Floyd, Dark Side é pura e simplesmente perfeito, em termos de letra, música e produção. As únicas críticas que ouvi a este disco é que é demasiado perfeito, fazendo com que se perca o encanto, a improvisação e alguma "aspereza" de produção que caracteriza habitualmente a criação artística e musical. Mas o perfeccionismo também pode ser uma vertente relevante da arte e aqui revela-se em todo o seu esplendor.
Tal como sobre outros discos memoráveis se contam certos mitos, também de Dark Side se diz que deve ser ouvido com uma experiência visual. Se colocarmos o disco e o filme O Feiticeiro de Oz simultaneamente, as coincidências são espantosas, quase se podendo dizer que o primeiro constitui a banda sonora do segundo. Eu próprio já fiz essa experiência e fiquei surpreendido. Se a experiência for acompanhada por "substâncias", digamos, favoráveis à abertura do corpo e do espírito, o prazer pode ser infinitamente superior. E mais não digo...
Quanto à música propriamente dita, toca ininterruptamente em cada um dos lados do vinil. Desde a primeira batida cardíaca até à última, experimentamos todas as sensações que um ser humano conhece, desde que nasce até à sua morte. Mas as letras centram-se fundamentalmente:
No stress da vida quotidiana em Breathe:
"Run, rabbit run.
Dig that hole, forget the sun,
And when at last the work is done
Don't sit down it's time to dig another one."
e em Time:
"So you run and you run to catch up with the sun but it's sinking
Racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way but you're older,
Shorter of breath and one day closer to death."
Na ganância, em Money:
"Money, it's a crime.
Share it fairly but don't take a slice of my pie.
Money, so they say
Is the root of all evil today.
But if you ask for a raise it's no surprise that they're
giving none away."
E na alienação, em Brain Damage:
"The lunatic is in my head.
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me 'til I'm sane.
You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me."
O disco termina de uma forma nihilista, com a frase:
"There is no dark side of the moon really. Matter of fact it's all dark."
Até a batida cardíaca se extinguir por completo...
Podem ler mais curiosidades sobre The Dark Side of the Moon aqui.
O final glorioso do álbum pode ser escutado neste "film-clip" kitsch acompanhado por imagens de algumas figuras dominantes da época como Nixon, Arafat ou o eterno Fidel Castro e milhares de discos de vinil a explodirem.
sábado, maio 12, 2007
12. Aion (1990) - Dead Can Dance

Na lista dos 20 discos da minha vida, este é um dos mais excêntricos. Os Dead Can Dance são frequentemente associados com um estilo musical conhecido como dark wave, que é manifestamente redutor para o alcance e diversidade da música praticada por este duo global: Lisa Gerrard vive na Austrália e Brendan Perry na Irlanda, encontrando-se ocasionalmente para gravar. A combinação da voz celestial e onírica de Lisa com a voz sinistra e etérea de Brendan, associada a uma grande quantidade de instrumentos acústicos e electrónicos converteu os Dead Can Dance numa das bandas mais amadas em todo o mundo, quer pelos críticos musicais, quer pelo público em geral.
Em Aion (1990), os Dead Can Dance transportam-nos para tempos antigos e música imemorial. Saltarello é uma dança instrumental de um compositor italiano anónimo do século XIV; The Song of Sybil é uma versão de um tema tradicional da Catalunha com raízes no século XVI; e a canção mais intensa é Fortune Presents Gifts Not According to the Book, com poema de Luis de Góngora, poeta e dramaturgo espanhol do final do século XVI conhecido pela corrente literária que gerou: o gongorismo. Toda a sonoridade é mística e misteriosa, com evidentes ligações ao folclore celta, às danças tradicionais italianas, ao canto gregoriano e à música barroca, com paisagens remotas a servirem de inspiração a toda a composição.
A capa do disco é um detalhe do "Jardim das Delícias" de Hieronymus Bosch é a cereja em cima de um bolo muito bem recheado. Outros discos excelentes dos Dead Can Dance são Within the Realm of a Dying Sun (1987), Into the Labyrinth (1993) e Toward the Within (ao vivo) (1994). O ecletismo do duo pode ser constatado nas influências do Médio Oriente que perpassam Rakim, o tema de abertura de Toward the Within:
sexta-feira, maio 11, 2007
11. The Doors (1967) - The Doors

Adivinha: Para além de sermos do signo Sagitário, o que é que eu (Fernando Piano) e o Jim Morrison (vocalista dos Doors) temos em comum?
Ouvi este disco pela primeira vez quando tinha 18 anos de vida e era facilmente impressionável. Para além da energia que transpira por todos os poros, o disco marcou-me pela mudança paradigmática que provocou na música rock: era possível encontrar nas trevas, na revolta e no incorformismo, uma alternativa à luz, às flores, aos hippies e ao sol da California dos Beach Boys. Até este disco, os meus ouvidos escutavam maioriamente música pop comercial, mas foi com os Doors que dei os primeiros passos na escuridão...
Os solos de teclas de Ray Manzarek, a guitarra blues de Robby Krieger, a bateria de John Densmore e a voz intensa/alucinada/sussurada do deus sexual Jim Morrison tranformaram o que seria uma banda de blues rock vulgar num inesquecível portento musical. Deste disco em particular diz-se que demorou apenas 6 dias a gravar, o que ilustra bem o génio explosivo e criativo da banda, que ainda viria a gravar outro (Strange Days) durante o ano de 1967. Mas o que mais impressiona no primeiro álbum dos Doors é a riqueza da composição musical associada à inspiração poética de Jim. Se é verdade que a poesia de Jim Morrison nunca recebeu o acolhimento da crítica que o seu autor desejava, também não é menos verdade que foram os seus melhores escritos que acabaram musicados.
Os temas mais fortes do disco são o hit Light My Fire, o teatral Alabama Song (Whiskey Bar), a balada Crystal Ships, a batida infecciosa de Break On Through e o épico edipiano The End. Para recordarem o fabuloso The End:
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