Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, setembro 09, 2008

Impressões de Boston


Para uma grande cidade americana, Boston é diferente do habitual. É mais antiga, mais compacta e, de certo modo, mais europeia. Depois de já ter estado nas "capitais da dispersão urbana" como Los Angeles, Atlanta ou Denver, posso afirmar que Boston é completamente distinta. As pessoas caminham mais do que é usual, as lojas são mais pequenas e os prédios têm pátios frontais decorados com flores e relva. Ao contrário de muitas outras cidades americanas, que se encontram divididas em zonas comerciais, industriais e residenciais, Boston possui bairros (Back Bay, South End, Beacon Hill, North End e, claro, Cambridge) onde os habitantes trabalham, estudam, comem e dormem sem serem necessárias grandes deslocações.

Para o visitante desprevenido, a maior dificuldade reside na noite. Boston é uma cidade muito escura, com iluminação pública deficiente e atravessada por becos estreitos e sinistros a lembrar o East End londrino dos tempos do estripador. Só "public alleys" são mais de 400 (!), a julgar pela numeração que os acompanha. Um amigo italiano que aqui vive há alguns anos diz que Boston é uma cidade gótica, talvez por lhe fazer lembrar as cidades alemãs de menor dimensão que ainda preservam arquitectura antiga.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Mau Tempo nos Açores

Aqui estou eu de regresso, após uma longuíssima ausência em relação íntima com o Atlântico, primeiro nos Açores e depois em Boston. Mas já lá vamos...
Alguém me explica a razão pela qual a meteorologia do continente prevê, durante o ano inteiro, céu muito nublado e/ou chuva para os Açores? Tinha algumas suspeitas que essas previsões eram uma treta e os meus receios confirmaram-se. Estive uma semana nas ilhas da Terceira e do Faial e a única água doce com que tive que lidar foi a da piscina. Elevada humidade no ar, temperatura amena, sol... os Açores parecem um paraíso tropical. Só faltam mesmo as praias com areia branca e palmeiras. Até a água do mar é transparente como um vidro! Imagine-se até que eu, que cultivo a pele alva e uma certa aversão saudável ao sol, regressei semi-moreno!
Serão as previsões dos meteorologistas um truque para evitar excesso de procura? Ambas as ilhas são divinas e as cidades de Angra (Terceira) e Horta (Faial) são óptimos destinos turísticos, cada uma à sua maneira. Angra do Heroísmo é uma cidade organizada, limpa, com uma arquitectura encantadora, ou não fosse ela património da humanidade. Horta destaca-se pela hiper-movimentada marina, que domina toda a baía e é visível de qualquer local da cidade, que trepa pela encosta. Olhar para o fundo da marina e ser capaz de vislumbrar cardumes de peixe através da água límpida é surpreendente, tanto mais que se trata de uma das marinas mais cosmopolitas da Europa, ponto de passagem de milhares de embarcações provenientes dos quatro cantos do mundo. O peixe fresco, das mais variadíssimas espécies, cozinhado de múltiplas maneiras, a tenra e suculenta alcatra e os doces e sumarentos ananazes tornaram ainda estas férias numa experiência gastronómica cheia de pequenos prazeres.
Pela amostra, a região autónoma dos Açores é o mais próximo que Portugal possui de um paraíso tropical. O desenvolvimento sustentável que parece caracterizar a região, é indicador da excelente utilização da autonomia regional e permite manter uma ténue fé na classe política. Afinal, parece que nem todos os políticos destroem os territórios pelos quais são responsáveis...

segunda-feira, agosto 11, 2008

Destino: Férias

Roubado aqui

Ao contrário do que possa parecer ultimamente, este blogue também é dedicado a viagens. Com a chegada das férias foi necessário escolher o destino. Desta vez, inspirado em Vitorino Nemésio, o Piano adoptou o lema Vá para fora cá dentro, infinitamente superior ao Allgarve:

"Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. (...) A geografia, para nós, vale outro tanto como a história."

"Meio milénio de existência sobre tufos vulcânico, por baixo de nuvens que são asas e de bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de Tempo."

Vitorino Nemésio

sábado, janeiro 19, 2008

Toponímia Floridiana

A toponímia portuguesa é, todos o sabemos, hilariante. Portugal é o único país do mundo em que se pode ir da Pica (Fafe) à Coina (perto de Setúbal) e parar em Venda de Raparigas (próximo de Leiria) para descansar.
Tendo passado anos a lidar com as bases de dados dos municípios da Florida, posso afirmar que não somos assim tão imaginativos. É verdade que os nomes dos lugares americanos sofreram influências muito variadas, nomeadamente dos nativos americanos, dos escravos provenientes de África e dos próprios europeus, que exportaram os nomes das suas cidades para as novas cidades que surgiram na América durante a colonização.
Para além da conhecida Nova Amsterdão (Nova York), podemos encontrar inúmeros exemplos de nomes de cidades que se repetem na Europa e nos Estados Unidos. No estado da Geórgia podemos encontrar as cidades de Rome, Athens, Dublin e Macon. Viajando para o Ohio, no midwest Americano, temos uma amostra mais impressionante: Aberdeen, Amsterdam, Antwerp, Berlin, Bremen, Dresden, Geneva, Genoa, Hanover, Lisbon, London, Madeira, Manchester, Milan, Montpellier, Parma, Sardinia e Toledo. Estes nomes são, pelo menos em parte, resultado da nacionalidade dos colonos que se instalaram nestes locais, mas demonstram alguma falta de imaginação no baptizar dos municípios.
Na Florida, a toponímia é muito mais fascinante para nós ocidentais, em larga medida por influência das tribos de nativos americanos, em particular, Seminoles e Osceola. Essa influência é bem visível em nomes como Apalachicola, Apopka, Chattahoochee, Ocoee, Okeechobee, Opa-Locka, Pahokee, Palatka ou Tallahassee. A influência europeia é menos notada, tendo apenas identificado as localidades de Dover, Dundee, Naples, Oviedo e Venice.
Por último, alguns habitantes da Florida moram em locais tão inspiradores como Anna Maria, Aventura, Bagdad, Boca Raton, Cinco Bayou, Clarcona, Hypoluxo, Kissimmee, Tampa, Pensacola ou Wauchula. Outros municípios têm nomes simplesmente cómicos quando traduzidos: Marathon ("Maratona"), Holiday ("Férias"), Frostproof (literalmente "À prova de gelo"), Fruitland Park ("Parque da Terra das Frutas"), Niceville ("Terra Simpática") e Lazy Lake ("Lago Preguiçoso").
Claro que a minha cidade preferida da Florida é Tavares, apelido de alguém que os leitores bem conhecem.

segunda-feira, outubro 01, 2007

A Hora da Siesta

Entre os dias 19 e 23 de Setembro estive em Madrid para apresentar o artigo "Understanding Intergovernmental Cooperation in a Context of Decentralization: An Empirical Study of Collaboration among Portuguese Municipalities" na conferência do European Group of Public Administration (EGPA).

Fiquei horrorizado com o facto de os espanhóis terem obrigado todos os conferencistas a painéis/sessões paralelas entre as 12 e as 14 horas, o que em alguns casos adiou o almoço para lá das 14:30. Este hábito cultural resultou na "fúria" de muitos participantes, menos habituados à hora da "siesta".

A ideia politicamente correcta de que não se pode ofender as tradições do país organizador pareceu-me totalmente descabida e ineficiente, não só porque os espanhóis eram uma minoria, mas sobretudo em termos de rendimento intelectual dos participantes durante o painel às ditas horas. Incomodado, sussurrava-me um vizinho britânico: "Acabem lá com as perguntas e vamos mas é almoçar!"

terça-feira, agosto 28, 2007

A caminho de Chicago

Amanhã, dia 29, viajo para Chicago para participar na conferência da American Political Science Association (APSA). Com mais de 7000 participantes, 46 divisões especializadas e 730 painéis, esta é a maior conferência do mundo na área da Ciência Política.

Num olhar atento pelo programa da conferência constato que sou o único português a viver em Portugal a participar. Encontram-se inscritos um par de portugueses, doutorandos do Instituto Europeu Universitário de Florença, mas fora isso... um deserto! Não admira, por isso, que já tenha ouvido, em conferências internacionais, o comentário "mas... não sabia que havia cientistas políticos em Portugal?!".

Ironicamente, sendo doutorado em Administração e Políticas Públicas, não me considero exactamente um "cientista político", ainda que a minha área de investigação seja "filha da Ciência Política".

Os interessados no tema do artigo a apresentar podem ler aqui o resumo e os detalhes em Inglês.

Como podem constatar pela foto da minha última estadia em Chicago cheguei de carro ao fantástico Museu de Arte Contemporânea.


sexta-feira, julho 27, 2007

Um Piano em Férias

Este ano, com uma bébé de 4 meses, não há viagens épicas de 3 semanas de carro a atravessar o continente Americano. Como diz a publicidade, "vamos para fora cá dentro", evitando as confusões algarvias e apostando num destino alentejano com sabor a África.


quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Death Valley National Park

Já aqui relatei vários momentos da viagem do Verão passado. Deixo-vos agora um ponto alto da viagem: a incursão na California atravessando o Death Valley National Park.
Na minha mente o local era cheio de mistério. Desde que vi pela primeira vez o filme Zabriskie Point de Michelangelo Antonioni que o Vale da Morte faz parte do meu imaginário. Um jovem revolucionário empenha-se até ao limite na contestação à guerra do Vietname, ignorando estrategicamente a incoerência de cometer um assassinato para levar a cabo os seus objectivos pacifistas. O filme tem uma fotografia muito bem conseguida e a música dos Pink Floyd, na sua era mais psicadélica, ajudou a torná-lo inesquecível.
Com alguma persuasão, lá consegui convencer a Ana a alinhar num desvio à nossa rota para uma experiência absolutamente original. Dizer que o Vale da Morte é um local inóspito é pouco, dada a temperatura sufocante (acima dos 45ºC) e a quase total ausência de humidade.
Badwater Basin (226 pés, ou 85,5 metros, abaixo do nível do mar) arrasa com o optimismo de qualquer turista mais entusiasta e constituiu um dos pontos altos, passe a ironia, desta viagem. Sol escaldante, luz natural ofuscante, inexistência de sombra, quase total ausência de água e uma proporção gigantesca de sal tornam o ponto mais baixo do Continente Americano um dos lugares mais desoladores à face da Terra. A abundância de sal gera igualmente inúmeras miragens, convencendo o nosso cérebro da presença de água onde nenhuma existe. O oásis da fotografia seguinte é que não é uma miragem. Trata-se de um hotel de cinco estrelas em Furnace Creek, a sede do Parque Nacional do Vale da Morte e provavelmente o único local do parque em que podemos encontrar algum conforto e alívio da fornalha no exterior.


No Vale da Morte encontramos ainda este local sui generis: o campo de Golfe do Diabo. O sal cristalizado depositado e talhado pelo vento e pela chuva fornece à paisagem este aspecto rugoso em constante alteração. Como nos alterta o aviso: Cuidado! Caminhar no Campo de Golfe do Diabo é muito difícil. Uma queda pode resultar em cortes dolorosos e até em ossos partidos.






terça-feira, dezembro 12, 2006

Las Vegas

(Excalibur by night)

Não sendo um dos hotéis da moda, como o Bellagio, o Excalibur apresenta preços convidativos para a qualidade de serviço prestado. Quem vem a Las Vegas sem uma mentalização prévia apanha o choque da sua vida. A cidade é inebriante, louca, luminosa e alucinante. Os hotéis variam entre o imponente e o kitsch, o grandioso e o decadente, mas há uma magia no ar que torna a cidade, e as suas quase 200.000 camas para turistas, uma atracção irresistível para os viajantes mais cosmopolitas.
(Show de luz e som do Hotel Bellagio)

Longe vão os tempos em que o Flamingo, o Tropicana, o Riviera e o Frontier dominavam a paisagem de Las Vegas. Estes velhos hotéis, bonitos à sua maneira, aparecem agora diluídos na paisagem urbana, absorvidos pela megalomania do MGM Grand (um hotel com 5000 quartos!!!), Bellagio, New York, New York, Mandalay Bay ou Luxor.
(Las Vegas Boulevard)

Os vapores da cafeína do Starbucks em pleno Las Vegas Boulevard afectam-me, o Monte Carlo em frente causa-me inveja e a ostentação do Bellagio, com a boutique Armani no seu interior, recorda-me que não sou o José Mourinho e um sobretudo Armani, com 40 graus de temperatura lá fora, não vem nada a calhar.
(Um piano no Starbucks)

sexta-feira, novembro 17, 2006

Colorado City: A Poligamia entre os Mórmon

Mais uma crónica da viagem realizada em Agosto... desta vez sobre o suculento tema da Poligamia!

A longa faixa de terreno entre a fronteira do Utah e o Grand Canyon do Arizona é praticamente desprovida de população. Nesse pedaço de território esquecido situa-se a infame localidade de Colorado City, um dos últimos redutos de poligamia entre os Mórmon. Apesar de proibida oficialmente em 1890, a poligamia continua a ser praticada por grupos marginais (alguns diriam fundamentalistas) ligados à religião criada por Joseph Smith.

Colorado City é um lugar estranho, com ruas muito largas, demasiado largas para um localidade com apenas 6000 habitantes, e uma proporção anormal, para o contexto americano, de moradias com dois pisos. Manda a tradição que no rés-do-chão morem as mulheres com filhos e no piso superior, aquelas que ainda não os têm.

A localização estratégica de Colorado City, na fronteira entre o Utah e o Arizona, permitia que, sempre que as autoridades do Utah perseguiam os polígamos de forma mais acérrima, estes atravessassem a fronteira à procura de refúgio no estado vizinho, aproveitando o relativo mau relacionamento entre as autoridades respectivas. Quando estas começaram a colaborar, os homens de Colorado City foram obrigados a “dar corda aos sapatos” e abandonar os seus lares. Por essa razão, a proporção de mulheres e crianças é significativamente maior do que seria de esperar.

Contudo, o assunto da poligamia está longe de ser pacífico, já que as famílias argumentam que as práticas poligâmicas são voluntárias e que ninguém é obrigado a ser polígamo. Além disso, a prisão dos homens polígamos resulta no abandono de mulheres e filhos, o que é mais prejudicial para estes últimos do que seria a vivência numa sociedade poligâmica. Todavia, os actos dos próprios chefes de família acabam por dar razão aos que se opõem à poligamia. Num caso relatado num canal de televisão americano, um homem tomou para sua quarta esposa uma rapariga de apenas 13 anos, o que levanta de imediato preocupações com práticas de pedofilia. Como as comunidades poligâmicas tendem a ser extremamente fechadas, os pedidos de maior empenho nas investigações do Ministério Público no sentido de perseguir os polígamos não param. A polémica segue dentro de momentos…

sexta-feira, outubro 27, 2006

Monument Valley

A visita a Monument Valley foi feita com um tempo pouco convidativo, mas, apesar disso, é impossível ficar indiferente à imensidão entrecortada por formações rochosas invulgares. Embora se chame um “vale”, Monument Valley não é verdadeiramente um vale, mas antes um planalto que a erosão transformou numa planície com formações rochas enormes (mesas e agulhas).

A viagem de Blanding até Monument Valley passa por Valley of the Gods, uma paisagem quase irreal, dificilmente imitável à face da Terra. Em apenas três quilómetros, a estrada desce 300 metros, desde Muley Point até Valley of the Gods. Apesar da desolação, ou se calhar por causa dela, este local continua a ser para mim um dos mais belos do mundo. Na foto de cima, a Ana admira a paisagem. Tirando alguns veículos ocasionais, passam-se milhas e milhas sem se ver um único ser humano. Estamos muito longe do turismo de massas e este local é um descanso, para o corpo e para a alma!

Desde o final da mítica estrada 261 até Monument Valley são mais 24 quilómetros, sempre na Reserva dos Navajos, a tribo (ou Nação) Navajo continua a viver da exploração do turismo. Os preços até nem são elevados e o menu tem especialidades curiosas, como sejam… um bife Sylvester Stallone ou uma sandwich Tom Hanks! Espreitam lá a ementa...

sexta-feira, outubro 20, 2006

Arches National Park (Utah)

The Windows (Janela Norte e Janela Sul) no magnífico Parque Nacional dos Arcos, perto de Moab (Utah). Criados pela erosão de milhares de anos, estes arcos são um dos pontos mais carismáticos deste parque nacional. Reparem só no tamanho das pessoas por baixo dos arcos gigantescos... parecem formiguinhas!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Capitol Reef Canyon (Utah)


Chamem-me masoquista, mas há qualquer coisa que me atrai na América profunda, aquela que é preconceituosa, desconfiada dos estrangeiros, pouco educada e rude q.b. Não é inexplicável. Por azar essa América é também linda! As paisagens naturais são de uma beleza indescritível, que nenhuma das fotos que publique neste blogue pode transmitir. A primeira foto deste post mostra o Aquarius Plateau, um planalto terra-de-ninguém no Sul do Utah. Em nenhum outro local dos EUA se sente o isolamento e a distância da civilização e as cores da natureza assumem aqui grande esplendor.

O dia começou em Salina, uma pequena localidade e terminou em Green River, outra pequena localidade do Utah. Pelo meio, o Capitol Reef Canyon. Apesar de alguma experiência em viagens deste género, nunca tinha caminhado no fundo de um canyon. A sensação é esmagadora. As paredes laterais altíssimas e os constantes avisos “Danger! Flash Floods!” podem dissuadir alguns turistas. Nós arriscamos. Na segunda foto podem ver (se a ampliarem) a Ana a caminhar de costas para a objectiva. Ela não está longe. A dimensão gigantesca do canyon é que a faz parecer extremamente pequena.

No fundo do canyon, após uma longa caminhada, podemos encontrar o Mormon Pioneer Register, um conjunto de assinaturas na pedra datadas do final do século XIX, quando os pioneiros mormons atravessaram estas paragens em direcção ao Oeste.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Salt Lake City (Utah)

Em viagem pelo Mormon Country...

Apesar dos preconceitos, Salt Lake City é uma lufada de ar fresco, depois de tanto viajar por zonas rurais. Os monumentos mais famosos estão ligados aos fiéis da religião Jesus Christ of Latter Day Saints, mais conhecidos por Mórmon. Até o famoso Delta Center, o gigantesco pavilhão onde joga habitualmente a equipa de basquetebol profissional dos Utah Jazz, está, pelo menos indirectamente, relacionado com a religião, já que a maioria dos jogadores são, também eles, Mórmon.

Como em Roma sê Romano, em Salt Lake City sê Mórmon. Fomos visitar o Museu da História da Igreja para conhecê-la, pelo menos sob o ponto de vista dos próprios crentes… Muita simpatia à entrada e, ao longo do percurso, vários guias para esclarecerem as dúvidas do visitante: “Este aqui é o relógio do John Taylor!”. Surpreendido, fico a olhar com cara de quem não entende. “Quem terá sido este tipo” – penso eu. A resposta vem mais adiante. O massacre que acabou com a vida de Joseph Smith, profeta e fundador da Igreja Mórmon, deixou vivo um dos primeiros seguidores, John Taylor, graças ao tal relógio que desviou a bala! Sigo o meu caminho a pensar que já não se fazem relógios como antigamente...

A História desta religião é igual à de todas as outras: um profeta inspirador e visionário, aumento rápido do número de seguidores, perseguições por desconfiança e inveja, assassinato do profeta e mais perseguições, sempre em busca da terra prometida. Que a terra prometida seja Salt Lake City já é menos compreensível, mas talvez isso explique por que razão ninguém quis expulsar os Mórmons de Salt Lake. Depois de conhecer Salt Lake percebo porquê. Quem gostaria de morar em Salt Lake?!

PS: A primeira foto mostra os contrastes em Salt Lake City. Dois edifícios históricos dos Mórmon e, por trás, o novo e gigantesco Mormon Administrative Center. A segunda foto revela o exterior do Tabernáculo Mórmon de Salt Lake City. O interior só é acessível aos membros da religião. A última foto foi tirada junto à Lion House, construída por Brigham Young para as suas mulheres e filhos. Se quiserem ler detalhes sobre a prática da poligamia, basta clicar na imagem.

PS2: No espírito da tolerância religiosa e do entendimento entre culturas, adquiri e estou a ler a obra Mormon Country (1942) de Wallace Stegner.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Milão - Barcelona

Os poucos que responderam preferiram Barcelona. Aqui fica a avaliação detalhada e... subjectiva.
1. Beleza humana: Milão
Milão é a capital da moda e, só por isso, já seria uma cidade repleta de gente bonita, mas as italianas e os italianos capricham MESMO na forma de vestir.
2. Arquitectura citadina: Barcelona
Aqui sobram poucas dúvidas. A Barcelona de Antoni Gaudí é maravilhosa em termos arquitectónicos. O Parque Güell, a Sagrada Família, a Casa Milà (La Pedrera), entre muitos outros edifícios, dão a Barcelona um charme fantástico e surreal que é inesquecível. Milão, apesar de alguns edifícios interessantes sob o ponto de vista arquitectónico, está longe de poder competir.
3. Comida: Milão
Por lapso, cheguei a pedir Pasta Carbonara em Milão. Fui informado educadamente que (ler em Inglês com sotaque Italiano) "that pasta is not from this region". Mas a pasta daquela região é uma delícia. Há uma certa "unidade" na cozinha regional italiana que está ausente da comida catalã. Com o meu gosto por massas, natas e queijos, Milão ganha à vontade.
4. Metropolitano: Barcelona
Aqui a coisa complica-se. Nenhuma das redes de metropolitano é parecida com a de Moscovo, mas a de Barcelona impõe-se pela existência de ar condicionado permanentemente ligado, melhores carruagens, melhores passageiros e mais turistas. Milão que me desculpe, mas ainda não percebi qual é a ideia de abrir todas as janelas em todas as carruagens quando se anda a alta velocidade debaixo da terra...
5. Compras: Milão
Um Centro Comercial só com lojas Armani e a representatividade das marcas mais luxuosas (Gucci, Carolina Herrera, Louis Vuitton, Bvlgari, etc) permitem a Milão vencer Barcelona sem grande dificuldade.
6. Catedral: Milão
A Sagrada Família é uma obra impressionante pela sua dimensão e megalomania, é sobretudo encantadora por Gaudí pretender imitar as grandes catedrais da Idade Média em tamanho e tempo de construção. Neste momento, estão prontas 8 das 16 torres previstas e a construção já dura há mais de 100 anos. Acontece que a construção do Duomo (Catedral de Milão) foi iniciada em 1390 e terminada em 1817, tendo demorado quase quatro séculos e meio a terminar. Dada a duração do projecto, a Catedral de Milão resulta de uma mistura de estilos, embora o gótico seja predominante. A dimensão do Duomo é impossível de descrever em palavras. Para comprenderem melhor, basta dizer que as visitas ao telhado são um must e chegam a andar centenas de pessoas pelo telhado sem que este pareça sobrelotado.
7. Parque Automóvel: Milão
Passeava em frente ao Scala de Milão quando pararam num semáforo dois Porsches e um Ferrari entre eles. É preciso dizer mais alguma coisa?
8. Vida nocturna: Barcelona
Barcelona ganha por KO. Neste âmbito, a oferta é muita e diversificada e a localização da cidade, o clima e a mentalidade liberal transformam Barcelona na cidade mais aliciante para sair à noite e até de manhã.
9. Museus e actividade cultural: Barcelona
Aqui a preferência é pessoal. As pinacotecas e a Arte do Renascimento em Milão não me encantam por aí além, ao passo que o Museu Picasso, o Museu Dali e a Casa de Gaudí apresentam exposições que alimentam os meus olhos, o coração e a alma.
10. Equipa de futebol: Barcelona
A parada de estrelas em Milão é imensa. Entre a Internazionale e o A.C.Milan, a cidade é completamente fanática, não sendo por acaso que lhes chamam tiffosi. Em Barcelona, as estrelas da bola não são propriamente frequentadores da passerelle, mas sim verdadeiros artistas da bola. Relembro alguns: Ronaldinho, Deco, Messi, Eto'o, Iniesta, Giuly. Entre Milão e Barcelona... Barcelona sempre!
11. Estacionamento: Barcelona, apesar de tudo
O caos nas duas cidades é imenso, mas Milão desafia tudo que possam ter visto até hoje. Estacionar "de ouvido", estacionar de frente num local onde só cabe um Smart, acelerar nas passadeiras, estacionar nas mesmas, passar sinais vermelhos, vi de tudo em terras milanezas.

Resultado Final: Barcelona 6 Milão 5

segunda-feira, setembro 11, 2006

Milano - Barcelona

Duas cidades fantásticas competem num mini-concurso bloguístico para determinar qual a melhor. Aqui fica a lista dos 11 itens a avaliar:

1. Beleza humana
2. Arquitectura citadina
3. Comida
4. Metropolitano
5. Compras
6. Catedral
7. Parque Automóvel
8. Vida nocturna
9. Museus e actividade cultural
10. Equipa de futebol
11. Estacionamento

Votem através de comentário ou email (umpianonafloresta@gmail.com)

segunda-feira, setembro 04, 2006

Milano


Depois de uma divertida troca de impressões com a Inês sobre as bolachas Milano, posso agora confirmar que vou saborear a verdadeira Milano, a partir de amanhã e até ao próximo Domingo.

Com a sua mania das grandezas, o European Group of Public Administration decidiu reunir em Milão, de 6 a 9 de Setembro. É a minha primeira ida a Itália e nem o habitual nervoso miudinho, associado à apresentação pública do artigo "Regional Partnerships and Co-operation between Portuguese Municipalities: Recent Experiences in Service Delivery", impedirá um par de crónicas bloguísticas.

A publicação das crónicas americanas, totalmente escritas ao longo do mês de Agosto, será retomada após a conferência.

Boa semana para todos!

Crónicas Americanas 4: Montpellier (Idaho)


Abandonamos o Parque Nacional do Yellowstone pelo sul, passando por um outro parque nacional - o Grand Teton - cujo elemento mais marcante é a impressionante cadeia montanhosa que vêem na imagem. O Teton Range ultrapassa em vários pontos os 4 mil metros acima do nível do mar (mais do dobro da Serra da Estrela) e a paisagem tem elementos em comum com as Rochosas do Canadá, já que é também marcada por lagos resultantes do degelo dos glaciares.

O Estado Americano do Idaho é famoso pela qualidade das suas batatas, promovidas até nas matrículas dos automóveis! É o único local do mundo em que Montpellier fica a norte de Paris. É também a única forma de Montpellier ser maior do que Paris.
A paisagem é aqui composta por quintas e ranchos e pequenas localidades que nunca chegam a ultrapassar as duas ou três centenas de habitantes. Em contraste, Montpellier tem 2250 habitantes, uma "metrópole" que oferece comida, quarto e outros serviços úteis. Por comparação com Cody, os preços baixaram para metade. O quarto custa aqui 65 dólares (aproximadamente 50 euro), mas a qualidade é até ligeiramente superior, talvez devido ao facto do hotel ser novo.

Bem-vindos ao Idaho!

Nota: Obrigado a todos pelos vossos comentários às entradas anteriores. Gostaste dos bisontes? Toma lá mais esta!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Crónicas Americanas 3: Parque Nacional do Yellowstone


O Parque Nacional de Yellowstone é a jóia da coroa dos parques nacionais dos Estados Unidos. Absolutamente maravilhoso. Uma paisagem composta por géisers, fumarolas e nascentes de água quente torna o Yellowstone um local quase único no mundo, apenas comparável a certas áreas na Islândia e na Nova Zelândia. A razão deste cenário é a gigantesca cratera vulcânica com aproximadamente 3500 quilómetros quadrados que é totalmente abarcada pela delimitação do Parque. As erupções vulcânicas sucedem-se em intervalos de aproximadamente 600 milhões de anos. A primeira há 2 milhões de anos, a segunda há 1,3 milhões e a última há 640 milhões de anos, pelo que a próxima poderá estar iminente. Das dezenas de exemplos possíveis, o mais famoso dos elementos desta “explosiva” paisagem é o géiser “Old Faithful” (“Velho Fiel”), que, fazendo jus ao nome, permanece activo de 90 em 90 minutos.

A vida selvagem é abundante e diversificada: bisontes, alces, veados, ursos pretos e grizzlies, lobos, coiotes, cisnes trombeteiros e pelicanos. O mais incrível é que muitos destes animais se passeiam pelo Parque sem qualquer receio dos seres humanos (e dos automóveis). Os bisontes, em particular, são tão aparentemente dóceis, que não surpreende que tenham sido caçados quase até à extinção. O cenário da foto é esclarecedor.

Menos espectacular, mas de uma serenidade idêntica à sua dimensão, é o Yellowstone Lake. É o maior lago de montanha da América do Norte, com 32 quilómetros de comprimento, 22 de largura e 50 metros de profundidade média. A temperatura média à superfície em Agosto é de 12 graus centígrados. Os seus habitantes mais conhecidos são as trutas, de uma espécie nativa, que servem de alimento aos pelicanos brancos que também abundam pelo Parque.

Aproveitei a margem do lago para recuperar forças e absorver inspiração neste local magnífico.