terça-feira, janeiro 03, 2006

O Futebol Português está morto - RIP

Raramente escrevo sobre futebol, mas sempre que o faço é para dizer mal. Não peço desculpa. O estado do futebol português é deprimente e julgo que não há NADA que justifique elogios, apesar de algumas conquistas em anos bem recentes só para enganar o povinho.

Construímos estádios para estarem, na sua maioria, vazios. Já viram um jogo do Leiria? O estádio tem 30.000 lugares, mas quando chega aos mil espectadores é um fartote! E o Louletano? Sim, caso não se lembrem, o Farense faliu e acabou com a equipa de futebol, pelo que o Louletano (II Divisão) é o único a utilizar o estádio Faro-Loulé, com uma estonteante média de 500 espectadores por jogo. E já agora, por falar em falências, o Alverca, o Académico de Viseu, o Felgueiras, o Campomaiorense e o Farense já não se encontram entre nós. Fala-se insistentemente de outras crises, sendo a do Vitória de Setúbal apenas a mais visível. Para além do Vitória, há ainda o Estoril, Chaves, Maia, Ovarense, entre muitos outros, sendo neste momento impossível dizer quantos haverá nesta situação. Se o problema fosse apenas financeiro, não estaríamos muito mal. Afinal, algumas indústrias portuguesas como o têxtil ou o calçado também atravessam momentos difíceis, porque razão seria o futebol diferente destas? A razão é simples. O que é verdadeiramente dramático é que o negócio está a ser aniquilado pelos próprios interessados e não pela concorrência externa ou pela globalização. Se há um negócio em Portugal em mau estado que não se pode queixar da globalização é o futebol.

Já todos ouvimos os repetidos boatos e insinuações de corrupção na arbitragem e manipulação de resultados. O "café com leite", a "fruta", os dirigentes proprietários de casas de diversão nocturna envolvendo negócios mais ou menos obscuros, as ligações duvidosas entre os empresários de jogadores e os dirigentes dos clubes, entre muitas outras insinuações. Tudo isto já tinha sido dito a propósito do meu clube do coração, o Futebol Clube do Porto.

Até ao mandato de João Vale e Azevedo, o dito "glorioso" tinha passado mais ou menos incólume a esta onda de críticas e de suspeições. Os dirigentes do Benfica tinham sabido manter a dignidade, até nos momentos mais críticos. Tudo isso foi atirado pela janela fora. Agora sabemos que o Benfica tem uma equipa de seguranças privados que é especialista em esbofetear todos os que se atrevam a dizer que um jogador poderá arrepender-se amargamente se assinar pelo clube. É o Guarda Abel revisitado! Tudo muito feio. Tudo muito sujo.

O Benfica recomeçou a ganhar o ano passado, mas as tácticas utilizadas são em tudo idênticas às que acusava o F.C. Porto de usar durante os anos 90: pressões sobre os árbitros, linguagem carroceira, brutamontes para intimidar. Uma verdadeira panóplia de tácticas terroristas. Familiares sim, mas completamente ultrapassadas. Coisas do século XX. Foi-se a superioridade moral do Sport Lisboa e Benfica. E com ela a última réstia de esperança do futebol português. A indústria do futebol foi atirada às urtigas. O negócio está morto.

RIP

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Parque Natural de Montesinho, Véspera de Ano Novo

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Baixa produtividade...

Poderia haver uma boa razão para a Universidade do Minho estar fechada no dia 2 de Janeiro... Não há. Tive de suplicar ao segurança para me deixar ir trabalhar para o gabinete. Assim não há produtividade que resista...

terça-feira, dezembro 27, 2005

O melhor cd de 2005

Há dúvidas?

1º Funeral - The Arcade Fire
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Ao vivo em Paredes de Coura:
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Foto gentilmente cedida pelo Carlos Barros.

Ao vivo em Paredes de Coura:
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Foto gentilmente cedida pelo Carlos Barros.

2º Blinking Lights and Other Revelations - Eels (clique para ouvir sampler)
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3º Cripple Crow - Devendra Banhart (clique para ouvir)
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4º The Mysterious Production of Eggs - Andrew Bird (clique para ouvir)
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Agradecimento à Miss Engajada pelo link de A Nervous Tic Motion of the Head to the Left

5º Takk - Sigur Ròs
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6º I Am a Bird Now - Antony & The Johnsons
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7º Horses in the Sky - Thee Silver Mount Zion Memorial Orchestra & Tra-La-La Band
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8º Akron Family/Angels of Light - Angels of Light/Akron Family
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9º The Secret Migration - Mercury Rev
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10º Stem Stem in Electro - Hrsta
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sábado, dezembro 24, 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Qual o melhor cd de 2005?

Deixem aqui as vossas sugestões. Na última semana do ano apresentarei a minha lista dos 10 melhores de 2005.

terça-feira, dezembro 13, 2005

A Resposta é 34

Como já era tradição no Angústias de um Professor, no dia em que completei mais um Outono, coloquei aqui durante 24 horas uma fotografia minha, tirada em Paredes de Coura em Agosto de 2005. É a minha singela forma de homenagear os visitantes regulares deste blog. A todos o meu muito obrigado!

sexta-feira, dezembro 09, 2005

sábado, dezembro 03, 2005

Crucifixos, Véus e Outra Parafernália Religiosa

A polémica gerada em torno da presença de crucifixos nas escolas incomoda-me. Sou católico não praticante, a "religião" da grande maioria dos portugueses, e devo dizer que a presença ou ausência de crucifixos me deixa relativamente indiferente. Compreendo que sempre que alguém de outra religião se manifeste incomodado com a presença de um crucifixo na parede de uma instituição pública, seja obrigação dos responsáveis a retirada do dito objecto. O respeito pelas outras religiões assim o justifica.

Já tenho maior dificuldade em compreender o argumento da separação entre Igreja e Estado. Não posso deixar de discordar daqueles que defendem a laicidade com a mesma cegueira do fundamentalismo religioso, ignorando centenas de anos de tradição judaico-cristã em Portugal. Tirar os crucifixos das paredes a todo custo, pela simples razão de termos um "Estado laico", menospreza valores actualmente promovidos pela Igreja Católica que deveriam ser preservados, como sejam a paz, o respeito pelos outros e o diálogo ecuménico.

A experiência francesa de proibição da ostentação de objectos religiosos nas escolas por parte dos/as alunos/as é um exemplo do tal fundamentalismo laico e jacobino que critico. Um sector da sociedade americana também considera a hipótese de acabar com o moto "In God We Trust", que tem mais de duzentos anos e expressa um conjunto de valores comuns aos "Founding Fathers". Estes movimentos mais radicais de secularização passam uma mensagem de intolerância e seriam impensáveis, pelo menos nos tempos mais próximos, num país como Portugal.

Mas, apesar disso, fico preocupado com o discurso inflamado da esquerda mais radical, que sente horror com a possibilidade dos miúdos ficarem "contaminados" pelo "vírus do cristianismo", só por haver um crucifixo na sala onde têm aulas. Só para os descansar, devo dizer que estudei 12 anos num colégio católico e nem me recordo se existiam ou não crucifixos nas salas de aula. Provavelmente existiam. Seja como for, não é isso que determina se alguém é não um bom cidadão.

P.S.: Francisco Sarsfield Cabral escreve sobre o assunto no DN de hoje.

terça-feira, novembro 29, 2005

Estudo de Caso ou Caso de Estudo?

Tenho ouvido os comentadores desportivos afirmarem que o Vitória de Setúbal, que se encontra em quarto lugar na I Liga e não paga aos seus jogadores há uns meses, é um verdadeiro "caso de estudo". Esta expressão horrível é um abastardamento da expressão inglesa "case study", que deve ser traduzida para português como "estudo de (um) caso".

Tenho alunos muito "baldas" que só muito raramente estudam. Pode dizer-se que, quando estudam para passar com 10, são, eles sim, um verdadeiro "caso de estudo"...

sexta-feira, novembro 25, 2005

Happy Thanksgiving!

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O tradicional jantar decorreu ontem à noite, em casa de uma colega, com a participação da "armada americana", i.e., professores doutorados por universidades americanas e que cooptaram o feriado do Dia de Acção de Graças. Para além da tradicional oração, tivemos direito a um perú de 6 quilos com castanhas (vacinado, claro!), molho (gravy), puré de batata doce e tarte de abóbora. Só faltou o cranberry sauce, que infelizmente nenhum de nós conseguiu arranjar...

Feliz Dia de Acção de Graças!

domingo, novembro 20, 2005

Espírito do Paraíso

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Em meados dos anos 90 redescobri os Talk Talk, uma banda que a maior parte das pessoas só conhece pelos êxitos pop do início dos anos 80, mas que, em 1988, lançaram para a obscuridade um disco fabuloso intitulado Spirit of Eden. O trabalho musical desenvolvido por essa banda de culto em Portugal chamada Tindersticks deve muito a este disco dos Talk Talk e é também aqui que podemos encontrar algumas raízes do pós-rock.

A obra é assumidamente estranha. É um disco sussurrado, gravado numa igreja em Suffolk ao longo de 14(!) meses, com um vasto conjunto de instrumentos para além daqueles usados tradicionalmente na música pop-rock, incluindo violino, clarinete e contrabaixo. A interpretação é tão suave e a instrumentação tão subtil que o nome do disco é apropriadíssimo. Os fãs de jazz imaginem o que seria In a Silent Way (1970) de Miles Davis feito após a new wave… Mark Hollis, o líder dos Talk Talk, queria ser reconhecido pelo seu mérito como compositor e não pelo sucesso nos tops. Como muitas vezes acontece, este trabalho notável foi condenado ao absoluto e deprimente insucesso comercial e colocou um ponto final na carreira da banda.

A carreira dos Talk Talk vista pelo Piano:

The Party’s Over (1982) 4/10
It’s My Life (1984) 6/10
The Colour of Spring (1986) 7/10
Spirit of Eden (1988) 9/10

sábado, novembro 19, 2005

The 5 Browns

Tornaram-se um fenómeno na América. Imaginem uma família de 5 irmãos (2 rapazes e 3 raparigas) que estudaram piano na famosa Juilliard School e decidiram interpretar temas clássicos e compor temas originais para 5 (!) pianos em simultâneo. Não conseguem? Podem vê-los aqui a reinterpretar algumas Danças do musical West Side Story de Leonard Bernstein. Absolutamente brilhante.

Nota: Precisam de QuickTime para ver o vídeo!

terça-feira, novembro 15, 2005

Um Piano na Cozinha

A arte de cozinhar arroz de frango está cada vez mais apurada...

Temperar bifes e coxinhas com:
Sal
Pimentão-doce
Ervas da Provença
Alho (opcional)

quinta-feira, novembro 10, 2005

Fases Musicais VI (2002-Presente)

Arcade Fire
Madrugada
Magazine
Godspeed You! Black Emperor
Elizabeth Anka Vajagic
Mazzy Star
Sigur Ròs
Calexico
Angels of Light
Eels
A Silver Mount Zion Memorial Orchestra
Lee Hazlewood
Shalabi Effect
Hrsta
Fleetwood Mac (com Peter Green; pré-1970)
Willard Grant Conspiracy
Antony and The Johnsons
Belle and Sebastian
Molasses
Simon Finn

segunda-feira, novembro 07, 2005

Prazos! Quero prazos!

Quando o trabalho não motiva, são precisos prazos! De preferência apertados!

quinta-feira, novembro 03, 2005

Jarboe ao vivo em Famalicão

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Para quem estava à espera de um concerto tradicional, foi tudo menos isso. Dois kits de bateria, uma guitarra baixo e uma guitarra eléctrica abanaram ontem, e de que maneira, a Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Jarboe parece que tem o demónio no corpo: a sua voz varia entre a prisão e o manicómio, com uma passagem pelo cabaret e pelo circo para uma dança tribal e uma acrobacia arriscada. Foi dos espectáculos menos convencionais que já vi, parte instalação multimédia, parte concerto, digno da cena underground de Nova York do início dos anos 80, da no wave dos Swans e do seu ex, Michael Gira.

Jarboe chocou e surpreendeu, mas a separação de caminhos entre Gira e Jarboe levou-os a pólos opostos. Jarboe e a sua banda voltaram ao início dos Swans: mergulharam no rock mais duro e "martelado", no qual a melodia é um anexo. Nos Angels of Light, Michael Gira toca folk alternativo, melodioso, lírico e cada vez menos revoltado.

Eu, cada vez menos angustiado, estou agora mais próximo da luz do que das trevas.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Proximizade

O Carlos pediu-me para divulgar este novo blog, o que faço com todo prazer. Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.
Aqui, já está a acontecer.

terça-feira, novembro 01, 2005

Mário Soares: o político profissional

Mário Soares não entende porque razão Cavaco Silva não se assume como "político profissional". É natural. Como Soares nunca teve um emprego ou uma carreira fora da política, só concebe políticos iguais a si próprio.