quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Paintings on Fridays II

Edward Hopper é o meu pintor preferido. O famosíssimo quadro Nighthawks fascina-me e associo-o com a música de Tom Waits e o seu Nighthawks at the Dinner.

Em Hopper, o tratamento da luz é sublime, como em Morning Sun:

A separação entre natureza e civilização, presente em inúmeros dos seus quadros, coloca-nos perante um contraste (dilema?) entre o conforto e a segurança dos espaços humanos e civilizacionais e o desconhecido e enigmático das paisagens naturais. Second Story Sunlight é disso um exemplo.

Something Pretty - Patrick Park

SOMETHING PRETTY
lyrics © 2002 Patrick Park

Here I am, where I’ve been
I’ve walked a hundred miles in tobacco skin,
And my clothes are worn & gritty.
And I know ugliness,
Now show me something pretty.
I was a dumb punk kid with nothing to lose
And too much weight for walking shoes.
I could have died from being boring.
As for loneliness,
She greets me every morning.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

Here I am, where I’ve been
I’ve walked a hundred miles in tobacco skin,
And my clothes are worn & gritty.
And I know ugliness,
Now show me something pretty.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

Paisagens Canadianas III

(clicar na foto para ampliar; acreditem que vale a pena!)

Esta foi tirada durante um jantar romântico nas margens do Dutch Lake. As cores do céu eram incríveis: do amarelo ao rosa, do magenta ao violeta. A noite foi passada num motel, descoberto casualmente, nas margens do mesmo lago, nem a 500 metros do local onde foi tirada a foto.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Música à Terça IV


Em 1969, quando este disco foi editado pela primeira vez, vendeu apenas 600 cópias. A razão era assaz caricata: foi colocado na secção de música religiosa! Para os fãs, os Genesis transformaram-se em banda de culto, de facto, mas alguns anos mais tarde, com os temas The Knife, The Musical Box e Supper's Ready e os álbuns Selling England By the Pound e The Lamb Lies Down on Broadway.

Os Genesis, com Peter Gabriel, Michael Rutherford, Tony Banks, Anthony Phillips e Jonathan Silver, eram ainda muito jovens (Gabriel tinha 16 anos), mas estavam longe de ser teenagers inconsssientes. A obra é um prodígio em termos melódicos, ainda que sofra de uma compreensiva ingenuidade, típica de quem se inicia nesta arte. Foi composta em grande parte no colégio inglês que os membros da banda frequentavam e os arranjos para cordas e a produção são da responsabilidade de Jonathan King.

Este trabalho está longe de ser uma obra prima, mas tem momentos pop enternecedores e inesquecíveis como Where the Sour Turns to Sweet, The Serpent, One Day e o single The Silent Sun, considerado pelo próprio Jonathan King como um "Bee Gees pastiche". Posso dizer-vos que, quando quero ouvir música "optimista", este é um dos álbuns do topo da lista.

1. Where The Sour Turns To Sweet (3:13)
2. In The Beginning (3:46)
3. Fireside Song (4:18)
4. The Serpent (4:38)
5. Am I Very Wrong? (3:31)
6. In The Wilderness (3:29)
7. The Conqueror (3:40)
8. In Hiding (2:37)
9. One Day (3:21)
10. Window (3:33)
11. In Limbo (3:30)
12. Silent Sun (2:13)
13. A Place To Call My Own (1:58)

Total Time: 43:47

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Música à Terça III


Estranha escolha? Nem por isso. Lançado em Setembro de 1984, The Unforgettable Fire foi o primeiro disco dos U2 que escutei. Recordo-me que foi no programa da Rádio Comercial TNT - Todos no Top que ouvi a primeira música dos U2, Bad, na sua versão ao vivo incluída no álbum Wide Awake in America. Achei estranhíssimo que uma música com mais de 8 minutos de duração passasse num programa comercial de rádio.

Depois da genialidade de The Joshua Tree ou Achtung Baby, do vanguardismo de Zooropa, da megalomania de Pop e da mediocridade de All That You Can Leave Behind, sabe bem voltar a um disco sem espinhas e sem adornos. The Unforgettable Fire é isso mesmo: um disco simples, directo, cheio de alma irlandesa. Os meus temas preferidos são A Sort of Homecoming, The Unforgettable Fire, Promenade e, claro, o já referido Bad. Enfim, os U2 em versão pré-electrónica e pré-América... para redescobrir.

1. A Sort Of Homecoming (5:29)
2. Pride (In The Name Of Love) (3:49)
3. Wire (4:19)
4. The Unforgettable Fire (4:55)
5. Promenade (2:32)
6. 4th Of July (2:15)
7. Bad (6:09)
8. Indian Summer Sky (4:18)
9. Elvis Presley and America (6:22)
10. MLK (2:32)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Paisagens Canadianas II

(clicar na foto para ampliar)

Um dos aspectos que mais surpreende o visitante do Canadá é a abundância de água: oceanos, lagos, rios, ribeiros, riachos, e até lagos interiores que parecem mares! Uma das particularidades de grande parte dos cursos de água nas Montanhas Rochosas é o efeito do degelo dos glaciares na cor das águas, desde um cinzento baço até ao verde esmeralda. Aqui representado está o Lake Moraine, com o azul turquesa mais belo que já vi, cercado pelo Vale dos Dez Picos. Absolutamente deslumbrante!

(clicar na foto para ampliar)

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Paintings on Fridays I



Não sendo Marc Chagall o meu preferido de entre os surrealistas, o quadro O Aniversário é um dos quadros que mais aprecio. Chagall pintou-o em 1915, nos primeiros tempos do seu casamento com Bella. O quadro retrata esses momentos de felicidade, com o casal a pairar sob um dos aposentos de sua casa. O detalhe com que Chagall pinta os tecidos do sofá e da toalha de mesa é particularmente notável e o casal parece rodeado de uma paz no seu lar que contrasta com a demência da guerra que grassava pela Europa.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Um Livro à Quarta II



O livro de hoje é especial. Perdoem-me a descarada manobra de auto-promoção, mas este foi organizado por mim (sim, eu sou o António F. Tavares...) e estará brevemente disponível numa Fnac perto de si...

Este volume foi editado tendo como principal objectivo celebrar os 25 anos da Licenciatura de Administração Pública da Universidade do Minho, criado por Resolução do Senado Universitário no início dos anos 80. O livro "Estudo e Ensino da Administração Pública em Portugal" procura, como o próprio nome indica, reunir contributos sobre a evolução do ensino e da investigação na área de Administração Pública enquanto disciplina académica. Para isso, conta com a participação dos Professores J.A. Oliveira Rocha, Joaquim Filipe Araújo, Sílvia M. Mendes e Pedro J. Camões, para além de mim próprio, todos da Universidade do Minho, bem como do Professor João Faria Bilhim, Presidente do Conselho Directivo do Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e do Professor Rui de Figueiredo Marcos, Vice-Coordenador do Curso de Administração Pública da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

A nota introdutória é do Professor Lúcio Craveiro da Silva, Reitor da Universidade do Minho na altura em que o curso de Licenciatura em Administração Pública foi criado. O prefácio é do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que gentilmente aceitou contribuir com o seu prestígio para o enriquecimento desta obra. Aproveito para agradecer publicamente a todos a colaboração na edição deste volume.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Música à Terça II


Pink Moon é, a todos os tí­tulos, um disco único. A voz de Nick Drake e a sua guitarra acústica uniram-se para criar uma obra prima com apenas 28 minutos. Solidão, isolamento e alienação social são temas preponderantes em todos os trabalhos de Drake, mas atingem aqui a sua mais profunda e sentida expressão:

Know that I love you
Know I don't care
Know that I see you
Know I'm not there.

Nunca o suicí­dio foi tratado na música de forma tão enigmática como em Pink Moon, o tema de abertura. Drake canta:

I saw it written and I saw it say
Pink moon is on its way
And none of you stand so tall
Pink moon gonna get you all
It's a pink moon
It's a pink, pink, pink, pink, pink moon.

Um dos raros momentos em que a música me fez sentir frágil...

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Ordinarices III

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Para completar a trilogia, fica esta, tirada em Mo-I-Rana, na Noruega, em Agosto de 2005

Ordinarices II

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Há verdadeiras preciosidades ordinárias... Esta foi tirada algures na Suécia, no Verão de 2005

Ordinarices I

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Rua de Québec City, Québec, Canadá; foto tirada em Agosto de 2004

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Um Livro à Quarta I

É quase quinta-feira, mas ainda vou a tempo de sugerir este livro:
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Já escrevi sobre ele, há algum tempo atrás, no meu blog anterior. Aqui fica o pequeno texto de enquadramento da obra...

"A Casa dos Mil Andares de Jan Weiss revelou-se uma agradável surpresa e deitou por terra um equívoco em que laborei durante mais de uma década: 1984 de George Orwell é uma obra-prima, mas não é absolutamente original na concepção de um Big Brother. Ao ler A Casa dos Mil Andares, escrito em 1929, encontrei algumas semelhanças entre os dois romances de ficção distópica, a maior das quais, a existência de um tirano omnisciente que controla a vida de todos os seus concidadãos. Genial, sobretudo tendo em conta o ano em que foi escrito."

Mais valia ficarem calados...

A Quercus desconfia de um estudo realizado pelas Universidades de Yale e Columbia sobre o estado do ambiente em 133 países e que coloca Portugal no décimo primeiro lugar da lista. É caso para pedir à Quercus que mostre a lista dos seus membros que são prémios Nobel...

terça-feira, janeiro 24, 2006

Música à Terça I

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Uma das vantagens de ouvir muita música é ser capaz de separar obras vulgares de raros momentos de beleza poética e sonora. Não há muitos discos que possam ser classificados de eternos, mas Thunder Perfect Mind (1992) dos Current 93 é inegavelmente um deles.

Dito isto, é importante dizer que não é um disco fácil. Se eu quisesse ser popular certamente escolheria fazer a crítica de um disco líder dos tops nacionais. Não me parece que esse seja o objectivo de Música à terça, daí a opção por uma obra dos Current 93. Numa carreira que conta com mais de 40 discos e 22 anos de existência, havia muito por onde escolher, mas as razões que se seguem explicam, em parte, a escolha.

Thunder Perfect Mind é o mais longo disco de originais dos Current 93, com quase 79 minutos de música, e um dos mais consistentes e articulados do início ao fim. É considerada uma obra-prima dentro do pouco divulgado género do folk apocalíptico, termo usado para descrever música à base de guitarra acústica sombria e letras melancólicas e depressivas. Os textos são notoriamente inspirados na poesia de William Blake e a música nos temas folk de Shirley Collins.

Embora a guitarra acústica seja predominante, há aspectos muito pouco convencionais neste disco. Os primeiros 30 minutos (9 faixas) são extremamente melódicos, marcados pela guitarra acústica gentilmente tocada e pela voz do “outro mundo” de David Tibet. Os meus momentos favoritos são In the Heart of the Wood and What I Found There e A Lament For My Suzanne.

Este excelente disco de música folk muda significativamente de sonoridade a partir da faixa número 10, All the Stars are Dead Now. Inesperadamente, é aqui introduzido um sampler de Saint Louis Blues, um original dos anos 20, do swing e das big-bands. Simplesmente desconcertante. Mas nada prepara o ouvinte para o que se segue. Entra um repetitivo riff de guitarra acústica tocado até à náusea e acompanhado por Tibet a recitar um longo poema, de conteúdo largamente obscuro e ininterpretável, mas que, tanto quanto consigo compreender, é uma profecia sobre o apocalipse e a morte. O tom sinistro prossegue com Rosy Stars Tears From Heaven e a voz de Tibet, sinistra na faixa anterior, torna-se aqui simplesmente diabólica, ainda que sussuradamente diabólica.

Como a surpresa é, por vezes, a mãe da genialidade, When the May Rain Comes, uma versão de um original dos Sand, é lindíssima. Os instrumentos usados (baixo, flauta e guitarra) produzem uma sonoridade extremamente melódica e a interpretação pelo dueto David Tibet e Rose McDowall faz estragos na mais empedernida insensibilidade. Segue-se o tema título, Thunder Perfect Mind, um crescendo musical ameaçador acompanhado pela leitura de textos do livro homónimo.

Depois de 55 minutos de música deslumbrante, faltava um tema épico para atirar tudo o que é convencional pela janela. Hitler as Kalki dura 16 minutos e 28 segundos e é dedicado ao pai de David Tibet, já falecido, que combateu na II Guerra Mundial. O início é parece influenciado por música tradicional hindu, mas a peça transfigura-se lentamente numa espiral eléctrica, levemente tocada pelo minimalismo, com David Tibet a dissertar sobre Hitler e o apocalipse. Num texto que acompanha o cd, Tibet explica-nos que algumas pessoas consideram que Hitler foi Kalki, a décima e última incarnação do Deus Hindu Vishnu, que vem num cavalo branco para destruir o cosmos no final de cada ciclo universal. Tibet incita à reflexão e oração para que a destruição termine e um novo paraíso e uma nova Terra possam surgir.

Para além de ser um disco místico e experimental, Thunder Perfect Mind é também uma obra complexa sob o ponto de vista lírico. Já tentei interpretar muita da poesia contida nesta obra, mas as conclusões são pouco satisfatórias. Os conteúdos genéricos são o apocalipse, o arrependimento, a piedade e a salvação, mas qualquer interpretação imediata dos textos aqui contidos será, muito provavelmente, errada.

Este foi o meu primeiro contributo para Música à Terça, uma iniciativa da Mimi à qual espero corresponder com a regularidade exigida. Uma crítica aprofundada da reedição do disco aparece aqui.

domingo, janeiro 22, 2006

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Paisagens Canadianas 1

Farto de tanta Bolonha, preciso de natureza. Para relaxar e esquecer as preocupações, aqui está a primeira de uma série de paisagens canadianas. Esta é o fundo do computador de onde teclo. Podia ser a imagem do ambiente de trabalho de qualquer computador. É provavelmente um dos locais mais belos em que estive até hoje. Chama-se Peyto Lake e situa-se na província de Alberta, nas montanhas rochosas canadianas. A foto foi tirada por mim durante as férias de Verão de 2004.

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domingo, janeiro 15, 2006

Mirbeau: Prazer ou Tortura?

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O Jardim dos Suplícios é um livro maldito. Divide-se em duas partes, com conteúdos substantivos e literários extremamente distintos. Na primeira parte, Octave Mirbeau descreve a política francesa do século XIX, já no tempo da República, abundante em corrupção, favoritismo e incompetência. A segunda parte decorre algures na China, num contexto de selvajaria e barbárie.

O personagem principal, anónimo, relata o lema da educação que lhe deu seu pai: “Tirar qualquer coisa a alguém e guardá-la para si, é roubo… Tirar qualquer coisa a alguém e passá-la a outrem, em troca de tanto dinheiro quanto se puder, é comércio… O roubo é estúpido porque se contenta com um só lucro, muitas vezes perigoso, ao passo que o comércio comporta dois, garantidos…”

O seu protector político, Eugène Mortain, tem uma atitude semelhante no seu ramo de negócio - a política. Um diálogo entre ambos é qualquer coisa de caricato e esclarecedor:
"- Há na circunscrição que te escolhi uma questão que domina todas as outras: a beterraba… O resto não conta e é com o prefeito… Tu és um candidato puramente agrícola… mais ainda, exclusivamente beterrabista… Não o esqueças… Seja o que for que possa acontecer durante a luta, mantém-te inabalável nesta plataforma excelente…Sabes alguma coisa de beterraba?
- Palavra que não – respondi – sei apenas, como toda a gente, que dela se tira açúcar… o álcool.
- Bravo! Isso basta – aplaudiu o ministro com uma tranquilizadora e cordial autoridade… Explora até ao fundo esse conhecimento… Promete rendimentos fabulosos… adubos químicos extraordinários e gratuitos… caminhos-de-ferro, canais, estradas para a circulação desse interessante e patriótico legume… Anuncia desagravamentos de impostos, prémios aos cultivadores, direitos ferozes sobre as matérias concorrentes… tudo o que quiseres!... Nesta ordem de ideias tens carta branca e eu te ajudarei… Mas não te deixes arrastar para polémicas pessoais ou gerais que poderiam tornar-se perigosas para ti e, com a tua eleição, comprometer o prestígio da República… É que, aqui entre nós, meu velho – não te censuro nada, apenas verifico –, tens um passado incómodo."

Depois de perder a eleição, o personagem central é enviado em missão “científica” para o Ceilão, mas apaixona-se durante a viagem por Clara, uma aristocrata inglesa que o convence a ir viver com ela para a China. Daí que a segunda parte do livro decorra num ambiente mais exótico e fascinante. Porém, cedo se percebe que aquilo que inicialmente aparenta ser um paraíso terrestre, é, na verdade, o inferno.

O elemento central desta segunda parte é o Jardim dos Suplícios, parte integrante de uma prisão próxima do local em que ambos vivem. A descrição das torturas, dos instrumentos empregues e das expressões sádicas dos torturadores e carrascos é nauseante e revoltante. Curiosamente, todo este ambiente contrasta com a beleza das flores e árvores que crescem no jardim, e que Mirbeau descreve com uma precisão quase obsessiva. O jardim dos suplícios é um local belo e horrendo, as torturas mais infames são obras de arte, esculpidas com devoção por carcereiros dedicados e dementes. Se a escrita é extremamente cuidada e de fino recorte, o que ela retrata é absurdo, repugnante e abominável.

Por tudo isto, tenho um sentimento de ambivalência relativamente a esta obra. Embora a escrita tenha inegável qualidade, há certos conteúdos que são demasiado chocantes para merecer dispêndio de tempo. Além disso, falta um toque de genialidade à obra (presente, por exemplo, em Os Cantos de Maldoror de Lautreamont), pelo que não compensa enfrentar as dificuldades criadas pelo tema central exposto para obter daí o prazer associado à leitura. No final, o mais certo é um misto de náusea e surpresa. Não compensa o esforço.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Grrr...

Para si, Bolonha é:

a) Uma linda cidade de Itália
b) Uma sanduíche de paio
c) A vizinha boazona do 5º Esqº
d) Uma invenção de um grupo de burocratas de Bruxelas com o intuito de "torrar" a paciência à academia e estandardizar o ensino como quem determina o tamanho das pêras
e) Nenhuma das anteriores

quinta-feira, janeiro 05, 2006

O Princípio de Dominó

Sempre que escrevo sobre música, algumas pessoas (a Marta, por exemplo) manifestam-se surpreendidas com a quantidade de bandas mais ou menos obscuras que ouço e tento dar a conhecer. A verdade é que a minha obsessão pela música tem raízes profundas e familiares. Esta entrada procura dar a conhecer essas raízes. Mais do que isso, demonstra como os meus conhecimentos musicais derivam do conhecido "princípio de dominó".

Cresci ao som dos compositores clássicos do período romântico. Em casa dos meus pais, Mozart, Beethoven, Chopin, Schubert, Tchaikovsky e Wagner eram obrigatórios no prato do velho gira-discos. Aprendi a gostar de música clássica assim. Nunca me considerei um erudito por isso. Alguns temas de Tchaikovsky ou de Mozart são tão comerciais e melódicos como músicas dos Beatles ou dos Rolling Stones.

Durante os anos da licenciatura comecei a adquirir cds de outros compositores que se ouviam menos lá por casa. Rachmaninov, Paganini, Grieg, Sibelius, Boccherini, Rimsky-Korsakov, Mahler e Debussy faziam agora parte da minha colecção de cds, que começava a distanciar-se dos gostos dos meus pais.

A minha paixão pelos Current 93 já é bastante antiga. Quando ouvi pela primeira vez o cd "Soft Black Stars" (1998) achei-o prodigioso e de uma beleza tremenda. A crítica dizia que o disco tinha alguns pontos de contacto com "After Virtue" (1988) de Wim Mewtens. Ambos eram discos de piano a solo e com forte tendência para a melancolia. Foi assim que fui iniciado na música clássica contemporânea. Para além deste episódio, assistir aos filmes de Peter Greenway ("Um Z e Dois Zeros", "Maridos à Água" e "O Cozinheiro, O Ladrão, A Mulher Dele e o Amante Dela") colocou-me em contacto com a música minimal repetitiva de Michael Nyman.

Durante algum tempo, Mertens e Nyman eram os únicos compositores contemporâneos que escutava, mas cedo percebi que havia uma imensidão musical que ignorava por completo. Por empréstimo do Pedro, conheci alguns dos trabalhos dos anos 80 de Philip Glass, incluindo "Solo Piano" e "Glassworks" e fiquei apaixonado pela música do compositor. Comecei pela faceta mais acessível de Glass, nomeadamente "Itaipu/The Canyon", "North Star", as sinfonias "Low" e "Heroes" (escritas em parceria com David Bowie e Brian Eno), para além dos já mencionados "Glassworks" e "Solo Piano". Depois arrisquei os trabalhos mais "difíceis": Concerto para Violino e as Sinfonias nº2 e nº3.

De Philip Glass a John Cage e a Steve Reich o salto era óbvio. Tinha descoberto o minimalismo americano. Comecei a ouvir as obras para "Prepared Piano" e "Litany for the Whale" e de John Cage, bem como "Different Trains", "Music for 18 Musicians" e "Four Organs & Phase Patterns" de Steve Reich. A discografia de Cage é tão vasta e diversificada que só agora estou a iniciar este período de descoberta.

Em Setembro visitei a Polónia. Curioso por natureza e profissão, procurei saber quem eram os compositores polacos mais famosos, para além do óbvio Chopin. A resposta veio rápida: Henryk Gorécki e Krysztof Penderecki. Para conhecê-los, comprei em saldo (5 euro) a Sinfonia nº3 ("Symphony of Sorrowful Songs") de Gorécki e juro que foram os cinco euro mais bem gastos em música dos últimos dois anos. A música é pungente e algo depressiva, até pela inspiração no Holocausto destes dois músicos polacos, mas simultaneamente de uma beleza infinita. Ao ouvir esta sinfonia, não pude deixar de encontrar algumas semelhanças com "Sleep Has Is House" (2000) dos Current 93. Suponho que este trabalho, escrito por David Tibet em homenagem à memória do seu pai, foi inspirado pela Sinfonia nº3 de Gorécki. Depois de tanta música conhecida segundo princípio de dominó, tinha voltado à peça inicial.

Sabendo da minha admiração pelo realizador, os meus pais ofereceram-me no Natal a colecção de filmes de Stanley Kubrik. Um dos DVDs relata a vida e obra do realizador e, em particular, as influências musicais dos filmes de Kubrick. "The Shining" tem, imagine-se, a presença musical de Krysztof Penderecki. No dia de Ano Novo terminei a noite a ver "2001-Odisseia no Espaço". Uma óptima e optimista maneira de começar o ano. Na inesquecível sequência visual final, a música é de György Ligetti e, segundo já li, este é significativamente marcado pela obra de Olivier Messiaen. Ainda não tenho nenhum cd destes dois compositores, mas a curiosidade adensa-se.

Infelizmente, os preços de cds de música clássica contemporânea são proibitivos e os saldos são raros, pois as edições são em pequena quantidade e muitas só podem ser obtidas via importação. Contudo, devido à minha assumida obsessão com música de quase todo o género, é inevitável que a minha próxima visita à Fnac envolva a aquisição de algum cd destes últimos compositores.

E é assim que o meu conhecimento musical se alarga e aumenta. Da mesma forma que as cerejas: puxa-se por uma e logo outras vêm atrás. Lá em casa luta-se com falta de espaço para arrumar tanto cd, mas acreditem que só tratamento médico sério poderá acabar com esta compulsão...

Caros leitores:

O facto da última entrada ter sido feito há mais de 48 horas e não ter ainda qualquer comentário leva-me a pensar que vocês são a melhor audiência que um blogger poderia almejar. O futebol interessa-vos pouco e provavelmente até consideram que eu não tenho talento nenhum para falar do assunto.

Prometo que daqui a pouco voltarei às entradas sobre música. Vou ali inspirar-me numa reunião de Conselho de Departamento e já volto...

terça-feira, janeiro 03, 2006

O Futebol Português está morto - RIP

Raramente escrevo sobre futebol, mas sempre que o faço é para dizer mal. Não peço desculpa. O estado do futebol português é deprimente e julgo que não há NADA que justifique elogios, apesar de algumas conquistas em anos bem recentes só para enganar o povinho.

Construímos estádios para estarem, na sua maioria, vazios. Já viram um jogo do Leiria? O estádio tem 30.000 lugares, mas quando chega aos mil espectadores é um fartote! E o Louletano? Sim, caso não se lembrem, o Farense faliu e acabou com a equipa de futebol, pelo que o Louletano (II Divisão) é o único a utilizar o estádio Faro-Loulé, com uma estonteante média de 500 espectadores por jogo. E já agora, por falar em falências, o Alverca, o Académico de Viseu, o Felgueiras, o Campomaiorense e o Farense já não se encontram entre nós. Fala-se insistentemente de outras crises, sendo a do Vitória de Setúbal apenas a mais visível. Para além do Vitória, há ainda o Estoril, Chaves, Maia, Ovarense, entre muitos outros, sendo neste momento impossível dizer quantos haverá nesta situação. Se o problema fosse apenas financeiro, não estaríamos muito mal. Afinal, algumas indústrias portuguesas como o têxtil ou o calçado também atravessam momentos difíceis, porque razão seria o futebol diferente destas? A razão é simples. O que é verdadeiramente dramático é que o negócio está a ser aniquilado pelos próprios interessados e não pela concorrência externa ou pela globalização. Se há um negócio em Portugal em mau estado que não se pode queixar da globalização é o futebol.

Já todos ouvimos os repetidos boatos e insinuações de corrupção na arbitragem e manipulação de resultados. O "café com leite", a "fruta", os dirigentes proprietários de casas de diversão nocturna envolvendo negócios mais ou menos obscuros, as ligações duvidosas entre os empresários de jogadores e os dirigentes dos clubes, entre muitas outras insinuações. Tudo isto já tinha sido dito a propósito do meu clube do coração, o Futebol Clube do Porto.

Até ao mandato de João Vale e Azevedo, o dito "glorioso" tinha passado mais ou menos incólume a esta onda de críticas e de suspeições. Os dirigentes do Benfica tinham sabido manter a dignidade, até nos momentos mais críticos. Tudo isso foi atirado pela janela fora. Agora sabemos que o Benfica tem uma equipa de seguranças privados que é especialista em esbofetear todos os que se atrevam a dizer que um jogador poderá arrepender-se amargamente se assinar pelo clube. É o Guarda Abel revisitado! Tudo muito feio. Tudo muito sujo.

O Benfica recomeçou a ganhar o ano passado, mas as tácticas utilizadas são em tudo idênticas às que acusava o F.C. Porto de usar durante os anos 90: pressões sobre os árbitros, linguagem carroceira, brutamontes para intimidar. Uma verdadeira panóplia de tácticas terroristas. Familiares sim, mas completamente ultrapassadas. Coisas do século XX. Foi-se a superioridade moral do Sport Lisboa e Benfica. E com ela a última réstia de esperança do futebol português. A indústria do futebol foi atirada às urtigas. O negócio está morto.

RIP

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Parque Natural de Montesinho, Véspera de Ano Novo

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Baixa produtividade...

Poderia haver uma boa razão para a Universidade do Minho estar fechada no dia 2 de Janeiro... Não há. Tive de suplicar ao segurança para me deixar ir trabalhar para o gabinete. Assim não há produtividade que resista...

terça-feira, dezembro 27, 2005

O melhor cd de 2005

Há dúvidas?

1º Funeral - The Arcade Fire
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Ao vivo em Paredes de Coura:
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Foto gentilmente cedida pelo Carlos Barros.

Ao vivo em Paredes de Coura:
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Foto gentilmente cedida pelo Carlos Barros.

2º Blinking Lights and Other Revelations - Eels (clique para ouvir sampler)
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3º Cripple Crow - Devendra Banhart (clique para ouvir)
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4º The Mysterious Production of Eggs - Andrew Bird (clique para ouvir)
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Agradecimento à Miss Engajada pelo link de A Nervous Tic Motion of the Head to the Left

5º Takk - Sigur Ròs
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6º I Am a Bird Now - Antony & The Johnsons
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7º Horses in the Sky - Thee Silver Mount Zion Memorial Orchestra & Tra-La-La Band
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8º Akron Family/Angels of Light - Angels of Light/Akron Family
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9º The Secret Migration - Mercury Rev
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10º Stem Stem in Electro - Hrsta
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sábado, dezembro 24, 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Qual o melhor cd de 2005?

Deixem aqui as vossas sugestões. Na última semana do ano apresentarei a minha lista dos 10 melhores de 2005.

terça-feira, dezembro 13, 2005

A Resposta é 34

Como já era tradição no Angústias de um Professor, no dia em que completei mais um Outono, coloquei aqui durante 24 horas uma fotografia minha, tirada em Paredes de Coura em Agosto de 2005. É a minha singela forma de homenagear os visitantes regulares deste blog. A todos o meu muito obrigado!

sexta-feira, dezembro 09, 2005

sábado, dezembro 03, 2005

Crucifixos, Véus e Outra Parafernália Religiosa

A polémica gerada em torno da presença de crucifixos nas escolas incomoda-me. Sou católico não praticante, a "religião" da grande maioria dos portugueses, e devo dizer que a presença ou ausência de crucifixos me deixa relativamente indiferente. Compreendo que sempre que alguém de outra religião se manifeste incomodado com a presença de um crucifixo na parede de uma instituição pública, seja obrigação dos responsáveis a retirada do dito objecto. O respeito pelas outras religiões assim o justifica.

Já tenho maior dificuldade em compreender o argumento da separação entre Igreja e Estado. Não posso deixar de discordar daqueles que defendem a laicidade com a mesma cegueira do fundamentalismo religioso, ignorando centenas de anos de tradição judaico-cristã em Portugal. Tirar os crucifixos das paredes a todo custo, pela simples razão de termos um "Estado laico", menospreza valores actualmente promovidos pela Igreja Católica que deveriam ser preservados, como sejam a paz, o respeito pelos outros e o diálogo ecuménico.

A experiência francesa de proibição da ostentação de objectos religiosos nas escolas por parte dos/as alunos/as é um exemplo do tal fundamentalismo laico e jacobino que critico. Um sector da sociedade americana também considera a hipótese de acabar com o moto "In God We Trust", que tem mais de duzentos anos e expressa um conjunto de valores comuns aos "Founding Fathers". Estes movimentos mais radicais de secularização passam uma mensagem de intolerância e seriam impensáveis, pelo menos nos tempos mais próximos, num país como Portugal.

Mas, apesar disso, fico preocupado com o discurso inflamado da esquerda mais radical, que sente horror com a possibilidade dos miúdos ficarem "contaminados" pelo "vírus do cristianismo", só por haver um crucifixo na sala onde têm aulas. Só para os descansar, devo dizer que estudei 12 anos num colégio católico e nem me recordo se existiam ou não crucifixos nas salas de aula. Provavelmente existiam. Seja como for, não é isso que determina se alguém é não um bom cidadão.

P.S.: Francisco Sarsfield Cabral escreve sobre o assunto no DN de hoje.

terça-feira, novembro 29, 2005

Estudo de Caso ou Caso de Estudo?

Tenho ouvido os comentadores desportivos afirmarem que o Vitória de Setúbal, que se encontra em quarto lugar na I Liga e não paga aos seus jogadores há uns meses, é um verdadeiro "caso de estudo". Esta expressão horrível é um abastardamento da expressão inglesa "case study", que deve ser traduzida para português como "estudo de (um) caso".

Tenho alunos muito "baldas" que só muito raramente estudam. Pode dizer-se que, quando estudam para passar com 10, são, eles sim, um verdadeiro "caso de estudo"...

sexta-feira, novembro 25, 2005

Happy Thanksgiving!

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O tradicional jantar decorreu ontem à noite, em casa de uma colega, com a participação da "armada americana", i.e., professores doutorados por universidades americanas e que cooptaram o feriado do Dia de Acção de Graças. Para além da tradicional oração, tivemos direito a um perú de 6 quilos com castanhas (vacinado, claro!), molho (gravy), puré de batata doce e tarte de abóbora. Só faltou o cranberry sauce, que infelizmente nenhum de nós conseguiu arranjar...

Feliz Dia de Acção de Graças!

domingo, novembro 20, 2005

Espírito do Paraíso

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Em meados dos anos 90 redescobri os Talk Talk, uma banda que a maior parte das pessoas só conhece pelos êxitos pop do início dos anos 80, mas que, em 1988, lançaram para a obscuridade um disco fabuloso intitulado Spirit of Eden. O trabalho musical desenvolvido por essa banda de culto em Portugal chamada Tindersticks deve muito a este disco dos Talk Talk e é também aqui que podemos encontrar algumas raízes do pós-rock.

A obra é assumidamente estranha. É um disco sussurrado, gravado numa igreja em Suffolk ao longo de 14(!) meses, com um vasto conjunto de instrumentos para além daqueles usados tradicionalmente na música pop-rock, incluindo violino, clarinete e contrabaixo. A interpretação é tão suave e a instrumentação tão subtil que o nome do disco é apropriadíssimo. Os fãs de jazz imaginem o que seria In a Silent Way (1970) de Miles Davis feito após a new wave… Mark Hollis, o líder dos Talk Talk, queria ser reconhecido pelo seu mérito como compositor e não pelo sucesso nos tops. Como muitas vezes acontece, este trabalho notável foi condenado ao absoluto e deprimente insucesso comercial e colocou um ponto final na carreira da banda.

A carreira dos Talk Talk vista pelo Piano:

The Party’s Over (1982) 4/10
It’s My Life (1984) 6/10
The Colour of Spring (1986) 7/10
Spirit of Eden (1988) 9/10

sábado, novembro 19, 2005

The 5 Browns

Tornaram-se um fenómeno na América. Imaginem uma família de 5 irmãos (2 rapazes e 3 raparigas) que estudaram piano na famosa Juilliard School e decidiram interpretar temas clássicos e compor temas originais para 5 (!) pianos em simultâneo. Não conseguem? Podem vê-los aqui a reinterpretar algumas Danças do musical West Side Story de Leonard Bernstein. Absolutamente brilhante.

Nota: Precisam de QuickTime para ver o vídeo!

terça-feira, novembro 15, 2005

Um Piano na Cozinha

A arte de cozinhar arroz de frango está cada vez mais apurada...

Temperar bifes e coxinhas com:
Sal
Pimentão-doce
Ervas da Provença
Alho (opcional)

quinta-feira, novembro 10, 2005

Fases Musicais VI (2002-Presente)

Arcade Fire
Madrugada
Magazine
Godspeed You! Black Emperor
Elizabeth Anka Vajagic
Mazzy Star
Sigur Ròs
Calexico
Angels of Light
Eels
A Silver Mount Zion Memorial Orchestra
Lee Hazlewood
Shalabi Effect
Hrsta
Fleetwood Mac (com Peter Green; pré-1970)
Willard Grant Conspiracy
Antony and The Johnsons
Belle and Sebastian
Molasses
Simon Finn

segunda-feira, novembro 07, 2005

Prazos! Quero prazos!

Quando o trabalho não motiva, são precisos prazos! De preferência apertados!

quinta-feira, novembro 03, 2005

Jarboe ao vivo em Famalicão

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Para quem estava à espera de um concerto tradicional, foi tudo menos isso. Dois kits de bateria, uma guitarra baixo e uma guitarra eléctrica abanaram ontem, e de que maneira, a Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Jarboe parece que tem o demónio no corpo: a sua voz varia entre a prisão e o manicómio, com uma passagem pelo cabaret e pelo circo para uma dança tribal e uma acrobacia arriscada. Foi dos espectáculos menos convencionais que já vi, parte instalação multimédia, parte concerto, digno da cena underground de Nova York do início dos anos 80, da no wave dos Swans e do seu ex, Michael Gira.

Jarboe chocou e surpreendeu, mas a separação de caminhos entre Gira e Jarboe levou-os a pólos opostos. Jarboe e a sua banda voltaram ao início dos Swans: mergulharam no rock mais duro e "martelado", no qual a melodia é um anexo. Nos Angels of Light, Michael Gira toca folk alternativo, melodioso, lírico e cada vez menos revoltado.

Eu, cada vez menos angustiado, estou agora mais próximo da luz do que das trevas.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Proximizade

O Carlos pediu-me para divulgar este novo blog, o que faço com todo prazer. Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.
Aqui, já está a acontecer.

terça-feira, novembro 01, 2005

Mário Soares: o político profissional

Mário Soares não entende porque razão Cavaco Silva não se assume como "político profissional". É natural. Como Soares nunca teve um emprego ou uma carreira fora da política, só concebe políticos iguais a si próprio.

segunda-feira, outubro 31, 2005

De Coimbra para o Porto...

O Comboio Alfa é um sítio como outro qualquer para escrever um bom post. Pena que eu não consiga...

Jarboe em Portugal

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Dia 2 de Novembro, às 21h30m, Jarboe ao vivo no local do costume: Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Vou sozinho para apreciar melhor e porque... ninguém gosta dela.

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domingo, outubro 30, 2005

Fases Musicais V (1999-2001)

A estadia nos Estados Unidos foi marcada por uma "nuvem negra" musical. O isolamento forçado pelo trabalho e algumas amizades com pessoas ligadas às artes das "margens" e à música alternativa despertaram um espírito de revolta contra o consumo de massas e o medo da diferença transmitido pelos media americanos. Foram os anos de Columbine e dos ataques às Torres Gémeas do WTC, das Virgens Suicidas de Jeffrey Eugenides e de Sofia Coppola e da Beleza Americana (American Beauty) de Sam Mendes. Um contexto sufocante para viver...

Na tentativa de explorar novas paisagens sonoras ouvia os clássicos negros do rock (Velvet Underground, Bauhaus e Joy Division) e descobri alguns dos seus discípulos - Swans, Legendary Pink Dots, Einstürzende Neubauten, Nick Cave & The Bad Seeds. De todos eles, destacaram-se os Current 93, quer pela extensão e qualidade da sua discografia, quer pela poesia torturada de David Tibet. Depois de descobrir Thunder Perfect Mind(1992), Of Ruine or Some Blazing Starre (1994) ou Sleep Has His House (2000) nunca mais encararia a música da mesma forma.

Current 93
Velvet Underground
Cure
The Sound
Placebo
Einstürzende Neubauten
Death in June
Swans
Dakota Suite
Air
Fiona Apple
Bauhaus
Mercury Rev
Nine Inch Nails
Legendary Pink Dots
Minimal Compact
Joy Division
Nick Cave & The Bad Seeds
Dead Can Dance
Clan of Xymox

terça-feira, outubro 25, 2005

Fases Musicais IV (1995-1998)

Os meus vinte e poucos anos foram marcados pela turbulência emocional. Eu não me limitava a ouvir Tindersticks ou Portishead; eu vivia como as letras dos temas dos Tindersticks ou Portishead. Foi por esta altura que foram lançados discos que me marcariam até hoje, e sobre os quais falarei em detalhe um destes dias: Dummy (1994), Tindersticks II (1995) e Ok Computer (1997).

Ouvia também Morphine... como se não houvesse dia de amanhã. E, nesse fatídico dia 4 de Julho de 1999, houve qualquer coisa em mim que morreu, de facto. Sharks, Head with Wings e Honey White tornaram-se clássicos imediatamente após o seu lançamento. Nunca um baixo de duas cordas, um saxofone barítono e um kit de bateria soaram tão bem! Com os Morphine aconteceu algo de invulgar, que demonstra a sua popularidade em Portugal. Em Maio de 1997 vi os Morphine ao vivo no Coliseu dos Recreios em Lisboa. As cadeiras foram retiradas da plateia para caberem mais de 5000 pessoas, ávidas de escutar a banda de culto de Boston. Quase dois anos mais tarde, em Março de 1999, lembro-me do meu entusiasmo quando comprei bilhete para o concerto na Cow Haus de Tallahasse, Florida. À noite, eu e outras 150 pessoas assistimos a um concerto intimista e memorável da banda, uma antítese do concerto de Lisboa, dois anos antes. Mark Sandman viria a falecer menos de três meses depois, num palco em Roma.

Alguém me deu a conhecer outro músico com um final fatídico: Nick Drake. Já não me lembro quem foi... mas abençoado seja! Pink Moon de Nick Drake é um trabalho fantástico e foi criticado por mim aqui.

Vi Peter Murphy ao vivo no moribundo Teatro Circo de Braga, e percebi que havia muita qualidade musical para além dos tops comerciais. De Bristol vinha uma onda completamente diferente da fase musical anterior. Muito mais negra e depressiva. Depois da Madchester, aparecia agora o trip-hop, com os Portishead, os Massive Attack e o génio diabólico de Tricky, que também cheguei a ver ao vivo no Coliseu do Porto.

Tindersticks
Lambchop
Morphine
Radiohead
Björk
Nick Drake
Townes Van Zandt
Portishead
Massive Attack
Tricky
Peter Murphy
Babybird
Eels
Talk Talk
Depeche Mode
Suede
No Doubt
Nick Cave & The Bad Seeds
The Breeders
Gavin Friday

quinta-feira, outubro 20, 2005

O Meu Candidato Presidencial

O meu candidato tem uma preocupação sadia com o dinheiro dos contribuintes;
O meu candidato é sisudo e arrogante ("Como o Mourinho!" - dizem);
O meu candidato é culto sem ser pedante;
O meu candidato não fará centenas de viagens na presidência com o dinheiro dos meus impostos;
O meu candidato não gosta do sensacionalismo da comunicação social e critica-o sempre que necessário;
O meu candidato não arranja "tachos" para a mulher, para os filhos ou para os amigos;
O meu candidato é austero e não promete "pão e circo";
O meu candidato vale pela sua personalidade e pelo rumo que indica ao país e não apenas "porque sabe de economia";
O meu candidato apresenta-se hoje;
O meu candidato é Aníbal Cavaco Silva.

terça-feira, outubro 18, 2005

Abóboras em Rota de Colisão

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Um disco memorável! Uma obra-prima inigualável! Mellon Collie and the Infinite Sadness é um título perfeito para descrever 28 temas e duas horas de música sempre surpreendente e poesia inspiradíssima. Este duplo álbum encontra-se dividido em duas partes: Dawn to Dusk e Twilight to Starlight. A produção de Flood, Alan Moulder e Billy Corgan é quase perfeita. A arte gráfica é lindíssima e inspira-se em George Meliés. Os animais e seres inanimados representados ganham personalidade e comportamentos humanos e fazem-nos sorrir.

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Os Smashing Pumpkins passam por 30 anos de influências e sonoridades distintas. O grunge de Chicago está aqui mais diluído do que no disco anterior, Siamese Dream, e misturado com canções de amor de influência beatliana e épicos à la Pink Floyd, mas tudo temperado com uma apreciável dose de irreverência e inconformismo.

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O duplo álbum inicia-se com Mellon Collie and the Infinite Sadness um instrumental de piano a solo que bem podia ser a banda sonora deste blog. É Billy Corgan que faz tudo: vocalista, compositor, produtor, multi-instrumentista e génio musical que liderou os Pumpkins durante os seus pouco mais de 10 anos de existência. Os grandes êxitos comerciais deste disco aparecem no primeiro cd: Tonight, Tonight, Zero e Bullet With Buttefly Wings. Dois épicos inesquecíveis (Porcelina of the Vast Oceans e Thru the Eyes of Ruby) rompem com a rigidez da canção pop-rock de 3 ou 4 minutos e apresentam-se como poemas sinfónicos do rock. Duas melodias românticas, Beautiful e By Starlight, povoavam os meus amores dos vinte e poucos anos.

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As letras caracterizam-se por tópicos tão diversificados como a fúria alienada (“Despite all my rage I am still just a rat in a cage”), o nihilismo (“Emptiness is loneliness, loneliness is cleanliness, cleanliness is godliness and god is empty just like me”), o voyeurismo (“I know I’m silly cause I’m hanging in this tree in the hopes that she will catch a glimpse of me”) ou a manipulação emocional (“wrap me up in always, and drag me in with maybes; your innocence is treasure, your innocence is death your innocence is all I have”).

Dez anos passados desde a saída deste trabalho, ainda é um disco que ouço com regularidade e que não perdeu o impacto inicial. A vertente maníaco-depressiva da obra não é, provavelmente, para todos, pois oscila entre temas muito melódicos e belos (Galapogos, Cupid de Locke ou By Starlight) e a violência sonora ao nível do melhor grunge alguma vez feito (Fuck you (an ode to no one), Tales of a scorched earth ou X.Y.Z.)

Depois do auge, a carreira dos Smashing Pumpkins seria sempre a descer...

A carreira dos Smashing Pumpkins avaliada pelo Piano:

Gish (1991) 6/10
Siamese Dream (1993) 8/10
Pisces Iscariot (1994) 6/10
Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995) 10/10
Adore (1998) 7/10
MACHINA/the machines of God (2000) 2/10

Lixo Musical 0
Medíocre 1-2
Suficiente 3-5
Bom 6-7
Muito Bom 8-9
Obra-Prima 10

sábado, outubro 15, 2005

Fases Musicais III (1990-1994)

Até que chegaram os anos da universidade. As boas influências do underground bracarense fizeram-se sentir: comecei a ouvir Pixies, Peter Murphy, Jesus & The Mary Chain e Sisters of Mercy. A onda musical de Manchester dominava as nossas saídas para as loucas noites no famoso, e infâme, Clube 84. Uma verdadeira "Madchester" à portuguesa, com os Smiths, New Order, Stone Roses, Happy Mondays e Inspiral Carpets, que também invadia as nossas festas madrugada dentro no 79,1ºEsq. da Padre Manuel Alaio.

Notam-se também os primeiros sinais de inconformismo nos meus gostos musicais, com as primeiras audições "menos convencionais", como os crípticos e psicadélicos Pink Floyd pré-1973 e o misticismo dos Dead Can Dance. Mais tarde, esta desconstrução seria levada ao extremo, com a audição de música que dificilmente poderá ser qualificada como tal...

U2
Pixies
Smiths
Stone Roses
Happy Mondays
Inspiral Carpets
New Order
Pink Floyd (pré-The Dark Side of the Moon)
Madredeus
Peter Murphy
Jesus & The Mary Chain
Genesis (com Peter Gabriel; pré-1976)
Waterboys
Clash
Pogues
Mission
Sisters of Mercy
Echo & The Bunnymen
Cocteau Twins
Dead Can Dance

terça-feira, outubro 11, 2005

Não se pode dar tréguas ao populismo!

Não se faz teoria política com poucas observações, mas há algo nas eleições de Gondomar, Felgueiras, Oeiras e Amarante que me deixa reconfortado. O único candidato que mudou de concelho... perdeu! Pode daí inferir-se que se Valentim fosse candidato na Maia, Felgueiras em Fafe e Isaltino em Sintra perderiam? Não exactamente, mas a derrota de Avelino em Amarante é um interessante indício.

Temos de ser realistas: Valentim Loureiro tem uma personalidade muito fraca, para não dizer patética. Esconde as suas fraquezas atrás de um discurso populista e sem um pingo de credibilidade. Parece completamente desfasado da realidade. Só isso explica vir dizer mal de Marques Mendes e bem de José Sócrates numa noite em que era evidente que só o contrário faria algum sentido. O Alzheimer aproxima-se a grande velocidade...

domingo, outubro 09, 2005

A Equipa B do Poder Local

As autarquias alinham em 4-2-3-1 com o seguinte esquema táctico:

Guarda-Redes: AVELINO

É uma espécie de Ricardo: tem fama de ser bom na terra dele, mas, fora isso, toda a gente sabe que é um grande frangueiro.

Lateral Esquerdo: DAMASCENO

É como o Nuno Valente: não é a melhor pessoa para o lugar, mas não há outra alternativa.

Central: ISALTINO

Este é o Jorge Costa das autárquicas: não corre muito, mas tem bom posicionamento no terreno, o que lhe vai valendo o lugar de titular.

Central: MOITA

Mais um caso típico de um central lento, mas com muita intuição para o jogo. Não se dá por ele, mas, quando menos se espera, lá está ele a fazer um corte providencial.

Lateral Direito: LOPES (Santana ou Teixeira, vocês escolhem!)

É o Miguel das autarquicas. Gosta muito de subir no terreno, mas essas são missões para as quais não está talhado. Apesar da sua persistência, o público insiste em relegá-lo para a equipa B.

Trinco: VALENTIM

É o trinco por excelência! Não joga nada, mas dá porrada com'ó caraças! Discute com o árbitro mesmo quando todos sabem que não tem razão; quando este não toma as decisões que entende como adequadas... ameaça-o com mais porrada.

Trinco: SEARA

É um trinco ligeiramente mais adiantado do que Valentim. Tem dificuldades na transição defesa-ataque. Defende o seu clube como ninguém e ataca Sintra com toda a vontade, mas, no meio de tanto voluntarismo, é frequentemente apanhado em contra-pé.

Extremo Esquerdo: FELGUEIRAS

Faz o lugar de extremo como ninguém. Corre muito, sempre junto à linha e, quando a bola parece perdida pela linha de fundo, arranja sempre maneira de cruzar.

Distribuidor de jogo: CARRILHO

É o capitão desta selecção. Tem o mediatismo de Deco. Farta-se de aparecer na televisão, mas o mediatismo compromete frequentemente o seu desempenho. Espera-se que prime pela discrição e eficácia, para que toda a equipa produza aquilo que se espera.

Extremo Direito: CAMPELO

É um autêntico Figo das autárquicas: foi sempre titular indiscutível até ao momento em que viu que podia perder o lugar e saiu por sua vontade. Quando viu que podia voltar e ser titular novamente, não hesitou por um momento.

Avançado Centro: SOARES Jr.

É o nosso Pauleta. Aparece muitas vezes isolado, mas farta-se de falhar golos de baliza aberta. Como o "Ciclone dos Açores", abre muito os braços, mas não consegue sair do chão.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Fases Musicais II (1986-1989)

O mau gosto da primeira fase era tanto, que só podia melhorar...

U2
The Doors
Talking Heads
Supertramp
Pink Floyd (pós-The Dark Side of the Moon)
Genesis (pós-Peter Gabriel; Pós-1975)
Pet Shop Boys
Depeche Mode
Fleetwood Mac (pós Peter Green; com Stevie Nicks)
Sting (fase Jazz, com Branford Marsalis, Kenny Kirkland, Darryl Jones e Omar Akim)
Transvision Vamp
Roxy Music
David Bowie
Kate Bush
Marillion
The Police
Tears for Fears
Simon & Garfunkel
Peter Gabriel
Frankie Goes to Hollywood

Entre os 15 e os 18 anos de idade, os meus gostos mudaram por influência dos amigos do secundário. O Rui era consumidor ávido de Pink Floyd e Supertramp e injectou-me o bichinho que me levou a explorar mais bandas do mesmo tipo: Genesis, Marillion e Peter Gabriel a solo. Paulo era fanático pelos U2 de “The Joshua Tree” e “obrigou-me” a ouvir todos os discos anteriores da banda irlandesa, entre os quais aquele que considero um dos melhores: “The Unforgettable Fire”.

Comecei a ouvir o bom rock dos anos 70 representado pelos Talking Heads, David Bowie, e Roxy Music e o pop new wave dos The Police, Fleetwood Mac e Depeche Mode. A voz de Kate Bush deixava-me tonto e o look dela apaixonado…

Ainda hoje ouço todos eles, ainda que não com a mesma regularidade. Só os Pet Shop Boys, um produto menor e demasiado fraco, são totalmente ignorados. Bowie continua a ser obrigatório no leitor de cds, sobretudo com “Low” (1977) e “Heroes” (1979).

Foi também por esta altura que assisti ao meu primeiro concerto de rock ao vivo: os Transvision Vamp. As minhas hormonas saltavam tanto como a Wendy James de mini-saia no palco do Pavilhão Infante Sagres. Casa cheia e desmaios frequentes devido ao excessivo calor e humidade que se faziam sentir.

terça-feira, outubro 04, 2005

Fases Musicais I (1981-1986)

Já que este blog é suposto falar de música... cá vai. Até aos 11 anos, quase só ouvia música clássica. A influência do meu pai, com as duas centenas de discos de vinil de música clássica, foi determinante para este gosto invulgar e algo elitista. Com a entrada nos teenage years, comecei por consumir pop do mais rasca que se pode imaginar. Aqui fica a lista dos 20 mais escutados nessa altura lá em casa:

Wham!
Duran Duran
Modern Talking
Kim Wilde
Fischer Z
Nena
Alphaville
Madonna
Paul Young
The Communards
Elton John
A-ha
Sandra
Abba
Kajagoogoo
Rod Stewart
Cindy Lauper
Dead or Alive
Nik Kershaw
Orchestral Manoeuvers in the Dark

Até aos 15 anos gostava de música que hoje considero muito fraca ou, pelo menos, esquecível. Desta lista, só dois ou três nomes produziram alguma vez música “decente” e que ficará para a história. Muitos são chamados de “one-hit wonder”, como os alemães Fischer Z, Nena, Sandra e Alphaville, outros conseguiram produzir vários mega-sucessos comerciais, como os Wham!, os Modern Talking ou os A-ha. Os OMD ainda escapam, pois a música que faziam não era propriamente pop rasca, ainda que muito agradável ao ouvido.

Elton John e Rod Stewart tiveram alguns momentos de inspiração ao longo dos anos 70. “Your Song”, “Rocket Man”, e “Goodbye Yellow Brick Road” de Elton e “Maggie May”de Rod são temas melodicamente irrepreensíveis e que se destacavam positivamente de toda a horrível onda de rock “progressivo” que grassava na primeira parte da década.

Só há uma banda que ainda ouço com alguma regularidade: os Abba. Lembro-me de constituírem a “banda sonora” das minhas leituras dos livros de aventuras de Enid Blyton, como “Os Cinco”, “Os Sete” e a colecção “Mistério”. Não me perguntem qual a associação… Não consigo encontrar nenhuma razão óbvia. No entanto, para quem, como eu, valorizava a melodia claramente acima do ritmo, da estrutura, ou da composição lírica e musical, os Abba eram imbatíveis. A banda sueca desbaratava melodias nas suas canções como um viciado em jogo estoura dinheiro na mesa de um casino.

sexta-feira, setembro 30, 2005

quinta-feira, setembro 29, 2005

Crónicas de Berlim IV

Impressiona pela positiva a ausência de pobreza, pelo menos pobreza visível. A quantidade de construção é notória, ultrapassando Lisboa em época de autárquicas! Daí que Berlim seja conhecida pela cidade da “mudança constante”, umas vezes intencional, outras vezes forçada. A cidade é limpa e não faltam restaurantes e cafés, bem como todas as lojas de marcas reputadas em todo o mundo. Nesse aspecto, a Friedrichstrasse é o lugar cosmopolita por excelência, mas a Unter Den Linden e a Wilhemstrasse são concorrentes directas pelos turistas.

E, por falar em turistas, a quantidade de pessoas que passeia por Berlim no fim-de-semana da famosa Maratona é absolutamente incrível. Só Deus saberá o que leva 40000 (quarenta mil) atletas a correr e 1.000.000 (sim, um milhão) de pessoas a assistir a uma corrida que dura 42 quilómetros, só se vêem os atletas passar uma vez e raramente envolve qualquer tipo de emoção ou incerteza no seu final. Qualquer outra especialidade do atletismo é mais emocionante, do salto em altura ao lançamento do dardo, dos 110 mtros barreiras aos 5000 metros. Ainda dizem que a Fórmula 1 é monótona porque os carros dão 70 voltas ao mesmo traçado…

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A Avenida do 17 de Junho vista do alto da Coluna Triunfal, com a meta da Maratona de Berlim já devidamente identificada a meio, a Porta de Brandenburgo ao fundo e a Torre de Comunicações da Alexander Platz ao fundo sobre o lado esquerdo

quarta-feira, setembro 28, 2005

Crónicas de Berlim III

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Fora a questão da língua, há o eterno problema da história. Os alemães não assumem plenamente a sua história, tal como é afirmado por Werner Sikorski e Rainer Laabs no livro “Checkpoint Charlie and the Wall: A Divided People Rebel” que adquiri durante a estadia. Os autores criticam a inadequada identificação dos limites do Muro de Berlim. Quinze anos após a queda do Muro, só existe um pequeno Memorial às vítimas na Bernauer Strasse e as antigas fronteiras que separavam Berlim Leste de Berlim Oeste quase desapareceram por completo, de modo que a única maneira de saber exactamente por onde passava o Muro é comprar mapas ou livros em lojas de souvenirs.

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Quanto aos factos que se referem à II Guerra Mundial, a noção de história é ainda mais traumática. A certa altura, no Museu do Cinema Alemão pode ler-se: “(…) quando os Nazis invadiram a Polónia”. Parece-me que foi a Alemanha que invadiu a Polónia, e não apenas os Nazis. Tendência para o esquecimento ou lapsus linguae? Seria o mesmo que afirmar, no caso Português, “quando os monárquicos conquistaram África”, o que não faz qualquer sentido…

terça-feira, setembro 27, 2005

Crónicas de Berlim II

A cidade é cosmopolita q.b., mas há aspectos que os alemães têm de corrigir, se quiserem ver Berlim a concorrer directamente com Paris ou Londres para capital da Europa. Como sabem, o alemão não é uma língua fácil. No entanto, os alemães parecem esperar que todos os turistas saibam a língua de Goethe. De facto, não só é raro encontrar um alemão que fale correctamente inglês, como na maioria dos casos não sabem nem se esforçam muito por comunicar. A certa altura quase dá vontade de desabafar em bom português: “Raios-o-partam! Mas você quer ou não fazer negócio?!”

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Potsdamer Platz

Crónicas de Berlim I

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Uma semana em Berlim serviu para ficar com um conhecimento relativamente detalhado da cidade. A Porta de Brandenburgo é absolutamente magistral e gloriosa, a Potsdamer Platz é plena de arquitectura ultra-moderna e irradia confiança no capitalismo financeiro, a Alexander Platz é dominada pela sua Torre de Telecomunicações, visível de qualquer local na cidade, mas foi a Coluna Triunfal que me conquistou. A sua imponência é quase indescritível. Já conhecia este marco dos excelentes filmes de Wim Wenders, “As Asas do Desejo” e “Tão Longe, Tão Perto”, mas o impacto visual deste monumento, pela localização, pelo tamanho e pelo resplandecer do sol no dourado da estátua da Deusa Vitória é mais arrebatador do que poderei descrever e as fotos demonstrar.

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sábado, setembro 24, 2005

"You are leaving the American sector"

Na Bernauer Strasse, visitei o memorial das vítimas do Muro de Berlim, alemães do leste que desejavam passar para Berlim Ocidental e foram abatidos na sua luta pela liberdade.

Nos últimos dias, passar diariamente no Checkpoint Charlie relembra-me quão precária é a liberdade e a importância de preserva-la... sempre.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Eu sonhei ou...

Estou longe de Portugal, mas, num delírio onírico, constou-me que Fátima Felgueiras voltou a Portugal e näo está presa. Por outras palavras, andou a viver mais de um ano a boa vida no Brasil, regressou agora e, como prémio, foi libertada. Tenho várias observacöes...

1. Para que serve a medida de coaccäo "prisäo preventiva", se as pessoas podem fugir para um país estrangeiro e regressar a tempo do julgamento?

2. Vivemos na república das bananas. É um facto consumado e näo vale a pena nega-lo. Mas... quando é que será que os portugueses, todos os portugueses, iräo aprender a näo votar em quem os engana?

3. Caros habitantes de Felgueiras, Gondomar, Oeiras e outras terras com Presidentes de Camara sob suspeita: o país está mal? A crise nunca mais termina? É bem feito! A estupidez e a ignorancia daqueles que elegem estes políticos só merece a mediocridade, a pobreza e o subdesenvolvimento. É assim que votam, é essa merda que levam.

Ass: Um cidadäo revoltado.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Starbucks

Sentado num confortável sofá no Starbucks da Friedrichstraße, questiono-me quanto custará o franchising da representacäo da marca para Portugal... É que ir ao Starbucks näao significa apenas tomar um café! Para além dos tamanhos (short, tall, and grande) e dos estilos (Expresso, Americano, Capuccino, Macchiato, Moka Latte - há também as fatias de bolo (originalíssimas), os donuts, os bagels, os brownies, os chocolate chip cookies entre muitas outras variedades de doces, capazes de levar os diabéticos à desgraca...

Mas é sobretudo no ambiente que os Starbucks derrotam esmagadoramente os cafés tradicionais portugueses. Nos Starbucks mais espacosos, há uma sala de leitura com sofás/maples individuais de grande conforto, revistas e jornais diários gratuitos de todos os tipos e música ambiente.

Acreditem no que digo: quem tiver dinheiro para investir neste franchising em Portugal pode fazer fortuna. Se abrir um para os meus lados, serei certamente cliente habitual!

domingo, setembro 18, 2005

Berlin

"Came to your border
Looking back into the night
Falling down on the city lights far away
Tell me the answer
Who knows the wrong from the right?
Years may come and years they go
You've seen your bridges burning
And the wheels of time keep turning

Like a ship in the night
You passed along the highways of my life
And now my mind you're always in
And the ten-thirty flight will soon be headed my way
As she sails across the skyway of Berlin

Oh, and to think of all the changes you have seen
Oh, and reflect upon the way it might have been

Like a ship in the night
You passed along the highways of my life
And now my mind you're always in
And the ten-thirty flight will soon be headed my way
As she sails across the skyway of Berlin"

Berlin by Barclay James Harvest

quarta-feira, setembro 14, 2005

Jukkasjärvi, Suécia (republicado)

O autor deste blog armado em Pai Natal numa quinta de criação de renas em Jukkasjärvi, no norte da Suécia.
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Respondendo às questões da curiosa:
P: Como era a quinta?
R: Muito bonitinha, com umas tendas a lembrar os índios, mas que eram propriedade dos lapões (sami). Havia uma apresentação em vídeo sobre a criação de renas e as migrações de Verão e de Inverno, bem como explicações sobre as diversas utilizações das peles, a conservação de comida e dicas culinárias.
P: Qualquer um podia lá entrar e tocar nas ditas? Pagava-se?
R: Pagava-se para entrar na quinta e só se podia entrar no cercado onde estavam as renas com uma guia sami. Não me lembro quanto paguei, talvez uns 10 euro no máximo...
P: Que precauções era preciso tomar?
R: A única precaução que tive foi não levar com uma "chifrada"... Sabiam que os chifres das renas têm pêlo em determinadas alturas do ano?
P: Como descreverias, psicologicamente (não gozes) uma rena?
R: Bem, eu não sou psicólogo. Para isso deveria perguntar à Loopy. Achei que eram animais pacíficos, um bocadinho assustadiços e com grande vontade de comer ervas, como aliás a foto demonstra. A pele é muito macia e não resisti a comprar uma lá para casa. Imagina só as possibilidades... Como as renas são animais de criação para alimentar seres humanos e a pele é aproveitada para agasalho, acho que a sociedade protectora dos animais não ficará muito aborrecida...

domingo, setembro 11, 2005

Do leitor de cds

Respondendo ao desafio do Nuno, aqui vão as últimas notícias do meu leitor de cds:

5 álbuns:

The Arcade Fire - Funeral (ainda e sempre...)
Louis Moureau Gottschalk - Piano Music
Elizabeth Anka Vajagic - Nostalgia/Pain
Sam Shalabi - On Hashish
Magazine - Real Life (é velhinho, mas é um clássico new wave...)

5 canções:

The Arcade Fire - Tunnels
Eels - Old Shit/New Shit
Magazine - The Light Pours Out of Me
Antony and the Johnsons - Fistfull of Love
Mazzy Star - She Hangs Brightly

E como é preciso passar isto a alguém, cá vão as minhas "vítimas": Pedro, Elsa, Nazaré, Alex e a incontornável Pec.