quarta-feira, novembro 08, 2006

O Diabo Veste Prada


O Diabo Veste Prada é um filmezinho interessante. Mereceria umas três estrelas em cinco possíveis pela brilhante Meryl Streep, pelo guarda-roupa, pelos Manolo Blanick e pelos Jimmy Choo e, claro, por New York. Como todos sabem, Meryl Streep é uma actriz do outro mundo e neste filme tem um par de momentos inesquecíveis em que me fez lembrar outro "monstro" do cinema: Bette Davies em All About Eve.

Mas Streep não tem culpa do argumento impregnado de um moralismo bacôco de O Diabo Veste Prada. Alguém no seu devido juízo recusaria uma ascensão meteórica no mundo da moda por uma questão de princípios, ainda por cima duvidosos? A personagem de Andrea (Andy) está cheia de equívocos. Durante 90% do filme está longe de demonstrar conflitos interiores profundos sobre a sua ascensão profissional. Mais do que isso, parece deliciar-se com os pequenos sucessos que vai obtendo no dia-a-dia. Por essa razão, o final parece-me completamente inconsistente com o retrato da personagem que é construído ao longo da película.

A mensagem final - uma certa superioridade moral de Andy - é absolutamente execrável. Alguém que tenha uma profissão minimamente competitiva sabe que muito frequentemente é inevitável concorrermos contra pessoas de quem gostamos. A minha própria carreira é disso exemplo. Neste momento, os quadros de vagas do meu departamento estão preenchidos, pelo que a única forma de uma vaga ser libertada é alguém reformar-se, despedir-se ou morrer. Qualquer uma destas situações é bastante improvável. Dado este número limitado de vagas, o mais provável é que eu próprio tenha de concorrer, imagine-se, com o meu padrinho de casamento por uma delas. Muito possivelmente, o Luís e a Rosa também competirão entre si, mas não estou a ver nenhum de nós assoberbado por dramas existenciais ou pseudo-complexos de culpa.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Monument Valley

A visita a Monument Valley foi feita com um tempo pouco convidativo, mas, apesar disso, é impossível ficar indiferente à imensidão entrecortada por formações rochosas invulgares. Embora se chame um “vale”, Monument Valley não é verdadeiramente um vale, mas antes um planalto que a erosão transformou numa planície com formações rochas enormes (mesas e agulhas).

A viagem de Blanding até Monument Valley passa por Valley of the Gods, uma paisagem quase irreal, dificilmente imitável à face da Terra. Em apenas três quilómetros, a estrada desce 300 metros, desde Muley Point até Valley of the Gods. Apesar da desolação, ou se calhar por causa dela, este local continua a ser para mim um dos mais belos do mundo. Na foto de cima, a Ana admira a paisagem. Tirando alguns veículos ocasionais, passam-se milhas e milhas sem se ver um único ser humano. Estamos muito longe do turismo de massas e este local é um descanso, para o corpo e para a alma!

Desde o final da mítica estrada 261 até Monument Valley são mais 24 quilómetros, sempre na Reserva dos Navajos, a tribo (ou Nação) Navajo continua a viver da exploração do turismo. Os preços até nem são elevados e o menu tem especialidades curiosas, como sejam… um bife Sylvester Stallone ou uma sandwich Tom Hanks! Espreitam lá a ementa...

sexta-feira, outubro 20, 2006

Arches National Park (Utah)

The Windows (Janela Norte e Janela Sul) no magnífico Parque Nacional dos Arcos, perto de Moab (Utah). Criados pela erosão de milhares de anos, estes arcos são um dos pontos mais carismáticos deste parque nacional. Reparem só no tamanho das pessoas por baixo dos arcos gigantescos... parecem formiguinhas!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Capitol Reef Canyon (Utah)


Chamem-me masoquista, mas há qualquer coisa que me atrai na América profunda, aquela que é preconceituosa, desconfiada dos estrangeiros, pouco educada e rude q.b. Não é inexplicável. Por azar essa América é também linda! As paisagens naturais são de uma beleza indescritível, que nenhuma das fotos que publique neste blogue pode transmitir. A primeira foto deste post mostra o Aquarius Plateau, um planalto terra-de-ninguém no Sul do Utah. Em nenhum outro local dos EUA se sente o isolamento e a distância da civilização e as cores da natureza assumem aqui grande esplendor.

O dia começou em Salina, uma pequena localidade e terminou em Green River, outra pequena localidade do Utah. Pelo meio, o Capitol Reef Canyon. Apesar de alguma experiência em viagens deste género, nunca tinha caminhado no fundo de um canyon. A sensação é esmagadora. As paredes laterais altíssimas e os constantes avisos “Danger! Flash Floods!” podem dissuadir alguns turistas. Nós arriscamos. Na segunda foto podem ver (se a ampliarem) a Ana a caminhar de costas para a objectiva. Ela não está longe. A dimensão gigantesca do canyon é que a faz parecer extremamente pequena.

No fundo do canyon, após uma longa caminhada, podemos encontrar o Mormon Pioneer Register, um conjunto de assinaturas na pedra datadas do final do século XIX, quando os pioneiros mormons atravessaram estas paragens em direcção ao Oeste.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Bauhaus

Nunca houve uma banda igual. Muitos tentaram imitá-los, mas sempre com resultados patéticos. Todos os discos dos Bauhaus estão agora em promoção na Fnac do Gaia Shopping por apenas 7,50€. Entre originais, discos ao vivo e BBC Sessions, comprei o único que me faltava, cujo primeiro tema toca ali ao lado...

quarta-feira, outubro 04, 2006

Salt Lake City (Utah)

Em viagem pelo Mormon Country...

Apesar dos preconceitos, Salt Lake City é uma lufada de ar fresco, depois de tanto viajar por zonas rurais. Os monumentos mais famosos estão ligados aos fiéis da religião Jesus Christ of Latter Day Saints, mais conhecidos por Mórmon. Até o famoso Delta Center, o gigantesco pavilhão onde joga habitualmente a equipa de basquetebol profissional dos Utah Jazz, está, pelo menos indirectamente, relacionado com a religião, já que a maioria dos jogadores são, também eles, Mórmon.

Como em Roma sê Romano, em Salt Lake City sê Mórmon. Fomos visitar o Museu da História da Igreja para conhecê-la, pelo menos sob o ponto de vista dos próprios crentes… Muita simpatia à entrada e, ao longo do percurso, vários guias para esclarecerem as dúvidas do visitante: “Este aqui é o relógio do John Taylor!”. Surpreendido, fico a olhar com cara de quem não entende. “Quem terá sido este tipo” – penso eu. A resposta vem mais adiante. O massacre que acabou com a vida de Joseph Smith, profeta e fundador da Igreja Mórmon, deixou vivo um dos primeiros seguidores, John Taylor, graças ao tal relógio que desviou a bala! Sigo o meu caminho a pensar que já não se fazem relógios como antigamente...

A História desta religião é igual à de todas as outras: um profeta inspirador e visionário, aumento rápido do número de seguidores, perseguições por desconfiança e inveja, assassinato do profeta e mais perseguições, sempre em busca da terra prometida. Que a terra prometida seja Salt Lake City já é menos compreensível, mas talvez isso explique por que razão ninguém quis expulsar os Mórmons de Salt Lake. Depois de conhecer Salt Lake percebo porquê. Quem gostaria de morar em Salt Lake?!

PS: A primeira foto mostra os contrastes em Salt Lake City. Dois edifícios históricos dos Mórmon e, por trás, o novo e gigantesco Mormon Administrative Center. A segunda foto revela o exterior do Tabernáculo Mórmon de Salt Lake City. O interior só é acessível aos membros da religião. A última foto foi tirada junto à Lion House, construída por Brigham Young para as suas mulheres e filhos. Se quiserem ler detalhes sobre a prática da poligamia, basta clicar na imagem.

PS2: No espírito da tolerância religiosa e do entendimento entre culturas, adquiri e estou a ler a obra Mormon Country (1942) de Wallace Stegner.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Middlesex


Já alguma vez sentiram saudades de um livro? Acabei de ler Middlesex no sábado e já sinto saudades dos personagens e do enredo. Este é um trabalho notável, não só pelo tema insólito que retrata, mas sobretudo pelo relato da longa sequência de eventos que conduz à revelação de um terrível segredo familiar. Com esta obra, Eugenides venceu merecidamente o prémio Pulitzer de 2003 para melhor obra de ficção.

Apesar da sua dimensão (530 páginas), ou se calhar por causa dela, a obra de Jeffrey Eugenides é de “ler e chorar por mais”. Eugenides escreveu apenas dois livros, ganhando reputação de forma instantânea com o seu As Virgens Suicidas, mais tarde adaptado ao cinema por Sofia Coppola. Middlesex é um livro que também implora ser transformado em filme, mas talvez pelo pai de Sofia, já que relata a saga de uma família de imigrantes gregos na América.

O que torna Middlesex uma peça literária única é o seu tema. A personagem principal, Calliope, nasce e é criada até aos 14 anos como rapariga; apenas com a chegada da puberdade se descobre a incrível verdade: Calliope é hermafrodita; exteriormente (quase) aparenta ser mulher, mas interiormente é homem, possuindo testículos que nunca chegaram a descer e, também por essa razão, não permitiram uma identificação atempada do sexo da criança.

O tom do enredo oscila entre uma comédia e uma tragédia grega, com momentos de soap opera americana. Uma delícia!

quinta-feira, setembro 14, 2006

Milão - Barcelona

Os poucos que responderam preferiram Barcelona. Aqui fica a avaliação detalhada e... subjectiva.
1. Beleza humana: Milão
Milão é a capital da moda e, só por isso, já seria uma cidade repleta de gente bonita, mas as italianas e os italianos capricham MESMO na forma de vestir.
2. Arquitectura citadina: Barcelona
Aqui sobram poucas dúvidas. A Barcelona de Antoni Gaudí é maravilhosa em termos arquitectónicos. O Parque Güell, a Sagrada Família, a Casa Milà (La Pedrera), entre muitos outros edifícios, dão a Barcelona um charme fantástico e surreal que é inesquecível. Milão, apesar de alguns edifícios interessantes sob o ponto de vista arquitectónico, está longe de poder competir.
3. Comida: Milão
Por lapso, cheguei a pedir Pasta Carbonara em Milão. Fui informado educadamente que (ler em Inglês com sotaque Italiano) "that pasta is not from this region". Mas a pasta daquela região é uma delícia. Há uma certa "unidade" na cozinha regional italiana que está ausente da comida catalã. Com o meu gosto por massas, natas e queijos, Milão ganha à vontade.
4. Metropolitano: Barcelona
Aqui a coisa complica-se. Nenhuma das redes de metropolitano é parecida com a de Moscovo, mas a de Barcelona impõe-se pela existência de ar condicionado permanentemente ligado, melhores carruagens, melhores passageiros e mais turistas. Milão que me desculpe, mas ainda não percebi qual é a ideia de abrir todas as janelas em todas as carruagens quando se anda a alta velocidade debaixo da terra...
5. Compras: Milão
Um Centro Comercial só com lojas Armani e a representatividade das marcas mais luxuosas (Gucci, Carolina Herrera, Louis Vuitton, Bvlgari, etc) permitem a Milão vencer Barcelona sem grande dificuldade.
6. Catedral: Milão
A Sagrada Família é uma obra impressionante pela sua dimensão e megalomania, é sobretudo encantadora por Gaudí pretender imitar as grandes catedrais da Idade Média em tamanho e tempo de construção. Neste momento, estão prontas 8 das 16 torres previstas e a construção já dura há mais de 100 anos. Acontece que a construção do Duomo (Catedral de Milão) foi iniciada em 1390 e terminada em 1817, tendo demorado quase quatro séculos e meio a terminar. Dada a duração do projecto, a Catedral de Milão resulta de uma mistura de estilos, embora o gótico seja predominante. A dimensão do Duomo é impossível de descrever em palavras. Para comprenderem melhor, basta dizer que as visitas ao telhado são um must e chegam a andar centenas de pessoas pelo telhado sem que este pareça sobrelotado.
7. Parque Automóvel: Milão
Passeava em frente ao Scala de Milão quando pararam num semáforo dois Porsches e um Ferrari entre eles. É preciso dizer mais alguma coisa?
8. Vida nocturna: Barcelona
Barcelona ganha por KO. Neste âmbito, a oferta é muita e diversificada e a localização da cidade, o clima e a mentalidade liberal transformam Barcelona na cidade mais aliciante para sair à noite e até de manhã.
9. Museus e actividade cultural: Barcelona
Aqui a preferência é pessoal. As pinacotecas e a Arte do Renascimento em Milão não me encantam por aí além, ao passo que o Museu Picasso, o Museu Dali e a Casa de Gaudí apresentam exposições que alimentam os meus olhos, o coração e a alma.
10. Equipa de futebol: Barcelona
A parada de estrelas em Milão é imensa. Entre a Internazionale e o A.C.Milan, a cidade é completamente fanática, não sendo por acaso que lhes chamam tiffosi. Em Barcelona, as estrelas da bola não são propriamente frequentadores da passerelle, mas sim verdadeiros artistas da bola. Relembro alguns: Ronaldinho, Deco, Messi, Eto'o, Iniesta, Giuly. Entre Milão e Barcelona... Barcelona sempre!
11. Estacionamento: Barcelona, apesar de tudo
O caos nas duas cidades é imenso, mas Milão desafia tudo que possam ter visto até hoje. Estacionar "de ouvido", estacionar de frente num local onde só cabe um Smart, acelerar nas passadeiras, estacionar nas mesmas, passar sinais vermelhos, vi de tudo em terras milanezas.

Resultado Final: Barcelona 6 Milão 5

segunda-feira, setembro 11, 2006

Milano - Barcelona

Duas cidades fantásticas competem num mini-concurso bloguístico para determinar qual a melhor. Aqui fica a lista dos 11 itens a avaliar:

1. Beleza humana
2. Arquitectura citadina
3. Comida
4. Metropolitano
5. Compras
6. Catedral
7. Parque Automóvel
8. Vida nocturna
9. Museus e actividade cultural
10. Equipa de futebol
11. Estacionamento

Votem através de comentário ou email (umpianonafloresta@gmail.com)

segunda-feira, setembro 04, 2006

Milano


Depois de uma divertida troca de impressões com a Inês sobre as bolachas Milano, posso agora confirmar que vou saborear a verdadeira Milano, a partir de amanhã e até ao próximo Domingo.

Com a sua mania das grandezas, o European Group of Public Administration decidiu reunir em Milão, de 6 a 9 de Setembro. É a minha primeira ida a Itália e nem o habitual nervoso miudinho, associado à apresentação pública do artigo "Regional Partnerships and Co-operation between Portuguese Municipalities: Recent Experiences in Service Delivery", impedirá um par de crónicas bloguísticas.

A publicação das crónicas americanas, totalmente escritas ao longo do mês de Agosto, será retomada após a conferência.

Boa semana para todos!

Crónicas Americanas 4: Montpellier (Idaho)


Abandonamos o Parque Nacional do Yellowstone pelo sul, passando por um outro parque nacional - o Grand Teton - cujo elemento mais marcante é a impressionante cadeia montanhosa que vêem na imagem. O Teton Range ultrapassa em vários pontos os 4 mil metros acima do nível do mar (mais do dobro da Serra da Estrela) e a paisagem tem elementos em comum com as Rochosas do Canadá, já que é também marcada por lagos resultantes do degelo dos glaciares.

O Estado Americano do Idaho é famoso pela qualidade das suas batatas, promovidas até nas matrículas dos automóveis! É o único local do mundo em que Montpellier fica a norte de Paris. É também a única forma de Montpellier ser maior do que Paris.
A paisagem é aqui composta por quintas e ranchos e pequenas localidades que nunca chegam a ultrapassar as duas ou três centenas de habitantes. Em contraste, Montpellier tem 2250 habitantes, uma "metrópole" que oferece comida, quarto e outros serviços úteis. Por comparação com Cody, os preços baixaram para metade. O quarto custa aqui 65 dólares (aproximadamente 50 euro), mas a qualidade é até ligeiramente superior, talvez devido ao facto do hotel ser novo.

Bem-vindos ao Idaho!

Nota: Obrigado a todos pelos vossos comentários às entradas anteriores. Gostaste dos bisontes? Toma lá mais esta!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Crónicas Americanas 3: Parque Nacional do Yellowstone


O Parque Nacional de Yellowstone é a jóia da coroa dos parques nacionais dos Estados Unidos. Absolutamente maravilhoso. Uma paisagem composta por géisers, fumarolas e nascentes de água quente torna o Yellowstone um local quase único no mundo, apenas comparável a certas áreas na Islândia e na Nova Zelândia. A razão deste cenário é a gigantesca cratera vulcânica com aproximadamente 3500 quilómetros quadrados que é totalmente abarcada pela delimitação do Parque. As erupções vulcânicas sucedem-se em intervalos de aproximadamente 600 milhões de anos. A primeira há 2 milhões de anos, a segunda há 1,3 milhões e a última há 640 milhões de anos, pelo que a próxima poderá estar iminente. Das dezenas de exemplos possíveis, o mais famoso dos elementos desta “explosiva” paisagem é o géiser “Old Faithful” (“Velho Fiel”), que, fazendo jus ao nome, permanece activo de 90 em 90 minutos.

A vida selvagem é abundante e diversificada: bisontes, alces, veados, ursos pretos e grizzlies, lobos, coiotes, cisnes trombeteiros e pelicanos. O mais incrível é que muitos destes animais se passeiam pelo Parque sem qualquer receio dos seres humanos (e dos automóveis). Os bisontes, em particular, são tão aparentemente dóceis, que não surpreende que tenham sido caçados quase até à extinção. O cenário da foto é esclarecedor.

Menos espectacular, mas de uma serenidade idêntica à sua dimensão, é o Yellowstone Lake. É o maior lago de montanha da América do Norte, com 32 quilómetros de comprimento, 22 de largura e 50 metros de profundidade média. A temperatura média à superfície em Agosto é de 12 graus centígrados. Os seus habitantes mais conhecidos são as trutas, de uma espécie nativa, que servem de alimento aos pelicanos brancos que também abundam pelo Parque.

Aproveitei a margem do lago para recuperar forças e absorver inspiração neste local magnífico.

terça-feira, agosto 29, 2006

Crónicas Americanas 2: Cody (Wyoming)


Cody é uma cidade de montanha à entrada do Parque Nacional de Yellowstone, mas é mais conhecida por ser a terra adoptiva do famoso William F. Cody (aka Buffalo Bill)(1846-1917), um personagem marcante do Oeste Americano e o exemplo acabado do espírito empreendedor dos Americanos. Sozinho, tornou-se responsável pela visão que os Americanos formaram do Oeste, ainda antes da era do cinema, da rádio e da televisão. No saloon que podem ver na fotografia de cima, agora restaurado para acolher turistas e motoqueiros, Buffalo Bill, Calamity Jane, Annie Oakley e outras figuras míticas do velho Oeste comiam, dormiam e, sobretudo, bebiam!

Por volta de 1880, Buffalo Bill montou um circo ambulante a que chamou Wild West e com o qual encenava as batalhas do passado entre cowboys e índios. O show foi crescendo e, no seu auge, incluía brancos, índios (o famoso chefe Touro Sentado!), negros, orientais e indianos, para além de uma panóplia de animais, desde o bisonte americano (búfalo) ao elefante asiático. Uma verdadeira excentricidade megalómana para a época.

William F. Cody encanta-me e decido aprender mais: compro uma autobiografia e vou visitar a Galeria de Arte adjacente ao Buffalo Bill Historical Center. Fico CHOCADO: o brilhante e extravagante pintor do expressionismo abstracto, Jackson Pollock , é natural de Cody! Sim, o revolucionário Pollock nasceu nesta terra perdida no Oeste!

Bem, ala para o Yellowstone que se faz tarde!

Crónicas Americanas 1: Thermopolis (Wyoming)


A viagem inicia-se pelo "cowboy country". A paisagem é retirada de um western e as cores dominantes são o castanho, o marrom, bege, terracota e o verde sujo (de pó). Todos os tons de castanho que possam imaginar. Uma estranha e avassaladora monotonia deixa adivinhar a dureza experimentada pelos primeiros exploradores da região. É notável, se bem que nada surpreendente, a coincidência entre a localização de cidades/vilas e os cursos de água. Os únicos locais em que os humanos se instalaram nesta região são os que se localizam próximo da água. Como há pouca água, o povoamento é escasso e concentrado.

As rancheiras da região informam-me que "Wyoming is beef country". That's Ok. Adoro bife. Thermopolis é uma pequena cidade simpática, com pouco mais de 3000 habitantes, mas que atrai turistas graças às suas "maiores nascentes de água quente do mundo". A publicidade é francamente exagerada e Thermopolis é apenas útil como local de repouso por uma noite entre Denver e o Yellowstone National Park.

Um pouco mais adiante, deparo-me com esta imagem bizarra. Nem quero imaginar o que se passa naquela habitação no cume da colina, mas o cenário de um filme de terror intromete-se nos meus pensamentos e adensa-se com a montanha de ossos à entrada deste rancho adjacente. Convenço-me que são apenas as vacas do anúncio anterior e prossigo viagem em direcção ao Yellowstone...

Música à Terça 15

segunda-feira, agosto 28, 2006

Um ano a tocar Um Piano na Floresta...

Este blog fez no passado dia 25 de Agosto um ano de existência. Quanto à minha experiência com blogs, já dura há 3 anos, depois dos dois anos de Angústias.

sexta-feira, agosto 04, 2006

USA Road Trip Nº 3


Depois de abandonar a ideia Alaska/Yukon, era necessário arranjar um destino alternativo igualmente inspirador. É a minha terceira road trip USA. Depois de uma viagem de costa-a-costa pelo Sul dos EUA e de uma visita a 8 estados do Sul (Florida, Georgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Tennessee, Mississipi, Louisiana e Alabama), chegou agora a vez do coração da América (Wyoming, Idaho, Utah, Arizona, Novo México e Colorado), dos Parques Nacionais (Grand Canyon e Yellowstone), das cidades "excêntricas" (Salt Lake City, Las Vegas e Santa Fé) e do fabuloso Monument Valley (ver foto acima). Deixo-vos com o mapa possível do que está planeado, sendo que as estradas secundárias serão sempre preferíveis à auto-estrada. A partida para Denver é já na segunda-feira e o regresso no dia 28.

segunda-feira, julho 31, 2006

Música à Terça 14


Agora que já vos disse onde não vou (Alaska e Yukon), este post e o tema musical a tocar ali ao lado contêm duas pistas sobre o meu destino de férias...