quinta-feira, março 30, 2006

Post Multifunções

1. O cd das terças-feiras e disco da semana é The Life Pursuit dos escoceses Belle & Sebastian, que o obstinado crítico João Lisboa, do Semanário Expresso, já se deve ter encarregado de destruir...



2. A Paisagem Canadiana V é um pôr-do-sol captado de um carro em andamento, perto da cidade de Regina, na província do Saskatchewan.



3. Não consegui conter o meu choque com a política de emigração do governo canadiano. Primeiro, um governo dá uma oportunidade aos emigrantes ilegais de procederem à legalização. Esse governo perde as eleições e é substituído por outro que utiliza as informações proporcionadas pelos pedidos de legalização para proceder à extradição. As palavras traição, estupefacção e desilusão não descrevem o que sinto. A utilização de meios tortuosos para obter fins, por mais legítimos que sejam, deve ser condenada, até mesmo por um profundo admirador da cultura do país em causa.

4. Esta entrada serve igualmente para agradecer a todos quantos demonstraram entusiasmo e deram apoio à realização da sessão de segunda-feira passada. Bem hajam!

quinta-feira, março 23, 2006

Convite

Caros amigos e bloggers: aqui fica um convite para a sessão de apresentação da próxima segunda-feira. Conto com a vossa presença!

quarta-feira, março 22, 2006

terça-feira, março 21, 2006

Música à Terça IX


Todos nós temos uma lista de países que adoraríamos visitar. No topo da minha está a Islândia. Paisagens vulcânicas e desoladas, neve, gelo e água em abundância, poucos seres humanos, muitas bruxas, enfim… um encanto! Acontece que visitar a Islândia é dispendioso (Reykjavik é a segunda cidade mais cara do mundo!) e só os mais excêntricos consideram a possibilidade de voar para esta ilha mágica. Enquanto a oportunidade não chega, contento-me com o melhor substituto destes cenários: Agaetis Byrjun dos Sigur Rós.

Os Sigur Rós foram capazes de desenvolver uma atitude musical única e constituem o exemplo mais inovador e criativo do género pós-rock, a que pertencem também os conhecidos Mogwai, Godspeed You Black Emperor e Labradford. O segundo disco da banda, editado em 1999, é para mim o melhor. Vidrar Vel Til Loftarasa, Staralfur, Svefn-G-Englar e o hino Olsen Olsen são momentos inesquecíveis que representam uma sonoridade única, proveniente de um país longínquo e desconhecido, mas que exerce sobre o ouvinte um fascínio e uma curiosidade inesgotáveis. Não fosse o génio de Björk, e os Sigur Rós seriam a principal exportação artística da Islândia. A profusão de música de qualidade proveniente da “ilha encantada” leva-me a acreditar que existe algo mágico naquelas terras distantes que fortalece o engenho criativo daquele povo.

sexta-feira, março 17, 2006

segunda-feira, março 13, 2006

Música à Terça VIII


Canta Mientras Puedas (Sing While You May) é uma colectânea dos melhores temas dos Legendary Pink Dots (LPD), uma banda de origem belga editada pela Play It Again Sam Records e liderada pelo génio criativo de Edward Ka-Spel. Com mais de 30 álbuns editados desde o início dos anos oitenta, a música dos LPD oscila entre o experimental e o fantástico, constituindo com os Minimal Compact e os Tuxedomoon, um dos grupos mais criativos de música independente da época. A razão pela qual recomendo uma colectânea é a diversidade musical de todos estes trabalhos e a óbvia dificuldade em seleccionar os melhores. Não os conhecendo a todos, os meus preferidos são The Lovers (1985), Island of Jewels (1986), The Crushed Velvet Apocalypse (1990), Chemical Playschool Vols. 8/9 (1995) e All the King's Men (2002).

Durante o fim-de-semana, tocou neste blog Princess Coldheart, um pequeno conto de fadas em forma de poema centrado no ego de uma princesa caprichosa, acompanhado por música cheia de sonoridades invulgares e melodias de Avalon. A escolha musical para hoje recaiu sobre A Triple Moon Salute, o mais próximo de um hino que a banda alguma vez produziu. Outra escolha lógica seria The Grain Kings, uma sofisticada espiral de sintetizadores, loops, drones e efeitos sonoros de colheita diversa, que resulta numa estranha harmonia que desafia qualificação.

Pela longa carreira que possuem, os LPD justificam um olhar mais atento. Uma banda que edita mais de três dezenas de álbuns ao longo de 25 anos, sempre com relativo sucesso numa faixa de vanguarda dos compradores, não deve o seu sucesso ao acaso, mas à iniciativa de fazer música sem compromissos com a agenda das editoras multinacionais, mantendo-se fiel a uma estética marginal e experimental, com custos elevados em termos de vendas compensados por enorme respeitabilidade artística e intelectual.

sexta-feira, março 10, 2006

Paintings on Fridays V


O Grito, nas suas diferentes versões, é o quadro mais famoso do norueguês Edvard Munch, mas o meu favorito é A Dança da Vida, terminado em 1900. Os temas mais marcantes desta fase da carreira do pintor estão lá todos: vida, isolamento e morte. Estará também, porventura, a inveja, pois sempre que olho para este quadro vejo duas mulheres sós com um olhar distante e nostálgico(particularmente a da direita) para os casais que dançam. Estes, por seu lado, também não parecem felizes com o que a vida lhes reservou, pelo que se conclui que o quadro retrata a eterna insatisfação dos humanos com o que a vida lhes oferece.

A propósito de distância emocional e frieza de sentimentos, ali ao lado toca durante todo o fim de semana Princess Coldheart dos Legendary Pink Dots, um dos grupos mais prolíficos, e ignorados, dos últimos 20 anos de música independente.

quinta-feira, março 09, 2006

Capote


Vejo muito cinema, mas raramente escrevo sobre filmes. É preciso ficar muito deslumbrado/indignado/perturbado para sentir motivação a escrever. Vi Capote e fiquei incomodado. Não tanto pelos desempenhos dos actores e realizador do filme, mas pela mensagem moralmente dúbia que passa. Qual a legitimidade de um escritor para contar uma história sobre um assassino, explorando os detalhes mais íntimos da sua demência? Será que, ao cometer um crime tão hediondo, o assassino perde o direito à sua personalidade de modo a satisfazer a curiosidade mórbida de um escritor e dos seus leitores sedentos de escândalo e sangue? O recente caso do canibal de Rothenburg, no qual o tribunal deu razão ao criminoso (e queixoso), proibindo a exibição do filme, parece indicar que não.

PS: Capote era um indivíduo cheio de idiossincrasias, como aparece demonstrado ao longo do filme, mas a composição feita por Philip Seymour Hoffman é brilhante.

segunda-feira, março 06, 2006

Música à Terça VII


Já muito foi escrito sobre os Godspeed You Black Emperor!, mas nada substitui a audição integral de Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (2000). Considerados praticantes de música para o novo milénio, os GYBE! têm sido enquadrados no género pós-rock, mas tal limita mais do que facilita a divulgação. A capacidade dos Godspeed You Black Emperor! para nos surpreender é quase infinita. As influências são muitas: dos Sonic Youth aos Swans, de Michael Nyman a John Cage.

O tema que se pode escutar ali ao lado são os seis minutos absolutamente memoráveis que abrem o primeiro disco deste duplo cd. Foi construído segundo uma estrutura semelhante ao Bolero de Maurice Ravel, embora eu duvide que seja isso que os GYBE! tivessem em mente. Começa com uma guitarra eléctrica gentilmente dedilhada e termina numa apoteótica sinfonia de dezenas de instrumentos a repetirem a melodia inicial. Uma marcha quasi-wagneriana, uma verdadeira orquestra rock que inclui guitarras eléctricas, baixo, 2 sets de bateria, violino, violoncelo e uma secção de metais.

Esta não é uma obra para espíritos fracos. Os GYBE! demonstram ao longo de 90 minutos a razão pela qual são um dos maiores fenómenos de culto mundial do género. Dois cds e quatro longas faixas (Storm, Static, Sleep e Antennas to Heaven) de mais de 20 minutos cada uma e com temas muito diversos, todos instrumentais, que transmitem a opressão, alienação e stress presente nos tempos modernos. Uma sinfonia urbano-depressiva, banda sonora desse longo filme a preto e branco que são as nossas vidas.

sexta-feira, março 03, 2006

Paintings on Fridays IV


Rooms by the Sea (1951) foi uma das incursões de Hopper pelo surrealismo. Como Magritte, Hopper surpreende-nos com uma porta aberta para o oceano. O contraste interior/exterior não poderia ser maior, sendo fortemente acentuado pelo tratamento da luz, que penetra no quarto de forma arrojada.

quarta-feira, março 01, 2006

Música à Terça VI



Nick Cave é quase incapaz de fazer um mau álbum. Depois do semi-fiasco de Nocturama, Nick redime-se em grande estilo com este duplo CD cheio de qualidade. Destacam-se Cannibals Hymn, There She Goes, My Beautiful World, Easy Money e, claro, o single Nature Boy.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Música à Terça V



Gravado em Tucson, Arizona, durante o Verão de 1997, The Black Light era apenas o segundo álbum dos Calexico, mas a sonoridade que projectava tornou-os inconfundíveis. Antes de mais, uma pequena curiosidade: os Calexico tomam o seu nome de uma pequena cidade de fronteira da Califórnia. O nome é uma piada: Califórnia + México = Calexico. A cidade tem apenas 19.000 habitantes, e esse facto até seria irrelevante, não vivessem mais de 1 milhão de mexicanos do outro lado da fronteira, em Mexicali (pois, já adivinharam, México + Califórnia = Mexicali!).

Bem, curiosidades à parte, reza a lenda que o nome da banda surgiu porque o carro em que viajavam Joey Burns e John Convertino (os fundadores dos Calexico) avariou perto da cidade de Calexico, quando estes se dirigiam a Tucson, a cidade de onde são originários. Tucson é também ela uma cidade de fronteira e o seu feeling é extraordinário: foi a única cidade americana em que estive onde os jardins das habitações tinham areia em vez de relva e cactos em lugar de flores.

A música dos Calexico é uma delirante e original fusão de mariachis, jazz, spaghetti western e rock alternativo, utilizando instrumentos como acordeão, marimbas, vibrafone, piano, violino, violoncelo, bandolim, trompete, entre muitos outros. The Black Light tem um cunho fortemente instrumental, como aliás se pode ver pelas faixas que mais atenções atraíram: Minas de Cobre, The Ride, Stray e Frontera. Joey Burns demonstra ainda alguma hesitação na utilização da voz, que desaparecerá mais tarde, em trabalhos mais recentes como Hot Rail e Feast of Wire. Os Calexico têm um novo álbum, Garden Ruin, ansiosamente aguardado para Abril.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Viagens...

Através de um link no site da Inês, construí o mapa dos Estados Americanos por mim visitados:

E o mapa dos países visitados:

Concluí que:
1. Tenho uma excessiva tendência para países do hemisfério norte e Estados do Sul dos Estados Unidos.
2. Ainda não vai ser este ano que a tendência vai ser contrariada...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Paintings on Fridays II

Edward Hopper é o meu pintor preferido. O famosíssimo quadro Nighthawks fascina-me e associo-o com a música de Tom Waits e o seu Nighthawks at the Dinner.

Em Hopper, o tratamento da luz é sublime, como em Morning Sun:

A separação entre natureza e civilização, presente em inúmeros dos seus quadros, coloca-nos perante um contraste (dilema?) entre o conforto e a segurança dos espaços humanos e civilizacionais e o desconhecido e enigmático das paisagens naturais. Second Story Sunlight é disso um exemplo.

Something Pretty - Patrick Park

SOMETHING PRETTY
lyrics © 2002 Patrick Park

Here I am, where I’ve been
I’ve walked a hundred miles in tobacco skin,
And my clothes are worn & gritty.
And I know ugliness,
Now show me something pretty.
I was a dumb punk kid with nothing to lose
And too much weight for walking shoes.
I could have died from being boring.
As for loneliness,
She greets me every morning.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

Here I am, where I’ve been
I’ve walked a hundred miles in tobacco skin,
And my clothes are worn & gritty.
And I know ugliness,
Now show me something pretty.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

Paisagens Canadianas III

(clicar na foto para ampliar; acreditem que vale a pena!)

Esta foi tirada durante um jantar romântico nas margens do Dutch Lake. As cores do céu eram incríveis: do amarelo ao rosa, do magenta ao violeta. A noite foi passada num motel, descoberto casualmente, nas margens do mesmo lago, nem a 500 metros do local onde foi tirada a foto.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Música à Terça IV


Em 1969, quando este disco foi editado pela primeira vez, vendeu apenas 600 cópias. A razão era assaz caricata: foi colocado na secção de música religiosa! Para os fãs, os Genesis transformaram-se em banda de culto, de facto, mas alguns anos mais tarde, com os temas The Knife, The Musical Box e Supper's Ready e os álbuns Selling England By the Pound e The Lamb Lies Down on Broadway.

Os Genesis, com Peter Gabriel, Michael Rutherford, Tony Banks, Anthony Phillips e Jonathan Silver, eram ainda muito jovens (Gabriel tinha 16 anos), mas estavam longe de ser teenagers inconsssientes. A obra é um prodígio em termos melódicos, ainda que sofra de uma compreensiva ingenuidade, típica de quem se inicia nesta arte. Foi composta em grande parte no colégio inglês que os membros da banda frequentavam e os arranjos para cordas e a produção são da responsabilidade de Jonathan King.

Este trabalho está longe de ser uma obra prima, mas tem momentos pop enternecedores e inesquecíveis como Where the Sour Turns to Sweet, The Serpent, One Day e o single The Silent Sun, considerado pelo próprio Jonathan King como um "Bee Gees pastiche". Posso dizer-vos que, quando quero ouvir música "optimista", este é um dos álbuns do topo da lista.

1. Where The Sour Turns To Sweet (3:13)
2. In The Beginning (3:46)
3. Fireside Song (4:18)
4. The Serpent (4:38)
5. Am I Very Wrong? (3:31)
6. In The Wilderness (3:29)
7. The Conqueror (3:40)
8. In Hiding (2:37)
9. One Day (3:21)
10. Window (3:33)
11. In Limbo (3:30)
12. Silent Sun (2:13)
13. A Place To Call My Own (1:58)

Total Time: 43:47

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Música à Terça III


Estranha escolha? Nem por isso. Lançado em Setembro de 1984, The Unforgettable Fire foi o primeiro disco dos U2 que escutei. Recordo-me que foi no programa da Rádio Comercial TNT - Todos no Top que ouvi a primeira música dos U2, Bad, na sua versão ao vivo incluída no álbum Wide Awake in America. Achei estranhíssimo que uma música com mais de 8 minutos de duração passasse num programa comercial de rádio.

Depois da genialidade de The Joshua Tree ou Achtung Baby, do vanguardismo de Zooropa, da megalomania de Pop e da mediocridade de All That You Can Leave Behind, sabe bem voltar a um disco sem espinhas e sem adornos. The Unforgettable Fire é isso mesmo: um disco simples, directo, cheio de alma irlandesa. Os meus temas preferidos são A Sort of Homecoming, The Unforgettable Fire, Promenade e, claro, o já referido Bad. Enfim, os U2 em versão pré-electrónica e pré-América... para redescobrir.

1. A Sort Of Homecoming (5:29)
2. Pride (In The Name Of Love) (3:49)
3. Wire (4:19)
4. The Unforgettable Fire (4:55)
5. Promenade (2:32)
6. 4th Of July (2:15)
7. Bad (6:09)
8. Indian Summer Sky (4:18)
9. Elvis Presley and America (6:22)
10. MLK (2:32)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Paisagens Canadianas II

(clicar na foto para ampliar)

Um dos aspectos que mais surpreende o visitante do Canadá é a abundância de água: oceanos, lagos, rios, ribeiros, riachos, e até lagos interiores que parecem mares! Uma das particularidades de grande parte dos cursos de água nas Montanhas Rochosas é o efeito do degelo dos glaciares na cor das águas, desde um cinzento baço até ao verde esmeralda. Aqui representado está o Lake Moraine, com o azul turquesa mais belo que já vi, cercado pelo Vale dos Dez Picos. Absolutamente deslumbrante!

(clicar na foto para ampliar)

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Paintings on Fridays I



Não sendo Marc Chagall o meu preferido de entre os surrealistas, o quadro O Aniversário é um dos quadros que mais aprecio. Chagall pintou-o em 1915, nos primeiros tempos do seu casamento com Bella. O quadro retrata esses momentos de felicidade, com o casal a pairar sob um dos aposentos de sua casa. O detalhe com que Chagall pinta os tecidos do sofá e da toalha de mesa é particularmente notável e o casal parece rodeado de uma paz no seu lar que contrasta com a demência da guerra que grassava pela Europa.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Um Livro à Quarta II



O livro de hoje é especial. Perdoem-me a descarada manobra de auto-promoção, mas este foi organizado por mim (sim, eu sou o António F. Tavares...) e estará brevemente disponível numa Fnac perto de si...

Este volume foi editado tendo como principal objectivo celebrar os 25 anos da Licenciatura de Administração Pública da Universidade do Minho, criado por Resolução do Senado Universitário no início dos anos 80. O livro "Estudo e Ensino da Administração Pública em Portugal" procura, como o próprio nome indica, reunir contributos sobre a evolução do ensino e da investigação na área de Administração Pública enquanto disciplina académica. Para isso, conta com a participação dos Professores J.A. Oliveira Rocha, Joaquim Filipe Araújo, Sílvia M. Mendes e Pedro J. Camões, para além de mim próprio, todos da Universidade do Minho, bem como do Professor João Faria Bilhim, Presidente do Conselho Directivo do Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e do Professor Rui de Figueiredo Marcos, Vice-Coordenador do Curso de Administração Pública da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

A nota introdutória é do Professor Lúcio Craveiro da Silva, Reitor da Universidade do Minho na altura em que o curso de Licenciatura em Administração Pública foi criado. O prefácio é do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que gentilmente aceitou contribuir com o seu prestígio para o enriquecimento desta obra. Aproveito para agradecer publicamente a todos a colaboração na edição deste volume.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Música à Terça II


Pink Moon é, a todos os tí­tulos, um disco único. A voz de Nick Drake e a sua guitarra acústica uniram-se para criar uma obra prima com apenas 28 minutos. Solidão, isolamento e alienação social são temas preponderantes em todos os trabalhos de Drake, mas atingem aqui a sua mais profunda e sentida expressão:

Know that I love you
Know I don't care
Know that I see you
Know I'm not there.

Nunca o suicí­dio foi tratado na música de forma tão enigmática como em Pink Moon, o tema de abertura. Drake canta:

I saw it written and I saw it say
Pink moon is on its way
And none of you stand so tall
Pink moon gonna get you all
It's a pink moon
It's a pink, pink, pink, pink, pink moon.

Um dos raros momentos em que a música me fez sentir frágil...

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Ordinarices III

Image hosting by Photobucket
Para completar a trilogia, fica esta, tirada em Mo-I-Rana, na Noruega, em Agosto de 2005

Ordinarices II

Image hosting by Photobucket
Há verdadeiras preciosidades ordinárias... Esta foi tirada algures na Suécia, no Verão de 2005

Ordinarices I

Image hosting by Photobucket
Rua de Québec City, Québec, Canadá; foto tirada em Agosto de 2004

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Um Livro à Quarta I

É quase quinta-feira, mas ainda vou a tempo de sugerir este livro:
Image hosting by Photobucket
Já escrevi sobre ele, há algum tempo atrás, no meu blog anterior. Aqui fica o pequeno texto de enquadramento da obra...

"A Casa dos Mil Andares de Jan Weiss revelou-se uma agradável surpresa e deitou por terra um equívoco em que laborei durante mais de uma década: 1984 de George Orwell é uma obra-prima, mas não é absolutamente original na concepção de um Big Brother. Ao ler A Casa dos Mil Andares, escrito em 1929, encontrei algumas semelhanças entre os dois romances de ficção distópica, a maior das quais, a existência de um tirano omnisciente que controla a vida de todos os seus concidadãos. Genial, sobretudo tendo em conta o ano em que foi escrito."

Mais valia ficarem calados...

A Quercus desconfia de um estudo realizado pelas Universidades de Yale e Columbia sobre o estado do ambiente em 133 países e que coloca Portugal no décimo primeiro lugar da lista. É caso para pedir à Quercus que mostre a lista dos seus membros que são prémios Nobel...

terça-feira, janeiro 24, 2006

Música à Terça I

Image hosting by Photobucket

Uma das vantagens de ouvir muita música é ser capaz de separar obras vulgares de raros momentos de beleza poética e sonora. Não há muitos discos que possam ser classificados de eternos, mas Thunder Perfect Mind (1992) dos Current 93 é inegavelmente um deles.

Dito isto, é importante dizer que não é um disco fácil. Se eu quisesse ser popular certamente escolheria fazer a crítica de um disco líder dos tops nacionais. Não me parece que esse seja o objectivo de Música à terça, daí a opção por uma obra dos Current 93. Numa carreira que conta com mais de 40 discos e 22 anos de existência, havia muito por onde escolher, mas as razões que se seguem explicam, em parte, a escolha.

Thunder Perfect Mind é o mais longo disco de originais dos Current 93, com quase 79 minutos de música, e um dos mais consistentes e articulados do início ao fim. É considerada uma obra-prima dentro do pouco divulgado género do folk apocalíptico, termo usado para descrever música à base de guitarra acústica sombria e letras melancólicas e depressivas. Os textos são notoriamente inspirados na poesia de William Blake e a música nos temas folk de Shirley Collins.

Embora a guitarra acústica seja predominante, há aspectos muito pouco convencionais neste disco. Os primeiros 30 minutos (9 faixas) são extremamente melódicos, marcados pela guitarra acústica gentilmente tocada e pela voz do “outro mundo” de David Tibet. Os meus momentos favoritos são In the Heart of the Wood and What I Found There e A Lament For My Suzanne.

Este excelente disco de música folk muda significativamente de sonoridade a partir da faixa número 10, All the Stars are Dead Now. Inesperadamente, é aqui introduzido um sampler de Saint Louis Blues, um original dos anos 20, do swing e das big-bands. Simplesmente desconcertante. Mas nada prepara o ouvinte para o que se segue. Entra um repetitivo riff de guitarra acústica tocado até à náusea e acompanhado por Tibet a recitar um longo poema, de conteúdo largamente obscuro e ininterpretável, mas que, tanto quanto consigo compreender, é uma profecia sobre o apocalipse e a morte. O tom sinistro prossegue com Rosy Stars Tears From Heaven e a voz de Tibet, sinistra na faixa anterior, torna-se aqui simplesmente diabólica, ainda que sussuradamente diabólica.

Como a surpresa é, por vezes, a mãe da genialidade, When the May Rain Comes, uma versão de um original dos Sand, é lindíssima. Os instrumentos usados (baixo, flauta e guitarra) produzem uma sonoridade extremamente melódica e a interpretação pelo dueto David Tibet e Rose McDowall faz estragos na mais empedernida insensibilidade. Segue-se o tema título, Thunder Perfect Mind, um crescendo musical ameaçador acompanhado pela leitura de textos do livro homónimo.

Depois de 55 minutos de música deslumbrante, faltava um tema épico para atirar tudo o que é convencional pela janela. Hitler as Kalki dura 16 minutos e 28 segundos e é dedicado ao pai de David Tibet, já falecido, que combateu na II Guerra Mundial. O início é parece influenciado por música tradicional hindu, mas a peça transfigura-se lentamente numa espiral eléctrica, levemente tocada pelo minimalismo, com David Tibet a dissertar sobre Hitler e o apocalipse. Num texto que acompanha o cd, Tibet explica-nos que algumas pessoas consideram que Hitler foi Kalki, a décima e última incarnação do Deus Hindu Vishnu, que vem num cavalo branco para destruir o cosmos no final de cada ciclo universal. Tibet incita à reflexão e oração para que a destruição termine e um novo paraíso e uma nova Terra possam surgir.

Para além de ser um disco místico e experimental, Thunder Perfect Mind é também uma obra complexa sob o ponto de vista lírico. Já tentei interpretar muita da poesia contida nesta obra, mas as conclusões são pouco satisfatórias. Os conteúdos genéricos são o apocalipse, o arrependimento, a piedade e a salvação, mas qualquer interpretação imediata dos textos aqui contidos será, muito provavelmente, errada.

Este foi o meu primeiro contributo para Música à Terça, uma iniciativa da Mimi à qual espero corresponder com a regularidade exigida. Uma crítica aprofundada da reedição do disco aparece aqui.

domingo, janeiro 22, 2006

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Paisagens Canadianas 1

Farto de tanta Bolonha, preciso de natureza. Para relaxar e esquecer as preocupações, aqui está a primeira de uma série de paisagens canadianas. Esta é o fundo do computador de onde teclo. Podia ser a imagem do ambiente de trabalho de qualquer computador. É provavelmente um dos locais mais belos em que estive até hoje. Chama-se Peyto Lake e situa-se na província de Alberta, nas montanhas rochosas canadianas. A foto foi tirada por mim durante as férias de Verão de 2004.

Image hosted by Photobucket.com

domingo, janeiro 15, 2006

Mirbeau: Prazer ou Tortura?

Image hosted by Photobucket.com

O Jardim dos Suplícios é um livro maldito. Divide-se em duas partes, com conteúdos substantivos e literários extremamente distintos. Na primeira parte, Octave Mirbeau descreve a política francesa do século XIX, já no tempo da República, abundante em corrupção, favoritismo e incompetência. A segunda parte decorre algures na China, num contexto de selvajaria e barbárie.

O personagem principal, anónimo, relata o lema da educação que lhe deu seu pai: “Tirar qualquer coisa a alguém e guardá-la para si, é roubo… Tirar qualquer coisa a alguém e passá-la a outrem, em troca de tanto dinheiro quanto se puder, é comércio… O roubo é estúpido porque se contenta com um só lucro, muitas vezes perigoso, ao passo que o comércio comporta dois, garantidos…”

O seu protector político, Eugène Mortain, tem uma atitude semelhante no seu ramo de negócio - a política. Um diálogo entre ambos é qualquer coisa de caricato e esclarecedor:
"- Há na circunscrição que te escolhi uma questão que domina todas as outras: a beterraba… O resto não conta e é com o prefeito… Tu és um candidato puramente agrícola… mais ainda, exclusivamente beterrabista… Não o esqueças… Seja o que for que possa acontecer durante a luta, mantém-te inabalável nesta plataforma excelente…Sabes alguma coisa de beterraba?
- Palavra que não – respondi – sei apenas, como toda a gente, que dela se tira açúcar… o álcool.
- Bravo! Isso basta – aplaudiu o ministro com uma tranquilizadora e cordial autoridade… Explora até ao fundo esse conhecimento… Promete rendimentos fabulosos… adubos químicos extraordinários e gratuitos… caminhos-de-ferro, canais, estradas para a circulação desse interessante e patriótico legume… Anuncia desagravamentos de impostos, prémios aos cultivadores, direitos ferozes sobre as matérias concorrentes… tudo o que quiseres!... Nesta ordem de ideias tens carta branca e eu te ajudarei… Mas não te deixes arrastar para polémicas pessoais ou gerais que poderiam tornar-se perigosas para ti e, com a tua eleição, comprometer o prestígio da República… É que, aqui entre nós, meu velho – não te censuro nada, apenas verifico –, tens um passado incómodo."

Depois de perder a eleição, o personagem central é enviado em missão “científica” para o Ceilão, mas apaixona-se durante a viagem por Clara, uma aristocrata inglesa que o convence a ir viver com ela para a China. Daí que a segunda parte do livro decorra num ambiente mais exótico e fascinante. Porém, cedo se percebe que aquilo que inicialmente aparenta ser um paraíso terrestre, é, na verdade, o inferno.

O elemento central desta segunda parte é o Jardim dos Suplícios, parte integrante de uma prisão próxima do local em que ambos vivem. A descrição das torturas, dos instrumentos empregues e das expressões sádicas dos torturadores e carrascos é nauseante e revoltante. Curiosamente, todo este ambiente contrasta com a beleza das flores e árvores que crescem no jardim, e que Mirbeau descreve com uma precisão quase obsessiva. O jardim dos suplícios é um local belo e horrendo, as torturas mais infames são obras de arte, esculpidas com devoção por carcereiros dedicados e dementes. Se a escrita é extremamente cuidada e de fino recorte, o que ela retrata é absurdo, repugnante e abominável.

Por tudo isto, tenho um sentimento de ambivalência relativamente a esta obra. Embora a escrita tenha inegável qualidade, há certos conteúdos que são demasiado chocantes para merecer dispêndio de tempo. Além disso, falta um toque de genialidade à obra (presente, por exemplo, em Os Cantos de Maldoror de Lautreamont), pelo que não compensa enfrentar as dificuldades criadas pelo tema central exposto para obter daí o prazer associado à leitura. No final, o mais certo é um misto de náusea e surpresa. Não compensa o esforço.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Grrr...

Para si, Bolonha é:

a) Uma linda cidade de Itália
b) Uma sanduíche de paio
c) A vizinha boazona do 5º Esqº
d) Uma invenção de um grupo de burocratas de Bruxelas com o intuito de "torrar" a paciência à academia e estandardizar o ensino como quem determina o tamanho das pêras
e) Nenhuma das anteriores

quinta-feira, janeiro 05, 2006

O Princípio de Dominó

Sempre que escrevo sobre música, algumas pessoas (a Marta, por exemplo) manifestam-se surpreendidas com a quantidade de bandas mais ou menos obscuras que ouço e tento dar a conhecer. A verdade é que a minha obsessão pela música tem raízes profundas e familiares. Esta entrada procura dar a conhecer essas raízes. Mais do que isso, demonstra como os meus conhecimentos musicais derivam do conhecido "princípio de dominó".

Cresci ao som dos compositores clássicos do período romântico. Em casa dos meus pais, Mozart, Beethoven, Chopin, Schubert, Tchaikovsky e Wagner eram obrigatórios no prato do velho gira-discos. Aprendi a gostar de música clássica assim. Nunca me considerei um erudito por isso. Alguns temas de Tchaikovsky ou de Mozart são tão comerciais e melódicos como músicas dos Beatles ou dos Rolling Stones.

Durante os anos da licenciatura comecei a adquirir cds de outros compositores que se ouviam menos lá por casa. Rachmaninov, Paganini, Grieg, Sibelius, Boccherini, Rimsky-Korsakov, Mahler e Debussy faziam agora parte da minha colecção de cds, que começava a distanciar-se dos gostos dos meus pais.

A minha paixão pelos Current 93 já é bastante antiga. Quando ouvi pela primeira vez o cd "Soft Black Stars" (1998) achei-o prodigioso e de uma beleza tremenda. A crítica dizia que o disco tinha alguns pontos de contacto com "After Virtue" (1988) de Wim Mewtens. Ambos eram discos de piano a solo e com forte tendência para a melancolia. Foi assim que fui iniciado na música clássica contemporânea. Para além deste episódio, assistir aos filmes de Peter Greenway ("Um Z e Dois Zeros", "Maridos à Água" e "O Cozinheiro, O Ladrão, A Mulher Dele e o Amante Dela") colocou-me em contacto com a música minimal repetitiva de Michael Nyman.

Durante algum tempo, Mertens e Nyman eram os únicos compositores contemporâneos que escutava, mas cedo percebi que havia uma imensidão musical que ignorava por completo. Por empréstimo do Pedro, conheci alguns dos trabalhos dos anos 80 de Philip Glass, incluindo "Solo Piano" e "Glassworks" e fiquei apaixonado pela música do compositor. Comecei pela faceta mais acessível de Glass, nomeadamente "Itaipu/The Canyon", "North Star", as sinfonias "Low" e "Heroes" (escritas em parceria com David Bowie e Brian Eno), para além dos já mencionados "Glassworks" e "Solo Piano". Depois arrisquei os trabalhos mais "difíceis": Concerto para Violino e as Sinfonias nº2 e nº3.

De Philip Glass a John Cage e a Steve Reich o salto era óbvio. Tinha descoberto o minimalismo americano. Comecei a ouvir as obras para "Prepared Piano" e "Litany for the Whale" e de John Cage, bem como "Different Trains", "Music for 18 Musicians" e "Four Organs & Phase Patterns" de Steve Reich. A discografia de Cage é tão vasta e diversificada que só agora estou a iniciar este período de descoberta.

Em Setembro visitei a Polónia. Curioso por natureza e profissão, procurei saber quem eram os compositores polacos mais famosos, para além do óbvio Chopin. A resposta veio rápida: Henryk Gorécki e Krysztof Penderecki. Para conhecê-los, comprei em saldo (5 euro) a Sinfonia nº3 ("Symphony of Sorrowful Songs") de Gorécki e juro que foram os cinco euro mais bem gastos em música dos últimos dois anos. A música é pungente e algo depressiva, até pela inspiração no Holocausto destes dois músicos polacos, mas simultaneamente de uma beleza infinita. Ao ouvir esta sinfonia, não pude deixar de encontrar algumas semelhanças com "Sleep Has Is House" (2000) dos Current 93. Suponho que este trabalho, escrito por David Tibet em homenagem à memória do seu pai, foi inspirado pela Sinfonia nº3 de Gorécki. Depois de tanta música conhecida segundo princípio de dominó, tinha voltado à peça inicial.

Sabendo da minha admiração pelo realizador, os meus pais ofereceram-me no Natal a colecção de filmes de Stanley Kubrik. Um dos DVDs relata a vida e obra do realizador e, em particular, as influências musicais dos filmes de Kubrick. "The Shining" tem, imagine-se, a presença musical de Krysztof Penderecki. No dia de Ano Novo terminei a noite a ver "2001-Odisseia no Espaço". Uma óptima e optimista maneira de começar o ano. Na inesquecível sequência visual final, a música é de György Ligetti e, segundo já li, este é significativamente marcado pela obra de Olivier Messiaen. Ainda não tenho nenhum cd destes dois compositores, mas a curiosidade adensa-se.

Infelizmente, os preços de cds de música clássica contemporânea são proibitivos e os saldos são raros, pois as edições são em pequena quantidade e muitas só podem ser obtidas via importação. Contudo, devido à minha assumida obsessão com música de quase todo o género, é inevitável que a minha próxima visita à Fnac envolva a aquisição de algum cd destes últimos compositores.

E é assim que o meu conhecimento musical se alarga e aumenta. Da mesma forma que as cerejas: puxa-se por uma e logo outras vêm atrás. Lá em casa luta-se com falta de espaço para arrumar tanto cd, mas acreditem que só tratamento médico sério poderá acabar com esta compulsão...

Caros leitores:

O facto da última entrada ter sido feito há mais de 48 horas e não ter ainda qualquer comentário leva-me a pensar que vocês são a melhor audiência que um blogger poderia almejar. O futebol interessa-vos pouco e provavelmente até consideram que eu não tenho talento nenhum para falar do assunto.

Prometo que daqui a pouco voltarei às entradas sobre música. Vou ali inspirar-me numa reunião de Conselho de Departamento e já volto...

terça-feira, janeiro 03, 2006

O Futebol Português está morto - RIP

Raramente escrevo sobre futebol, mas sempre que o faço é para dizer mal. Não peço desculpa. O estado do futebol português é deprimente e julgo que não há NADA que justifique elogios, apesar de algumas conquistas em anos bem recentes só para enganar o povinho.

Construímos estádios para estarem, na sua maioria, vazios. Já viram um jogo do Leiria? O estádio tem 30.000 lugares, mas quando chega aos mil espectadores é um fartote! E o Louletano? Sim, caso não se lembrem, o Farense faliu e acabou com a equipa de futebol, pelo que o Louletano (II Divisão) é o único a utilizar o estádio Faro-Loulé, com uma estonteante média de 500 espectadores por jogo. E já agora, por falar em falências, o Alverca, o Académico de Viseu, o Felgueiras, o Campomaiorense e o Farense já não se encontram entre nós. Fala-se insistentemente de outras crises, sendo a do Vitória de Setúbal apenas a mais visível. Para além do Vitória, há ainda o Estoril, Chaves, Maia, Ovarense, entre muitos outros, sendo neste momento impossível dizer quantos haverá nesta situação. Se o problema fosse apenas financeiro, não estaríamos muito mal. Afinal, algumas indústrias portuguesas como o têxtil ou o calçado também atravessam momentos difíceis, porque razão seria o futebol diferente destas? A razão é simples. O que é verdadeiramente dramático é que o negócio está a ser aniquilado pelos próprios interessados e não pela concorrência externa ou pela globalização. Se há um negócio em Portugal em mau estado que não se pode queixar da globalização é o futebol.

Já todos ouvimos os repetidos boatos e insinuações de corrupção na arbitragem e manipulação de resultados. O "café com leite", a "fruta", os dirigentes proprietários de casas de diversão nocturna envolvendo negócios mais ou menos obscuros, as ligações duvidosas entre os empresários de jogadores e os dirigentes dos clubes, entre muitas outras insinuações. Tudo isto já tinha sido dito a propósito do meu clube do coração, o Futebol Clube do Porto.

Até ao mandato de João Vale e Azevedo, o dito "glorioso" tinha passado mais ou menos incólume a esta onda de críticas e de suspeições. Os dirigentes do Benfica tinham sabido manter a dignidade, até nos momentos mais críticos. Tudo isso foi atirado pela janela fora. Agora sabemos que o Benfica tem uma equipa de seguranças privados que é especialista em esbofetear todos os que se atrevam a dizer que um jogador poderá arrepender-se amargamente se assinar pelo clube. É o Guarda Abel revisitado! Tudo muito feio. Tudo muito sujo.

O Benfica recomeçou a ganhar o ano passado, mas as tácticas utilizadas são em tudo idênticas às que acusava o F.C. Porto de usar durante os anos 90: pressões sobre os árbitros, linguagem carroceira, brutamontes para intimidar. Uma verdadeira panóplia de tácticas terroristas. Familiares sim, mas completamente ultrapassadas. Coisas do século XX. Foi-se a superioridade moral do Sport Lisboa e Benfica. E com ela a última réstia de esperança do futebol português. A indústria do futebol foi atirada às urtigas. O negócio está morto.

RIP

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Parque Natural de Montesinho, Véspera de Ano Novo

Image hosted by Photobucket.com

Baixa produtividade...

Poderia haver uma boa razão para a Universidade do Minho estar fechada no dia 2 de Janeiro... Não há. Tive de suplicar ao segurança para me deixar ir trabalhar para o gabinete. Assim não há produtividade que resista...

terça-feira, dezembro 27, 2005

O melhor cd de 2005

Há dúvidas?

1º Funeral - The Arcade Fire
Image hosted by Photobucket.com

Ao vivo em Paredes de Coura:
Image hosted by Photobucket.com
Foto gentilmente cedida pelo Carlos Barros.

Ao vivo em Paredes de Coura:
Image hosted by Photobucket.com
Foto gentilmente cedida pelo Carlos Barros.

2º Blinking Lights and Other Revelations - Eels (clique para ouvir sampler)
Image hosted by Photobucket.com

3º Cripple Crow - Devendra Banhart (clique para ouvir)
Image hosted by Photobucket.com

4º The Mysterious Production of Eggs - Andrew Bird (clique para ouvir)
Image hosted by Photobucket.com
Agradecimento à Miss Engajada pelo link de A Nervous Tic Motion of the Head to the Left

5º Takk - Sigur Ròs
Image hosted by Photobucket.com

6º I Am a Bird Now - Antony & The Johnsons
Image hosted by Photobucket.com

7º Horses in the Sky - Thee Silver Mount Zion Memorial Orchestra & Tra-La-La Band
Image hosted by Photobucket.com

8º Akron Family/Angels of Light - Angels of Light/Akron Family
Image hosted by Photobucket.com

9º The Secret Migration - Mercury Rev
Image hosted by Photobucket.com

10º Stem Stem in Electro - Hrsta
Image hosted by Photobucket.com

sábado, dezembro 24, 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Qual o melhor cd de 2005?

Deixem aqui as vossas sugestões. Na última semana do ano apresentarei a minha lista dos 10 melhores de 2005.

terça-feira, dezembro 13, 2005

A Resposta é 34

Como já era tradição no Angústias de um Professor, no dia em que completei mais um Outono, coloquei aqui durante 24 horas uma fotografia minha, tirada em Paredes de Coura em Agosto de 2005. É a minha singela forma de homenagear os visitantes regulares deste blog. A todos o meu muito obrigado!

sexta-feira, dezembro 09, 2005

sábado, dezembro 03, 2005

Crucifixos, Véus e Outra Parafernália Religiosa

A polémica gerada em torno da presença de crucifixos nas escolas incomoda-me. Sou católico não praticante, a "religião" da grande maioria dos portugueses, e devo dizer que a presença ou ausência de crucifixos me deixa relativamente indiferente. Compreendo que sempre que alguém de outra religião se manifeste incomodado com a presença de um crucifixo na parede de uma instituição pública, seja obrigação dos responsáveis a retirada do dito objecto. O respeito pelas outras religiões assim o justifica.

Já tenho maior dificuldade em compreender o argumento da separação entre Igreja e Estado. Não posso deixar de discordar daqueles que defendem a laicidade com a mesma cegueira do fundamentalismo religioso, ignorando centenas de anos de tradição judaico-cristã em Portugal. Tirar os crucifixos das paredes a todo custo, pela simples razão de termos um "Estado laico", menospreza valores actualmente promovidos pela Igreja Católica que deveriam ser preservados, como sejam a paz, o respeito pelos outros e o diálogo ecuménico.

A experiência francesa de proibição da ostentação de objectos religiosos nas escolas por parte dos/as alunos/as é um exemplo do tal fundamentalismo laico e jacobino que critico. Um sector da sociedade americana também considera a hipótese de acabar com o moto "In God We Trust", que tem mais de duzentos anos e expressa um conjunto de valores comuns aos "Founding Fathers". Estes movimentos mais radicais de secularização passam uma mensagem de intolerância e seriam impensáveis, pelo menos nos tempos mais próximos, num país como Portugal.

Mas, apesar disso, fico preocupado com o discurso inflamado da esquerda mais radical, que sente horror com a possibilidade dos miúdos ficarem "contaminados" pelo "vírus do cristianismo", só por haver um crucifixo na sala onde têm aulas. Só para os descansar, devo dizer que estudei 12 anos num colégio católico e nem me recordo se existiam ou não crucifixos nas salas de aula. Provavelmente existiam. Seja como for, não é isso que determina se alguém é não um bom cidadão.

P.S.: Francisco Sarsfield Cabral escreve sobre o assunto no DN de hoje.

terça-feira, novembro 29, 2005

Estudo de Caso ou Caso de Estudo?

Tenho ouvido os comentadores desportivos afirmarem que o Vitória de Setúbal, que se encontra em quarto lugar na I Liga e não paga aos seus jogadores há uns meses, é um verdadeiro "caso de estudo". Esta expressão horrível é um abastardamento da expressão inglesa "case study", que deve ser traduzida para português como "estudo de (um) caso".

Tenho alunos muito "baldas" que só muito raramente estudam. Pode dizer-se que, quando estudam para passar com 10, são, eles sim, um verdadeiro "caso de estudo"...