quinta-feira, abril 05, 2007
4. Pink Moon (1972) - Nick Drake
segunda-feira, abril 02, 2007
3. White Light From the Mouth of Infinity (1991) - The Swans

sábado, março 31, 2007
2. The Velvet Underground & Nico (1967)

A Nova York dos anos 60 era aberta à experimentação. Um grupo alargado de jovens músicos, artistas plásticos, realizadores e diletantes reuniam-se nas instalações da Factory debaixo a direcção de Andy Warhol para testar os limites da produção artística. Deste movimento desordenado e de base experimental nasceram os Velvet Undergound. O seu primeiro disco é revolucionário. Uma sugestão para gozo pleno da experiência auditiva: Ouçam-no do início ao final dos seus 48 minutos e 24 segundos tendo em mente que é contemporâneo de coisas como “All you need is love” ou “San Francisco”. Está tão para lá das velhas fórmulas da música popular que é demasiado rico para se apreender todo o seu conteúdo e valor numa única audição.
Nico, uma vocalista alemã apresentada pomposamente como “chanteuse”, canta o doce I’ll be your mirror, o inebriante All tomorrow’s parties e o conhecidíssimo Femme Fatale. Uma voz profunda, grave, quase intemporal, interpreta os temas mais calmos do disco, mas nem por isso menos imprevisíveis. Lou Reed é o responsável pelos restantes temas cantados. No domínio dos estupefacientes destacam-se I’m waiting for the man, sobre a ansiedade de um drogado à espera do passador, e Heroin, um relato musicalmente hipnótico sobre a utilização da droga. A infame Venus in furs é sobre cabedal e sado-masoquismo e Black angel’s death song sobre ocultismo. A obra termina com o estranhíssimo European Son, uma hino psicadélico com um registo próximo dos 8 minutos.
A banda quebra todas as barreiras temáticas (drogas, homossexualidade, travestismo, sado-masoquismo) e faz com os instrumentos coisas que nunca ninguém se tinha atrevido a fazer. A viola-d’arco de John Cale é tocada de forma distorcida, hipnótica e, por vezes, a aproximar-se da cacofonia. Aparece aqui a primeira utilização sistemática de drones no domínio da música rock. A capa é da autoria de Andy Warhol, que acumula a responsabilidade da produção do disco.
sexta-feira, março 30, 2007
1. Disintegration (1989) - The Cure
quinta-feira, março 29, 2007
Paternidade: a doce ironia do destino
sábado, março 24, 2007
Repulsa (1965) by Roman Polanski
Londres. Anos 60. Polanski filma Deneuve. Os pesadelos da puritana Carol (Deneuve) conduzem-na à loucura, numa espiral de comportamentos e reacções cada vez mais bizarras e destituídas de sentido. Em última análise, a realidade imita o pesadelo e Carol acaba por sofrer o abuso dos homens que procura evitar fechando-se no seu apartamento e em si mesma.

O filme começa com aquelas pequenas manias. A escova de dentes de alguém no nosso copo enoja-nos, o toque de um estranho afecta-nos, um olhar mais penetrante incomoda-nos. Mas até as atitudes mais simples do dia-a-dia representam uma dose de loucura latente. Repulsa é sinistro desde o início, mas converte-se numa obra de puro medo à medida que Polanski distorce situações do quotidiano tornando-as aterradoras.
O filme é subliminar em muitos aspectos. A componente freudiana é dominante. Uma racha num passeio aparenta um púbis, a navalha aberta sugere um falo em erecção e até o mais estreito corredor sugere uma vagina. A forma como Polanski dirige é brilhante e invulgar. A câmara filma por trás dos actores, como se estes estivessem constantemente a serem perseguidos, sob ameaça e alvo de voyeurismo, um tema dominante na obra do realizador.
sexta-feira, março 23, 2007
quarta-feira, março 14, 2007
terça-feira, março 13, 2007
Little Annie em Serralves: impressões
Na sua última incarnação, Little Annie apresentou-se ao vivo no Auditório do Museu de Serralves no Porto acompanhada por Paul Wallfisch ao piano. Se a presença em palco e a interacção com o público são pouco convencionais, já os sentimentos presentes nas canções do seu último disco – Songs from the Coal Mine Canary – são extremamente familiares. Nas letras das canções, Little Annie descreve relações turbulentas, pessoas inconstantes e ambientes voláteis, minados pelo álcool e outras dependências físicas e psicológicas. Se os textos são intensamente autobiográficos, e temos todas as razões para pensar que o são, então o espectáculo de palco é uma espécie de catarse que liberta e alivia. A cantora atira-se ao chão, rebola-se, levanta-se e corre, tira os sapatos, elogia a suavidade do chão de madeira, volta a calçar os sapatos e queixa-se dos tacões; é uma montanha russa de emoções. O público vibra e aplaude entusiasticamente entre os temas, mas respeita cada interpretação com um silêncio quase religioso. Trata-se de uma lutadora que utiliza o humor mordaz e o sarcasmo para lidar com os reveses da existência. “This song was written a few husbands ago”, diz ela no início de um tema antigo.
Nos seus longos monólogos em palco, Little Annie explica o contexto em que nasceu o tema seguinte e o estado de alma que presidiu à sua criação. Esses monólogos, que com um público mais atrevido seriam diálogos, constituem um aspecto pouco convencional do espectáculo, e aproximam a intérprete da assistência numa comunhão intensa de sentimentos.
sexta-feira, março 02, 2007
Annie Anxiety em Serralves
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
A Sul de Nenhum Norte
O meu primeiro contacto com Charles Bukowski foi com Correios (Post Office, 1971), no original). Nenhuma obra literária fez mais para arruinar a reputação dos carteiros na América como este pedaço de literatura da sarjeta. Bukowski sublinha todos os preconceitos que temos a respeito dos carteiros: o ódio mortal entre esta classe profissional e a raça canina, a tendência para saltarem para a cama de donas de casa carentes, o desrespeito pela autoridade dos superiores e o tratamento desprezível prestado aos utentes. Tudo isto aparece descrito de forma extremamente colorida nesta novela de ler e chorar por mais. Confesso que, inicialmente, ainda senti alguma piedade pela pobreza moral do carteiro Henri Chinaski, mas todos os pruridos e simpatia desaparecem ao fim de meia centena de páginas de acontecimentos delirantes e quase inenarráveis.
A segunda experiência foi com A Sul de Nenhum Norte (South of No North (1973), no original), mas foi mais recentemente, com Ham On Rye (desconheço se existe tradução portuguesa) que percebi que grande parte da obra de Bukowski gira em torno desse personagem com muito marginal e autobiográfico (Henri Chinaski). Contudo, nesta obra de 1982, o leitor sente alguma simpatia por Chinaski, quase sempre descrito como um pária, um adolescente desprezado socialmente que deseja viver como um eremita (cf. O episódio do gigantesco ataque de acne que dura quase um ano e o isola por completo dos colegas de liceu). Existem vários personagens desprezíveis nesta obra, mas por Chinaski sentimos alguma simpatia, pelo menos enquanto adolescente. Diria que Chinaski é uma espécie de Adrian Mole para adultos, com borbulhas e tudo. Todavia, a adolescência amarga desemboca num adulto alcoólico, beligerante e completamente à deriva.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Death Valley National Park
No Vale da Morte encontramos ainda este local sui generis: o campo de Golfe do Diabo. O sal cristalizado depositado e talhado pelo vento e pela chuva fornece à paisagem este aspecto rugoso em constante alteração. Como nos alterta o aviso: Cuidado! Caminhar no Campo de Golfe do Diabo é muito difícil. Uma queda pode resultar em cortes dolorosos e até em ossos partidos.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Aparelho Voador a Baixa Altitude
Nesta última categoria encontra-se o último livro de Ballard que li – Aparelho Voador a Baixa Altitude (1976) – centrado no tema da aeronáutica e no qual Ballard explora, uma vez mais, o seu talento inigualável para pintar paisagens futuristas, praticamente desprovidas de seres humanos, mas com a maioria das infra-estruturas e equipamentos que a civilização construiu ao longo do século XX a permanecerem intactos. Os poucos seres humanos deambulam nestes cenários surreais à procura de um sentido para a sua existência, e, invariavelmente, encontram-no em actividades relacionadas com um dos mais antigos sonhos da humanidade: voar.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Um povo, duas mentalidades
Da Bairrada, mais concretamente de Oliveira do Bairro (actual 4º classificado da Série C da 2ªDivisão B), saiu um grupo de anjinhos, confessos adeptos do Benfica, que levaram a máquina fotográfica digital ao Estádio da Luz e, segundo um dos seus membros confessou frente às câmaras de televisão, “encheu o cartão e conseguiu uma camisola do Petit”. Estes parolos representam o pior do povo português: provincianismo, falta de ambição e disciplina, deslumbramento, espírito “deixa andar” e uma total subserviência perante os adversários.
Conclusão:
1. O Atlético Clube de Portugal escreveu mais uma brilhante página na sua história e, daqui por mais 60 anos, quando o destino (e o sorteio da Taça de Portugal) ditar novo confronto com o Futebol Clube do Porto, o feito da equipa de 2007 há-de ser recordado e os seus atletas alvo de homenagem.
2. Os pategos de Oliveira do Bairro têm uma camisola do Petit lá em casa para mostrar aos amigos, mas a história do futebol não guardará nem uma nota de rodapé para a copiosa derrota por 5 a 0 frente ao Sport Lisboa e Benfica.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Os Melhores de 2006
1. Black Ships Ate the Sky – Current 93

Nem sempre quantidade é sinónimo de qualidade, mas aqui estão os melhores 75 minutos do ano de 2006. David Tibet: poeta, compositor, pregador, génio visionário por trás dessa jangada de criatividade chamada Current 93 convidou um grupo numeroso de amigos para trabalhar consigo nesta obra, que resulta de um sonho intenso preconizando o apocalipse e a segunda vinda de Cristo à terra. Dito assim parece pretensioso, mas vejam os nomes que gravitam em torno de Tibet: Marc Almond, Antony, Bonnie ‘Prince’ Billy, Ben Chasny, Shirley Collins, Baby Dee, Michael Cashmore, Pantaleimon, Clodagh Simonds, entre muitos outros. Há vários momentos brilhantes ao longo deste disco, dominado pela guitarra acústica e pela poesia de Tibet, e que pode ser inserido na categoria fluida do folk alternativo. Destacam-se as oito (!) versões da mesma canção – Idumaea – cantadas por oito dos nomes mencionados, mas que são totalmente distintas entre si, convencendo-nos de que se tratam de temas efectivamente diferentes. As palavras que aqui escrevo não fazem justiça à dimensão da obra, quer às nuances musicais, quer à riqueza poética. Depois de uma carreira com mais de 30 discos originais, repleta de obras-primas, como Thunder Perfect Mind, All the Pretty Little Horses ou Sleep Has His House, os Current 93 lançam mais um disco genial, que desafia qualificação, e complica ainda mais a tarefa de determinar qual o melhor momento da carreira da banda.
Melhores frases: “Soon as from earth I go / What will become of me? / Eternal happiness or woe / Must then my fortune be / Waked by the trumpet’s sound / I from my grave shall rise / And see the Judge with glory crowned / And see the flaming skies
Melhores temas: Sunset (The Death of Thumbelina), Idumaea (versão acapella de Antony), Idumaea (versão Baby Dee) (http://www.youtube.com/watch?v=0XOz9CtFy0s) e Black Ships Were Sinking Into Idumaea.
Editora: Durtro Jnana 2112CD
2. Songs from the Coal Mine Canary – Little Annie

Conheci Little Annie Anxiety pelas suas colaborações com David Tibet e os seus Current 93, mas desde cedo percebi que a sua voz estava talhada para momentos memoráveis. Songs from the Coal Mine Canary é uma viagem autobiográfica pela decadência física, psíquica e moral das quais só o Amor pode libertar. A voz abagaçada de Little Annie é acompanhada pelo som do piano e de cordas com melodias suaves, passando pelos blues, pelo jazz e pelo cabaret. A colaboração de Antony ao nível da composição é extraordinária e transforma este disco numa magnífica surpresa de 2006.
Melhores frases: “You can’t sing the blues while drinking milk”; “I have cruised my way down sex street / With the gorgeous and the vain / And I freshened up my makeup / On the boulevard of pain”
Melhores temas: The Good Ship Nasty Queen, Absynthtee-ism e Sit On Down. Annie canta igualmente The Rapture (http://www.youtube.com/watch?v=lio239PqdRk), de Antony & The Johnsons.
Editora: Durtro Jnana 1967CD
3. In the Maybe World – Lisa Germano

Ao fim de meia dúzia de cds a solo, Lisa Germano tem aqui um momento alto na sua carreira. A mudança de editora parece ter resultado em pleno. Na independente 4AD Lisa era uma estrela menor, ao passo que na pequena Young God Records de Michael Gira (ex-Swans) é o maior nome da casa. O piano domina a sonoridade de todo o disco, ainda que, por vezes, as melodias afectuosas sejam acompanhadas pela guitarra de Johnny Marr (ex-Smiths) e pelo baixo de Sebastian Steinberg. Uma das facetas que mais aprecio em Lisa Germano é a sua capacidade para cantar músicas sobre temas perturbadores com a maior candura do mundo. O contraste entre a dureza das letras e a beleza da voz e da música encontra aqui a sua máxima expressão.
Melhores frases: “Narcissistic little fairy / Why do I feel dead / Who was that stupid ogre / Messing with my head”
Melhores temas: Too Much Space (http://www.youtube.com/watch?v=9PSR72--GI8), Into Oblivion e In the Land of Fairies.
Editora: Young God Records CD YG 32
4. Live at Town Hall – Eels (Live with Strings)

Este é o melhor cd ao vivo do ano de 2006. Depois de seis álbuns de originais, Mark Oliver Everett, génio criativo e líder da banda The Eels recria um conjunto de 22 temas com a ajuda de uma secção de cordas e uma capacidade de improviso assinalável. O que mais me toca na música da banda é a voz carregada de sentimento de Everett, que nos transmite todas as emoções associadas aos temas, maioritariamente autobiográficos, que compõem a carreira dos Eels. A versão de Flyswatter, um tema originalmente gravado para o trabalho Daisies of the Galaxy, é surpreendente, com influências da música concreta contemporânea. A forma como este tema desagua no hit Novocaine for the Soul é também notável, tornando este álbum um verdadeiro must!
Melhores frases: It’s a motherfucker / Being here without you; Have you ever made love to a beautiful girl / made you feel like it’s not such a bad world / hey man now you’re really living
Melhores temas: Flyswatter, Bus Stop Boxer (http://www.youtube.com/watch?v=xVTI1IozwtA) e I'm Going To Stop Pretending That I Didn't Break Your Heart.
Editora: Vagrant Records
5. Let’s Get Out of This Country – Camera Obscura

Em 1984, Lloyd Cole escreveu uma canção com o presunçoso título Are You Ready to Be Heartbroken?. Em 2006, Tracyanne Campbell responde com “Lloyd, I’m ready to be heartbroken / I can’t see further than my own nose at the moment”. Esta singela pérola de humor entre escoceses inicia o melhor cd de música pop de 2006. A frescura da música, a beleza arrebatadora da secção de cordas e a voz inocente de Tracyanne Campbell conjugam-se para produzir a obra mais “comercial” desta listagem. A popularidade dos Camera Obscura começa a atingir proporções interessantes, ameaçando destronar o estatuto de culto dos Belle and Sebastian.
Melhores frases: “Let’s get out of this country / I’ll admit I am bored with me / I drowned my sorrows and slept around / When not in body at least in mind”
Melhores temas: Lloyd, I´m Ready to Be Heartbroken (http://www.youtube.com/watch?v=XTa_RQC8ZxA), Come Back Margaret e Let’s Get Out of This Country (http://www.youtube.com/watch?v=3t4xldu9fXQ).
Editora: Elefant ER-1123 CD
6. The Drift – Scott Walker

Numa outra incarnação, Scott Walker foi estrela pop nos anos 60, liderando os Walker Brothers e enfrentando uma legião de fãs histéricas à la Beatles. Nos anos 70 prosseguiu uma carreira a solo preenchida por versões de temas de Jacques Brel cantadas em inglês e por excelente música da sua autoria enquanto cantor-compositor. Em meados dos anos 70, a qualidade da sua música degradou-se e Scott Walker desapareceu enquanto músico criativo. Depois disso, apenas dois álbuns se destacam: Tilt (1995) e The Drift (2006). The Drift é um disco estranhíssimo, assente na voz sinistra, quase apocalíptica, de Walker, na instrumentação errática e nos efeitos sonoros caricatos (homens a descer escadas, burros a zurrar, crianças a gritar, entre outros). É uma obra difícil de ouvir de princípio a fim, mas aqueles que o conseguem são recompensados pela sensação de ouvirem algo verdadeiramente original e criativo.
Melhores frases: “Has absence ever sounded so eloquent so sad I doubt it?” “Polish the fork and stick the fork in him”; “I’ll punch a donkey in the streets of Galway!” “A chilling exploration of erotic consumption”
Melhores temas: Jesse (http://www.youtube.com/watch?v=GYyOkQUyJZM), Cue e Buzzers.
Editora: 4AD, cad 2603 cd
7. He Poos Clouds – Final Fantasy

Este é o disco mais elitista do ano. A última vez que ouvi uma fusão quase perfeita entre a música de câmara e o rock foi no “velhinho” cd dos Rasputina “How We Quit the Forest” (1998), no qual um trio de violoncelistas demolia todos os preconceitos sobre a utilização deste instrumento na música rock. Essa sensação de choque e surpresa voltou com o primeiro disco dos Final Fantasy. Owen Pallett, membro dos conhecidíssimos Arcade Fire e líder dos Final Fantasy é um génio: cria as letras, compõe as músicas e faz os arranjos para o quarteto de cordas que o acompanha na maioria dos temas. No meio de inúmeras pérolas poéticas, destaca-se esta: “A taut wire, her father’s evil empire / Jenna dreams of being physically able / To behead herself at the dinning room table”. Owen Pallett é a juventude inquieta pela força da caneta.
Melhores frases: “Now his massive genitals refuse to co-operate / And no amount of therapy can hope to save his marriage”
Melhores temas: This Lamb Sells Condos (http://www.youtube.com/watch?v=U1kL568eg1w), I’m Afraid of Japan e The Pooka Sings
Editora: Tomlab 69 cd
8. Nisht Azoy – Black Ox Orkestar
Oriundos de Montreal, Canadá, os Black Ox Orkestar são um colectivo de músicos fortemente influenciado pelas tradições das canções folk judaicas. Todo o trabalho é dominado pelos instrumentais, entrecortados por algumas porções cantadas em hebraico, com as respectivas traduções em inglês e francês disponíveis num folheto que acompanha o cd. Em alguns temas, os ritmos endiabrados do trompete e da percussão transportam-nos para os cenários delirantes dos filmes de Kusturica. O mercado discográfico dominado pelas multinacionais dificulta a divulgação generalizada de música que mistura a tradição com a vanguarda, como é o caso dos Black Ox Orkestar. Os exemplares à venda em Portugal são escassos, pelo que o download ilegal será a solução da maioria dos leitores que se quiseram aventurar nestas sonoridades exóticas da Europa de Leste/Médio Oriente.
Melhores temas: Ratsekr Grec, Tsvey Taybelakh e Dobriden.
Editora: Constellation Records CST038
9. Evangelista – Carla Bozulich
Ok. Carla Bozulich não é exactamente uma Diamanda Galas, mas aproxima-se de uma P.J. Harvey muito zangada. Evangelista é uma estreia absolutamente surpreendente. Nunca tinha ouvido falar desta mulher até ter ouvido Evangelista I, o primeiro tema do disco. Posso garantir que fiquei arrepiado de medo. Sim, puro e não adulterado medo! A entrada deste cd é um tema com mais de 9 minutos em que Bozulich grita furiosamente as letras do tema por meio de samples, loops e uma secção de cordas composta por violino, viola, violoncelo e contrabaixo tocados de forma muito pouco ortodoxa. A acrescentar a toda esta cacofonia alucinante há ainda um discurso do Elder Otis Jones, pregando no distante ano de 1936. As coisas acalmam bastante depois deste início fulgurante, mas por esta altura já Carla Bozulich tinha ganho entrada directa para a tabela dos 10 melhores do ano. Steal Away é uma ode pungente e How to Survive Being Hit by Lightning um clássico instantâneo. Curiosamente, o cd termina com uma versão muito mais soft do primeiro tema.
Melhores temas: Evangelista I, Steal Away, How to Survive Being Hit By Lightning e Pissing (http://www.youtube.com/watch?v=TCuVmV5RWEU.
Editora: Constellation Records CST041
10. Fear is On Our Side – I Love You But I’ve Chosen Darkness

Pegue-se em duas ou três boas colheitas de pop-rock britânico dos anos 80 – The Chameleons, The Sound e Echo & The Bunnymen – junte-se uns pózinhos de Interpol e uma capa de cd enigmática, e temos os I Love You But I’ve Chosen Darkness. Os sons desta banda de nome enigmático fazem lembrar as velhas cidades inglesas debilitadas pela industrialização, mas a sua proveniência é a cidade de Austin, conhecida pela cultura musical alternativa alimentada pela Universidade do Texas.
Melhores temas: The Ghost, According to Plan (http://www.youtube.com/watch?v=tw1T9sQ5gBU) e Today
Editora: Secretly Canadian SC123
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Os Piores e os Assim-Assim de 2006
b. Damaged - Lambchop
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Qual o melhor cd de 2006?
quarta-feira, dezembro 13, 2006
35 Anos às 12h40m
terça-feira, dezembro 12, 2006
Las Vegas
(Excalibur by night)Não sendo um dos hotéis da moda, como o Bellagio, o Excalibur apresenta preços convidativos para a qualidade de serviço prestado. Quem vem a Las Vegas sem uma mentalização prévia apanha o choque da sua vida. A cidade é inebriante, louca, luminosa e alucinante. Os hotéis variam entre o imponente e o kitsch, o grandioso e o decadente, mas há uma magia no ar que torna a cidade, e as suas quase 200.000 camas para turistas, uma atracção irresistível para os viajantes mais cosmopolitas.
(Show de luz e som do Hotel Bellagio)Longe vão os tempos em que o Flamingo, o Tropicana, o Riviera e o Frontier dominavam a paisagem de Las Vegas. Estes velhos hotéis, bonitos à sua maneira, aparecem agora diluídos na paisagem urbana, absorvidos pela megalomania do MGM Grand (um hotel com 5000 quartos!!!), Bellagio, New York, New York, Mandalay Bay ou Luxor.
(Las Vegas Boulevard)Os vapores da cafeína do Starbucks em pleno Las Vegas Boulevard afectam-me, o Monte Carlo em frente causa-me inveja e a ostentação do Bellagio, com a boutique Armani no seu interior, recorda-me que não sou o José Mourinho e um sobretudo Armani, com 40 graus de temperatura lá fora, não vem nada a calhar.
(Um piano no Starbucks)
















