segunda-feira, julho 31, 2006

Música à Terça 14


Agora que já vos disse onde não vou (Alaska e Yukon), este post e o tema musical a tocar ali ao lado contêm duas pistas sobre o meu destino de férias...

quarta-feira, julho 26, 2006

Alaska & Yukon




A ideia era simples, mas com a viagem a 1800 euro por pessoa, a aventura toda ficaria por mais de 5000 euro, 21 dias e um número de quilómetros próximo dos 7000. Voar para Anchorage (Alaska), alugar um carro e fazer o percurso de Anchorage a Fairbanks, de Fairbanks a Tok e de Tok a Whitehorse (no Estado Canadiano do Yukon). De Whitehorse a Dawson City, onde se inicia a Dempster Highway, uma das mais míticas estradas do Continente Americano. Regresso a Anchorage via Tok.

A Dempster tem 750 quilómetros e liga Dawson City, uma das últimas cidades preservadas desde o tempo da corrida ao ouro, a Inuvik, nos Territórios do Noroeste (Canadá). No Inverno, Inuvik está ligada por uma estrada de gelo a Tuktoyaktuk, uma cidade nas margens do Mar de Beaufort, parte integrante do Oceano Árctico. No Verão, a ligação faz-se por meios aéreos. A Dempster aparece representada com o número 5 no mapa inferior.

O solo, que alguns comentários mencionaram ser "areia", é, na verdade, "tundra" ou "permafrost", onde apenas cresce vegetação muito rasteira, já que permanece gelado praticamente todo o ano. Nem vale a pena explicar o fascínio exercido por esta região; as fotos reproduzidas nos dois posts são da autoria de Wolfgang Weber e falam por si...

sexta-feira, julho 21, 2006

O Sonho Esfumou-se...

(clicar para ampliar)

Tinha um sonho para as férias deste Verão. A estrada e a paisagem que podem observar nesta fotografia faziam parte desse sonho. Infelizmente, com o aumento brutal no preço do petróleo, o preço das viagens de avião disparou e o sonho tornou-se... miragem. A primeira reserva, que ficava por 1026 Euro por pessoa, teve que ser cancelada por razões profissionais. Na segunda reserva, já com as datas pretendidas, o preço aumentou para 1480 Euro. Ontem, quando fui à agência de viagens para proceder ao pagamento, o preço da reserva tinha sido alterado (o que é relativamente raro) e já ultrapassava os 1800 Euro. Os planos esfumaram-se...

Qual era o destino?

sexta-feira, julho 14, 2006

Padrinhos e Afilhados

A Visão desta semana relata que o encontro entre Gilberto Madaíl, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e Joseph Blatter, Presidente da FIFA, foi selado com dois beijos na face. Depois de ver tantas vezes "O Padrinho", de Francis Ford Coppolla, não surpreende...

segunda-feira, julho 03, 2006

Dúvida Existencial

Se a Igreja Católica é contra o casamento entre homossexuais, será que é a favor do divórcio?

segunda-feira, junho 26, 2006

Crónicas de Barcelona II


O Katraponga tem razão. Foi difícil deixar Barcelona. Ainda que eu seja um absoluto leigo na matéria, a cidade parece-me uma obra-prima de arquitectura. Estive no Parc Guell e fiquei fascinado com os edifícios, as esculturas e as vistas da cidade, que podem ser apreciados nas fotos aqui incluídas.

Quanto à cidade propriamente dita, os cheiros, os sons e as imagens são marcantes e inebriantes. Para além de ser lindíssima, Barcelona é provavelmente a cidade mais cosmopolita da Península Ibérica. Em contraste, Lisboa é pequena e Madrid provinciana. Tendo já visitado várias cidades espanholas, foi também em Barcelona que comi melhor. O nosso roteiro gastronómico incluiu dois excelentes restaurantes com comida tradicional Catalã e, claro, uma incursão na paelha à Valenciana que, não sendo Catalã, é deliciosa!

quinta-feira, junho 22, 2006

Crónicas de Barcelona I


Escolhemos uma tasca numa das travessas das Ramblas, propriedade de um clube de futebol amador, para ver o jogo Portugal-Angola. Não fosse o grande número de Portugueses que invadiram o espaço, dir-se-ia que o cenário era retirado de um filme de Pedro Almodovar. A cerveja era Estrella Galicia e a simpática empregada dirigia-se a todos por "cariño", o que só aumentava o consumo de cañas... O nosso compatriota de bandeira pelas costas é que não deve ter percebido que a dita cuja deveria ter castelos e não pagodes chineses...

sexta-feira, junho 09, 2006

Barcelona


Aproveitando compromissos profissionais do início da próxima semana, vou escapar à histeria futebolística portuguesa e juntar-me à Catalunha na luta pela independência!

quarta-feira, junho 07, 2006

Um Livro à Quarta III

Ontem foi o sexto dia do sexto mês do sexto ano do novo milénio. Não sendo exactamente um crente nas profecias do Livro do Apocalipse, abordei o dia com alguma cautela, isto apesar de estar convencido que, se a Besta nasceu ontem, ainda temos de esperar uns anitos até começar a fazer asneiras. Por outro lado, abrir as páginas dos jornais ou ligar a televisão no horário das notícias é prova suficiente que a Besta não nasceu ontem e sempre por cá andou; o formato é que varia. Para outros, mais mediáticos, a Besta já foi bestial, mas agora é simplesmente uma besta quadrada, como se poderá constatar pelo post anterior.

Seja como for, a velha luta entre o Bem e o Mal sempre me fascinou e mergulhei nela numa das recentes inclusões na mesa-de-cabeceira. O livro é Além (1891) de Joris Karl Huymans e tem preenchido algumas noites de insónia.

Além (2006; Lisboa: Assírio & Alvim) foi escrito numa linguagem directa, por vezes chocante, destinada a seduzir o leitor, envolvendo-o com suavidade, para depois o apunhalar, arrancando-lhe as entranhas e atirando o corpo para a valeta. O autor apresenta um escritor francês, de nome Durtal, na Paris dos finais do século XIX, que, através de uma pesquisa histórica intensiva, se propõe escrever uma obra sobre Gilles de Rais, um pedófilo, contemporâneo de Joana d’Arc, que assassinou centenas de crianças na Bretanha do início do século XV, associando-se a rituais satânicos praticados por membros transviados do clero, que rezam missas negras como vingança pela rejeição ou insucesso na vida religiosa dita “normal”. Apesar de repugnante, todos estes parecem apenas coloridos relatos da Idade Média, até que Durtal descobre que a sua Paris tem mais semelhanças com a Idade Média do que julgava possível…

O livro de Huysmans tem várias preciosidades. Escolhi algumas passagens para o vosso deleite.

“A realidade, é bem certo, não perdoa que a desprezem; vinga-se metendo o sonho ao fundo, espezinhando-o, atirando-o em farrapos para um monte de lama!” (p.199)

“Vê as máquinas, o jogo dos pistões nos cilindros: são Romeus de aço dentro de Julietas de ferro fundido. As expressões humanas em nada diferem do vaivém das nossas máquinas.” (p.205)

“Além disso, os edifícios que emergem deste charco caótico de telhados, a Notre-Dame, a Sainte-Chapelle, Saint-Séverin, Saint-Étienne-du-Mont, a torre Saint-Jacques, ficam afogados na deplorável massa dos monumentos mais novos. De forma nenhuma estou interessado em contemplar ao mesmo tempo a Ópera, esse espécime de arte para caixeiras bem vestidas, o arco de ponte chamado do Triunfo, e o candelabro que é a Torre Eiffel!” (pp.244-5)

Na contracapa:

"Em 1891, Além foi considerado uma grande audácia e multiplicou-se na tiragem até às dezenas de milhares. Como um desses malabaristas que mantêm vários objectos no ar, Huysmans concentrou temas de várias frentes no seu romance, todos a maior ou menor distância de uma mesma luta: a que confronta dois poderes, do Bem e do Mal, a que opõe desde a Idade Média a igreja de Roma e o seu reverso satânico. Há, como ilustração de tudo isto, a história de Gilles de Rais, monstruoso pedófilo dos tempos de Joana d'Arc, a história da promiscuidade das mais altas figuras da Igreja com os praticantes da magia, o relato de uma missa negra em Paris, uma aventura em lençóis um tanto frios mas sem o véu de nenhum disfarce sobre a sua sexualidade malsã. Mas também o escritor J.-K. Huysmans num ponto alto da sua obra. O que fez André Breton manifestar-se, nas primeiras páginas de Nadja, como grande devedor de um seu ensinamento: saber levar «ao extremo essa discriminação necessária, vital, entre o elo de tão frágil aparência que pode ser-nos do máximo socorro, e o aparelho vertiginoso das forças que se conjuram para meter-nos ao fundo»."

segunda-feira, junho 05, 2006

Crónicas da Província II - A Doutrina do Pensamento Único

Não tenho paciência para tanta unanimidade em torno da Selecção Nacional de futebol. A histeria colectiva gerada durante o estágio é completamente desproporcionada em relação ao que está em jogo. A recepção na Alemanha parecia uma celebração da vitória no Mundial. A verdade é que ainda não ganhamos nada, mas os Portugueses festejam como se não houvesse amanhã. Estará tudo louco? Se querem a minha opinião, não acho que a selecção vá a lado nenhum. Estou a escrever isto antes do Mundial começar para que não se diga que falar depois é fácil.

Começamos por menosprezar os adversários, achando que Angola e o Irão vão à Alemanha fazer turismo. Para confirmar a ideia que será tudo fácil, há jogadores que aproveitam a folga para dar um salto à discoteca até às 6 da manhã, passeiam-se pelo centro de Évora e fazem trabalho de Relações Públicas em frente ao Templo de Diana. Tudo muito social, tudo muito pop, para a cobertura jornalística e televisiva ser a melhor possível. Sim, tudo isto enquanto as outras selecções estão concentradas a trabalhar em locais remotos, adaptando-se ao clima da Alemanha. Até a todo-poderosa selecção do Brasil faz estágio numa aldeola Suiça com temperaturas mais à medida, protegida dos olhares curiosos dos media.

Os exemplos da mediocridade do nosso futebol “profissional” são muitos. O nosso estágio decorreu debaixo de temperaturas superiores a 35º centígrados, só porque um lobby de empresários da construção civil foi bem sucedido em Évora e o seu opositor de Melgaço fracassou. Uns terrenozitos fora da cidade para a construção das instalações do Lusitano a troco de uns terrenos para exploração imobiliária no centro da cidade foi o que bastou para convencer os (ir)responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol a irem pastar para o inferno Alentejano. Claro que a população de Évora não se importa nada com os maus investimentos e negociatas do município. O que o povinho quer é os artistas da bola lá por perto; o erário público que se lixe!

Os (ir)responsáveis da Selecção devem pensar que somos todos parvos, a começar pelo treinador, que decide começar a insultar António Pedro Vasconcelos, Miguel Sousa Tavares (“o pai dele foi um grande escritor. O pai, né, porque ele é uma bosta” sic), Rui Moreira (“o empresário fracassado”) e Rui Santos (“recebeu uma herança do tio e ficou rico”). Digam-me uma coisa: há paciência para esta falta de tolerância contra opiniões dissidentes? O Senhor Scolari não gosta de ser criticado e adora o seguidismo do povo Português. Acontece que nem todos lhe prestam vassalagem... e ainda bem! O problema é que naquele grupo de intelectuais há adeptos dos três grandes. É uma grande chatice, caso contrário poderia sempre culpar tudo no Pinto da Costa...

Querem alguma coisa mais reminiscente do pré-25 de Abril do que aquelas conferências de imprensa dos jogadores da selecção, nas quais só se dizem banalidades e em que as questões incómodas são censuradas? Não tenho paciência para tanta idiotice. Espero que o final seja rápido e indolor. Se ficarmos pela primeira fase tanto melhor. É da maneira que os Portugueses acordam mais rapidamente do estupor em que parecem ter entrado e começam a trabalhar para melhorar o ranking do… desenvolvimento.

terça-feira, maio 23, 2006

O Narcisista

Viram o Prós e Contras de ontem? Fazer um programa sobre um livro já me parece de duvidoso interesse público, mas quando o livro é particularmente MAU, o programa torna-se uma perda de tempo. Ainda pensei que a ideia fosse discutir a qualidade do jornalismo e o papel das agências noticiosas, mas tudo isso foi esquecido, até pela apresentadora, na voragem narcisista do protagonista.

Há professores universitários que envergonham a profissão. O Prof. Manuel Maria Carrilho demonstrou ontem tudo o que um professor universitário se deve abster de fazer: emitir opiniões não fundamentadas, assentes em informação casuística, enviesada ou usada unicamente para sustentar opiniões tendenciosas sobre determinado assunto e fazer generalizações abusivas com base numa amostra não representativa (neste caso, uma amostra igual a um). Como teoria da conspiração não podia ser melhor; como estudo sério é um miséria.

Em nome da profissão, lamento, e peço desculpa a todos. Acreditem que a maioria dos professores universitários recolhe informação e utiliza os dados recolhidos para testar hipóteses derivadas da teoria, procurando abstrair-se de pré-conceitos. Aparentemente, o Prof. Carrilho estava distraído nas aulas de Metodologia de Investigação nas Ciências Sociais...

sexta-feira, maio 12, 2006

Crónicas da Província I

No dia em que se inicia a semana académica da Universidade do Minho, mais conhecida como Semana do Enterro da Gata, inicia-se também a publicação de um conjunto de pequenas crónicas sobre a minha vivência em Braga. Espero que gostem e critiquem.

Nas últimas semanas, a revista Visão tem publicado várias cartas de leitores furiosos com a TV Cabo pela retirada da programação de um canal brasileiro chamado GNT. Pelos elogios ao dito, depreendo que seja da melhor televisão que se faz no "país-irmão", mas confesso que nunca tive oportunidade de conhecer a grelha de programação. Aparentemente, os habitantes da capital estão reféns da TV Cabo. São as esperas intermináveis ao telefone, os funcionários rudes no atendimento, a falta de consideração pelas preferências dos tele-espectadores, entre muitas outras queixas que demonstram um conjunto de clientes à beira de um ataque de nervos.

Tudo isto a propósito de escolha. Por influência americana, sempre apreciei a sensação de escolha. Poder escolher a escola onde colocar os filhos, o hospital onde ser operado, o café onde ler um bom livro, a loja de cds onde comprar os mais baratos e mais raros, a livraria com melhores condições de atendimento e conforto, etc, etc. Vocês percebem a ideia...

Acontece que os habitantes de Lisboa não têm alternativa. Se quiserem ver 50 canais via cabo, a única empresa que os proporciona é a TV Cabo. Ora aqui na província, não temos apenas uma, mas duas empresas de cabo: a TV Cabo e a Bragatel. Não sei a quem pertence esta última, mas escusado será dizer que é desta que sou cliente. Não tenho o GNT, mas tenho a Band TV (Bandeirantes, principal concorrente da Globo), que possui uma programação diversificada e me proporciona jogos de futebol de campeonatos a sério (Espanha e Itália) todos os fins de semana, sem que seja explorado pelos irmãos Oliveirinha e a "sua" Sport TV que cobra 20 euros para acesso a um único canal enquanto os 50 canais da Bragatel (Band TV incluída) ficam por 21 euros. Aproxima-se o Mundial de Futebol e a Band já prometeu transmitir vários jogos.

Vivo na província, mas tenho escolha. É uma escolha limitada, é certo, mas é melhor do que nada.

terça-feira, maio 09, 2006

Respostas ao post anterior

Obrigado a todos pelos comentários à posta anterior. Aqui ficam algumas respostas personalizadas...

Para todos: Vou comprar três livros de George Orwell e oferecê-los aos três melhores alunos daquela turma. Se não os posso converter a todos à literatura, pelo menos acarinho uma minoria!

K: Tens toda a razão. Ainda me lembro do prazer com que li, aos 18 anos, o romance "As Três Sereias" de Irving Wallace, influenciado pela professora de Antropologia Cultural do 1º ano da universidade. O livro tinha na capa uma imagem de um quadro de Gaugin. Foi dois em um!

Sinistro (Nota: Acho que devias usar o teu nome verdadeiro...): Sabes que já tive a sensação que os alunos mais dedicados são olhados de soslaio pelos outros? Parece que o trabalho e o esforço são vistos como uma espécie de lepra...

JJ: Quanto a erros de ortografia, um dia destes apresento a lista dos últimos exames... Saber escrever é pedir muito. Hoje uma aluna confessou-me que a sua principal dificuldade estava em saber distinguir a linguagem SMS do Português correcto. Não me surpreendeu. Construir frases correctas e com sequência é agora um acto de heroísmo.

Cláudia: Todos nós reconhecemos a influência de professores universitários verdadeiros mestres. Os meus foram um professor de Sociologia do Poder (Joaquim Costa) e um professor de História das Ideias Políticas e Sociais (João Rosas). O facto de eu ter continuado a dedicar-me à leitura nessas áreas por cultura geral indicia o seu papel na minha formação.

Cátia: Estou absolutamente de acordo com a necessidade de mais cultura e educação cívica, mas confesso-me céptico quanto à capacidade da actual geração de educadores (pais, professores, no fundo, todos nós) para inverter esta situação.

LN: Confesso alguma dificuldade em lidar com essas situações. Na maioria das vezes, opto por prosseguir a aula sem dar grande valor ao problema, mas de vez em quando irrito-me!

Musqueteira: Ora aí está uma questão pertinente! Os livros ganharão mofo nas estantes das bibliotecas ou serão vendidos para reciclagem de papel ao preço da chuva...

sexta-feira, maio 05, 2006

Ignorance is Bliss?

Ando deprimido com o ensino. Não é grande afirmação, sobretudo numa altura em que a maioria dos portugueses anda deprimida com tantos outros aspectos, mas sinto falta de uma chama que nos guie para um caminho melhor. A nível das universidades, já tive maiores alegrias do que tenho hoje. Fica aqui um exemplo do que digo; não o julguem como amostra representativa, mas apenas como um indício de um problema mais profundo...

Há um par de semanas, leccionava eu uma aula de Políticas Sociais para cerca de 30 alunos, em que se falava do peso do Estado, não apenas na Economia, mas também na vida do cidadãos, quando questionei os alunos sobre Eric Arthur Blair a.k.a. George Orwell...

Q: Já leram George Orwell?
R: ... (silêncio)
Q: Mas já ouviram falar...
R: ... (mais silêncio)
Q: Nunca ouviram falar das suas obras mais conhecidas, "1984" e "O Triunfo dos Porcos"? - insisti.
R: Não - responderam a medo.

Desisti. Que os alunos nunca tivessem ouvido falar de "Na penúria em Paris e Londres" ou "Homenagem à Catalunha", eu ainda compreendia. Já o facto de Big Brother ser, para eles, apenas um programa de televisão, é arrepiante! Como sugeriu o Prof. Medina Carreira esta semana, numa conferência a que assisti, as escolas e universidades portuguesas estão a criar e a reproduzir analfabetos, mostrando-se incapazes de inverter este ciclo de massificação de ignorantes encartados.

segunda-feira, maio 01, 2006

Mês novo, alma nova

Depois de um mês de Abril preenchido com muito, muito trabalho, estou de regresso. Nada de locais exóticos: apenas uma conferência em Coimbra e umas reuniões em Lisboa; mas a preparação de tudo isto foi demorada e impediu-me de dedicar atenção ao blog. Agora que entra Maio, talvez seja possível arranjar tempo para mais actividades de lazer...

Começo por mudar de livro de cabeceira. O curtíssimo conto do escritor russo Nikolai Gógol, Diário de um Louco, que podem ler aqui, vai ocupar o próximo par de noites. Obrigado Assírio & Alvim!

Musicalmente, ando voltado para os clássicos americanos contemporâneos que podem conhecer melhor a partir da lista ali ao lado, mas nada que impeça a audição do génio mais ou menos desconhecido do cantor, compositor e violinista Andrew Bird. Fica a tocar Sovay para amostra...

quinta-feira, abril 13, 2006

quinta-feira, abril 06, 2006

Cronenberg goes Tarantino


Paradoxo: Como é que um filme tão bom pode ser tão difícil de visionar?
Para além da violência física que trespassa o filme, é a violência psicológica que mais impressiona. No filme de Cronenberg, a segunda é uma consequência inevitável da primeira e é provavelmente isso que nos deixa impotentes. Ver aquela família a desmoronar e saber que a situação é incontornável revela requintes de sadismo por parte do autor, mas transforma um filme violento num tratado de racionalidade.

Anda por aí muito crítico a afirmar que este é um Cronenberg inconfundível. Conhecendo alguma coisa do realizador canadiano, posso dizer que este NÃO é um Cronenberg típico. Desde os tempos de Coma e Videodrome, até aos geniais A Mosca e Irmãos Inseparáveis, a obra de Cronenberg sempre lidou com a relação entre a tecnologia e os seres humanos, ou melhor, com a forma como estes se fundem, por vezes literalmente(!), com aquela. Ora esta ideia estrutural presente naquelas quatro obras, está ausente de Uma História de Violência. O que subsiste é o drama humano com diferentes contornos, mas que culmina na sua forma mais pura e primordial: o fraticídio.

quinta-feira, março 30, 2006

Post Multifunções

1. O cd das terças-feiras e disco da semana é The Life Pursuit dos escoceses Belle & Sebastian, que o obstinado crítico João Lisboa, do Semanário Expresso, já se deve ter encarregado de destruir...



2. A Paisagem Canadiana V é um pôr-do-sol captado de um carro em andamento, perto da cidade de Regina, na província do Saskatchewan.



3. Não consegui conter o meu choque com a política de emigração do governo canadiano. Primeiro, um governo dá uma oportunidade aos emigrantes ilegais de procederem à legalização. Esse governo perde as eleições e é substituído por outro que utiliza as informações proporcionadas pelos pedidos de legalização para proceder à extradição. As palavras traição, estupefacção e desilusão não descrevem o que sinto. A utilização de meios tortuosos para obter fins, por mais legítimos que sejam, deve ser condenada, até mesmo por um profundo admirador da cultura do país em causa.

4. Esta entrada serve igualmente para agradecer a todos quantos demonstraram entusiasmo e deram apoio à realização da sessão de segunda-feira passada. Bem hajam!

quinta-feira, março 23, 2006

Convite

Caros amigos e bloggers: aqui fica um convite para a sessão de apresentação da próxima segunda-feira. Conto com a vossa presença!

quarta-feira, março 22, 2006

terça-feira, março 21, 2006

Música à Terça IX


Todos nós temos uma lista de países que adoraríamos visitar. No topo da minha está a Islândia. Paisagens vulcânicas e desoladas, neve, gelo e água em abundância, poucos seres humanos, muitas bruxas, enfim… um encanto! Acontece que visitar a Islândia é dispendioso (Reykjavik é a segunda cidade mais cara do mundo!) e só os mais excêntricos consideram a possibilidade de voar para esta ilha mágica. Enquanto a oportunidade não chega, contento-me com o melhor substituto destes cenários: Agaetis Byrjun dos Sigur Rós.

Os Sigur Rós foram capazes de desenvolver uma atitude musical única e constituem o exemplo mais inovador e criativo do género pós-rock, a que pertencem também os conhecidos Mogwai, Godspeed You Black Emperor e Labradford. O segundo disco da banda, editado em 1999, é para mim o melhor. Vidrar Vel Til Loftarasa, Staralfur, Svefn-G-Englar e o hino Olsen Olsen são momentos inesquecíveis que representam uma sonoridade única, proveniente de um país longínquo e desconhecido, mas que exerce sobre o ouvinte um fascínio e uma curiosidade inesgotáveis. Não fosse o génio de Björk, e os Sigur Rós seriam a principal exportação artística da Islândia. A profusão de música de qualidade proveniente da “ilha encantada” leva-me a acreditar que existe algo mágico naquelas terras distantes que fortalece o engenho criativo daquele povo.

sexta-feira, março 17, 2006

segunda-feira, março 13, 2006

Música à Terça VIII


Canta Mientras Puedas (Sing While You May) é uma colectânea dos melhores temas dos Legendary Pink Dots (LPD), uma banda de origem belga editada pela Play It Again Sam Records e liderada pelo génio criativo de Edward Ka-Spel. Com mais de 30 álbuns editados desde o início dos anos oitenta, a música dos LPD oscila entre o experimental e o fantástico, constituindo com os Minimal Compact e os Tuxedomoon, um dos grupos mais criativos de música independente da época. A razão pela qual recomendo uma colectânea é a diversidade musical de todos estes trabalhos e a óbvia dificuldade em seleccionar os melhores. Não os conhecendo a todos, os meus preferidos são The Lovers (1985), Island of Jewels (1986), The Crushed Velvet Apocalypse (1990), Chemical Playschool Vols. 8/9 (1995) e All the King's Men (2002).

Durante o fim-de-semana, tocou neste blog Princess Coldheart, um pequeno conto de fadas em forma de poema centrado no ego de uma princesa caprichosa, acompanhado por música cheia de sonoridades invulgares e melodias de Avalon. A escolha musical para hoje recaiu sobre A Triple Moon Salute, o mais próximo de um hino que a banda alguma vez produziu. Outra escolha lógica seria The Grain Kings, uma sofisticada espiral de sintetizadores, loops, drones e efeitos sonoros de colheita diversa, que resulta numa estranha harmonia que desafia qualificação.

Pela longa carreira que possuem, os LPD justificam um olhar mais atento. Uma banda que edita mais de três dezenas de álbuns ao longo de 25 anos, sempre com relativo sucesso numa faixa de vanguarda dos compradores, não deve o seu sucesso ao acaso, mas à iniciativa de fazer música sem compromissos com a agenda das editoras multinacionais, mantendo-se fiel a uma estética marginal e experimental, com custos elevados em termos de vendas compensados por enorme respeitabilidade artística e intelectual.

sexta-feira, março 10, 2006

Paintings on Fridays V


O Grito, nas suas diferentes versões, é o quadro mais famoso do norueguês Edvard Munch, mas o meu favorito é A Dança da Vida, terminado em 1900. Os temas mais marcantes desta fase da carreira do pintor estão lá todos: vida, isolamento e morte. Estará também, porventura, a inveja, pois sempre que olho para este quadro vejo duas mulheres sós com um olhar distante e nostálgico(particularmente a da direita) para os casais que dançam. Estes, por seu lado, também não parecem felizes com o que a vida lhes reservou, pelo que se conclui que o quadro retrata a eterna insatisfação dos humanos com o que a vida lhes oferece.

A propósito de distância emocional e frieza de sentimentos, ali ao lado toca durante todo o fim de semana Princess Coldheart dos Legendary Pink Dots, um dos grupos mais prolíficos, e ignorados, dos últimos 20 anos de música independente.

quinta-feira, março 09, 2006

Capote


Vejo muito cinema, mas raramente escrevo sobre filmes. É preciso ficar muito deslumbrado/indignado/perturbado para sentir motivação a escrever. Vi Capote e fiquei incomodado. Não tanto pelos desempenhos dos actores e realizador do filme, mas pela mensagem moralmente dúbia que passa. Qual a legitimidade de um escritor para contar uma história sobre um assassino, explorando os detalhes mais íntimos da sua demência? Será que, ao cometer um crime tão hediondo, o assassino perde o direito à sua personalidade de modo a satisfazer a curiosidade mórbida de um escritor e dos seus leitores sedentos de escândalo e sangue? O recente caso do canibal de Rothenburg, no qual o tribunal deu razão ao criminoso (e queixoso), proibindo a exibição do filme, parece indicar que não.

PS: Capote era um indivíduo cheio de idiossincrasias, como aparece demonstrado ao longo do filme, mas a composição feita por Philip Seymour Hoffman é brilhante.

segunda-feira, março 06, 2006

Música à Terça VII


Já muito foi escrito sobre os Godspeed You Black Emperor!, mas nada substitui a audição integral de Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (2000). Considerados praticantes de música para o novo milénio, os GYBE! têm sido enquadrados no género pós-rock, mas tal limita mais do que facilita a divulgação. A capacidade dos Godspeed You Black Emperor! para nos surpreender é quase infinita. As influências são muitas: dos Sonic Youth aos Swans, de Michael Nyman a John Cage.

O tema que se pode escutar ali ao lado são os seis minutos absolutamente memoráveis que abrem o primeiro disco deste duplo cd. Foi construído segundo uma estrutura semelhante ao Bolero de Maurice Ravel, embora eu duvide que seja isso que os GYBE! tivessem em mente. Começa com uma guitarra eléctrica gentilmente dedilhada e termina numa apoteótica sinfonia de dezenas de instrumentos a repetirem a melodia inicial. Uma marcha quasi-wagneriana, uma verdadeira orquestra rock que inclui guitarras eléctricas, baixo, 2 sets de bateria, violino, violoncelo e uma secção de metais.

Esta não é uma obra para espíritos fracos. Os GYBE! demonstram ao longo de 90 minutos a razão pela qual são um dos maiores fenómenos de culto mundial do género. Dois cds e quatro longas faixas (Storm, Static, Sleep e Antennas to Heaven) de mais de 20 minutos cada uma e com temas muito diversos, todos instrumentais, que transmitem a opressão, alienação e stress presente nos tempos modernos. Uma sinfonia urbano-depressiva, banda sonora desse longo filme a preto e branco que são as nossas vidas.

sexta-feira, março 03, 2006

Paintings on Fridays IV


Rooms by the Sea (1951) foi uma das incursões de Hopper pelo surrealismo. Como Magritte, Hopper surpreende-nos com uma porta aberta para o oceano. O contraste interior/exterior não poderia ser maior, sendo fortemente acentuado pelo tratamento da luz, que penetra no quarto de forma arrojada.

quarta-feira, março 01, 2006

Música à Terça VI



Nick Cave é quase incapaz de fazer um mau álbum. Depois do semi-fiasco de Nocturama, Nick redime-se em grande estilo com este duplo CD cheio de qualidade. Destacam-se Cannibals Hymn, There She Goes, My Beautiful World, Easy Money e, claro, o single Nature Boy.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Música à Terça V



Gravado em Tucson, Arizona, durante o Verão de 1997, The Black Light era apenas o segundo álbum dos Calexico, mas a sonoridade que projectava tornou-os inconfundíveis. Antes de mais, uma pequena curiosidade: os Calexico tomam o seu nome de uma pequena cidade de fronteira da Califórnia. O nome é uma piada: Califórnia + México = Calexico. A cidade tem apenas 19.000 habitantes, e esse facto até seria irrelevante, não vivessem mais de 1 milhão de mexicanos do outro lado da fronteira, em Mexicali (pois, já adivinharam, México + Califórnia = Mexicali!).

Bem, curiosidades à parte, reza a lenda que o nome da banda surgiu porque o carro em que viajavam Joey Burns e John Convertino (os fundadores dos Calexico) avariou perto da cidade de Calexico, quando estes se dirigiam a Tucson, a cidade de onde são originários. Tucson é também ela uma cidade de fronteira e o seu feeling é extraordinário: foi a única cidade americana em que estive onde os jardins das habitações tinham areia em vez de relva e cactos em lugar de flores.

A música dos Calexico é uma delirante e original fusão de mariachis, jazz, spaghetti western e rock alternativo, utilizando instrumentos como acordeão, marimbas, vibrafone, piano, violino, violoncelo, bandolim, trompete, entre muitos outros. The Black Light tem um cunho fortemente instrumental, como aliás se pode ver pelas faixas que mais atenções atraíram: Minas de Cobre, The Ride, Stray e Frontera. Joey Burns demonstra ainda alguma hesitação na utilização da voz, que desaparecerá mais tarde, em trabalhos mais recentes como Hot Rail e Feast of Wire. Os Calexico têm um novo álbum, Garden Ruin, ansiosamente aguardado para Abril.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Viagens...

Através de um link no site da Inês, construí o mapa dos Estados Americanos por mim visitados:

E o mapa dos países visitados:

Concluí que:
1. Tenho uma excessiva tendência para países do hemisfério norte e Estados do Sul dos Estados Unidos.
2. Ainda não vai ser este ano que a tendência vai ser contrariada...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Paintings on Fridays II

Edward Hopper é o meu pintor preferido. O famosíssimo quadro Nighthawks fascina-me e associo-o com a música de Tom Waits e o seu Nighthawks at the Dinner.

Em Hopper, o tratamento da luz é sublime, como em Morning Sun:

A separação entre natureza e civilização, presente em inúmeros dos seus quadros, coloca-nos perante um contraste (dilema?) entre o conforto e a segurança dos espaços humanos e civilizacionais e o desconhecido e enigmático das paisagens naturais. Second Story Sunlight é disso um exemplo.

Something Pretty - Patrick Park

SOMETHING PRETTY
lyrics © 2002 Patrick Park

Here I am, where I’ve been
I’ve walked a hundred miles in tobacco skin,
And my clothes are worn & gritty.
And I know ugliness,
Now show me something pretty.
I was a dumb punk kid with nothing to lose
And too much weight for walking shoes.
I could have died from being boring.
As for loneliness,
She greets me every morning.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

Here I am, where I’ve been
I’ve walked a hundred miles in tobacco skin,
And my clothes are worn & gritty.
And I know ugliness,
Now show me something pretty.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

At the most I’m a glare,
I’m the hopeless son who’s hardly there.
I’m the open sign that’s always busted.
I’m the friend you need, but can’t be trusted.

Paisagens Canadianas III

(clicar na foto para ampliar; acreditem que vale a pena!)

Esta foi tirada durante um jantar romântico nas margens do Dutch Lake. As cores do céu eram incríveis: do amarelo ao rosa, do magenta ao violeta. A noite foi passada num motel, descoberto casualmente, nas margens do mesmo lago, nem a 500 metros do local onde foi tirada a foto.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Música à Terça IV


Em 1969, quando este disco foi editado pela primeira vez, vendeu apenas 600 cópias. A razão era assaz caricata: foi colocado na secção de música religiosa! Para os fãs, os Genesis transformaram-se em banda de culto, de facto, mas alguns anos mais tarde, com os temas The Knife, The Musical Box e Supper's Ready e os álbuns Selling England By the Pound e The Lamb Lies Down on Broadway.

Os Genesis, com Peter Gabriel, Michael Rutherford, Tony Banks, Anthony Phillips e Jonathan Silver, eram ainda muito jovens (Gabriel tinha 16 anos), mas estavam longe de ser teenagers inconsssientes. A obra é um prodígio em termos melódicos, ainda que sofra de uma compreensiva ingenuidade, típica de quem se inicia nesta arte. Foi composta em grande parte no colégio inglês que os membros da banda frequentavam e os arranjos para cordas e a produção são da responsabilidade de Jonathan King.

Este trabalho está longe de ser uma obra prima, mas tem momentos pop enternecedores e inesquecíveis como Where the Sour Turns to Sweet, The Serpent, One Day e o single The Silent Sun, considerado pelo próprio Jonathan King como um "Bee Gees pastiche". Posso dizer-vos que, quando quero ouvir música "optimista", este é um dos álbuns do topo da lista.

1. Where The Sour Turns To Sweet (3:13)
2. In The Beginning (3:46)
3. Fireside Song (4:18)
4. The Serpent (4:38)
5. Am I Very Wrong? (3:31)
6. In The Wilderness (3:29)
7. The Conqueror (3:40)
8. In Hiding (2:37)
9. One Day (3:21)
10. Window (3:33)
11. In Limbo (3:30)
12. Silent Sun (2:13)
13. A Place To Call My Own (1:58)

Total Time: 43:47

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Música à Terça III


Estranha escolha? Nem por isso. Lançado em Setembro de 1984, The Unforgettable Fire foi o primeiro disco dos U2 que escutei. Recordo-me que foi no programa da Rádio Comercial TNT - Todos no Top que ouvi a primeira música dos U2, Bad, na sua versão ao vivo incluída no álbum Wide Awake in America. Achei estranhíssimo que uma música com mais de 8 minutos de duração passasse num programa comercial de rádio.

Depois da genialidade de The Joshua Tree ou Achtung Baby, do vanguardismo de Zooropa, da megalomania de Pop e da mediocridade de All That You Can Leave Behind, sabe bem voltar a um disco sem espinhas e sem adornos. The Unforgettable Fire é isso mesmo: um disco simples, directo, cheio de alma irlandesa. Os meus temas preferidos são A Sort of Homecoming, The Unforgettable Fire, Promenade e, claro, o já referido Bad. Enfim, os U2 em versão pré-electrónica e pré-América... para redescobrir.

1. A Sort Of Homecoming (5:29)
2. Pride (In The Name Of Love) (3:49)
3. Wire (4:19)
4. The Unforgettable Fire (4:55)
5. Promenade (2:32)
6. 4th Of July (2:15)
7. Bad (6:09)
8. Indian Summer Sky (4:18)
9. Elvis Presley and America (6:22)
10. MLK (2:32)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Paisagens Canadianas II

(clicar na foto para ampliar)

Um dos aspectos que mais surpreende o visitante do Canadá é a abundância de água: oceanos, lagos, rios, ribeiros, riachos, e até lagos interiores que parecem mares! Uma das particularidades de grande parte dos cursos de água nas Montanhas Rochosas é o efeito do degelo dos glaciares na cor das águas, desde um cinzento baço até ao verde esmeralda. Aqui representado está o Lake Moraine, com o azul turquesa mais belo que já vi, cercado pelo Vale dos Dez Picos. Absolutamente deslumbrante!

(clicar na foto para ampliar)

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Paintings on Fridays I



Não sendo Marc Chagall o meu preferido de entre os surrealistas, o quadro O Aniversário é um dos quadros que mais aprecio. Chagall pintou-o em 1915, nos primeiros tempos do seu casamento com Bella. O quadro retrata esses momentos de felicidade, com o casal a pairar sob um dos aposentos de sua casa. O detalhe com que Chagall pinta os tecidos do sofá e da toalha de mesa é particularmente notável e o casal parece rodeado de uma paz no seu lar que contrasta com a demência da guerra que grassava pela Europa.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Um Livro à Quarta II



O livro de hoje é especial. Perdoem-me a descarada manobra de auto-promoção, mas este foi organizado por mim (sim, eu sou o António F. Tavares...) e estará brevemente disponível numa Fnac perto de si...

Este volume foi editado tendo como principal objectivo celebrar os 25 anos da Licenciatura de Administração Pública da Universidade do Minho, criado por Resolução do Senado Universitário no início dos anos 80. O livro "Estudo e Ensino da Administração Pública em Portugal" procura, como o próprio nome indica, reunir contributos sobre a evolução do ensino e da investigação na área de Administração Pública enquanto disciplina académica. Para isso, conta com a participação dos Professores J.A. Oliveira Rocha, Joaquim Filipe Araújo, Sílvia M. Mendes e Pedro J. Camões, para além de mim próprio, todos da Universidade do Minho, bem como do Professor João Faria Bilhim, Presidente do Conselho Directivo do Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e do Professor Rui de Figueiredo Marcos, Vice-Coordenador do Curso de Administração Pública da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

A nota introdutória é do Professor Lúcio Craveiro da Silva, Reitor da Universidade do Minho na altura em que o curso de Licenciatura em Administração Pública foi criado. O prefácio é do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que gentilmente aceitou contribuir com o seu prestígio para o enriquecimento desta obra. Aproveito para agradecer publicamente a todos a colaboração na edição deste volume.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Música à Terça II


Pink Moon é, a todos os tí­tulos, um disco único. A voz de Nick Drake e a sua guitarra acústica uniram-se para criar uma obra prima com apenas 28 minutos. Solidão, isolamento e alienação social são temas preponderantes em todos os trabalhos de Drake, mas atingem aqui a sua mais profunda e sentida expressão:

Know that I love you
Know I don't care
Know that I see you
Know I'm not there.

Nunca o suicí­dio foi tratado na música de forma tão enigmática como em Pink Moon, o tema de abertura. Drake canta:

I saw it written and I saw it say
Pink moon is on its way
And none of you stand so tall
Pink moon gonna get you all
It's a pink moon
It's a pink, pink, pink, pink, pink moon.

Um dos raros momentos em que a música me fez sentir frágil...

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Ordinarices III

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Para completar a trilogia, fica esta, tirada em Mo-I-Rana, na Noruega, em Agosto de 2005

Ordinarices II

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Há verdadeiras preciosidades ordinárias... Esta foi tirada algures na Suécia, no Verão de 2005

Ordinarices I

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Rua de Québec City, Québec, Canadá; foto tirada em Agosto de 2004

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Um Livro à Quarta I

É quase quinta-feira, mas ainda vou a tempo de sugerir este livro:
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Já escrevi sobre ele, há algum tempo atrás, no meu blog anterior. Aqui fica o pequeno texto de enquadramento da obra...

"A Casa dos Mil Andares de Jan Weiss revelou-se uma agradável surpresa e deitou por terra um equívoco em que laborei durante mais de uma década: 1984 de George Orwell é uma obra-prima, mas não é absolutamente original na concepção de um Big Brother. Ao ler A Casa dos Mil Andares, escrito em 1929, encontrei algumas semelhanças entre os dois romances de ficção distópica, a maior das quais, a existência de um tirano omnisciente que controla a vida de todos os seus concidadãos. Genial, sobretudo tendo em conta o ano em que foi escrito."

Mais valia ficarem calados...

A Quercus desconfia de um estudo realizado pelas Universidades de Yale e Columbia sobre o estado do ambiente em 133 países e que coloca Portugal no décimo primeiro lugar da lista. É caso para pedir à Quercus que mostre a lista dos seus membros que são prémios Nobel...

terça-feira, janeiro 24, 2006

Música à Terça I

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Uma das vantagens de ouvir muita música é ser capaz de separar obras vulgares de raros momentos de beleza poética e sonora. Não há muitos discos que possam ser classificados de eternos, mas Thunder Perfect Mind (1992) dos Current 93 é inegavelmente um deles.

Dito isto, é importante dizer que não é um disco fácil. Se eu quisesse ser popular certamente escolheria fazer a crítica de um disco líder dos tops nacionais. Não me parece que esse seja o objectivo de Música à terça, daí a opção por uma obra dos Current 93. Numa carreira que conta com mais de 40 discos e 22 anos de existência, havia muito por onde escolher, mas as razões que se seguem explicam, em parte, a escolha.

Thunder Perfect Mind é o mais longo disco de originais dos Current 93, com quase 79 minutos de música, e um dos mais consistentes e articulados do início ao fim. É considerada uma obra-prima dentro do pouco divulgado género do folk apocalíptico, termo usado para descrever música à base de guitarra acústica sombria e letras melancólicas e depressivas. Os textos são notoriamente inspirados na poesia de William Blake e a música nos temas folk de Shirley Collins.

Embora a guitarra acústica seja predominante, há aspectos muito pouco convencionais neste disco. Os primeiros 30 minutos (9 faixas) são extremamente melódicos, marcados pela guitarra acústica gentilmente tocada e pela voz do “outro mundo” de David Tibet. Os meus momentos favoritos são In the Heart of the Wood and What I Found There e A Lament For My Suzanne.

Este excelente disco de música folk muda significativamente de sonoridade a partir da faixa número 10, All the Stars are Dead Now. Inesperadamente, é aqui introduzido um sampler de Saint Louis Blues, um original dos anos 20, do swing e das big-bands. Simplesmente desconcertante. Mas nada prepara o ouvinte para o que se segue. Entra um repetitivo riff de guitarra acústica tocado até à náusea e acompanhado por Tibet a recitar um longo poema, de conteúdo largamente obscuro e ininterpretável, mas que, tanto quanto consigo compreender, é uma profecia sobre o apocalipse e a morte. O tom sinistro prossegue com Rosy Stars Tears From Heaven e a voz de Tibet, sinistra na faixa anterior, torna-se aqui simplesmente diabólica, ainda que sussuradamente diabólica.

Como a surpresa é, por vezes, a mãe da genialidade, When the May Rain Comes, uma versão de um original dos Sand, é lindíssima. Os instrumentos usados (baixo, flauta e guitarra) produzem uma sonoridade extremamente melódica e a interpretação pelo dueto David Tibet e Rose McDowall faz estragos na mais empedernida insensibilidade. Segue-se o tema título, Thunder Perfect Mind, um crescendo musical ameaçador acompanhado pela leitura de textos do livro homónimo.

Depois de 55 minutos de música deslumbrante, faltava um tema épico para atirar tudo o que é convencional pela janela. Hitler as Kalki dura 16 minutos e 28 segundos e é dedicado ao pai de David Tibet, já falecido, que combateu na II Guerra Mundial. O início é parece influenciado por música tradicional hindu, mas a peça transfigura-se lentamente numa espiral eléctrica, levemente tocada pelo minimalismo, com David Tibet a dissertar sobre Hitler e o apocalipse. Num texto que acompanha o cd, Tibet explica-nos que algumas pessoas consideram que Hitler foi Kalki, a décima e última incarnação do Deus Hindu Vishnu, que vem num cavalo branco para destruir o cosmos no final de cada ciclo universal. Tibet incita à reflexão e oração para que a destruição termine e um novo paraíso e uma nova Terra possam surgir.

Para além de ser um disco místico e experimental, Thunder Perfect Mind é também uma obra complexa sob o ponto de vista lírico. Já tentei interpretar muita da poesia contida nesta obra, mas as conclusões são pouco satisfatórias. Os conteúdos genéricos são o apocalipse, o arrependimento, a piedade e a salvação, mas qualquer interpretação imediata dos textos aqui contidos será, muito provavelmente, errada.

Este foi o meu primeiro contributo para Música à Terça, uma iniciativa da Mimi à qual espero corresponder com a regularidade exigida. Uma crítica aprofundada da reedição do disco aparece aqui.

domingo, janeiro 22, 2006