sexta-feira, maio 11, 2007

11. The Doors (1967) - The Doors


Adivinha: Para além de sermos do signo Sagitário, o que é que eu (Fernando Piano) e o Jim Morrison (vocalista dos Doors) temos em comum?

Ouvi este disco pela primeira vez quando tinha 18 anos de vida e era facilmente impressionável. Para além da energia que transpira por todos os poros, o disco marcou-me pela mudança paradigmática que provocou na música rock: era possível encontrar nas trevas, na revolta e no incorformismo, uma alternativa à luz, às flores, aos hippies e ao sol da California dos Beach Boys. Até este disco, os meus ouvidos escutavam maioriamente música pop comercial, mas foi com os Doors que dei os primeiros passos na escuridão...

Os solos de teclas de Ray Manzarek, a guitarra blues de Robby Krieger, a bateria de John Densmore e a voz intensa/alucinada/sussurada do deus sexual Jim Morrison tranformaram o que seria uma banda de blues rock vulgar num inesquecível portento musical. Deste disco em particular diz-se que demorou apenas 6 dias a gravar, o que ilustra bem o génio explosivo e criativo da banda, que ainda viria a gravar outro (Strange Days) durante o ano de 1967. Mas o que mais impressiona no primeiro álbum dos Doors é a riqueza da composição musical associada à inspiração poética de Jim. Se é verdade que a poesia de Jim Morrison nunca recebeu o acolhimento da crítica que o seu autor desejava, também não é menos verdade que foram os seus melhores escritos que acabaram musicados.

Os temas mais fortes do disco são o hit Light My Fire, o teatral Alabama Song (Whiskey Bar), a balada Crystal Ships, a batida infecciosa de Break On Through e o épico edipiano The End. Para recordarem o fabuloso The End:

terça-feira, maio 08, 2007

10. Tindersticks II (1995) - Tindersticks


A minha relação com esta obra é especial. Foi de coração apaixonado que os conheci e de coração partido que os vi ao vivo pela primeira vez no Coliseu do Porto, em 1997, num dos concertos mais memoráveis da minha vida.

Quando saiu Tindersticks II, o segundo disco de originais da banda, não conhecia Tindersticks I, mas a música encantou-me desde o primeiro acorde. A voz sedutora de Stuart Staples, a mistura dos instrumentos tradicionais do rock tocados de forma gentil e uma secção de cordas quase sempre arrebatada transformou a face da música alternativa. Quase arrisco que, pelo menos em Portugal, o conceito de música “alternativa” se tornou uma moda com os Tindersticks, em particular quando o álbum “Curtains” chegou aos primeiros lugares do top nacional e a banda encheu os Coliseus.

Apesar da sedução comercial exercida por Curtains, é com Tindersticks II que a banda atinge o seu zénite. São 70 minutos de música perfeita, letras de um sarcasmo romântico inigualável e um alinhamento memorável, incluindo Tiny Tears, She's Gone, Another Night In, e o fabuloso My Sister, com uma prosa trágico-cómica de primeira apanha. A introdução pontual de instrumentos pouco vulgares no horizonte rock, como sejam o trombone, o violoncelo e o serrote (!) proporcionam momentos musicais surpreendentes que constituem uma delícia sonora para os ouvidos mais sensíveis.

Outro dos momentos mais intenso de Tindersticks II é Travelling Light, um dueto com Carla Togerson (vocalista dos Walkabouts) que podem ver e ouvir aqui:

domingo, abril 22, 2007

9. Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (2000) - Godspeed You Black Emperor!

Já muito foi escrito sobre os Godspeed You Black Emperor!, mas nada substitui a audição integral de Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (2000). Considerados praticantes de música para o novo milénio, os GYBE! têm sido enquadrados no género pós-rock, mas tal limita mais do que facilita a divulgação. A capacidade dos Godspeed You Black Emperor! para nos surpreender é quase infinita. As influências são muitas: dos Sonic Youth aos Swans, de Michael Nyman a John Cage.

A obra abre com o tema-título, construído segundo uma estrutura em crescendo, semelhante ao Bolero de Maurice Ravel, embora eu duvide que seja isso que os GYBE! tivessem em mente. Começa com uma guitarra eléctrica gentilmente dedilhada e termina numa apoteótica sinfonia de dezenas de instrumentos a repetirem a melodia inicial. Uma marcha quasi-wagneriana, uma verdadeira orquestra rock que inclui guitarras eléctricas, baixo, 2 sets de bateria, violino, violoncelo e uma secção de metais.

Esta não é uma obra para espíritos fracos. Os GYBE! demonstram ao longo de 90 minutos a razão pela qual são um dos maiores fenómenos de culto mundial do género e uma bandeira dos movimentos anti-globalização. Dois cds e quatro longas faixas (Storm, Static, Sleep e Antennas to Heaven) de mais de 20 minutos cada uma e com secções muito diversas, quase integralmente instrumentais, entre-cortadas por samplers de altifalantes repetindo mensagens de aviso em aeroportos e bombas de gasolina e pregadores religiosos com retórica do apocalipse, entre outros pedaços editados que transmitem a opressão, alienação e stress presentes nos tempos modernos. Uma sinfonia urbano-depressiva, banda sonora desse longo filme a preto e branco que são as nossas vidas.

Declaração dos GYBE! no interior do cd:
"This tape recording is the last stanza of a 3page chapter; we dedicate this stanza to quiet refusals, loud refusals and sad refusals. we dedicate it to every prisoner in the world... (we dedicate it to empty streets at dawn.)"

Podem ouvir um extracto de um dos temas dos Godspeed You Black Emperor! aqui: http://www.youtube.com/watch?v=5S_AvEaUPYM

sábado, abril 21, 2007

8. Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995) - Smashing Pumpkins

Um disco memorável! Uma obra-prima inigualável! Mellon Collie and the Infinite Sadness é um título perfeito para descrever 28 temas e duas horas de música sempre surpreendente e poesia inspiradíssima. Este duplo álbum encontra-se dividido em duas partes: Dawn to Dusk e Twilight to Starlight. A produção de Flood, Alan Moulder e Billy Corgan é quase perfeita. A arte gráfica é lindíssima e inspira-se em George Meliés. Os animais e seres inanimados representados ganham personalidade e comportamentos humanos e fazem-nos sorrir.

Os Smashing Pumpkins passam por 30 anos de influências e sonoridades distintas. O grunge de Chicago está aqui mais diluído do que no disco anterior, Siamese Dream, e misturado com canções de amor de influência beatliana e épicos à la Pink Floyd, mas tudo temperado com uma apreciável dose de irreverência e inconformismo.

O duplo álbum inicia-se com Mellon Collie and the Infinite Sadness um instrumental de piano a solo que bem podia ser a banda sonora deste blog. É Billy Corgan que faz tudo: vocalista, compositor, produtor, multi-instrumentista e génio musical que liderou os Pumpkins durante os seus mais de 10 anos de existência. Os grandes êxitos comerciais deste disco aparecem no primeiro cd: Tonight, Tonight, Zero e Bullet With Buttefly Wings. Dois épicos inesquecíveis (Porcelina of the Vast Oceans e Thru the Eyes of Ruby) rompem com a rigidez da canção pop-rock de 3 ou 4 minutos e apresentam-se como poemas sinfónicos do rock. Duas melodias românticas, Beautiful e By Starlight, povoavam os meus amores dos vinte e poucos anos.

As letras caracterizam-se por tópicos tão diversificados como a fúria e alienação social (“Despite all my rage I am still just a rat in a cage”), o nihilismo (“Emptiness is loneliness, loneliness is cleanliness, cleanliness is godliness and god is empty just like me”), o voyeurismo (“I know I’m silly cause I’m hanging in this tree in the hopes that she will catch a glimpse of me”) ou a manipulação emocional (“wrap me up in always, and drag me in with maybes; your innocence is treasure, your innocence is death your innocence is all I have”).

Doze anos passados desde a saída deste trabalho, ainda é um disco que ouço com regularidade e que não perdeu o impacto inicial. A vertente maníaco-depressiva da obra não é, provavelmente, para todos, pois oscila entre temas muito melódicos e belos (Galapogos, Cupid de Locke ou By Starlight) e a violência sonora ao nível do melhor grunge alguma vez feito (Fuck you (an ode to no one), Tales of a scorched earth ou X.Y.Z.)

Depois do auge, a carreira dos Smashing Pumpkins seria sempre a descer...

segunda-feira, abril 16, 2007

Solidariedade para Blacksburg, VA

A minha amiga (e colega de trabalho) Joana está em Blacksburg de visita ao namorado que trabalha na Virginia Tech. Para ti, Joana, e para o Nick um beijo, um abraço forte e a minha total solidariedade neste momento difícil que atravessam.

sábado, abril 14, 2007

7. Thunder Perfect Mind (1992) - Current 93


Uma das vantagens de ouvir muita música é ser capaz de separar obras vulgares de raros momentos de beleza poética e sonora. Não há muitos discos que possam ser classificados de eternos, mas Thunder Perfect Mind (1992) dos Current 93 é inegavelmente um deles. Dito isto, é importante dizer que este não é um disco fácil. Numa carreira que conta com mais de 40 discos e 22 anos de existência, havia muito por onde escolher, mas as razões que se seguem explicam, em parte, a escolha.

Thunder Perfect Mind é o mais longo disco de originais dos Current 93, com quase 79 minutos de música, e um dos mais consistentes e articulados do início ao fim. É considerada uma obra-prima dentro do pouco divulgado género do folk apocalíptico, termo usado para descrever música à base de guitarra acústica sombria e letras melancólicas e depressivas. Os textos são notoriamente inspirados na poesia de William Blake e a música nos temas folk inglês de Shirley Collins. Embora a guitarra acústica seja predominante, há aspectos muito pouco convencionais neste disco. Os primeiros 30 minutos (9 faixas) são extremamente melódicos, marcados pela guitarra acústica e pela flauta gentilmente tocadas e pela voz do “outro mundo” de David Tibet. Os meus momentos favoritos são In the Heart of the Wood and What I Found There e A Lament For My Suzanne.

Este excelente disco de música folk muda significativamente de sonoridade a partir da faixa número 10, All the Stars are Dead Now. Inesperadamente, é aqui introduzido um sampler de Saint Louis Blues, um original dos anos 20, do swing e das big-bands. Simplesmente desconcertante. Mas nada prepara o ouvinte para o que se segue. Entra um repetitivo riff de guitarra acústica tocado até à náusea e acompanhado por Tibet a recitar um longo poema, de conteúdo largamente obscuro e ininterpretável, mas que, tanto quanto consigo compreender, é uma profecia sobre o apocalipse. O tom sinistro prossegue com Rosy Stars Tears From Heaven e a voz de Tibet, sinistra na faixa anterior, torna-se aqui simplesmente diabólica, ainda que sussuradamente diabólica.

Como a surpresa é, por vezes, a mãe da genialidade, When the May Rain Comes, uma versão de um original dos Sand, é lindíssima. Os instrumentos usados (baixo, flauta e guitarra) produzem uma sonoridade melódica e a interpretação pelo dueto David Tibet e Rose McDowall faz estragos na mais empedernida insensibilidade. Segue-se o tema título, Thunder Perfect Mind, um crescendo musical ameaçador acompanhado pela leitura de textos do livro homónimo.

Depois de 55 minutos de música deslumbrante, faltava um tema épico para atirar tudo o que é convencional pela janela. Hitler as Kalki dura 16 minutos e 28 segundos e é dedicado ao pai de David Tibet, já falecido, que combateu na II Guerra Mundial. O início é influenciado por música tradicional hindu, mas a peça musical transfigura-se lentamente numa espiral eléctrica, levemente tocada pelo minimalismo, com David Tibet a dissertar sobre Hitler e o apocalipse. No texto que acompanha o cd, Tibet explica-nos que algumas pessoas consideram que Hitler foi Kalki, a décima e última incarnação do Deus Hindu Vishnu, que vem num cavalo branco para destruir o cosmos no final de cada ciclo universal. Tibet incita à reflexão e à oração para que a destruição termine e um novo paraíso e uma nova Terra possam surgir.

Para além de ser um disco místico e experimental, Thunder Perfect Mind é também uma obra complexa sob o ponto de vista lírico. Já tentei interpretar muita da poesia contida nesta obra, mas as conclusões são pouco satisfatórias. Os conteúdos genéricos são o apocalipse, o arrependimento, a piedade e a salvação, mas qualquer interpretação imediata dos textos aqui contidos será, muito provavelmente, errada. Uma crítica aprofundada da reedição do disco aparece aqui.

sexta-feira, abril 06, 2007

6. Achtung Baby (1991) - U2

Berlim tem sido palco da criação de várias obras memoráveis da música popular. Os pontos de ligação entre Low de David Bowie e Achtung Baby dos U2 são mais do que muitos: ambos são considerados discos chave nas respectivas carreiras, produzidos por Brian Eno, resultaram de um conturbado processo criativo levado a cabo em Berlim e constituem um corte significativo com o passado. Os U2 aparecem na minha selecção porque Achtung Baby está ligado, de forma profunda, aos meus vinte e poucos anos e a um conjunto de mudanças marcantes na minha vida pessoal.

Os fãs dos U2 costumam apontar The Joshua Tree como o auge da carreira da banda. Discordo. Ainda que esse disco represente uma mudança significativa de sonoridade e seja caracterizado por uma diversidade musical assinalável, resultante das influências Made in America, não atinge a beleza lírica e melódica de Achtung Baby.

Bem acolhido pela crítica e pelos fãs, Achtung Baby reúne dois "gigantes" da música na produção, Daniel Lanois e Brian Eno, e foi misturado por outro produtor de sucesso (Flood). É um disco que, ainda hoje, ouço da primeira à última faixa sem ser "obrigado" a evitar certos temas. Os pontos altos são difíceis de identificar, já que a coesão é um dos pontos fortes, mas o ritmo alucinante de Even Better Than the Real Thing, as baladas One e Trying to Throw Your Arms Around the World e o pessimismo sinistro de Love is Blindness são os temas pessoalmente mais marcantes.

Há ainda um conjunto de curiosidades associadas a este trabalho. Durante a digressão Zoo TV, que tive oportunidade de ver ao vivo no defunto Estádio de Alvalade, os U2 iniciavam os concertos com Zoo Station, o poderoso tema de abertura do álbum, que dava o mote para noites inesquecíveis em que o carisma de Bono, o fabuloso videowall presente no palco e as excentricidades da banda deixavam milhares em êxtase. Estou a lembrar-me das famosas chamadas telefónicas, em directo e ao vivo, para a Casa Branca ou do sampler da voz de George Bush Sr., 'rapper' de circunstância, no tema We Will Rock You... Memoráveis são ainda as investidas de Bono na poesia surrealista, com as famosas tiradas presentes em Trying to Throw Your Arms Around the World:

"He took an open top beetle
Through the eye of a needle"

"And a woman needs a man
Like a fish needs a bicycle"

5. Low (1977) - David Bowie

David Bowie é conhecido pelo "camaleão" da música pop-rock, devido à sua capacidade para se reinventar tanto a nível musical como em termos de imagem. Uma dessas reinvenções, aquela que foi, na minha opinião, a mais marcante, ocorreu com Low gravado e editado em 1977. No ano anterior, Bowie havia lançado Station To Station, um álbum que indiciava uma crise de inspiração e fazia temer pela qualidade do seu sucessor.

Depois de muitas obras de música popular marcantes na década de 60 e no início da década de 70, em meados da década, a imagem começava a sobrepor-se à música. Com o disco e com o punk em extremos opostos, era mais importante a maneira como os músicos vestiam do que a música que faziam. Bowie fez precisamente o percurso inverso. Com uma imagem muito mais sóbria, a música toma aqui a "boca de cena".
Low é igualmente marcante pelas influências que vai gerar. Os Joy Division serão a face mais visível dessa influência, mas muitas outras bandas de finais de 70 e início de 80 utilizam os sintetizadores de uma forma semelhante. O disco alterna instrumentais com temas minimalmente cantados, o que representa uma novidade radical do próprio Bowie. Os temas mais relevantes são Sound and Vision (por ser o 'hit' do álbum), Always Crashing In The Same Car, A New Career In A New Town e Warszawa.

Bowie deslocou-se a Berlim para gravar este disco, tal como viria acontecer com os dois seguintes (Heroes e Lodger). O optimismo e os exageros musicais do início dos anos 70 dão aqui lugar a um disco revolucionariamente sóbrio. A electrónica exagerada do rock progressivo, que Bowie sempre rejeitou, é substituída por uma utilização sóbria, mas eficaz, dos sintetizadores, que valorizam a criação de ambientes e paisagens sonoras de uma beleza sem precedentes.
Podem visualizar Bowie a interpretar um dos meus temas favoritos, Warszawa, ao vivo em Tóquio, aqui: http://www.youtube.com/watch?v=mvMctqXivB0
O melodioso Sound and Vision ao vivo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=GYEOlxcirX0

quinta-feira, abril 05, 2007

4. Pink Moon (1972) - Nick Drake

Pink Moon é, a todos os tí­tulos, um disco único. A voz de Nick Drake e a sua guitarra acústica uniram-se para criar uma obra prima com apenas 28 minutos. Solidão, isolamento e alienação social são temas preponderantes em todos os trabalhos de Drake, mas atingem aqui a sua mais profunda e sentida expressão. Até o surrealismo da capa, da autoria do próprio Nick, fortemente influenciada por Dali, contribui para o ambiente de alienação pessoal, depressão e abandono social.

Nick Drake morreu em 1974, com 26 anos, de uma overdose (acidental?) de anti-depressivos, e quis o destino que este fosse o seu último album de originais. O disco exala uma tristeza e melancolia que resultam, em larga medida, da utilização exclusiva de guitarra acústica e voz na maioria dos temas, acompanhados ocasionalmente pelo piano. Paradoxalmente, as melodias são simples, belas e plenas de sentimento. Reza a lenda que Drake gravou Pink Moon de uma só vez, sem recurso a takes alternativos. Neste particular, Pink Moon representa um contraste significativo com o disco anterior, Bryter Layter (1970), no qual Drake emprega orquestrações mais elaboradas, em particular em Hazey Jane II, que os Belle and Sebastian certamente não desdenhariam.

Num dos meus temas preferidos de Pink Moon, Know, Drake canta:
"Know that I love you
Know I don't care
Know that I see you
Know I'm not there."
Nunca o suicí­dio foi tratado na música de forma tão enigmática como em Pink Moon, o tema de abertura:
"I saw it written and I saw it say
Pink moon is on its way
And none of you stand so tall
Pink moon gonna get you all
It's a pink moon It's a pink, pink, pink, pink, pink moon."
As referências ao suicídio regressam em Harvest Breed, um minuto de música com uma letra impressionante:
"Falling fast and falling free you look to find a friend
Falling fast and falling free this could just be the end
Falling fast you stop to touch and kiss the flowers that bend
And you're ready now For the harvest breed."
Em Pink Moon, a duração é inversamente proporcional à qualidade da música. Se não conhecem Nick Drake, da próxima vez que entrarem numa loja de cds já sabem o que pedir. Depois não se esqueçam de mandar um email a contar como foi a experiência de ouvir Drake pela primeira vez. Um dos raros momentos em que a música me fez sentir frágil...

segunda-feira, abril 02, 2007

3. White Light From the Mouth of Infinity (1991) - The Swans


Na selecção dos 20 discos da minha vida há bandas e discos sobejamente conhecidos. White Light From the Mouth of Infinity dos Swans não é um deles. É, muito possivelmente, a escolha mais estranha. Os Swans são uma banda que resulta do génio criativo de um homem – Michael Gira – que durante 15 anos se empenhou em desenvolver um estilo único e inconfundível de fazer música. Valorizando radicalmente a independência criativa, musical e editorial, criou a sua própria editora – a Young God Records – que se dedica à descoberta de novos talentos. Fazem parte da Young God nomes como Lisa Germano, Devendra Banhart, Akron/Family, entre outros.

Musicalmente, os Swans começaram por praticar o seu conceito muito próprio de música industrial, com vagas semelhanças com os Einstürzende Neubauten e Throbbing Gristle. A primeira fase da sua carreira (1983-1987) é caracterizada pela violência, de palavras e sons, o que torna os discos praticamente inaudíveis e peças de colecção para os fãs mais empenhados.

Em 1988 inicia-se a fase mais criativa em termos líricos e melódicos, a que não será alheio o contributo da voz bela e maldita de Jarboe. São desta fase os discos The Burning World (1989), White Light From the Mouth of Infinity (1991), Love of Life (1992) e o fabuloso álbum ao vivo Omniscience (1992). The Great Anihilator (1994) é o disco de transição para uma fase de exploração da música ambiental (e transcendental) no período 1995-1997. Este último período tem como expoente máximo um dos discos mais estranhos (e estranhamente belo) que compõe a minha colecção – Soundtracks For the Blind (1995). A carreira dos Swans termina em grande com Swans Are Dead (1997), um duplo cd ao vivo que resume os concertos dados ao longo da última digressão da banda.

A escolha de White Light From the Mouth of Infinity para esta selecção de discos que marcam a minha vida explica-se facilmente. Um amigo meu, completamente vidrado na sonoridade da banda, mostrou-me este disco. Comecei a ouvir e... nunca mais parei. A voz de Gira é grave, profunda, e assemelha-se a um trovão. As letras manifestam revolta, arrogância, egoísmo, desolação, isolamento e morte. A música alterna a melodia suave e recortada com momentos de descarga sonora, com bateria muito marcada, mas paradoxalmente melódicos. Salvaguardadas as devidas distâncias, dir-se-ia que os Swans desenvolvem neste disco o conceito musical que os Pink Floyd exploraram em Shine On You Crazy Diamond, com a vantagem adicional de Gira escrever letras muito superiores às da banda de rock sinfónico.

Não é fácil destacar um tema deste disco. O álbum vale fundamentalmente pelo seu conjunto, pela forma como os temas estão encadeados e pela utilização de um vasto leque de instrumentos que contribui para uma textura musicalmente densa. Os temas mais marcantes serão, porventura, Love Will Save You, Miracle of Love, e Song For the Sun. O poema de Failure é o mais notável do disco e um dos mais impressionantes da longa carreira de Michael Gira.

Godspeed You Black Emperor, Mogwai e outras bandas do género pós-rock não descobriram a pólvora. São, em larga medida, influenciados pelos Swans na sua fase experimental, particularmente no que diz respeito ao uso de sons pré-gravados/pré-programados, samplers e drones. Quanto a Michael Gira, continua no activo com o seu projecto Angels of Light. Como muitos músicos que atingem a maturidade (cf. Nick Cave), Gira é hoje um homem muito mais calmo. A música é mais melódica do que nunca e, uma vez por outra, vislumbram-se canções de amor genuínas, como é o caso de Untitled Love Song incluída no seu How I Loved You (2002).

Will We Survive (Michael Gira):

I'll drink the moonlight from your hands
I'll swim an ocean filled with sorrow
No lover please don't go
We can crucify tomorrow
Let the sunlight feed the air
Let it fill our lungs with lies
We'll be memorized by shadows
But our loneliness will survive

Now the sugar in your soft voice
Makes the sweetness in your weeping
And the black rose that you swallowed
Feeds the solitude you're dreaming
No I'll never taste your tears again
In the darkness that we're breathing in
Now the sun will kill the garden
In a universe that is bleeding.

sábado, março 31, 2007

2. The Velvet Underground & Nico (1967)


Os anos 60 marcam um dos períodos mais marcantes e experimentais da história da música rock. É nesta altura que aparecem as obras-primas dos Beatles (Sgt. Pepper's e White Album), Rolling Stones (Aftermath e Their Satanic Majesties Request) e Beach Boys (Pet Sounds), que influenciaram milhares de músicos e bandas que surgiram posteriormente. Contudo, quando nos referimos à “produtividade” (influência por número de discos vendidos), é para os Velvet Underground de Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker que temos de olhar. Rezam os mitos que o primeiro disco da banda, The Velvet Underground & Nico, vendeu apenas 1000 exemplares, mas cada pessoa que o comprou formou uma banda. De entre os nomes que reclamam a herança dos Velvet contam-se David Bowie, Joy Division, Laurie Anderson, Talking Heads, Bauhaus e, mais recentemente, Yo La Tengo, Antony & The Johnsons e Interpol, entre muitos outros.

A Nova York dos anos 60 era aberta à experimentação. Um grupo alargado de jovens músicos, artistas plásticos, realizadores e diletantes reuniam-se nas instalações da Factory debaixo a direcção de Andy Warhol para testar os limites da produção artística. Deste movimento desordenado e de base experimental nasceram os Velvet Undergound. O seu primeiro disco é revolucionário. Uma sugestão para gozo pleno da experiência auditiva: Ouçam-no do início ao final dos seus 48 minutos e 24 segundos tendo em mente que é contemporâneo de coisas como “All you need is love” ou “San Francisco”. Está tão para lá das velhas fórmulas da música popular que é demasiado rico para se apreender todo o seu conteúdo e valor numa única audição.

Nico, uma vocalista alemã apresentada pomposamente como “chanteuse”, canta o doce I’ll be your mirror, o inebriante All tomorrow’s parties e o conhecidíssimo Femme Fatale. Uma voz profunda, grave, quase intemporal, interpreta os temas mais calmos do disco, mas nem por isso menos imprevisíveis. Lou Reed é o responsável pelos restantes temas cantados. No domínio dos estupefacientes destacam-se I’m waiting for the man, sobre a ansiedade de um drogado à espera do passador, e Heroin, um relato musicalmente hipnótico sobre a utilização da droga. A infame Venus in furs é sobre cabedal e sado-masoquismo e Black angel’s death song sobre ocultismo. A obra termina com o estranhíssimo European Son, uma hino psicadélico com um registo próximo dos 8 minutos.

A banda quebra todas as barreiras temáticas (drogas, homossexualidade, travestismo, sado-masoquismo) e faz com os instrumentos coisas que nunca ninguém se tinha atrevido a fazer. A viola-d’arco de John Cale é tocada de forma distorcida, hipnótica e, por vezes, a aproximar-se da cacofonia. Aparece aqui a primeira utilização sistemática de drones no domínio da música rock. A capa é da autoria de Andy Warhol, que acumula a responsabilidade da produção do disco.

sexta-feira, março 30, 2007

1. Disintegration (1989) - The Cure

Este é o primeiro de vinte posts sobre os discos da minha vida. Iniciei a publicação de alguns destes textos no Angústias de um Professor, mas nunca cheguei a termina-la por falta de tempo e vontade. Renovo agora a intenção de escrever sobre os 20 discos de música pop/rock/alternativa que mais me marcaram e que melhor representam a minha extensa colecção. A ordem de publicação dos posts é arbitrária, mas os posts encontram-se numerados para facilitar a organização. Sempre que possível incluirei música a acompanhar o post.
Desde a longa entrada instrumental de Plain Song que se percebia que Disintegration (1989) dos The Cure não ia ser um disco igual aos outros. Inebriante, hipnótica e orquestral, a música em Disintegration é única e o culminar apoteótico de uma década cheia de equívocos e contrastes na música pop-rock - a década de oitenta.
Um belo dia, tinha eu 18 anos, ouvi este disco pela primeira vez. Robert Smith canta o Amor na sua vertente mais triste: a saudade, o arrependimento, a depressão, o amor não correspondido, o ciúme e o sentimento de posse. Muito pouco é optimismo em Disintegration e, no entanto... tem tanto para oferecer. Nunca mais fui o mesmo. A minha inocência sofreu um rude golpe, perante o realismo da separação, do sofrimento, do abandono e da solidão revelados pela poesia de Robert Smith.
Musicalmente, a utilização dos teclados é subtil, de modo a criar uma atmosfera melancólica, um textura densa, quase irrespirável. A música vale como um todo, sem espaço para demonstrações de virtuosismo individual dos elementos da banda, o que constitui um ponto forte deste álbum, e faz com que as letras extremamente pessoais e, paradoxalmente, universais, sejam realçadas na voz melancólica, agastada, revoltada, de Robert Smith.
São mais de 70 minutos de música, incluindo dois verdadeiros épicos (The Same Deep Water As You Are e Disintegration, tema-título). Embora o álbum tenha ficado conhecido pelos seus temas mais comerciais (Pictures of You, Lullaby e Love Song), as verdadeiras pérolas são Plain Song, Closedown, Prayers For Rain e o já referido Disintegration.
Não há muitos discos que ainda coloco no leitor de cds com o mesmo prazer que colocava nas primeiras audições. Disintegration é um deles. Há momentos importantes da minha vida vividos ao som destas músicas e que são delas inseparáveis. Tal só foi possível devido a uma coincidência espantosa de música, letra e vida. Disintegration é vida! A separação cantada de uma maneira dolorosa, como quase todas as separações o são.
Closedown
"I'm running out of time
I'm out of step and
Closing down and
Never sleep for wanting hours
The empty hours of greed
And uselessly
Always the need
To feel again the real belief
Of something more than mockery
If only I could
Fill my heart with love"
Publiquei este texto originalmente aqui.

quinta-feira, março 29, 2007

Paternidade: a doce ironia do destino

O nome deste blog é Um Piano na Floresta. Não deixa de ser irónico que, a partir de hoje, a única actividade que falta para a minha realização como homem seja plantar uma árvore.

sábado, março 24, 2007

Repulsa (1965) by Roman Polanski

Este foi o filme do fim-de-semana. Um clássico de terror.

Londres. Anos 60. Polanski filma Deneuve. Os pesadelos da puritana Carol (Deneuve) conduzem-na à loucura, numa espiral de comportamentos e reacções cada vez mais bizarras e destituídas de sentido. Em última análise, a realidade imita o pesadelo e Carol acaba por sofrer o abuso dos homens que procura evitar fechando-se no seu apartamento e em si mesma.

O filme começa com aquelas pequenas manias. A escova de dentes de alguém no nosso copo enoja-nos, o toque de um estranho afecta-nos, um olhar mais penetrante incomoda-nos. Mas até as atitudes mais simples do dia-a-dia representam uma dose de loucura latente. Repulsa é sinistro desde o início, mas converte-se numa obra de puro medo à medida que Polanski distorce situações do quotidiano tornando-as aterradoras.

O filme é subliminar em muitos aspectos. A componente freudiana é dominante. Uma racha num passeio aparenta um púbis, a navalha aberta sugere um falo em erecção e até o mais estreito corredor sugere uma vagina. A forma como Polanski dirige é brilhante e invulgar. A câmara filma por trás dos actores, como se estes estivessem constantemente a serem perseguidos, sob ameaça e alvo de voyeurismo, um tema dominante na obra do realizador.

terça-feira, março 13, 2007

Little Annie em Serralves: impressões


Na sua última incarnação, Little Annie apresentou-se ao vivo no Auditório do Museu de Serralves no Porto acompanhada por Paul Wallfisch ao piano. Se a presença em palco e a interacção com o público são pouco convencionais, já os sentimentos presentes nas canções do seu último disco – Songs from the Coal Mine Canary – são extremamente familiares. Nas letras das canções, Little Annie descreve relações turbulentas, pessoas inconstantes e ambientes voláteis, minados pelo álcool e outras dependências físicas e psicológicas. Se os textos são intensamente autobiográficos, e temos todas as razões para pensar que o são, então o espectáculo de palco é uma espécie de catarse que liberta e alivia. A cantora atira-se ao chão, rebola-se, levanta-se e corre, tira os sapatos, elogia a suavidade do chão de madeira, volta a calçar os sapatos e queixa-se dos tacões; é uma montanha russa de emoções. O público vibra e aplaude entusiasticamente entre os temas, mas respeita cada interpretação com um silêncio quase religioso. Trata-se de uma lutadora que utiliza o humor mordaz e o sarcasmo para lidar com os reveses da existência. “This song was written a few husbands ago”, diz ela no início de um tema antigo.


Nos seus longos monólogos em palco, Little Annie explica o contexto em que nasceu o tema seguinte e o estado de alma que presidiu à sua criação. Esses monólogos, que com um público mais atrevido seriam diálogos, constituem um aspecto pouco convencional do espectáculo, e aproximam a intérprete da assistência numa comunhão intensa de sentimentos.

Os momentos altos do concerto foram os temas Good Ship Nasty Queen, Absynthtee-ism e Sit On Down. Destacaram-se ainda Strangelove (que é conhecida entre nós por ser “aquela música do novo anúncio da Levis”) e as excelentes versões de “Private Dancer” (Tina Turner), “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” (U2) e “If You Go Away” (Jacques Brel/Scott Walker). Noventa minutos após o início, o concerto termina, mas Little Annie já deixa saudades...

sexta-feira, março 02, 2007

Annie Anxiety em Serralves

Hoje à noite, a Diva apresenta ao vivo em Serralves o seu mais recente Songs from a Coal Mine Canary. Um concerto que se espera seja memorável.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A Sul de Nenhum Norte

Uma palavra: Bukowski. A primeira vez que se lê é surpreendente, quase chocante. O estilo é fácil, directo e rude. Vou mais longe: é como ler Henri Miller sem aquele sexo todo ou uma versão literária de Feios, Porcos e Maus de Ettore Scola. Dir-se-ia que Charles Bukowski passou demasiado tempo da sua vida a limpar latrinas e a sua obra é parte dos escritos das portas de casa de banho. Mas tal seria injusto, dada a capacidade para descrever, de forma visceral, a vida decadente, a dependência alcoólica e a ausência de valores que atravessam toda a sua obra.

O meu primeiro contacto com Charles Bukowski foi com Correios (Post Office, 1971), no original). Nenhuma obra literária fez mais para arruinar a reputação dos carteiros na América como este pedaço de literatura da sarjeta. Bukowski sublinha todos os preconceitos que temos a respeito dos carteiros: o ódio mortal entre esta classe profissional e a raça canina, a tendência para saltarem para a cama de donas de casa carentes, o desrespeito pela autoridade dos superiores e o tratamento desprezível prestado aos utentes. Tudo isto aparece descrito de forma extremamente colorida nesta novela de ler e chorar por mais. Confesso que, inicialmente, ainda senti alguma piedade pela pobreza moral do carteiro Henri Chinaski, mas todos os pruridos e simpatia desaparecem ao fim de meia centena de páginas de acontecimentos delirantes e quase inenarráveis.

A segunda experiência foi com A Sul de Nenhum Norte (South of No North (1973), no original), mas foi mais recentemente, com Ham On Rye (desconheço se existe tradução portuguesa) que percebi que grande parte da obra de Bukowski gira em torno desse personagem com muito marginal e autobiográfico (Henri Chinaski). Contudo, nesta obra de 1982, o leitor sente alguma simpatia por Chinaski, quase sempre descrito como um pária, um adolescente desprezado socialmente que deseja viver como um eremita (cf. O episódio do gigantesco ataque de acne que dura quase um ano e o isola por completo dos colegas de liceu). Existem vários personagens desprezíveis nesta obra, mas por Chinaski sentimos alguma simpatia, pelo menos enquanto adolescente. Diria que Chinaski é uma espécie de Adrian Mole para adultos, com borbulhas e tudo. Todavia, a adolescência amarga desemboca num adulto alcoólico, beligerante e completamente à deriva.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Death Valley National Park

Já aqui relatei vários momentos da viagem do Verão passado. Deixo-vos agora um ponto alto da viagem: a incursão na California atravessando o Death Valley National Park.
Na minha mente o local era cheio de mistério. Desde que vi pela primeira vez o filme Zabriskie Point de Michelangelo Antonioni que o Vale da Morte faz parte do meu imaginário. Um jovem revolucionário empenha-se até ao limite na contestação à guerra do Vietname, ignorando estrategicamente a incoerência de cometer um assassinato para levar a cabo os seus objectivos pacifistas. O filme tem uma fotografia muito bem conseguida e a música dos Pink Floyd, na sua era mais psicadélica, ajudou a torná-lo inesquecível.
Com alguma persuasão, lá consegui convencer a Ana a alinhar num desvio à nossa rota para uma experiência absolutamente original. Dizer que o Vale da Morte é um local inóspito é pouco, dada a temperatura sufocante (acima dos 45ºC) e a quase total ausência de humidade.
Badwater Basin (226 pés, ou 85,5 metros, abaixo do nível do mar) arrasa com o optimismo de qualquer turista mais entusiasta e constituiu um dos pontos altos, passe a ironia, desta viagem. Sol escaldante, luz natural ofuscante, inexistência de sombra, quase total ausência de água e uma proporção gigantesca de sal tornam o ponto mais baixo do Continente Americano um dos lugares mais desoladores à face da Terra. A abundância de sal gera igualmente inúmeras miragens, convencendo o nosso cérebro da presença de água onde nenhuma existe. O oásis da fotografia seguinte é que não é uma miragem. Trata-se de um hotel de cinco estrelas em Furnace Creek, a sede do Parque Nacional do Vale da Morte e provavelmente o único local do parque em que podemos encontrar algum conforto e alívio da fornalha no exterior.


No Vale da Morte encontramos ainda este local sui generis: o campo de Golfe do Diabo. O sal cristalizado depositado e talhado pelo vento e pela chuva fornece à paisagem este aspecto rugoso em constante alteração. Como nos alterta o aviso: Cuidado! Caminhar no Campo de Golfe do Diabo é muito difícil. Uma queda pode resultar em cortes dolorosos e até em ossos partidos.