quinta-feira, novembro 15, 2007
Josh Rouse ao vivo no Theatro Circo
quarta-feira, novembro 14, 2007
Pérolas da Dark Wave - Clan of Xymox
Os anos 80 viram nascer um estilo musical conhecido como dark wave. No saco cabiam muitas bandas, desde The Cure a Dead Can Dance, mas em comum tinham o preto como cor dominante na música, na poesia e na indumentária. Os Clan of Xymox, nascidos em 1984, são uma banda holandesa desta corrente e já com um conjunto apreciável de obras, das quais se destacam o homónimo Clan of Xymox (1985), Medusa (1987), Hidden Faces (1997) e o mais recente Breaking Point (2006).
Um excelente vídeo filmado em New York (com Torres Gémeas e tudo) e ao vivo na Cidade do México para o tema Stranger, um dos melhores de sempre dos Clan of Xymox. Visualmente muito bom graças aos contrastes do preto-e-branco e musicalmente apresentando a banda no seu auge, Stranger é uma curta metragem arrojada e a fugir ao estilo estafado dos vídeoclips convencionais. Um must!
domingo, novembro 04, 2007
terça-feira, outubro 30, 2007
(...)
sexta-feira, outubro 26, 2007
3. La Valée (1972) - Barbet Schroeder
No que toca a obscuros objectos de desejo, La Valée de Barbet Schroeder é ainda mais difícil de encontrar do que More, o primeiro filme destas crónicas. Desta vez, os hippies de Schroeder viajam até à longínqua e francamente desconhecida Papua Nova Guiné e encontram a mulher de um diplomata francês, Viviane, obcecada pelas penas das exóticas aves-do-paraíso e com demasiado tempo para gastar. À boa maneira francesa, Viviane toma um dos rapazes como amante e, juntamente com os restantes hippies, embarca numa viagem à procura das ditas penas e do vale "obscurecido pelas nuvens" (Obscured by Clouds é o título do álbum dos Pink Floyd que contém a banda sonora deste filme). Ao longo do seu percurso pelo interior da Nova Guiné deparam-se com tribos indígenas que contactam pela primeira vez com a civilização ocidental e com o "homem branco". Ignorando a Papua Nova Guiné enquanto país, senti-me motivado, após a visualização do filme, a procurar mais informação sobre esta nação do sudeste asiático.
O mito do "bom selvagem" é o tema filosófico, mas num ambiente tão excêntrico quanto misterioso, o que fica é a componente quase documental de alguns momentos. Durante largos períodos do filme somos confrontados com um relato quase antropológico da tribo dos Kambouga, sugerindo claramente uma nostalgia do movimento hippie pelo Homem pré-contaminação da civilização ocidental. No entanto, o realismo regressa ao relato quando Olivier, acometido por um momento de lucidez, recorda Viviane que também na tribo há regras de comportamento rígidas, obediência cega ao tabu e exploração laboral e sexual das mulheres, que tornam a vivência muito menos romântica da que é sugerida pelo mito do "bom selvagem".Muito menos directo do que More, La Valée provoca no espectador uma sensação mais reconfortante, talvez pela absoluta serenidade que trespassa toda a obra, demonstrada pela total ausência de violência física ou verbal.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Kimi "Iceman" Raikkonen

Inacreditável! Os dois pilotos da McLaren, Lewis Hamilton e Fernando Alonso, conseguiram o feito impossível de perder o campeonato do mundo de Fórmula 1 na última corrida, quando levavam à partida respectivamente 7 e 2 pontos de avanço para o finlandês Kimi Raikkonen. Fui grande fã, diria quase de forma doentia, do brasileiro Nelson Piquet e, depois disso, o único piloto que me fazia vibrar era Mika Hakkinen. Agora, 7 anos após a última vitória de Hakkinen, o meu favorito vence o campeonato na última corrida, com um ponto de vantagem sobre Lewis Hamilton e Fernando Alonso, na mais emotiva temporada de sempre da Fórmula 1.
Todos os pilotos de Fórmula 1 são narcisistas e, embora Raikkonen não fuja à regra, é um gentleman, sobretudo quando comparado com os outros dois. Raikkonen, conhecido por ser um dos mais azarentos pilotos da modalidade pelas inúmeras desistências inglórias, teve hoje um merecidíssimo dia de sorte!
sexta-feira, outubro 19, 2007
"Encontrei o Fernando em Braga..."
Não é habitual recorrer ao sitemeter para saber quem me visita, mas hoje à noite, durante um momento de tédio na internet (semelhante ao zapping televisivo), descobri que alguém de Aveiro (ou arredores) realizou uma pesquisa no Sapo com a frase: "Encontrei o Fernando em Braga..." O resultado aparecia na página 8 da pesquisa, o que significa que a pessoa até se esforçou...
O meu lado narcisista ficou curioso. Que alguém escreva isto num email a um amigo ainda se percebe, mas o que motivará um internauta a usar esta frase num motor de pesquisa?
Não sei se serei o Fernando que a pessoa encontrou, mas é possível que sim. Para lhe facilitar a tarefa, da próxima vez que tal frase seja usada num motor de pesquisa, esta entrada será o primeiro link a aparecer. Sugiro que deixe um comentário que explique a razão de tão estranha pesquisa...
PS: Por falar em pessoas a quem não falo há muito tempo... Lenita: se leres esta mensagem manda-me um email. O email do Angústias não funciona, perdi o teu e não consegui responder ao teu comentário sobre baby-sitting.
quinta-feira, outubro 11, 2007
2. The Grandmother (1970) - David Lynch

Antes de Eraserhead (1977), houve The Grandmother, uma curta metragem em que David Lynch experimenta pela primeira vez com as temáticas que apareceriam de modo mais consolidado em Eraserhead.
O filme combina animação com acção real e retrata um rapazinho incontinente que é tratado com desprezo e violência pelos pais e planta uma semente na sua cama a partir da qual se desenvolve um útero que, eventualmente, dá à luz uma mulher: a avó do título do filme. Em contraste com a relação com os pais, o rapaz recebe carinho, atenção e compreensão da avó, que nasce, literalmente, para dar amor à criança.
O ambiente é sinistro, marcado pelo constraste entre a pele muito branca das personagens e o fundo escuro no qual se movem. Em termos substantivos, trata-se de uma sucessão de metáforas sobre o nascimento, a sexualidade e a morte, filmadas de modo bizarro e grotesco e sem qualquer diálogo. Apenas música, ruídos, grunhidos, assobios e outros sons incompreensíveis que, apesar disso, constituem um notável esforço amador no domínio da sonoplastia e contribuem para tornar o filme mais inteligível.
Há momentos desconcertantes para o cinéfilo que espera uma trama linear e escorreita. É certo que talvez não se deva esperar isso de Lynch, pelo menos de um Lynch tão jovem, mas ainda assim The Grandmother tem um argumento suficientemente compreensível para merecer o estatuto de filme de culto e intrigar os mais curiosos sobre este marco do cinema marginal.
sábado, outubro 06, 2007
Então agora já não dão 100?
A selecção profissional da Nova Zelândia, que resolveu humilhar a selecção amadora de Portugal com um desnecessário 108-13 na Taça do Mundo de Rugby, acaba de ser eliminada nos quartos-de-final da competição ao perder por 20-18 com a França.
Não posso negar que senti uma certa justiça poética no ar...
sexta-feira, outubro 05, 2007
1. More (1969) - Barbet Schroeder
O primeiro filme do realizador franco-alemão Barbet Schroeder retrata a descida ao abismo de um jovem alemão que se apaixona por uma americana com vasta experiência no mundo da droga. Stefan viaja à boleia para Paris, onde conhece Estelle Miller que o convence a passar o Verão consigo em Ibiza. Aqui, na pequena ilha de Formentera onde todos se conhecem, Stefan experimenta vários tipos de drogas, partindo dos inocentes charros, para as anfetaminas, passando pelo LSD e acabando dependente do cavalo (heroína).O filme surge na ressaca do movimento hippie, do flower power e do Verão do Amor, assumindo uma surpreendente postura crítica do consumo de drogas. O argumento é simples, quase diria amadoresco, e os actores têm desempenhos relativamente fracos, ainda que Mimsy Farmer (Estelle) vista, de forma convincente, a pele de anjo negro. Um dos principais méritos do filme reside na forma como trata o tema da toxicodependência, em contracorrente com o optimismo prevalecente durante grande parte dos anos 60. Nesse sentido, pode ser considerado um percursor, fraco, é certo, de Trainspotting, ou de relatos como os de Christiane F. ou Sid & Nancy.
A banda sonora foi composta integralmente pelos Pink Floyd e constitui outro ponto alto do filme. A música alterna longas sequências psicadélicas (Quicksilver) com interlúdios que contextualizam a acção (Party Sequence ou A Spanish Piece) Os temas mais marcantes são Cirrus Minor, Crying Song e Cymbaline (com voz de Roger Waters e não de David Gilmour, como acontece no álbum original). A paisagem sonora é acompanhada por uma excelente fotografia das paisagens sublimes de Ibiza (pôr-do-sol, mar, falésias, etc.). Não fosse o tema sério, tratado de forma realista, quase diria que se trata de um óptimo filme de Verão, mas provavelmente o contraste entre a vitalidade da paisagem e a decadência das personagens não é casual.
PS: Não deixa de ser curioso o facto de, tanto no cinema como na vida real, os relatos de casais de toxicodependentes atribuírem à mulher o papel de víbora (Sid Vicious & Nancy Spungen, Kurt Cobain & Courtney Love, Estelle & Stefan em More).
segunda-feira, outubro 01, 2007
A Hora da Siesta
Fiquei horrorizado com o facto de os espanhóis terem obrigado todos os conferencistas a painéis/sessões paralelas entre as 12 e as 14 horas, o que em alguns casos adiou o almoço para lá das 14:30. Este hábito cultural resultou na "fúria" de muitos participantes, menos habituados à hora da "siesta".
A ideia politicamente correcta de que não se pode ofender as tradições do país organizador pareceu-me totalmente descabida e ineficiente, não só porque os espanhóis eram uma minoria, mas sobretudo em termos de rendimento intelectual dos participantes durante o painel às ditas horas. Incomodado, sussurrava-me um vizinho britânico: "Acabem lá com as perguntas e vamos mas é almoçar!"
sábado, setembro 29, 2007
Os meus favoritos do Thyssen-Bornemisza
The Madonna of the Village (1936-1942) - Marc ChagallEste encheu-me as medidas. Na minha subjectiva e modesta opinião é o quadro mais marcante da exibição permanente. O surrealismo na sua vertente mais meiga e onírica: um anjo a tocar trombeta, uma vaca a tocar violino nos céus e uma virgem a pairar sobre a aldeia... Absolutamente maravilhoso.
terça-feira, setembro 25, 2007
domingo, setembro 16, 2007
" Eu era como lixo que atraía moscas, em vez de uma flor desejada por borboletas e abelhas." Charles Bukowski in Ham on Rye (1982)

Uma palavra: Bukowski. A primeira vez que se lê é surpreendente, quase chocante. O estilo é fácil, directo e rude. Vou mais longe: é como ler Henri Miller sem aquele sexo todo ou uma versão literária de Feios, Porcos e Maus de Ettore Scola. Dir-se-ia que Charles Bukowski passou demasiado tempo da sua vida a limpar latrinas e a sua obra é parte dos escritos das portas de casa de banho. Mas tal seria injusto, dada a capacidade para descrever, de forma visceral, a vida decadente, a dependência alcoólica e a ausência de valores que atravessam toda a sua obra.
O meu primeiro contacto com Charles Bukowski foi com Correios (Post Office, 1971). Nenhuma obra literária fez mais para arruinar a reputação dos carteiros na América do que este pedaço de literatura da sarjeta. Bukowski sublinha todos os preconceitos que temos a respeito dos carteiros: o ódio mortal entre esta classe profissional e a raça canina, a tendência para saltarem para a cama de donas de casa carentes, o desrespeito pela autoridade dos superiores e o tratamento desprezível prestado aos e pelos utentes. Tudo isto aparece descrito de forma extremamente colorida nesta novela de ler e chorar por mais. Confesso que, inicialmente, ainda senti alguma piedade pela pobreza moral do carteiro Henri Chinaski, mas todos os pruridos e simpatia desaparecem ao fim de meia centena de páginas de acontecimentos delirantes e quase inenarráveis.
A segunda experiência foi com A Sul de Nenhum Norte (South of No North, 1973), no original), mas foi mais recentemente, com Ham On Rye (1982) que percebi que grande parte da obra de Bukowski gira em torno desse personagem com muito de marginal e autobiográfico (Henri Chinaski). Contudo, nesta obra de 1982, o leitor sente alguma simpatia por Chinaski, quase sempre descrito como um pária, um adolescente desprezado socialmente que deseja viver como um eremita (cf. O episódio do gigantesco ataque de acne que dura quase um ano e o isola por completo dos colegas de liceu). Existem vários personagens desprezíveis nesta obra, mas por Chinaski sentimos alguma simpatia, pelo menos enquanto adolescente. Diria que Chinaski é uma espécie de Adrian Mole para adultos, com borbulhas e tudo. Todavia, a adolescência amarga desemboca num adulto alcoólico, beligerante e completamente sem rumo.
Agora, na minha estadia em Chicago, aproveitei para adquirir Factotum (1975) e Hot Water Music (1983). O mesmo estilo delirante, a mesma decadência das personagens e uma descrição politicamente incorrecta de sexo com uma prostituta de fazer rir até às lágrimas. O conhecido Matt Dillon interpreta Henri Chinaski na versão para cinema de Factotum (2005), contracenando com Lili Taylor, Marisa Tomei, Fisher Stevens e Karen Young.
terça-feira, agosto 28, 2007
A caminho de Chicago
Num olhar atento pelo programa da conferência constato que sou o único português a viver em Portugal a participar. Encontram-se inscritos um par de portugueses, doutorandos do Instituto Europeu Universitário de Florença, mas fora isso... um deserto! Não admira, por isso, que já tenha ouvido, em conferências internacionais, o comentário "mas... não sabia que havia cientistas políticos em Portugal?!".
Ironicamente, sendo doutorado em Administração e Políticas Públicas, não me considero exactamente um "cientista político", ainda que a minha área de investigação seja "filha da Ciência Política".
Os interessados no tema do artigo a apresentar podem ler aqui o resumo e os detalhes em Inglês.
Como podem constatar pela foto da minha última estadia em Chicago cheguei de carro ao fantástico Museu de Arte Contemporânea.

sábado, agosto 25, 2007
sexta-feira, agosto 24, 2007
domingo, agosto 19, 2007
Empreendedorismo
A revista iniciou-se como um projecto ligado às áreas da Gestão, da Estratégia e do Marketing, mas evoluiu para um conjunto mais vasto de temas, incluindo agora também a arquitectura, a literatura, a música, entre muitos outros assuntos.
A divulgação da revista por via digital favorece a comunicação entre os portugueses dos 5 continentes, o que constitui, na opinião do Vasco, com a qual concordo plenamente, um dos seus maiores méritos. A última edição da Rede 2020 está disponível aqui.
O blog Empreender é um projecto editorial associado à Rede 2020.
sexta-feira, agosto 17, 2007
Green is the Colour
Uma crítica ao filme More realizado por Barbet Schroeder foi publicada por mim no Angústias de um Professor. Um dos temas da banda sonora dos Pink Floyd - Green is the Colour - toca ali ao lado...

