1. Neon Bible - Arcade Fire 2. Release the Stars - Rufus Wainwright 3. Ezra Moon - Autumn Shade 4. Armchair Apocrypha - Andrew Bird 5. Kurr - Amiina 6. We Are Him - Angels of Light 7. Volta - Björk 8. Cassadaga - Bright Eyes9. Person Pitch - Panda Bear 10. North Star Deserter - Vic Chesnutt Menções Honrosas: Ghost Will Come and Kiss Our Eyes - Hrsta Ongiara - Great Lake Swimmers Palo Santo - Shearwater You, You're a History in Rust - Do Make Say Think 23 - Blonde Redhead
Uma amplitude vocal inacreditável, uma atitude de desafio e música pop electrizante levaram à glória Billy Mackenzie e Alan Rankine, a banda que ficou mundialmente conhecida como The Associates. Nasceram em 1979, mas o reconhecimento só chegou em 1982 com o álbum Sulk, uma obra-prima da música pop, admirada por nomes tão diferentes quanto Marc Almond ou Siouxsie Sioux.
Billy Mackenzie cantava com uma intensidade rara, oscilando entre falsettos quase impossíveis nuns momentos e uma voz quase cavernosa noutros. White Car in Germany demonstra estes extremos. Noutro contexto seria apenas mais um exemplo de música euro-trash, tipo Modern Talking ou Bananarama, mas na voz de Billy, naquela voz que parece vinda do além, transforma-se numa peça de música pop sinistra, se é que o rótulo faz sentido...
Na sua fase mais extravagante, os Associates praticavam um pop melódico e energético, com rumores rampantes de falsettos movidos a hélio. Tudo a contribuir para a projecção de Billy até à eternidade. Em termos de letras e música, existem curiosas semelhanças com António Variações, mas já em termos visuais foi em Marco Paulo que pensei. Vejam 18 Carat Love Affair para avaliarem o "Marco Variações" escocês...
Os Associates dissociaram-se em 1984 e Billy segui uma carreira a solo com sucesso intermitente durante a década seguinte.
Billy Mackenzie cometeu suícidio por overdose em 1996.
Eu sei que os Supertramp são uma banda pirosa e que a voz aguda de Roger Hodgson é detestável para muita gente. Mas recentemente apeteceu-me recordar os meus 18 anos e o primeiro contacto com a banda. A entrada memorável de "School", o dramatismo de "Crime of the Century" e o chilrear de passarinhos em "Even in the Quietest Moments" transportam-me para uma altura em que, para além de feliz, era inocente. Inocente por acreditar na bondade das pessoas, na simplicidade da vida, na evidência das decisões a tomar. Acho que perdi essa inocência quando saí de casa aos mesmíssimos 18 anos. Ou melhor, quando mudei de cidade (Gaia por Braga).
Há alguns dias atrás, o Luís falava de provincianismo. O provincianismo tem vantagens quando observado sob o ponto de vista da inocência. Impede a confrontação dos nossos medos e das nossas insuficiências, poupa-nos a tarefa árdua das escolhas e, em última análise, torna a nossa vida mais segura. Mais segura, mas muito menos interessante.
Ouvir A Soap Box Opera, na sua plenitude orquestral, lembrou-me como pode ser importante olharmos as nossas raízes e rever o percurso que fizemos. Dezoito anos depois, quase todas as premissas foram abandonadas ou reequacionadas. Perguntar-me se ainda reconheço quem era, é demasiado complexo para responder e provavelmente irrelevante para quem só contempla o futuro como opção.
"A Soap Box Opera" performed by Supertramp
PS: O meu agradecimento ao Pedro pela sugestão do título do post
Hoje à noite, a partir das 23 horas, eu, ele e ela, numa estranha associação bloguista, vamos prestar culto a um dos melhores "cantautores" da nova geração de músicos americanos.
Facto número 1: Hugo Chavez foi eleito Presidente da Venezuela em eleições livres.
Argumento utilizado, implícita ou explicitamente, pelos comentadores políticos e bloggers com base no facto número 1: Como Chavez foi eleito não é ditador.
Facto número 2: Hitler também venceu eleições com o Partido Nazi e chegou ao poder por meios democráticos.
Corolário: Ganhar eleições democráticas é irrelevante para julgar um político como potencial ditador. O tempo no poder e sobretudo os expedientes e artimanhas utilizados para a manutenção desse mesmo poder são indicadores muito mais fidedignos.
Os anos 80 viram nascer um estilo musical conhecido como dark wave. No saco cabiam muitas bandas, desde The Cure a Dead Can Dance, mas em comum tinham o preto como cor dominante na música, na poesia e na indumentária. Os Clan of Xymox, nascidos em 1984, são uma banda holandesa desta corrente e já com um conjunto apreciável de obras, das quais se destacam o homónimo Clan of Xymox (1985), Medusa (1987), Hidden Faces (1997) e o mais recente Breaking Point (2006).
Um excelente vídeo filmado em New York (com Torres Gémeas e tudo) e ao vivo na Cidade do México para o tema Stranger, um dos melhores de sempre dos Clan of Xymox. Visualmente muito bom graças aos contrastes do preto-e-branco e musicalmente apresentando a banda no seu auge, Stranger é uma curta metragem arrojada e a fugir ao estilo estafado dos vídeoclips convencionais. Um must!
No que toca a obscuros objectos de desejo, La Valée de Barbet Schroeder é ainda mais difícil de encontrar do que More, o primeiro filme destas crónicas. Desta vez, os hippies de Schroeder viajam até à longínqua e francamente desconhecida Papua Nova Guiné e encontram a mulher de um diplomata francês, Viviane, obcecada pelas penas das exóticas aves-do-paraíso e com demasiado tempo para gastar. À boa maneira francesa, Viviane toma um dos rapazes como amante e, juntamente com os restantes hippies, embarca numa viagem à procura das ditas penas e do vale "obscurecido pelas nuvens" (Obscured by Clouds é o título do álbum dos Pink Floyd que contém a banda sonora deste filme). Ao longo do seu percurso pelo interior da Nova Guiné deparam-se com tribos indígenas que contactam pela primeira vez com a civilização ocidental e com o "homem branco". Ignorando a Papua Nova Guiné enquanto país, senti-me motivado, após a visualização do filme, a procurar mais informação sobre esta nação do sudeste asiático. O mito do "bom selvagem" é o tema filosófico, mas num ambiente tão excêntrico quanto misterioso, o que fica é a componente quase documental de alguns momentos. Durante largos períodos do filme somos confrontados com um relato quase antropológico da tribo dos Kambouga, sugerindo claramente uma nostalgia do movimento hippie pelo Homem pré-contaminação da civilização ocidental. No entanto, o realismo regressa ao relato quando Olivier, acometido por um momento de lucidez, recorda Viviane que também na tribo há regras de comportamento rígidas, obediência cega ao tabu e exploração laboral e sexual das mulheres, que tornam a vivência muito menos romântica da que é sugerida pelo mito do "bom selvagem". Muito menos directo do que More, La Valée provoca no espectador uma sensação mais reconfortante, talvez pela absoluta serenidade que trespassa toda a obra, demonstrada pela total ausência de violência física ou verbal.
Inacreditável! Os dois pilotos da McLaren, Lewis Hamilton e Fernando Alonso, conseguiram o feito impossível de perder o campeonato do mundo de Fórmula 1 na última corrida, quando levavam à partida respectivamente 7 e 2 pontos de avanço para o finlandês Kimi Raikkonen. Fui grande fã, diria quase de forma doentia, do brasileiro Nelson Piquet e, depois disso, o único piloto que me fazia vibrar era Mika Hakkinen. Agora, 7 anos após a última vitória de Hakkinen, o meu favorito vence o campeonato na última corrida, com um ponto de vantagem sobre Lewis Hamilton e Fernando Alonso, na mais emotiva temporada de sempre da Fórmula 1.
Todos os pilotos de Fórmula 1 são narcisistas e, embora Raikkonen não fuja à regra, é um gentleman, sobretudo quando comparado com os outros dois. Raikkonen, conhecido por ser um dos mais azarentos pilotos da modalidade pelas inúmeras desistências inglórias, teve hoje um merecidíssimo dia de sorte!
Este é um post cretino... Não o levem muito a sério. Estou cansado e sem inspiração para mais.
Não é habitual recorrer ao sitemeter para saber quem me visita, mas hoje à noite, durante um momento de tédio na internet (semelhante ao zapping televisivo), descobri que alguém de Aveiro (ou arredores) realizou uma pesquisa no Sapo com a frase: "Encontrei o Fernando em Braga..." O resultado aparecia na página 8 da pesquisa, o que significa que a pessoa até se esforçou...
O meu lado narcisista ficou curioso. Que alguém escreva isto num email a um amigo ainda se percebe, mas o que motivará um internauta a usar esta frase num motor de pesquisa?
Não sei se serei o Fernando que a pessoa encontrou, mas é possível que sim. Para lhe facilitar a tarefa, da próxima vez que tal frase seja usada num motor de pesquisa, esta entrada será o primeiro link a aparecer. Sugiro que deixe um comentário que explique a razão de tão estranha pesquisa...
PS: Por falar em pessoas a quem não falo há muito tempo... Lenita: se leres esta mensagem manda-me um email. O email do Angústias não funciona, perdi o teu e não consegui responder ao teu comentário sobre baby-sitting.
Antes de Eraserhead(1977), houve The Grandmother, uma curta metragem em que David Lynch experimenta pela primeira vez com as temáticas que apareceriam de modo mais consolidado em Eraserhead.
O filme combina animação com acção real e retrata um rapazinho incontinente que é tratado com desprezo e violência pelos pais e planta uma semente na sua cama a partir da qual se desenvolve um útero que, eventualmente, dá à luz uma mulher: a avó do título do filme. Em contraste com a relação com os pais, o rapaz recebe carinho, atenção e compreensão da avó, que nasce, literalmente, para dar amor à criança.
O ambiente é sinistro, marcado pelo constraste entre a pele muito branca das personagens e o fundo escuro no qual se movem. Em termos substantivos, trata-se de uma sucessão de metáforas sobre o nascimento, a sexualidade e a morte, filmadas de modo bizarro e grotesco e sem qualquer diálogo. Apenas música, ruídos, grunhidos, assobios e outros sons incompreensíveis que, apesar disso, constituem um notável esforço amador no domínio da sonoplastia e contribuem para tornar o filme mais inteligível.
Há momentos desconcertantes para o cinéfilo que espera uma trama linear e escorreita. É certo que talvez não se deva esperar isso de Lynch, pelo menos de um Lynch tão jovem, mas ainda assim The Grandmother tem um argumento suficientemente compreensível para merecer o estatuto de filme de culto e intrigar os mais curiosos sobre este marco do cinema marginal.
No futebol americano, sobretudo no futebol universitário, mandam as normas informais de cortesia que, quando uma equipa está a vencer o adversário por mais de 40 ou 50 pontos, coloque os suplentes a jogar e evite resultados humilhantes de tipo 70-0 ou 80-0.
A selecção profissional da Nova Zelândia, que resolveu humilhar a selecção amadora de Portugal com um desnecessário 108-13 na Taça do Mundo de Rugby, acaba de ser eliminada nos quartos-de-final da competição ao perder por 20-18 com a França.
Não posso negar que senti uma certa justiça poética no ar...
O primeiro filme do realizador franco-alemão Barbet Schroeder retrata a descida ao abismo de um jovem alemão que se apaixona por uma americana com vasta experiência no mundo da droga. Stefan viaja à boleia para Paris, onde conhece Estelle Miller que o convence a passar o Verão consigo em Ibiza. Aqui, na pequena ilha de Formentera onde todos se conhecem, Stefan experimenta vários tipos de drogas, partindo dos inocentes charros, para as anfetaminas, passando pelo LSD e acabando dependente do cavalo (heroína).
O filme surge na ressaca do movimento hippie, do flower power e do Verão do Amor, assumindo uma surpreendente postura crítica do consumo de drogas. O argumento é simples, quase diria amadoresco, e os actores têm desempenhos relativamente fracos, ainda que Mimsy Farmer (Estelle) vista, de forma convincente, a pele de anjo negro. Um dos principais méritos do filme reside na forma como trata o tema da toxicodependência, em contracorrente com o optimismo prevalecente durante grande parte dos anos 60. Nesse sentido, pode ser considerado um percursor, fraco, é certo, de Trainspotting, ou de relatos como os de Christiane F. ou Sid & Nancy.
A banda sonora foi composta integralmente pelos Pink Floyd e constitui outro ponto alto do filme. A música alterna longas sequências psicadélicas (Quicksilver) com interlúdios que contextualizam a acção (Party Sequence ou A Spanish Piece) Os temas mais marcantes são Cirrus Minor, Crying Song e Cymbaline (com voz de Roger Waters e não de David Gilmour, como acontece no álbum original). A paisagem sonora é acompanhada por uma excelente fotografia das paisagens sublimes de Ibiza (pôr-do-sol, mar, falésias, etc.). Não fosse o tema sério, tratado de forma realista, quase diria que se trata de um óptimo filme de Verão, mas provavelmente o contraste entre a vitalidade da paisagem e a decadência das personagens não é casual.
PS: Não deixa de ser curioso o facto de, tanto no cinema como na vida real, os relatos de casais de toxicodependentes atribuírem à mulher o papel de víbora (Sid Vicious & Nancy Spungen, Kurt Cobain & Courtney Love, Estelle & Stefan em More).
Entre os dias 19 e 23 de Setembro estive em Madrid para apresentar o artigo "Understanding Intergovernmental Cooperation in a Context of Decentralization: An Empirical Study of Collaboration among Portuguese Municipalities" na conferência do European Group of Public Administration (EGPA).
Fiquei horrorizado com o facto de os espanhóis terem obrigado todos os conferencistas a painéis/sessões paralelas entre as 12 e as 14 horas, o que em alguns casos adiou o almoço para lá das 14:30. Este hábito cultural resultou na "fúria" de muitos participantes, menos habituados à hora da "siesta".
A ideia politicamente correcta de que não se pode ofender as tradições do país organizador pareceu-me totalmente descabida e ineficiente, não só porque os espanhóis eram uma minoria, mas sobretudo em termos de rendimento intelectual dos participantes durante o painel às ditas horas. Incomodado, sussurrava-me um vizinho britânico: "Acabem lá com as perguntas e vamos mas é almoçar!"
The Madonna of the Village (1936-1942) - Marc Chagall
Este encheu-me as medidas. Na minha subjectiva e modesta opinião é o quadro mais marcante da exibição permanente. O surrealismo na sua vertente mais meiga e onírica: um anjo a tocar trombeta, uma vaca a tocar violino nos céus e uma virgem a pairar sobre a aldeia... Absolutamente maravilhoso.