terça-feira, julho 22, 2008

1982. The Sky's Gone Out - Bauhaus

Nunca houve uma banda igual. Muitos tentaram imitá-los, mas sempre com resultados patéticos. Apesar do que muita gente possa afirmar, The Sky's Gone Out é um excelente álbum, de uma banda incapaz de fazer qualquer coisa de mau. Ok, talvez In the Flat Field (1980) e Mask (1981) sejam discos mais coerentes e musicalmente conseguidos, mas The Sky's Gone Out foi o primeiro que ouvi. Por isso mesmo, foi também o mais marcante.

A abertura com Third Uncle, escrita por Brian Eno, debita energia e uma batida invulgarmente pop. Ouvir Spirit na mesma sequência de Rock the Casbah dos The Clash transporta-me para as festas loucas dos meus 17/18 anos, em que tudo era dançável... e possível!

Silent Hedges é Bauhaus em versão ameaçadora e enigmática: "Following the silent hedges / Needing some other kind of madness / Looking into purple eyes / Sadness at the corners / Works of art with a minimum of steel", com Peter Murphy a berrar "Going to hell again... again... again..." A mistura de guitarra acústica, letras sinistras e voz carismática cria o ambiente sonoro original que justifica o epíteto de inimitável.

O disco é igualmente conhecido pelos momentos de experimentalismo arrojado, como em Swing the Heartache, The Three Shadows ou Exquisite Corpse. Não é música comercial. Nada que possa ser ouvido regularmente nas estações de rádio de grande audiência, mas faz as delícias das rádios universitárias, sempre em busca de surpreender novos ouvintes com terrores nocturnos vindos do passado. Os Bauhaus não são apenas uma banda gótica; são A BANDA GÓTICA POR EXCELÊNCIA!

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

domingo, julho 20, 2008

1983. Soul Mining - The The

Para mim não é fácil escrever sobre a New Wave. Nunca fui grande fã de Talking Heads, Police ou Blondie. Dito muito simplesmente, passei directamente do punk dos Clash, Ramones ou Stranglers para o pós-punk de Joy Division, The Cure, Jesus & The Mary Chain, Cocteau Twins e Dead Can Dance. Talvez por essa razão seja difícil explicar o agrado com que, ainda hoje, ouço Soul Mining dos The The (aka Matt Johnson), editado em plena New Wave. Desde o primeiro momento da batida infecciosa de I've Been Waitin' For Tomorrow (All of My Life) se percebe que o primeiro longa duração dos The The é pop para a eternidade.

O próprio conceito de música pop é frequentemente empregue com um cunho pejorativo e preconceituoso, como significando algo que é, na sua essência, transiente. Acontece que, por vezes, há canções de música popular que escapam ao caixote do lixo do esquecimento, sobrevivendo muito para além do prazo de validade apontado. Neste disco há nem mais nem menos do que duas dessas pedras preciosas: This is the Day e Uncertain Smile. Não são apenas canções pop brilhantes; têm o selo da eternidade colocado pelas múltiplas passagens em discotecas celebrando os Anos 80.

O alucinante solo de piano de mais de 3 minutos em Uncertain Smile é obra do conhecidíssimo Jools Holland que, antes de apresentar programas de pop-rock na BBC, mostrava uma veia criativa para além do que o imaginávamos capaz. Ouçam e deliciem-se...

The The - Uncertain Smile

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quarta-feira, julho 16, 2008

1984. The Unforgettable Fire - U2

Lançado em Setembro de 1984, The Unforgettable Fire foi o primeiro disco dos U2 que escutei. Recordo-me que foi no programa da Rádio Comercial TNT - Todos no Top que ouvi a primeira música dos U2, Bad, na sua versão ao vivo incluída no álbum Wide Awake in America. Achei estranhíssimo que uma música com mais de 8 minutos de duração passasse num programa comercial de rádio.

Depois da genialidade de The Joshua Tree ou Achtung Baby, do vanguardismo de Zooropa, da megalomania de Pop e das fraquezas de All That You Can Leave Behind, sabe bem voltar a um disco sem espinhas e sem adornos. The Unforgettable Fire é isso mesmo: um disco simples, directo, cheio de alma irlandesa. Os meus temas preferidos são A Sort of Homecoming, The Unforgettable Fire, Promenade e, claro, o já referido Bad. Enfim, os U2 em versão pré-electrónica e pré-América... para redescobrir.

U2 - Bad


1. A Sort Of Homecoming (5:29)
2. Pride (In The Name Of Love) (3:49)
3. Wire (4:19)
4. The Unforgettable Fire (4:55)
5. Promenade (2:32)
6. 4th Of July (2:15)
7. Bad (6:09)
8. Indian Summer Sky (4:18)
9. Elvis Presley and America (6:22)
10. MLK (2:32)

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

domingo, julho 13, 2008

Festival Marés Vivas

Uma pausa no projecto dos 200 anos de música para recomendar o excelente cartaz do Festival Marés Vivas, a ter lugar no próximo fim-de-semana, na cidade em que nasci e vivi durante 18 anos (Vila Nova de Gaia). O Pedro, meu co-blogger do Sofa Station, vai todas as noites. Eu, só poderei estar presente na primeira, uma espécie de noite para "cotas"...

Uma oportunidade para rever Peter Murphy, de quem não esqueço o fabuloso concerto que deu no Festival do Sudoeste em 2003 e que coincidiu com a apresentação do álbum Dust. Naquele tempo, o vocalista dos Bauhaus optava por uma sonoridade com fortes influências do Médio Oriente e, em particular, da Turquia. Agora, independentemente das influências musicais, vale a pena ouvi-lo pela sua voz carismática. All Night Long, uma das minhas favoritas:

Quanto aos Sisters of Mercy, pensei até que já não existiam. Muito marcados pelos anos 80, imagino que toquem sobretudo os grandes êxitos, como Temple of Love, This Corrosion, More e Lucretia My Reflection.

Sisters of Mercy - Marian

Os outsiders desta primeira noite são os Shout Out Louds, uma banda que a publicidade OPTIMUSou. Tonight I Have to Leave It, uma espécie de pastiche dos The Cure, é a única que conheço:

quinta-feira, julho 10, 2008

1985. Seventh Dream of a Teenage Heaven - Love & Rockets

Os Love and Rockets tocaram na passada sexta-feira na edição do Porto do Super Bock Super Rock. Embora construída sobre a reputação dos Bauhaus, a banda teve coragem de fazer algo substancialmente diferente no seu primeiro disco: Seventh Dream of a Teenage Heaven. Não é que não adore Bauhaus, mas criar uma banda para repetir a mesma fómula não teria resultado. Em lugar disso, as paisagens sonoras dos Love and Rockets aproximam-se mais do rock-'n'-roll convencional, embora sem perderem alguma da aura de mistério que sempre envolveu os Bauhaus. (Nota: o único ponto negativo é a capa do disco. Simplesmente horrorosa!)

As melodias oscilam entre o pop psicadélico (A Private Future) e o rock-'n'-roll contemporâneo à la Jesus and The Mary Chain (The Dog-End of Day Gone By). Apesar de mais acessíveis em termos melódicos, os Love and Rockets mantêm um saudável desprezo pelo mainstream musical. A desconcertante alternância entre tons maiores e menores, como acontece em Haunted When the Minutes Drag ou em A Private Future, contribui para deixar a mente perder-se primeiro para se reencontrar um pouco mais adiante. Alguns temas têm registos próximos dos 8 minutos, o que ajuda a considerá-los "impassáveis" na rádio.

O ambiente sonoro do tema título do álbum - Seventh Dream of a Teenage Heaven - é sinistro, claustrofóbico e circular, exactamente à medida das frustrações da adolescência. Por último, há o inacreditável Saudade, aparentemente inspirado pela mais famosa palavra portuguesa que é impossível de traduzir. A introdução de uma secção de cordas em Saudade é de tal modo surpreendente, que no final do disco dá vontade de voltar ao início e para saborear novamente toda aquela substância musical exótica até ao climax final.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

segunda-feira, julho 07, 2008

1986. Your Funeral... My Trial - Nick Cave & The Bad Seeds

Escrever sobre Nick Cave é uma tarefa difícil. Deixo isso para os profissionais. É um génio com a dimensão de um poeta maldito como Blake ou Baudelaire. Mas escrever duzentas entradas sem dedicar uma a Nick Cave seria quase um sacrilégio, sobretudo para quem, entre originais, ao vivo e bootlegs, tem mais de uma dúzia de cds do génio.

Your Funeral... My Trial é uma escolha óbvia. Devorado pela heroína, obcecado pela morte, ambivalente em relação à religião, Nick Cave é torturado por emoções como qualquer ser humano, mas numa intensidade elevada à infinita potência. Não é o melhor disco de Cave, mas está entre os melhores. Traduz a verdadeira personalidade do génio e ajuda a perceber porque razão os Birthday Party eram demasiado limitativos para a criatividade do seu front-man.

A primeira vez que ouvi The Carny, na actuação ao vivo em Der Himmel über Berlin (1987), fiquei com os cabelos em pé. O longo poema aterrorizador de personagens a caminho do inferno é acompanhado por uma charanga demoníaca, com pinceladas psicadélicas, com tudo bem regado pela voz ameaçadora do Blake do século XX. Tudo o resto é relativo quando comparado com este magnum opus. Os poemas de Jack's Shadow, Hard On For Love e Stranger Than Kindness são momentos igualmente inspirados. Este último foi escrito por Anita Lane, musicado por Blixa Bargeld e é cantado por Nick Cave. O labor destas almas trigémeas dá à luz um tema de beleza excepcional e cariz intemporal, como apenas os gigantes podem gerar.

Sou demasiado imperfeito para escrever sobre um génio. Aliás, é duvidoso que alguém consiga descrever por palavras, aquilo que só pode ser sentido através da combinação adequada de ouvidos apurados, mente em expansão e coração selvagem.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, julho 04, 2008

1987. Kiss Me Kiss Me Kiss Me - The Cure

Comecei a ouvir The Cure aos 16 anos com este álbum. Embora Disintegration seja para mim o ponto mais alto da carreira da banda, foi com Kiss Me Kiss Me Kiss Me que comecei a conhecer e a amar The Cure. Haveria muitos anos, muitos discos e muitos temas para associar The Cure, mas este é o momento decisivo de mudança (para melhor, entenda-se) dos meus gostos musicais. Kiss Me Kiss Me Kiss Me foi lançado como duplo álbum de vinil, sem que isso se notasse na qualidade da música e das letras, o que indicia uma banda inspirada, em plena forma, e sem necessidade de compor música "para encher chouriços".

Para mim, como para tantos adolescentes dessa geração, Just Like Heaven representa o Amor inocente, intenso, repentino, que se ganha num momento e perde inexoravelmente no seguinte. A voz de Robert Smith é apaixonante, a melodia é arrebatada, o poema é perfeito. Sempre que ouço esta canção fico com pele de galinha! Não há meias palavras: Just Like Heaven é uma das melhores canções pop de todos os tempos!

A utilização abundante de sintetizadores, muitas vezes a lembrarem uma secção de cordas, contribui para um som mais preenchido que estava completamente ausente dos primeiros trabalhos originais da banda. Apesar de Just Like Heaven, Catch ou Why Can't I Be You? serem os temas mais conhecidos e assumidamente pop, o duplo-vinil acaba por transpirar uma certa esquizofrenia, incluindo temas na linha do introspectivo e pessimista Pornography como Torture, The Snakepit ou Fight. As relações amorosas são retratadas nas suas mais diversas formas: carnal (All I Want), espiritual (One More Time), sacrificial (Torture) ou surreal (Like Cockatoos).

The Cure - Just Like Heaven


Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quinta-feira, julho 03, 2008

1988. Daydream Nation - Sonic Youth

Os Sonic Youth não eram exactamente novatos quando editaram Daydream Nation, o seu sexto álbum de originais. O trabalho de produção gerou uma sonoridade áspera, muito pouco "limpa", que colocou o disco num patamar único de originalidade, acima de toda a chusma de "bandas de guitarras" que pejavam o contexto musical do final da década de 1980. Muito do que os Nirvana ou os Smashing Pumpkins fizeram no início da década seguinte só pode ser encarado como um tributo a este álbum, como facilmente se percebe na influência que exerceram temas como Silver Rocket, Cross the Breeze ou Total Trash.

As referências a ícones da cultura pop são mais que muitas: Jimi Hendrix, Joni Mitchell, ZZ Top, Dinasour Jr., Andy Warhol, entre muitos outros, exercem uma influência nas letras, na música e até nos títulos das músicas (Hey Joni). A capa é memorável! Um quadro de Gerhard Richter intitulado Kerze (1983) imortaliza o momento: uma vela que não se apaga.

Ainda hoje, Daydream Nation não se "apaga". Teen Age Riot é o tema mais conhecido do álbum, quanto mais não seja porque constitui uma espécie de prólogo para Smells Like Teen Spirit dos Nirvana enquanto hino para uma geração de teenagers americanos. O destinatário da revolta é óbvio: a Reagan-nation de Daydream Nation. Os meus preferidos são Cross the Breeze, Candle e o experimentalíssimo Providence.

Sonic Youth - Teenage Riot


Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

terça-feira, julho 01, 2008

1989. Doolittle - Pixies

Here Comes Your Man e Debaser eram as músicas que toda a gente dançava em 1989. Os Pixies influenciaram uma década e uma geração de músicos e Doolittle fez mais por isso do que qualquer outro álbum. Aqui há um pouco de tudo para todos: new wave (Here Comes Your Man), canções de amor tingidas de surf-pop (La La Love You), punk-rock (Mr. Grieves, Crackity Jones) e proto-grunge (I Bleed, Tame). O estilo musical é inconfundível, mas o género é inqualificável. As letras de Black Francis são estranhas, influenciadas pela Bíblia, pelo surrealismo e por uma drug-induced dementia com resultados excelentes e extravagantes. Nada como ouvir umas amostras para julgar.


The Pixies - Hey


Pixies - Here Comes Your Man


The Pixies - Gouge Away


Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

domingo, junho 29, 2008

1990. Aion - Dead Can Dance

Os Dead Can Dance são frequentemente associados com um estilo musical conhecido como dark wave, que é manifestamente redutor para o alcance e diversidade da música praticada por este duo global: Lisa Gerrard vive na Austrália e Brendan Perry na Irlanda, encontrando-se ocasionalmente para gravar. A combinação da voz celestial e onírica de Lisa com a voz grave e etérea de Brendan, associada a uma grande quantidade de instrumentos acústicos e electrónicos converteu os Dead Can Dance numa das bandas mais amadas em todo o mundo, quer pelos críticos musicais, quer pelo público em geral.

Em Aion (1990), os Dead Can Dance transportam-nos para tempos antigos e música imemorial. Saltarello é uma dança instrumental de um compositor italiano anónimo do século XIV; The Song of Sybil é uma versão de um tema tradicional da Catalunha com raízes no século XVI; e a canção mais intensa é Fortune Presents Gifts Not According to the Book, com poema de Luis de Góngora, poeta e dramaturgo espanhol do final do século XVI conhecido pela corrente literária que gerou: o gongorismo. Toda a sonoridade é mística e misteriosa, com evidentes ligações ao folclore celta, às danças tradicionais italianas, ao canto gregoriano e à música barroca, com paisagens remotas a servirem de inspiração a toda a composição.

A capa do disco é um detalhe do "Jardim das Delícias" de Hieronymus Bosch é a cereja em cima de um bolo muito bem recheado. Outros discos excelentes dos Dead Can Dance são Within the Realm of a Dying Sun (1987), Into the Labyrinth (1993) e Toward the Within (1994).

DEAD CAN DANCE - Saltarello

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, junho 27, 2008

1991. White Light From the Mouth of Infinity - Swans

Na costa oeste dos EUA, vivia-se o ano do grunge. Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e, sobretudo, os Nirvana eram o centro das atenções. Um dos temas mais populares da década, Smell Like Teen Spirit, servia de hino de revolta a uma geração e conduzia os Nirvana a um ponto de não-retorno. Na América, Nevermind é o álbum de uma geração de revoltados contra o establishment do rock decadente dos Def Leppard, Motley Crue, Ratt e Poison. Tal como o punk no seu tempo, o grunge promoveu uma saudável "limpeza étnica" no seio da música popular. Tal como o punk no seu tempo, o grunge acabaria por cometer os mesmos excessos.

Mas na Costa Leste o tempo era de reinvenção. Os Swans de Michael Gira abandonavam uma das suas muitas peles e renasciam com White Light From the Mouth of Infinity. A voz de Gira é grave, profunda, e transpira arrogância. As letras manifestam revolta, egoísmo, desolação, isolamento e morte. A música alterna as melodias suaves com momentos de descarga sonora.

O álbum vale fundamentalmente pelo seu conjunto, pela forma como os temas estão encadeados e pela utilização de um vasto leque de instrumentos, dos quais se destaca a percussão poderosa, que contribui para uma textura musical sufocante. Os temas mais marcantes são, porventura, Love Will Save You, Miracle of Love, e Song For the Sun. O poema de Failure é o mais notável do disco e um dos mais impressionantes relatos do que a obsessão com um sucesso pode fazer para a destruição de um ser humano.

Em 1991 merecem ainda destaque os álbuns:
  • Yerself is Steam - Mercury Rev
  • The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld - The Orb
  • Out of Time - REM
  • Trompe Le Monde - Pixies
  • Loveless - My Bloody Valentine
  • Achtung Baby - U2
  • Island - Current 93
  • On the Way Down From the Moon Palace - Lisa Germano
Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quarta-feira, junho 25, 2008

1992. Thunder Perfect Mind - Current 93

Thunder Perfect Mind é o mais longo disco de originais dos Current 93, com quase 79 minutos de música, e um dos mais consistentes e articulados do início ao fim. É considerada uma obra-prima dentro do pouco divulgado género do folk apocalíptico, termo usado para descrever música à base de guitarra acústica sombria e letras melancólicas e depressivas. Os textos são notoriamente inspirados na poesia de William Blake e a música nos temas folk inglês de Shirley Collins. Embora a guitarra acústica seja predominante, há aspectos muito pouco convencionais neste disco. Os primeiros 30 minutos (9 faixas) são extremamente melódicos, marcados pela guitarra acústica e pela flauta gentilmente tocadas e pela voz do “outro mundo” de David Tibet. Os meus momentos favoritos são In the Heart of the Wood and What I Found There e A Lament For My Suzanne.

Este excelente disco de música folk muda significativamente de sonoridade a partir da faixa número 10, All the Stars are Dead Now. Inesperadamente, é aqui introduzido um sampler de Saint Louis Blues, um original dos anos 20, do swing e das big-bands. Simplesmente desconcertante. Mas nada prepara o ouvinte para o que se segue. Entra um repetitivo riff de guitarra acústica tocado até à náusea e acompanhado por Tibet a recitar um longo poema, de conteúdo largamente obscuro e ininterpretável, mas que, tanto quanto consigo compreender, é uma profecia sobre o apocalipse. O tom sinistro prossegue com Rosy Stars Tears From Heaven e a voz de Tibet, sinistra na faixa anterior, torna-se aqui simplesmente diabólica, ainda que sussuradamente diabólica.

Como a surpresa é, por vezes, a mãe da genialidade, When the May Rain Comes, uma versão de um original dos Sand, é lindíssima. Os instrumentos usados (baixo, flauta e guitarra) produzem uma sonoridade melódica e a interpretação pelo dueto David Tibet e Rose McDowall faz estragos na mais empedernida insensibilidade. Segue-se o tema título, Thunder Perfect Mind, um crescendo musical ameaçador acompanhado pela leitura de textos do livro homónimo.

Depois de 55 minutos de música deslumbrante, faltava um tema épico para atirar tudo o que é convencional pela janela. Hitler as Kalki dura 16 minutos e 28 segundos e é dedicado ao pai de David Tibet, já falecido, que combateu na II Guerra Mundial. O início é influenciado por música tradicional hindu, mas a peça musical transfigura-se lentamente numa espiral eléctrica, levemente tocada pelo minimalismo, com David Tibet a dissertar sobre Hitler e o apocalipse. No texto que acompanha o cd, Tibet explica-nos que algumas pessoas consideram que Hitler foi Kalki, a décima e última incarnação do Deus Hindu Vishnu, que vem num cavalo branco para destruir o cosmos no final de cada ciclo universal. Tibet incita à reflexão e à oração para que a destruição termine e um novo paraíso e uma nova Terra possam surgir.

Para além de ser um disco místico e experimental, Thunder Perfect Mind é também uma obra complexa sob o ponto de vista lírico. Já tentei interpretar muita da poesia contida nesta obra, mas as conclusões são pouco satisfatórias. Os conteúdos genéricos são o apocalipse, o arrependimento, a piedade e a salvação, mas qualquer interpretação imediata dos textos aqui contidos será, muito provavelmente, precipitada.

Ouvir A Sad Sadness Song

A minha crítica ao disco Thunder Perfect Mind apareceu publicada pela primeira vez na Rede 2020, Vol. 3, Nº5

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

segunda-feira, junho 23, 2008

1993. So Tonight That I Might See - Mazzy Star

Este é um daqueles discos que passou despercebido. A sobriedade da capa, a diminuta visibilidade comercial da banda e a atitude algo despojada da música conduziram os Mazzy Star a um quase anonimato, do qual foram salvos pela impressionante voz de Hope Sandoval. A música oscila entre o psicadelismo dos Velvet Underground, a distorção de guitarras dos Jesus & The Mary Chain e o blues-rock dos Doors. Mas o papel da exótica e enigmática vocalista dos Mazzy Star é tão preponderante, que a música quase assume papel secundário sobre o qual desfila a voz de seda de Sandoval.

Fady Into You é quase celestial. Mary of Silence é de uma textura musical densa, a fazer lembrar os Velvet Underground na sua vertente mais negra. Blue Light é uma balada doce e espiritual. Into Dust é a voz lacónica de Hope Sandoval a pregar no deserto sobre uma guitarra dedilhada que impõe uma nostalgia avassaladora. Seria curioso descobrir o que inspira esta banda de culto que, após três discos excelentes, nada editou nos últimos 12 anos. Mas a personalidade esquiva e distante dos seus elementos impede qualquer vislumbrar de luz nesta paisagem sonora crepuscular.

Ouvir Into Dust

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sábado, junho 21, 2008

1994. Dummy - Portishead

Os Portishead são um duo de Bristol, Inglaterra, e representam o apogeu de um género musical que ficou conhecido como trip-hop e que integra igualmente os Massive Attack e Tricky, só para mencionar os mais conhecidos fundadores.

A figura franzina de voz frágil é Beth Gibbons, mas a mensagem transmitida é poderosa. Dummy é um disco que me marca pela capacidade dos músicos em abdicarem da estrutura tradicional de uma "banda pop-rock" e apostarem no sampling, nos loops e no scratch para produzirem uma sonoridade original, associada a temáticas intemporais como o amor, o sonho, a verdade e a vida. Embora o disco tenha sido editado em 1994, foi só entre 1998 e 2001 que o ouvi centenas de vezes, uma por cada tarde que passava na Epitome Coffee House, em Tallahassee, a estudar para o meu doutoramento. Naquele local, caracterizado pela irreverência e inconformismo de um bando de não-alinhados na cultura americana dominante, era habitual ouvir Dead Can Dance, Blues Traveller ou Björk. Os Portishead também faziam parte do lote de escolhas do barista/dj de circunstância.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, junho 20, 2008

1995. Tindersticks II - Tindersticks

O primeiro álbum homónimo dos Tindersticks foi lançado em 1993, tornando-se um sucesso junto da crítica e criando um fenómeno de culto que se propagou rapidamente. Por altura do segundo álbum homónimo, toda a crítica vaticinava o fiasco, segundo o princípio que quando uma banda atinge sucesso de forma fulgurante com o primeiro disco, limita-se a repetir a fórmula de sucesso no segundo. Neste caso, a crítica estava enganada.

Tindersticks II é um disco fenomenal. São 70 minutos de música perfeita, que utiliza luxuosas secções de cordas e combinações de acordes invulgares. Os enigmáticos sussurros de El Diablo en el Ojo, a decadência das relações amorosas em Talk To Me, a promiscuidade em No More Affairs, e o serrote de Vertrauen III proporcionam uma densidade musical única e de elevada intensidade poética e lírica. Juro-vos que, a certa altura, a voz de Stuart Staples a murmurar aquela poesia carregada de fina ironia, é veludo puro para os meus ouvidos.

Depois, há esse furacão chamado My Sister, que já ouvi seguramente mais de um milhar de vezes! Que mente lunática seria capaz de conceber tal peça de poesia? Um esquizofrénico, talvez… E quanta coragem é necessária para assumir 8 minutos e 15 segundos de banda sonora a uma história delirante sobre uma família que atrai todas as tragédias possíveis e imaginárias? Quem se lembraria de combinar baixo, guitarra acústica e bateria, com vibrafone, trombone, violoncelo e serrote? Se nunca ouviram My Sister, não conhecem a combinação perfeita de letra, música e voz. Podem ouvir alguns temas do álbum no site da banda.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sábado, junho 14, 2008

1996. Beautiful Freak - Eels

Para além dos bons momentos que passei a ouvir este álbum, há uma relação afectiva que se estabeleceu com os estranhos personagens de olhos arregalados que perpassam a arte da capa e do interior. A música é de uma ternura comovente, a começar pela suavidade instrumental que acompanha as letras emotivas e atormentadas de Mark Oliver Everett e a acabar nos nomes das canções Beautiful Freak e My Beloved Monster. Esta última é tão amorosa que acabou na banda sonora do filme Shrek. O grande êxito do álbum é Novocaine for the Soul, que podem ouvir aqui. Ali ao lado, toca outro excelente tema aqui mencionado: My Beloved Monster.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, junho 13, 2008

1997. Ladies and Gentlemen We Are Floating In Space - Spiritualized

Variando entre o rock-'n'-roll puro e o rock cósmico de influência Pink Floyd, os Spiritualized de Jason Pierce sempre foram uma anomalia no panorama pop-rock britânico. Criticado pelo uso excessivo de instrumentação sinfónica (um dos álbuns inclui arranjos para uma sinfonia com mais de 100 músicos!), o líder e único membro permanente da banda é um caso raro de genialidade comercialmente reconhecida, com Ladies and Gentlemen We Are Floating In Space a bater os álbuns Ok Computer dos Radiohead e Urban Hymns dos Verve como álbum do ano de 1997 para o New Musical Express.

O título do álbum é retirado do livro de Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia, e a sua aparência exterior e interior aproxima-se de uma caixa de medicamentos, incluindo substância activa, dose recomendada, efeitos secundários e contra-indicações. Ao longo de 70 minutos somos transportados para uma enorme variedade de sons, incluindo canções rock (Electricity e Come Together), temas românticos (I Think I'm in Love e Broken Heart), culminando numa peça épica, inebriante e atonal com 17 minutos de duração (Cop Shoot Cop).

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quinta-feira, junho 12, 2008

1998. F # A # Infinity - Godspeed You Black Emperor!

"The car is on fire/and there is no driver at the wheel". É com esta tirada lynchiana que se inicia o monólogo sinistro do magnífico álbum de estreia dos canadianos Godspeed You Black Emperor! Esqueçam tudo o que já ouviram nas vossas vidas. Este disco desafia todas as convenções musicais e apresenta o apocalipse em versão enigmática. Não existem canções ou temas no sentido canónico do termo e as faixas sucedem-se sem clara separação entre elas.

A produção cola discursos apocalípticos de pregadores de rua com loops intermináveis em Fá sustenido e Lá sustenido; daí o título do disco. O mais extraordinário é que esta obra é muito mais acessível do que aparenta à partida, muito por via dos arranjos orquestrais caracterizados por crescendos grandiosos e explosões sonoras controladas. Para um disco com mais de uma década, ainda é avançado para o nosso tempo, talvez porque o fim do mundo ainda não está próximo... Para ficarem com uma ideia do que é o álbum, podem ouvir (e ver) os primeiros 9 minutos:



Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.
http://sendmedeadflowers.com/music/hungover.mp3

domingo, junho 08, 2008

1999. The Fragile - Nine Inch Nails

The Fragile é o momento mais alto da carreira dos Nine Inch Nails (NIN). É um duplo álbum denso, deprimente e com poucos pontos de luz: "she shines/in a world full of ugliness/she matters/when everything is meaningless". Até por definição, os NIN são uma banda pesada, mas, muitas vezes, a violência da música esconde a qualidade das letras. Em The Fragile, talvez pela maior textura atmosférica da instrumentação, as letras aparecem mais realçadas, permitindo um maior reconhecimento de Trent Reznor enquanto compositor. Os poemas curtos que acompanham quase todos os temas transmitem cinismo, desespero e ausência de esperança. Ouvir The Great Below.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quinta-feira, junho 05, 2008

2000. Felt Mountain - Goldfrapp

A atmosfera etérea é proporcionada pela fusão entre a suavidade da electrónica, a batida do Trip-Hop e a voz de Alison Goldfrapp, plena de sedução. Não sendo um campeão de vendas, marcou o ano 2000 e representa bem a passagem do milénio, com as hesitações constantes entre a segurança do passado e a incerteza do mundo global futuro.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.