Sobre Closer (1980), Miguel Esteves Cardoso escreveu:Dois anos depois, o mesmo Miguel afirmava:
(publicado originalmente em O Jornal, 8 de Abril de 1982)
O suicídio de Ian Curtis, 2 meses antes do lançamento póstumo de Closer, bastaria para eternizar o segundo e último disco de originais da banda, mas o conteúdo marcaria uma geração de músicos, tal como The Velvet Underground & Nico (o famoso álbum da "banana") havia feito nos anos 60. The Cure, Echo & The Bunnymen, Cocteau Twins, Dead Can Dance, The Pixies, e muitos, muitos outros têm uma dívida de gratidão e prestam homenagem aos Joy Division.
É difícil descrever por palavras algo que só pode ser sentido ouvindo a banda. A inacreditável batida hipnótica de Heart and Soul é um prenúncio da Madchester, do Ecstasy e do Apocalipse. The Eternal é o mais próximo que uma banda rock alguma vez esteve de compor uma marcha funébre. Passover é um passaporte (ou uma lente de aumento) para a depressão:
Destroying the balance I'd kept.
Doubting, unsettling and turning around,
Wondering what will come next.
Is this the role that you wanted to live?
I was foolish to ask for so much.
Without the protection and infancy's guard,
It all falls apart at first touch.
A última faixa - Decades - pega no David Bowie de Low (1977) e anuncia a mudança. É o prelúdio da sonoridade que os New Order tão bem iriam explorar durante os anos 80 e um débil assomo de luminosidade num disco mergulhado na escuridão.
- Atrocity Exhibition – 6:06
- Isolation – 2:53
- Passover – 4:46
- Colony – 3:55
- A Means to an End – 4:07
- Heart and Soul – 5:51
- Twenty Four Hours – 4:26
- The Eternal – 6:07
- Decades – 6:10
Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.


















