terça-feira, julho 22, 2008

1982. The Sky's Gone Out - Bauhaus

Nunca houve uma banda igual. Muitos tentaram imitá-los, mas sempre com resultados patéticos. Apesar do que muita gente possa afirmar, The Sky's Gone Out é um excelente álbum, de uma banda incapaz de fazer qualquer coisa de mau. Ok, talvez In the Flat Field (1980) e Mask (1981) sejam discos mais coerentes e musicalmente conseguidos, mas The Sky's Gone Out foi o primeiro que ouvi. Por isso mesmo, foi também o mais marcante.

A abertura com Third Uncle, escrita por Brian Eno, debita energia e uma batida invulgarmente pop. Ouvir Spirit na mesma sequência de Rock the Casbah dos The Clash transporta-me para as festas loucas dos meus 17/18 anos, em que tudo era dançável... e possível!

Silent Hedges é Bauhaus em versão ameaçadora e enigmática: "Following the silent hedges / Needing some other kind of madness / Looking into purple eyes / Sadness at the corners / Works of art with a minimum of steel", com Peter Murphy a berrar "Going to hell again... again... again..." A mistura de guitarra acústica, letras sinistras e voz carismática cria o ambiente sonoro original que justifica o epíteto de inimitável.

O disco é igualmente conhecido pelos momentos de experimentalismo arrojado, como em Swing the Heartache, The Three Shadows ou Exquisite Corpse. Não é música comercial. Nada que possa ser ouvido regularmente nas estações de rádio de grande audiência, mas faz as delícias das rádios universitárias, sempre em busca de surpreender novos ouvintes com terrores nocturnos vindos do passado. Os Bauhaus não são apenas uma banda gótica; são A BANDA GÓTICA POR EXCELÊNCIA!

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

domingo, julho 20, 2008

1983. Soul Mining - The The

Para mim não é fácil escrever sobre a New Wave. Nunca fui grande fã de Talking Heads, Police ou Blondie. Dito muito simplesmente, passei directamente do punk dos Clash, Ramones ou Stranglers para o pós-punk de Joy Division, The Cure, Jesus & The Mary Chain, Cocteau Twins e Dead Can Dance. Talvez por essa razão seja difícil explicar o agrado com que, ainda hoje, ouço Soul Mining dos The The (aka Matt Johnson), editado em plena New Wave. Desde o primeiro momento da batida infecciosa de I've Been Waitin' For Tomorrow (All of My Life) se percebe que o primeiro longa duração dos The The é pop para a eternidade.

O próprio conceito de música pop é frequentemente empregue com um cunho pejorativo e preconceituoso, como significando algo que é, na sua essência, transiente. Acontece que, por vezes, há canções de música popular que escapam ao caixote do lixo do esquecimento, sobrevivendo muito para além do prazo de validade apontado. Neste disco há nem mais nem menos do que duas dessas pedras preciosas: This is the Day e Uncertain Smile. Não são apenas canções pop brilhantes; têm o selo da eternidade colocado pelas múltiplas passagens em discotecas celebrando os Anos 80.

O alucinante solo de piano de mais de 3 minutos em Uncertain Smile é obra do conhecidíssimo Jools Holland que, antes de apresentar programas de pop-rock na BBC, mostrava uma veia criativa para além do que o imaginávamos capaz. Ouçam e deliciem-se...

The The - Uncertain Smile

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quarta-feira, julho 16, 2008

1984. The Unforgettable Fire - U2

Lançado em Setembro de 1984, The Unforgettable Fire foi o primeiro disco dos U2 que escutei. Recordo-me que foi no programa da Rádio Comercial TNT - Todos no Top que ouvi a primeira música dos U2, Bad, na sua versão ao vivo incluída no álbum Wide Awake in America. Achei estranhíssimo que uma música com mais de 8 minutos de duração passasse num programa comercial de rádio.

Depois da genialidade de The Joshua Tree ou Achtung Baby, do vanguardismo de Zooropa, da megalomania de Pop e das fraquezas de All That You Can Leave Behind, sabe bem voltar a um disco sem espinhas e sem adornos. The Unforgettable Fire é isso mesmo: um disco simples, directo, cheio de alma irlandesa. Os meus temas preferidos são A Sort of Homecoming, The Unforgettable Fire, Promenade e, claro, o já referido Bad. Enfim, os U2 em versão pré-electrónica e pré-América... para redescobrir.

U2 - Bad


1. A Sort Of Homecoming (5:29)
2. Pride (In The Name Of Love) (3:49)
3. Wire (4:19)
4. The Unforgettable Fire (4:55)
5. Promenade (2:32)
6. 4th Of July (2:15)
7. Bad (6:09)
8. Indian Summer Sky (4:18)
9. Elvis Presley and America (6:22)
10. MLK (2:32)

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

domingo, julho 13, 2008

Festival Marés Vivas

Uma pausa no projecto dos 200 anos de música para recomendar o excelente cartaz do Festival Marés Vivas, a ter lugar no próximo fim-de-semana, na cidade em que nasci e vivi durante 18 anos (Vila Nova de Gaia). O Pedro, meu co-blogger do Sofa Station, vai todas as noites. Eu, só poderei estar presente na primeira, uma espécie de noite para "cotas"...

Uma oportunidade para rever Peter Murphy, de quem não esqueço o fabuloso concerto que deu no Festival do Sudoeste em 2003 e que coincidiu com a apresentação do álbum Dust. Naquele tempo, o vocalista dos Bauhaus optava por uma sonoridade com fortes influências do Médio Oriente e, em particular, da Turquia. Agora, independentemente das influências musicais, vale a pena ouvi-lo pela sua voz carismática. All Night Long, uma das minhas favoritas:

Quanto aos Sisters of Mercy, pensei até que já não existiam. Muito marcados pelos anos 80, imagino que toquem sobretudo os grandes êxitos, como Temple of Love, This Corrosion, More e Lucretia My Reflection.

Sisters of Mercy - Marian

Os outsiders desta primeira noite são os Shout Out Louds, uma banda que a publicidade OPTIMUSou. Tonight I Have to Leave It, uma espécie de pastiche dos The Cure, é a única que conheço:

quinta-feira, julho 10, 2008

1985. Seventh Dream of a Teenage Heaven - Love & Rockets

Os Love and Rockets tocaram na passada sexta-feira na edição do Porto do Super Bock Super Rock. Embora construída sobre a reputação dos Bauhaus, a banda teve coragem de fazer algo substancialmente diferente no seu primeiro disco: Seventh Dream of a Teenage Heaven. Não é que não adore Bauhaus, mas criar uma banda para repetir a mesma fómula não teria resultado. Em lugar disso, as paisagens sonoras dos Love and Rockets aproximam-se mais do rock-'n'-roll convencional, embora sem perderem alguma da aura de mistério que sempre envolveu os Bauhaus. (Nota: o único ponto negativo é a capa do disco. Simplesmente horrorosa!)

As melodias oscilam entre o pop psicadélico (A Private Future) e o rock-'n'-roll contemporâneo à la Jesus and The Mary Chain (The Dog-End of Day Gone By). Apesar de mais acessíveis em termos melódicos, os Love and Rockets mantêm um saudável desprezo pelo mainstream musical. A desconcertante alternância entre tons maiores e menores, como acontece em Haunted When the Minutes Drag ou em A Private Future, contribui para deixar a mente perder-se primeiro para se reencontrar um pouco mais adiante. Alguns temas têm registos próximos dos 8 minutos, o que ajuda a considerá-los "impassáveis" na rádio.

O ambiente sonoro do tema título do álbum - Seventh Dream of a Teenage Heaven - é sinistro, claustrofóbico e circular, exactamente à medida das frustrações da adolescência. Por último, há o inacreditável Saudade, aparentemente inspirado pela mais famosa palavra portuguesa que é impossível de traduzir. A introdução de uma secção de cordas em Saudade é de tal modo surpreendente, que no final do disco dá vontade de voltar ao início e para saborear novamente toda aquela substância musical exótica até ao climax final.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

segunda-feira, julho 07, 2008

1986. Your Funeral... My Trial - Nick Cave & The Bad Seeds

Escrever sobre Nick Cave é uma tarefa difícil. Deixo isso para os profissionais. É um génio com a dimensão de um poeta maldito como Blake ou Baudelaire. Mas escrever duzentas entradas sem dedicar uma a Nick Cave seria quase um sacrilégio, sobretudo para quem, entre originais, ao vivo e bootlegs, tem mais de uma dúzia de cds do génio.

Your Funeral... My Trial é uma escolha óbvia. Devorado pela heroína, obcecado pela morte, ambivalente em relação à religião, Nick Cave é torturado por emoções como qualquer ser humano, mas numa intensidade elevada à infinita potência. Não é o melhor disco de Cave, mas está entre os melhores. Traduz a verdadeira personalidade do génio e ajuda a perceber porque razão os Birthday Party eram demasiado limitativos para a criatividade do seu front-man.

A primeira vez que ouvi The Carny, na actuação ao vivo em Der Himmel über Berlin (1987), fiquei com os cabelos em pé. O longo poema aterrorizador de personagens a caminho do inferno é acompanhado por uma charanga demoníaca, com pinceladas psicadélicas, com tudo bem regado pela voz ameaçadora do Blake do século XX. Tudo o resto é relativo quando comparado com este magnum opus. Os poemas de Jack's Shadow, Hard On For Love e Stranger Than Kindness são momentos igualmente inspirados. Este último foi escrito por Anita Lane, musicado por Blixa Bargeld e é cantado por Nick Cave. O labor destas almas trigémeas dá à luz um tema de beleza excepcional e cariz intemporal, como apenas os gigantes podem gerar.

Sou demasiado imperfeito para escrever sobre um génio. Aliás, é duvidoso que alguém consiga descrever por palavras, aquilo que só pode ser sentido através da combinação adequada de ouvidos apurados, mente em expansão e coração selvagem.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, julho 04, 2008

1987. Kiss Me Kiss Me Kiss Me - The Cure

Comecei a ouvir The Cure aos 16 anos com este álbum. Embora Disintegration seja para mim o ponto mais alto da carreira da banda, foi com Kiss Me Kiss Me Kiss Me que comecei a conhecer e a amar The Cure. Haveria muitos anos, muitos discos e muitos temas para associar The Cure, mas este é o momento decisivo de mudança (para melhor, entenda-se) dos meus gostos musicais. Kiss Me Kiss Me Kiss Me foi lançado como duplo álbum de vinil, sem que isso se notasse na qualidade da música e das letras, o que indicia uma banda inspirada, em plena forma, e sem necessidade de compor música "para encher chouriços".

Para mim, como para tantos adolescentes dessa geração, Just Like Heaven representa o Amor inocente, intenso, repentino, que se ganha num momento e perde inexoravelmente no seguinte. A voz de Robert Smith é apaixonante, a melodia é arrebatada, o poema é perfeito. Sempre que ouço esta canção fico com pele de galinha! Não há meias palavras: Just Like Heaven é uma das melhores canções pop de todos os tempos!

A utilização abundante de sintetizadores, muitas vezes a lembrarem uma secção de cordas, contribui para um som mais preenchido que estava completamente ausente dos primeiros trabalhos originais da banda. Apesar de Just Like Heaven, Catch ou Why Can't I Be You? serem os temas mais conhecidos e assumidamente pop, o duplo-vinil acaba por transpirar uma certa esquizofrenia, incluindo temas na linha do introspectivo e pessimista Pornography como Torture, The Snakepit ou Fight. As relações amorosas são retratadas nas suas mais diversas formas: carnal (All I Want), espiritual (One More Time), sacrificial (Torture) ou surreal (Like Cockatoos).

The Cure - Just Like Heaven


Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quinta-feira, julho 03, 2008

1988. Daydream Nation - Sonic Youth

Os Sonic Youth não eram exactamente novatos quando editaram Daydream Nation, o seu sexto álbum de originais. O trabalho de produção gerou uma sonoridade áspera, muito pouco "limpa", que colocou o disco num patamar único de originalidade, acima de toda a chusma de "bandas de guitarras" que pejavam o contexto musical do final da década de 1980. Muito do que os Nirvana ou os Smashing Pumpkins fizeram no início da década seguinte só pode ser encarado como um tributo a este álbum, como facilmente se percebe na influência que exerceram temas como Silver Rocket, Cross the Breeze ou Total Trash.

As referências a ícones da cultura pop são mais que muitas: Jimi Hendrix, Joni Mitchell, ZZ Top, Dinasour Jr., Andy Warhol, entre muitos outros, exercem uma influência nas letras, na música e até nos títulos das músicas (Hey Joni). A capa é memorável! Um quadro de Gerhard Richter intitulado Kerze (1983) imortaliza o momento: uma vela que não se apaga.

Ainda hoje, Daydream Nation não se "apaga". Teen Age Riot é o tema mais conhecido do álbum, quanto mais não seja porque constitui uma espécie de prólogo para Smells Like Teen Spirit dos Nirvana enquanto hino para uma geração de teenagers americanos. O destinatário da revolta é óbvio: a Reagan-nation de Daydream Nation. Os meus preferidos são Cross the Breeze, Candle e o experimentalíssimo Providence.

Sonic Youth - Teenage Riot


Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

terça-feira, julho 01, 2008

1989. Doolittle - Pixies

Here Comes Your Man e Debaser eram as músicas que toda a gente dançava em 1989. Os Pixies influenciaram uma década e uma geração de músicos e Doolittle fez mais por isso do que qualquer outro álbum. Aqui há um pouco de tudo para todos: new wave (Here Comes Your Man), canções de amor tingidas de surf-pop (La La Love You), punk-rock (Mr. Grieves, Crackity Jones) e proto-grunge (I Bleed, Tame). O estilo musical é inconfundível, mas o género é inqualificável. As letras de Black Francis são estranhas, influenciadas pela Bíblia, pelo surrealismo e por uma drug-induced dementia com resultados excelentes e extravagantes. Nada como ouvir umas amostras para julgar.


The Pixies - Hey


Pixies - Here Comes Your Man


The Pixies - Gouge Away


Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

domingo, junho 29, 2008

1990. Aion - Dead Can Dance

Os Dead Can Dance são frequentemente associados com um estilo musical conhecido como dark wave, que é manifestamente redutor para o alcance e diversidade da música praticada por este duo global: Lisa Gerrard vive na Austrália e Brendan Perry na Irlanda, encontrando-se ocasionalmente para gravar. A combinação da voz celestial e onírica de Lisa com a voz grave e etérea de Brendan, associada a uma grande quantidade de instrumentos acústicos e electrónicos converteu os Dead Can Dance numa das bandas mais amadas em todo o mundo, quer pelos críticos musicais, quer pelo público em geral.

Em Aion (1990), os Dead Can Dance transportam-nos para tempos antigos e música imemorial. Saltarello é uma dança instrumental de um compositor italiano anónimo do século XIV; The Song of Sybil é uma versão de um tema tradicional da Catalunha com raízes no século XVI; e a canção mais intensa é Fortune Presents Gifts Not According to the Book, com poema de Luis de Góngora, poeta e dramaturgo espanhol do final do século XVI conhecido pela corrente literária que gerou: o gongorismo. Toda a sonoridade é mística e misteriosa, com evidentes ligações ao folclore celta, às danças tradicionais italianas, ao canto gregoriano e à música barroca, com paisagens remotas a servirem de inspiração a toda a composição.

A capa do disco é um detalhe do "Jardim das Delícias" de Hieronymus Bosch é a cereja em cima de um bolo muito bem recheado. Outros discos excelentes dos Dead Can Dance são Within the Realm of a Dying Sun (1987), Into the Labyrinth (1993) e Toward the Within (1994).

DEAD CAN DANCE - Saltarello

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, junho 27, 2008

1991. White Light From the Mouth of Infinity - Swans

Na costa oeste dos EUA, vivia-se o ano do grunge. Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e, sobretudo, os Nirvana eram o centro das atenções. Um dos temas mais populares da década, Smell Like Teen Spirit, servia de hino de revolta a uma geração e conduzia os Nirvana a um ponto de não-retorno. Na América, Nevermind é o álbum de uma geração de revoltados contra o establishment do rock decadente dos Def Leppard, Motley Crue, Ratt e Poison. Tal como o punk no seu tempo, o grunge promoveu uma saudável "limpeza étnica" no seio da música popular. Tal como o punk no seu tempo, o grunge acabaria por cometer os mesmos excessos.

Mas na Costa Leste o tempo era de reinvenção. Os Swans de Michael Gira abandonavam uma das suas muitas peles e renasciam com White Light From the Mouth of Infinity. A voz de Gira é grave, profunda, e transpira arrogância. As letras manifestam revolta, egoísmo, desolação, isolamento e morte. A música alterna as melodias suaves com momentos de descarga sonora.

O álbum vale fundamentalmente pelo seu conjunto, pela forma como os temas estão encadeados e pela utilização de um vasto leque de instrumentos, dos quais se destaca a percussão poderosa, que contribui para uma textura musical sufocante. Os temas mais marcantes são, porventura, Love Will Save You, Miracle of Love, e Song For the Sun. O poema de Failure é o mais notável do disco e um dos mais impressionantes relatos do que a obsessão com um sucesso pode fazer para a destruição de um ser humano.

Em 1991 merecem ainda destaque os álbuns:
  • Yerself is Steam - Mercury Rev
  • The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld - The Orb
  • Out of Time - REM
  • Trompe Le Monde - Pixies
  • Loveless - My Bloody Valentine
  • Achtung Baby - U2
  • Island - Current 93
  • On the Way Down From the Moon Palace - Lisa Germano
Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quarta-feira, junho 25, 2008

1992. Thunder Perfect Mind - Current 93

Thunder Perfect Mind é o mais longo disco de originais dos Current 93, com quase 79 minutos de música, e um dos mais consistentes e articulados do início ao fim. É considerada uma obra-prima dentro do pouco divulgado género do folk apocalíptico, termo usado para descrever música à base de guitarra acústica sombria e letras melancólicas e depressivas. Os textos são notoriamente inspirados na poesia de William Blake e a música nos temas folk inglês de Shirley Collins. Embora a guitarra acústica seja predominante, há aspectos muito pouco convencionais neste disco. Os primeiros 30 minutos (9 faixas) são extremamente melódicos, marcados pela guitarra acústica e pela flauta gentilmente tocadas e pela voz do “outro mundo” de David Tibet. Os meus momentos favoritos são In the Heart of the Wood and What I Found There e A Lament For My Suzanne.

Este excelente disco de música folk muda significativamente de sonoridade a partir da faixa número 10, All the Stars are Dead Now. Inesperadamente, é aqui introduzido um sampler de Saint Louis Blues, um original dos anos 20, do swing e das big-bands. Simplesmente desconcertante. Mas nada prepara o ouvinte para o que se segue. Entra um repetitivo riff de guitarra acústica tocado até à náusea e acompanhado por Tibet a recitar um longo poema, de conteúdo largamente obscuro e ininterpretável, mas que, tanto quanto consigo compreender, é uma profecia sobre o apocalipse. O tom sinistro prossegue com Rosy Stars Tears From Heaven e a voz de Tibet, sinistra na faixa anterior, torna-se aqui simplesmente diabólica, ainda que sussuradamente diabólica.

Como a surpresa é, por vezes, a mãe da genialidade, When the May Rain Comes, uma versão de um original dos Sand, é lindíssima. Os instrumentos usados (baixo, flauta e guitarra) produzem uma sonoridade melódica e a interpretação pelo dueto David Tibet e Rose McDowall faz estragos na mais empedernida insensibilidade. Segue-se o tema título, Thunder Perfect Mind, um crescendo musical ameaçador acompanhado pela leitura de textos do livro homónimo.

Depois de 55 minutos de música deslumbrante, faltava um tema épico para atirar tudo o que é convencional pela janela. Hitler as Kalki dura 16 minutos e 28 segundos e é dedicado ao pai de David Tibet, já falecido, que combateu na II Guerra Mundial. O início é influenciado por música tradicional hindu, mas a peça musical transfigura-se lentamente numa espiral eléctrica, levemente tocada pelo minimalismo, com David Tibet a dissertar sobre Hitler e o apocalipse. No texto que acompanha o cd, Tibet explica-nos que algumas pessoas consideram que Hitler foi Kalki, a décima e última incarnação do Deus Hindu Vishnu, que vem num cavalo branco para destruir o cosmos no final de cada ciclo universal. Tibet incita à reflexão e à oração para que a destruição termine e um novo paraíso e uma nova Terra possam surgir.

Para além de ser um disco místico e experimental, Thunder Perfect Mind é também uma obra complexa sob o ponto de vista lírico. Já tentei interpretar muita da poesia contida nesta obra, mas as conclusões são pouco satisfatórias. Os conteúdos genéricos são o apocalipse, o arrependimento, a piedade e a salvação, mas qualquer interpretação imediata dos textos aqui contidos será, muito provavelmente, precipitada.

Ouvir A Sad Sadness Song

A minha crítica ao disco Thunder Perfect Mind apareceu publicada pela primeira vez na Rede 2020, Vol. 3, Nº5

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

segunda-feira, junho 23, 2008

1993. So Tonight That I Might See - Mazzy Star

Este é um daqueles discos que passou despercebido. A sobriedade da capa, a diminuta visibilidade comercial da banda e a atitude algo despojada da música conduziram os Mazzy Star a um quase anonimato, do qual foram salvos pela impressionante voz de Hope Sandoval. A música oscila entre o psicadelismo dos Velvet Underground, a distorção de guitarras dos Jesus & The Mary Chain e o blues-rock dos Doors. Mas o papel da exótica e enigmática vocalista dos Mazzy Star é tão preponderante, que a música quase assume papel secundário sobre o qual desfila a voz de seda de Sandoval.

Fady Into You é quase celestial. Mary of Silence é de uma textura musical densa, a fazer lembrar os Velvet Underground na sua vertente mais negra. Blue Light é uma balada doce e espiritual. Into Dust é a voz lacónica de Hope Sandoval a pregar no deserto sobre uma guitarra dedilhada que impõe uma nostalgia avassaladora. Seria curioso descobrir o que inspira esta banda de culto que, após três discos excelentes, nada editou nos últimos 12 anos. Mas a personalidade esquiva e distante dos seus elementos impede qualquer vislumbrar de luz nesta paisagem sonora crepuscular.

Ouvir Into Dust

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sábado, junho 21, 2008

1994. Dummy - Portishead

Os Portishead são um duo de Bristol, Inglaterra, e representam o apogeu de um género musical que ficou conhecido como trip-hop e que integra igualmente os Massive Attack e Tricky, só para mencionar os mais conhecidos fundadores.

A figura franzina de voz frágil é Beth Gibbons, mas a mensagem transmitida é poderosa. Dummy é um disco que me marca pela capacidade dos músicos em abdicarem da estrutura tradicional de uma "banda pop-rock" e apostarem no sampling, nos loops e no scratch para produzirem uma sonoridade original, associada a temáticas intemporais como o amor, o sonho, a verdade e a vida. Embora o disco tenha sido editado em 1994, foi só entre 1998 e 2001 que o ouvi centenas de vezes, uma por cada tarde que passava na Epitome Coffee House, em Tallahassee, a estudar para o meu doutoramento. Naquele local, caracterizado pela irreverência e inconformismo de um bando de não-alinhados na cultura americana dominante, era habitual ouvir Dead Can Dance, Blues Traveller ou Björk. Os Portishead também faziam parte do lote de escolhas do barista/dj de circunstância.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, junho 20, 2008

1995. Tindersticks II - Tindersticks

O primeiro álbum homónimo dos Tindersticks foi lançado em 1993, tornando-se um sucesso junto da crítica e criando um fenómeno de culto que se propagou rapidamente. Por altura do segundo álbum homónimo, toda a crítica vaticinava o fiasco, segundo o princípio que quando uma banda atinge sucesso de forma fulgurante com o primeiro disco, limita-se a repetir a fórmula de sucesso no segundo. Neste caso, a crítica estava enganada.

Tindersticks II é um disco fenomenal. São 70 minutos de música perfeita, que utiliza luxuosas secções de cordas e combinações de acordes invulgares. Os enigmáticos sussurros de El Diablo en el Ojo, a decadência das relações amorosas em Talk To Me, a promiscuidade em No More Affairs, e o serrote de Vertrauen III proporcionam uma densidade musical única e de elevada intensidade poética e lírica. Juro-vos que, a certa altura, a voz de Stuart Staples a murmurar aquela poesia carregada de fina ironia, é veludo puro para os meus ouvidos.

Depois, há esse furacão chamado My Sister, que já ouvi seguramente mais de um milhar de vezes! Que mente lunática seria capaz de conceber tal peça de poesia? Um esquizofrénico, talvez… E quanta coragem é necessária para assumir 8 minutos e 15 segundos de banda sonora a uma história delirante sobre uma família que atrai todas as tragédias possíveis e imaginárias? Quem se lembraria de combinar baixo, guitarra acústica e bateria, com vibrafone, trombone, violoncelo e serrote? Se nunca ouviram My Sister, não conhecem a combinação perfeita de letra, música e voz. Podem ouvir alguns temas do álbum no site da banda.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sábado, junho 14, 2008

1996. Beautiful Freak - Eels

Para além dos bons momentos que passei a ouvir este álbum, há uma relação afectiva que se estabeleceu com os estranhos personagens de olhos arregalados que perpassam a arte da capa e do interior. A música é de uma ternura comovente, a começar pela suavidade instrumental que acompanha as letras emotivas e atormentadas de Mark Oliver Everett e a acabar nos nomes das canções Beautiful Freak e My Beloved Monster. Esta última é tão amorosa que acabou na banda sonora do filme Shrek. O grande êxito do álbum é Novocaine for the Soul, que podem ouvir aqui. Ali ao lado, toca outro excelente tema aqui mencionado: My Beloved Monster.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, junho 13, 2008

1997. Ladies and Gentlemen We Are Floating In Space - Spiritualized

Variando entre o rock-'n'-roll puro e o rock cósmico de influência Pink Floyd, os Spiritualized de Jason Pierce sempre foram uma anomalia no panorama pop-rock britânico. Criticado pelo uso excessivo de instrumentação sinfónica (um dos álbuns inclui arranjos para uma sinfonia com mais de 100 músicos!), o líder e único membro permanente da banda é um caso raro de genialidade comercialmente reconhecida, com Ladies and Gentlemen We Are Floating In Space a bater os álbuns Ok Computer dos Radiohead e Urban Hymns dos Verve como álbum do ano de 1997 para o New Musical Express.

O título do álbum é retirado do livro de Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia, e a sua aparência exterior e interior aproxima-se de uma caixa de medicamentos, incluindo substância activa, dose recomendada, efeitos secundários e contra-indicações. Ao longo de 70 minutos somos transportados para uma enorme variedade de sons, incluindo canções rock (Electricity e Come Together), temas românticos (I Think I'm in Love e Broken Heart), culminando numa peça épica, inebriante e atonal com 17 minutos de duração (Cop Shoot Cop).

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quinta-feira, junho 12, 2008

1998. F # A # Infinity - Godspeed You Black Emperor!

"The car is on fire/and there is no driver at the wheel". É com esta tirada lynchiana que se inicia o monólogo sinistro do magnífico álbum de estreia dos canadianos Godspeed You Black Emperor! Esqueçam tudo o que já ouviram nas vossas vidas. Este disco desafia todas as convenções musicais e apresenta o apocalipse em versão enigmática. Não existem canções ou temas no sentido canónico do termo e as faixas sucedem-se sem clara separação entre elas.

A produção cola discursos apocalípticos de pregadores de rua com loops intermináveis em Fá sustenido e Lá sustenido; daí o título do disco. O mais extraordinário é que esta obra é muito mais acessível do que aparenta à partida, muito por via dos arranjos orquestrais caracterizados por crescendos grandiosos e explosões sonoras controladas. Para um disco com mais de uma década, ainda é avançado para o nosso tempo, talvez porque o fim do mundo ainda não está próximo... Para ficarem com uma ideia do que é o álbum, podem ouvir (e ver) os primeiros 9 minutos:



Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.
http://sendmedeadflowers.com/music/hungover.mp3

domingo, junho 08, 2008

1999. The Fragile - Nine Inch Nails

The Fragile é o momento mais alto da carreira dos Nine Inch Nails (NIN). É um duplo álbum denso, deprimente e com poucos pontos de luz: "she shines/in a world full of ugliness/she matters/when everything is meaningless". Até por definição, os NIN são uma banda pesada, mas, muitas vezes, a violência da música esconde a qualidade das letras. Em The Fragile, talvez pela maior textura atmosférica da instrumentação, as letras aparecem mais realçadas, permitindo um maior reconhecimento de Trent Reznor enquanto compositor. Os poemas curtos que acompanham quase todos os temas transmitem cinismo, desespero e ausência de esperança. Ouvir The Great Below.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

quinta-feira, junho 05, 2008

2000. Felt Mountain - Goldfrapp

A atmosfera etérea é proporcionada pela fusão entre a suavidade da electrónica, a batida do Trip-Hop e a voz de Alison Goldfrapp, plena de sedução. Não sendo um campeão de vendas, marcou o ano 2000 e representa bem a passagem do milénio, com as hesitações constantes entre a segurança do passado e a incerteza do mundo global futuro.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

Projecto 200 Anos de Música

A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

sexta-feira, maio 30, 2008

quarta-feira, maio 28, 2008

Coco Rosie: Surrealismo em Palco

É sempre um prazer ser surpreendido. Ontem à noite, no Theatro Circo, Coco Rosie fizeram exactamente isso. A apresentação do 3º álbum, o sucessor de Noah's Ark, com o estranho título "The Adventures of Ghosthorse and Stillborn", foi coroada de sucesso, ainda que se verifique uma ligeira alteração na direcção musical da banda. A música é definida no sítio My Space como "Chinese Pop, Acappella, Drum and Bass", mas estes epítetos são demasiado redutores para tanta diversidade musical. As vozes de Sierra e Bianca oscilam entre o lírico e o "cana rachada", mas sempre de uma doçura comovente.

A combinação de instrumentos é invulgar. Para além dos convencionais piano e guitarra acústica, tudo o resto são formas excêntricas, deliciosamente excêntricas, de fazer música. Uma harpa, um telefone de brinquedo, vários samplers de animais e uma extraordinária "beatbox humana", ou seja, um MC que substitui a caixa de ritmos electrónica. Uma das principais diferenças em palco reside na projecção de filmes surrealistas ao longo de todo o concerto, com uma estética muito semelhante a "The Grandmother", a infâme curta-metragem do início da carreira de David Lynch. O conjunto da instalação - música, poesia e filme - demonstram uma criatividade e uma irreverência apaixonante. Confesso-me rendido.

Aqui fica Tekno Love Song, uma das minhas favoritas:

sexta-feira, maio 02, 2008

Plan 9 - From Outer Space (1959) by Ed Wood Jr.

Todos nós já vimos filmes maus, daqueles em que nos arrependemos profundamente de ter entrado no cinema ou no clube de vídeo. No entanto, poucos assistimos a filmes maus por opção.

Plan 9 - From Outer Space é um filme tão mau, tão mau... que é bom! O narrador do filme oscila entre o kitsch e o creepy. Os discos voadores são pratos de cozinha suspensos por fios (pouco) transparentes. Os mortos vivos, erguidos do túmulo, imitam os movimentos de alguém a mexer-se numa sala completamente às escuras. Os extra-terrestres parecem demasiado... terrestres. Os efeitos sonoros assemelham-se à ventania que assobia nas esquinas dos edifícios. A interpretação de Bela Lugosi é demasiado breve para ultrapassar a deliciosa mediocridade em que o filme decorre.

Plan 9 é uma caldeirada hilariante, servida por aquele que muitos classificaram como o pior realizador de todos os tempos: Edward Wood Jr.

sexta-feira, abril 25, 2008

4. Persona (1966) - Ingmar Bergman


Persona é provavelmente um dos filmes mais "difíceis" que já vi. Para além da surreal sequência de abertura, que mistura uma crucifixão, uma tarântula, um pénis erecto, uma ovelha a ser abatida, excertos de filmes mudos e vários corpos inertes/mortos em camas de hospital, o filme é trespassado por uma aura misteriosa e demencial. Bergman não é um cineasta fácil. Já o sabia. Mas Persona é, de entre os objectos cinematográficos do autor, o mais intrigante.

Elizabeth Vogler (Liv Ullmann), uma actriz que interpreta o papel de Elektra numa peça deixa subitamente de falar e é internada num hospital. Alma (Bibi Andersson) é a enfermeira encarregue de cuidar de Elizabeth, acabando ambas por se instalarem numa casa de praia da directora do hospital. Ao longo do seu contacto, a enfermeira fala com Elizabeth como se ela fosse sua interlocutora e revela-lhe as suas experiência sexuais precoces e um aborto ocorrido na sequência de uma relação com um homem casado, entre outros sentimentos e emoções.

Após meses sem que Elizabeth pronuncie uma palavra, Alma oferece-se para depositar no correio a correspondência pessoal da actriz. Movida pela curiosidade, acaba por ler a carta dirigida à administradora, na qual Elizabeth afirma estudar em detalhe o comportamento da enfermeira. A partir deste momento, a personagem de Alma transfigura-se por completo, passando a expressar o seu ódio e desprezo pela actriz.

O aspecto mais complexo do filme reside no facto de, sobretudo após a leitura da carta, as personalidades de Elizabeth e Alma se confundirem, ao ponto de confundir o espectador sobre quem exerce a actividade profissional e quem é a paciente (um fenómeno designado de transferência em psicanálise). Mais do que isso, uma interpretação alternativa sugere que as duas personagens são uma só pessoa, sendo Elizabeth a pessoa "interior" e Alma a sua versão "exterior" ou "revelada". Várias cenas ao longo do filme contribuem para algum fundamento desta explicação.

Para mais informação e "interpretações alternativas" sobre Persona, aconselha-se a leitura do longo artigo em inglês na Wikipedia.

terça-feira, abril 22, 2008

The Birth of a Nation (1915) - D. W. Griffith

No passado dia 9 de Abril comemoraram-se 143 anos do fim da Guerra Civil Americana, tantos quantos nos separaram, no dia 14 de Abril, do assassinato do Presidente Abraham Lincoln. Foi com alguma dose de coragem que cometi a proeza de ver, sem interrupções, a versão original e integral (duração superior a 3 horas) de “O Nascimento de uma Nação” (The Birth of a Nation) (1915) de Douglas W. Griffith.

O filme encontra-se dividido em duas partes, iniciando-se com o dealbar da Guerra Civil, retratando o assassinato do Presidente Lincoln e culminando com o período da Reconstrução no pós-guerra. A história das famílias Cameron (do Sul) e Stoneman (do Norte) é contada sob a perspectiva da primeira, pelo que o filme está embebido de um racismo quase omnipresente, visível nos textos e nas representações caricatas nos negros, quase sempre associados a comportamento patetas e destituídos de significado racional. Nesse aspecto, o filme é quase obsceno para os dias de hoje, mas não deixa de ser um documento histórico, sobretudo no modo como retrata a visão transmitida pelos brancos colonizadores e pró-esclavagistas no tempo em que a acção decorre e mesmo no momento em que a obra foi realizada.

The Birth of a Nation é igualmente famoso pelo tratamento nobre que dá à Ku Klux Klan, retratando a organização como defensora da ordem e da democracia, contra a anarquia representada pela atribuição do poder aos negros no pós-Guerra Civil. No entanto, esta organização racista e segregacionista viria a ser responsável, ao longo dos seus mais de cem anos de existência, por centenas de episódios criminosos contra os negros do sul dos Estados Unidos.

Os meios utilizados são notáveis: 5000 cenas diferentes, 1357 planos individuais, 18000 actores e figurantes, 3000 cavalos e 7 meses de produção. Para compreenderem quão extraordinários são estes números, lembrem-se que o filme é considerado o primeiro grande épico do cinema mudo e foi realizado apenas três anos após o afundamento do Titanic! As notas da edição realçam igualmente que nenhum outro filme se pode gabar de um esforço tão gigantesco, sobretudo na actualidade, em que os meios digitais dispensam cada vez mais a presença do elemento humano nas cenas mais grandiosas.

Apesar das observações sobre a qualidade dos actores do cinema mudo serem, como é lógico, altamente subjectivas, não posso deixar de destacar a encantadora Lillian Gish. As suas expressões ternas e arrebatadas ainda hoje apaixonam e, correndo o risco de parecer ridículo, sinto-me enfeitiçado pelo seu desempenho. Tanto assim que já adquiri mais um par de filmes em que Lillian Gish é a actriz principal, também estes mudos e a preto-e-branco. O poder dos clássicos!

sábado, abril 05, 2008

Diário Mali (2003)

Não sei como é possível este disco ter-me passado ao lado. Diário Mali é uma colaboração de Ludovico Einaudi, um pianista italiano e do guitarrista Ballaké Sissoko, originário do Mali. Interpretações brilhantes, explorando diversos géneros músicais através do diálogo constante entre a guitarra acústica e o piano, transportam-nos mentalmente para as paisagens africanas dos nossos sonhos e dos nossos filmes predilectos.

Altamente recomendado para amantes, sonhadores e outros exploradores.

domingo, fevereiro 17, 2008

Belo Mundo

Depois de 36 anos de vida e mais de um milhar de filmes, posso afirmar que já não fico impressionado com a maioria dos filmes que vejo. Não tendo sequer especial apreciação por romances históricos, foi com alguma surpresa que constatei que ainda me surpreendo com o trabalho de alguns realizadores.

A história inicia-se em 1607, com a chegada de três embarcações inglesas à costa da Virginia para iniciar a colonização daquela parte do continente americano e na expectativa de descobrir a passagem por ocidente para as Índias Orientais. O grupo de pouco mais de uma centena de colonizadores depara-se imediatamente com doenças e fome que dizimam quase por completo os habitantes do Forte de Jamestown. A relação entre os índios e os colonos é cheia de tensões e incompreensões, mas, apesar disso, é a amizade que se desenvolve entre a Princesa Pocahontas (filha do chefe da Tribo) e o capitão John Smith que permite que os colonos sejam salvos pelos mantimentos fornecidos pelos índios durante o longo e duro Inverno do primeiro ano. O resto do filme incide sobretudo na adaptação de Pocahontas ao modo de vida dos ingleses, bem como o seu casamento e constituição de família com John Rolfe.

O que mais me impressionou no filme foi a fidelidade da recriação histórica. Os índios das tribos Powhatan e Algonquin da Virginia são mesmo representados por descendentes de índios, as suas pinturas, cortes de cabelo e vestes são fiéis às dessas tribos, as embarcações inglesas são verdadeiras (emprestadas por um museu), as armas são reproduções fiéis utilizando os materiais usados naquele tempo, as construções das tendas e do forte obedecem à "tecnologia" da época e a linguagem e os rituais índios reflectem a cultura transmitida por via da tradição oral.

Por tudo isto, o filme é extraordinário, mas há alguns aspectos que o tornam ainda mais belo. A realização de Terrence Malick é prodigiosa. Para além de uma mise-en-scène excelente, a forma cuidada como a câmara é operada, os planos muito demorados, sem pressa de avançar para a cena seguinte, e a fotografia fantástica, tornam o filme um colírio para os olhos e para a alma de quem vê, isto apesar da visão algo negra dos seres humanos que perpassa grande parte da história. Conheço quem tenha achado o filme monótono, mas julgo que essa crítica se deve ao facto de não estarmos habituados a ver filmes comerciais americanos com um tratamento tão cuidado da imagem e da realização.

sábado, fevereiro 02, 2008

Hopper

Se um dia ganhar o Euromilhões, compro um original de Edward Hopper. A representação da luz, a nostalgia de uma América passada e o ambiente misterioso que transmitem os seus quadros... fascinam-me.

Western Motel (1957) by Edward Hopper

sábado, janeiro 26, 2008

O famoso Rach 3

Como podem depreender pelo nome do blogue, o piano é o meu instrumento musical favorito. No contexto da chamada música clássica, o piano tem um conjunto variado de utilizações. Em primeiro lugar, pode ser utilizado individualmente, em sonatas (como em Beethoven, Brahms, Schubert, Prokofiev, etc.), nocturnos (Chopin, Fauré, Poulenc, etc.), prelúdios (Chopin, Rachmaninov) canções sem palavras (Mendelssohn) ou outras peças avulsas (Bartok, Grieg, Sibelius). O piano é também usado em conjunto com outro(s) instrumento(s), como é o caso das sonatas para violino e piano, quintetos (Schubert, Rimsky-Korsakov) ou sextetos (Glinka).

Mas, para mim, a utilização mais magnífica e genial do piano é no contexto dos concertos para piano e orquestra. Quase todos os grandes compositores produziram obras deste tipo, incluindo Beethoven, Tchaikovsky, Brahms, Chopin e Liszt entre os românticos ou Rachmaninov, Shostakovitch, Ravel ou Gershwin entre os pós-românticos.

De todos os concertos para piano e orquestra já compostos, nenhum atingiu a notoriedade do Concerto para Piano e Orquestra Nº3 em Ré menor, Op. 30 de Sergei Rachmaninov. Perdoe-se-me a comparação, mas o estatuto deste concerto assemelha-se a um tema de música rock, tal a controvérsia gerada. Entre os amantes do cinema, a peça é conhecida por ser o célebre tema de "Shine", um filme que conta a história dramática do pianista David Helfgott, um génio autista maltratado pelo pai e cujo grande desafio é interpretar ao piano o dito concerto.

Porém, o principal motivo para o estatuto da peça é o facto de ser considerada "impossível de tocar". Não será exactamente assim, mas digamos que nem todas as interpretações que podem encontrar em cd obedecem à partitura original escrita por Rachmaninoff, em particular pela não inclusão da cadenza Ossia, que nem o próprio compositor-pianista conseguia tocar. Para piorar as coisas, as composições para piano da autoria do compositor russo são conhecidas por exigirem mãos grandes (!), devido à quantidade de teclas abrangidas pelos acordes. Esta exigência coloca um obstáculo imediato às mulheres intérpretes e explica, em parte, as variações relativamente à partitura original. Ainda assim, estão disponíveis no You Tube interpretações brilhantes de Olga Kern e Martha Argerich, provavelmente a melhor pianista de sempre. A polémica é adensada pelo facto de Rachmaninov, ele próprio pianista, ter afirmado que a sua interpretação do tema por si composto estava longe de ser satisfatória, sobretudo após ter ficado maravilhado ao assistir à interpretação de Vladimir Horowitz em 1930.

No You Tube, esta situação dá origem a discussões acaloradas, por vezes a raiar o insulto, sobre quem é o melhor intérprete deste concerto. A coisa é tão doentia que, um internauta mais empenhado disponibilizou 12 interpretações não identificadas do início do 3º andamento, para que os defensores de uma particular interpretação pudessem testar os seus conhecimentos. Demorou mais de um mês para que todas as interpretações fossem correctamente identificadas.

A audição repetida 12 vezes de cerca de um minuto e meio é um pouco obsessiva e pode deixar-vos tontos, mas um ouvido treinado, que assumo não ter, detecta diferenças evidentes entre interpretações: diferenças de ritmo, notas mal dadas (mais frequente do que se pensa), determinação no ataque ao instrumento (um dos pianistas intérpretes é acusado de carniceiro num dos comentários) e, no limite, variação no grau de paixão colocado na interpretação.

Como é pouco provável que vocês queiram fazer o teste, deixo-vos com os links para o You Tube e a lista das 12 interpretações do Rach 3:
1-Alexis Weissenberg
2-Emil Gilels
3-Van Cliburn
4-Vladimir Horowitz
5-Martha Argerich
6-Arcadi Volodos
7-David Helfgott
8-Zoltán Kocsis
9-Vladimir Ashkenazy
10-Andrei Gavrilov
11-Jorge Bolet
12-Bart Berman
De todas as interpretações disponíveis no mercado, sou proprietário de apenas duas: Martha Argerich e André Watts (não está na lista).


sábado, janeiro 19, 2008

Toponímia Floridiana

A toponímia portuguesa é, todos o sabemos, hilariante. Portugal é o único país do mundo em que se pode ir da Pica (Fafe) à Coina (perto de Setúbal) e parar em Venda de Raparigas (próximo de Leiria) para descansar.
Tendo passado anos a lidar com as bases de dados dos municípios da Florida, posso afirmar que não somos assim tão imaginativos. É verdade que os nomes dos lugares americanos sofreram influências muito variadas, nomeadamente dos nativos americanos, dos escravos provenientes de África e dos próprios europeus, que exportaram os nomes das suas cidades para as novas cidades que surgiram na América durante a colonização.
Para além da conhecida Nova Amsterdão (Nova York), podemos encontrar inúmeros exemplos de nomes de cidades que se repetem na Europa e nos Estados Unidos. No estado da Geórgia podemos encontrar as cidades de Rome, Athens, Dublin e Macon. Viajando para o Ohio, no midwest Americano, temos uma amostra mais impressionante: Aberdeen, Amsterdam, Antwerp, Berlin, Bremen, Dresden, Geneva, Genoa, Hanover, Lisbon, London, Madeira, Manchester, Milan, Montpellier, Parma, Sardinia e Toledo. Estes nomes são, pelo menos em parte, resultado da nacionalidade dos colonos que se instalaram nestes locais, mas demonstram alguma falta de imaginação no baptizar dos municípios.
Na Florida, a toponímia é muito mais fascinante para nós ocidentais, em larga medida por influência das tribos de nativos americanos, em particular, Seminoles e Osceola. Essa influência é bem visível em nomes como Apalachicola, Apopka, Chattahoochee, Ocoee, Okeechobee, Opa-Locka, Pahokee, Palatka ou Tallahassee. A influência europeia é menos notada, tendo apenas identificado as localidades de Dover, Dundee, Naples, Oviedo e Venice.
Por último, alguns habitantes da Florida moram em locais tão inspiradores como Anna Maria, Aventura, Bagdad, Boca Raton, Cinco Bayou, Clarcona, Hypoluxo, Kissimmee, Tampa, Pensacola ou Wauchula. Outros municípios têm nomes simplesmente cómicos quando traduzidos: Marathon ("Maratona"), Holiday ("Férias"), Frostproof (literalmente "À prova de gelo"), Fruitland Park ("Parque da Terra das Frutas"), Niceville ("Terra Simpática") e Lazy Lake ("Lago Preguiçoso").
Claro que a minha cidade preferida da Florida é Tavares, apelido de alguém que os leitores bem conhecem.

Vícios

"Many a good man has been put under the bridge by a woman"

Henry Chinaski in Women by Charles Bukowski

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Sofa Station

O Pedro, a Cláudia e eu decidimos formar uma parceria bloguística sob o título Sofa Station. As razões para o nome variam segundo os participantes e só depois de concordarmos no nome é que percebemos os múltiplos significados da palavra "estação" em português.

O Sofa Station é um local de encontro de amigos que raramente se vêem, e por isso escolhem formato blog para trocarem ideias e manterem contacto entre si. Em português, a Estação do Sofá também é como as estações do ano: varia em termos de temperatura, clima e pressão atmosférica.

Para iniciar as hostilidades, escrevi uma entrada sobre a Lei nº37/2007, de 14 de Agosto, mais conhecida como "lei do tabaco". É o meu regresso às opiniões polémicas e temas fracturantes com o post Uma bacalhoada sem fumo, por favor. Já não escrevia assim desde o tempo do meu blog Angústias de um Professor...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Um Piano Erudito

Comecei a ouvir música erudita no berço. Afirmam os meus pais que eu chorava ao ouvir o célebre "Adagio em Sol menor" (ouvir) de Tomaso Albinoni a tocar no gira-discos. Não me lembro disso, é claro; mas recordo os discos de vinil que o meu pai tocava quando eu tinha 7 ou 8 anos. As valsas da família Strauss, as sonatas para piano de Beethoven, os études de Chopin e as aberturas de óperas de Rossini e Wagner. É destas raízes que desponta o meu amor pela música, tanto como ouvinte como coleccionador.

Hoje em dia, a minha colecção conta com três centenas de cds de música erudita, incluindo todos os sub-géneros: barroco, clássico, romântico, pós-romântico e contemporâneo. É difícil identificar os meus compositores favoritos (são tantos!). Destaco dois de cada género: Vivaldi e Bach (período barroco), Mozart e Krommer (período clássico), Beethoven e Wagner (período romântico), Sibelius e Rachmaninoff (período pós-romântico) e Glass e Pärt (período contemporâneo).

Quanto às minhas peças favoritas, a escolha é uma tarefa "mastodôntica", mas aqui fica uma selecção abreviada, por período:

Período Barroco:
Adagio em Sol menor - Tomaso Albinoni (arranjo de Remo Giazotto)
Canon em Ré Maior - Johann Pachelbel (ouvir)

Período Clássico:
Requiem - Wolfgang A. Mozart (ouvir excerto)
Sinfonia nº39 - Wolfgang A. Mozart (ouvir Menuetto-3º andamento)
Concerto para Piano e Orquestra nº 20 em Ré menor K.466 - Wolfgang A. Mozart (ouvir excerto do Allegro-1º andamento)

Período Romântico:
Concerto para Trompete e Orquestra em Mi bemol Maior - Joseph Haydn (ouvir 3º andamento-Allegro)
Concerto para Piano e Orquestra nº 5 em Mi bemol Maior, Op. 73 - Ludwig Van Beethoven (ouvir excerto Rondo. Allegro.-3º andamento)
Sonata Nº 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 nº2 "Moonlight" - Ludwig Van Beethoven (ouvir 3º andamento)
Quinteto em Lá Maior, D. 667 "A Truta" - Franz Schubert (ouvir 4º andamento)
Sheherazade (Suite Sinfónica), Op. 35 - Rimsky-Korsakov (ouvir excerto)
Abertura da ópera William Tell - Giacomo Rossini (ouvir excerto)
Abertura da ópera Tannhäuser - Richard Wagner (ouvir excerto)
A Morte de Siegfried e Marcha Fúnebre (da ópera O Crepúsculo dos Deuses) - Richard Wagner (ouvir)

Período Pós-Romântico:
Concerto para Piano e Orquestra nº 3 em Ré menor, Op. 30 - Sergei Rachmaninoff (ouvir excerto do 1º andamento)
Concerto para Piano e Orquestra nº 3, Sz 119 - Béla Bartók (ouvir Allegretto-1º andamento)
Concerto para Violino e Orquestra em Ré menor, Op. 47 - Jean Sibelius (ouvir Allegro Moderato-1º andamento)
Prelude à l'aprés midi d'un faune - Claude Debussy (ouvir)

Período Contemporâneo:
Sinfonia nº 3, Op.36 "Symphony of Sorrowful Songs" - Henryk Górecki (ouvir 3º andamento)
Spiegel Im Spiegel - Arvo Pärt (ouvir)
Fratres - Arvo Pärt (ouvir)
Different Trains - Steve Reich (ouvir excerto)
Short Ride in a Fast Machine - John Adams (ouvir)
Metamorfoses - Philip Glass (ouvir Metamorfose 2)