terça-feira, dezembro 12, 2006

Las Vegas

(Excalibur by night)

Não sendo um dos hotéis da moda, como o Bellagio, o Excalibur apresenta preços convidativos para a qualidade de serviço prestado. Quem vem a Las Vegas sem uma mentalização prévia apanha o choque da sua vida. A cidade é inebriante, louca, luminosa e alucinante. Os hotéis variam entre o imponente e o kitsch, o grandioso e o decadente, mas há uma magia no ar que torna a cidade, e as suas quase 200.000 camas para turistas, uma atracção irresistível para os viajantes mais cosmopolitas.
(Show de luz e som do Hotel Bellagio)

Longe vão os tempos em que o Flamingo, o Tropicana, o Riviera e o Frontier dominavam a paisagem de Las Vegas. Estes velhos hotéis, bonitos à sua maneira, aparecem agora diluídos na paisagem urbana, absorvidos pela megalomania do MGM Grand (um hotel com 5000 quartos!!!), Bellagio, New York, New York, Mandalay Bay ou Luxor.
(Las Vegas Boulevard)

Os vapores da cafeína do Starbucks em pleno Las Vegas Boulevard afectam-me, o Monte Carlo em frente causa-me inveja e a ostentação do Bellagio, com a boutique Armani no seu interior, recorda-me que não sou o José Mourinho e um sobretudo Armani, com 40 graus de temperatura lá fora, não vem nada a calhar.
(Um piano no Starbucks)

quarta-feira, novembro 29, 2006

Lisa Germano ao Vivo - Theatro Circo, Braga


Lisa Germano apresenta hoje à noite, pelas 23h59m (!!!), o seu mais recente trabalho - In the Maybe World - no Pequeno Auditório do Theatro Circo em Braga. Um espectáculo de culto a não perder para amantes de sons alternativos.
Capa de In the Maybe World

sexta-feira, novembro 17, 2006

Colorado City: A Poligamia entre os Mórmon

Mais uma crónica da viagem realizada em Agosto... desta vez sobre o suculento tema da Poligamia!

A longa faixa de terreno entre a fronteira do Utah e o Grand Canyon do Arizona é praticamente desprovida de população. Nesse pedaço de território esquecido situa-se a infame localidade de Colorado City, um dos últimos redutos de poligamia entre os Mórmon. Apesar de proibida oficialmente em 1890, a poligamia continua a ser praticada por grupos marginais (alguns diriam fundamentalistas) ligados à religião criada por Joseph Smith.

Colorado City é um lugar estranho, com ruas muito largas, demasiado largas para um localidade com apenas 6000 habitantes, e uma proporção anormal, para o contexto americano, de moradias com dois pisos. Manda a tradição que no rés-do-chão morem as mulheres com filhos e no piso superior, aquelas que ainda não os têm.

A localização estratégica de Colorado City, na fronteira entre o Utah e o Arizona, permitia que, sempre que as autoridades do Utah perseguiam os polígamos de forma mais acérrima, estes atravessassem a fronteira à procura de refúgio no estado vizinho, aproveitando o relativo mau relacionamento entre as autoridades respectivas. Quando estas começaram a colaborar, os homens de Colorado City foram obrigados a “dar corda aos sapatos” e abandonar os seus lares. Por essa razão, a proporção de mulheres e crianças é significativamente maior do que seria de esperar.

Contudo, o assunto da poligamia está longe de ser pacífico, já que as famílias argumentam que as práticas poligâmicas são voluntárias e que ninguém é obrigado a ser polígamo. Além disso, a prisão dos homens polígamos resulta no abandono de mulheres e filhos, o que é mais prejudicial para estes últimos do que seria a vivência numa sociedade poligâmica. Todavia, os actos dos próprios chefes de família acabam por dar razão aos que se opõem à poligamia. Num caso relatado num canal de televisão americano, um homem tomou para sua quarta esposa uma rapariga de apenas 13 anos, o que levanta de imediato preocupações com práticas de pedofilia. Como as comunidades poligâmicas tendem a ser extremamente fechadas, os pedidos de maior empenho nas investigações do Ministério Público no sentido de perseguir os polígamos não param. A polémica segue dentro de momentos…

A Slight Case of Paranoia

A entrevista de Santana Lopes com Judite de Sousa dava um excelente estudo de caso para a especialidade de Psiquiatria...

quarta-feira, novembro 08, 2006

O Diabo Veste Prada


O Diabo Veste Prada é um filmezinho interessante. Mereceria umas três estrelas em cinco possíveis pela brilhante Meryl Streep, pelo guarda-roupa, pelos Manolo Blanick e pelos Jimmy Choo e, claro, por New York. Como todos sabem, Meryl Streep é uma actriz do outro mundo e neste filme tem um par de momentos inesquecíveis em que me fez lembrar outro "monstro" do cinema: Bette Davies em All About Eve.

Mas Streep não tem culpa do argumento impregnado de um moralismo bacôco de O Diabo Veste Prada. Alguém no seu devido juízo recusaria uma ascensão meteórica no mundo da moda por uma questão de princípios, ainda por cima duvidosos? A personagem de Andrea (Andy) está cheia de equívocos. Durante 90% do filme está longe de demonstrar conflitos interiores profundos sobre a sua ascensão profissional. Mais do que isso, parece deliciar-se com os pequenos sucessos que vai obtendo no dia-a-dia. Por essa razão, o final parece-me completamente inconsistente com o retrato da personagem que é construído ao longo da película.

A mensagem final - uma certa superioridade moral de Andy - é absolutamente execrável. Alguém que tenha uma profissão minimamente competitiva sabe que muito frequentemente é inevitável concorrermos contra pessoas de quem gostamos. A minha própria carreira é disso exemplo. Neste momento, os quadros de vagas do meu departamento estão preenchidos, pelo que a única forma de uma vaga ser libertada é alguém reformar-se, despedir-se ou morrer. Qualquer uma destas situações é bastante improvável. Dado este número limitado de vagas, o mais provável é que eu próprio tenha de concorrer, imagine-se, com o meu padrinho de casamento por uma delas. Muito possivelmente, o Luís e a Rosa também competirão entre si, mas não estou a ver nenhum de nós assoberbado por dramas existenciais ou pseudo-complexos de culpa.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Monument Valley

A visita a Monument Valley foi feita com um tempo pouco convidativo, mas, apesar disso, é impossível ficar indiferente à imensidão entrecortada por formações rochosas invulgares. Embora se chame um “vale”, Monument Valley não é verdadeiramente um vale, mas antes um planalto que a erosão transformou numa planície com formações rochas enormes (mesas e agulhas).

A viagem de Blanding até Monument Valley passa por Valley of the Gods, uma paisagem quase irreal, dificilmente imitável à face da Terra. Em apenas três quilómetros, a estrada desce 300 metros, desde Muley Point até Valley of the Gods. Apesar da desolação, ou se calhar por causa dela, este local continua a ser para mim um dos mais belos do mundo. Na foto de cima, a Ana admira a paisagem. Tirando alguns veículos ocasionais, passam-se milhas e milhas sem se ver um único ser humano. Estamos muito longe do turismo de massas e este local é um descanso, para o corpo e para a alma!

Desde o final da mítica estrada 261 até Monument Valley são mais 24 quilómetros, sempre na Reserva dos Navajos, a tribo (ou Nação) Navajo continua a viver da exploração do turismo. Os preços até nem são elevados e o menu tem especialidades curiosas, como sejam… um bife Sylvester Stallone ou uma sandwich Tom Hanks! Espreitam lá a ementa...

sexta-feira, outubro 20, 2006

Arches National Park (Utah)

The Windows (Janela Norte e Janela Sul) no magnífico Parque Nacional dos Arcos, perto de Moab (Utah). Criados pela erosão de milhares de anos, estes arcos são um dos pontos mais carismáticos deste parque nacional. Reparem só no tamanho das pessoas por baixo dos arcos gigantescos... parecem formiguinhas!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Capitol Reef Canyon (Utah)


Chamem-me masoquista, mas há qualquer coisa que me atrai na América profunda, aquela que é preconceituosa, desconfiada dos estrangeiros, pouco educada e rude q.b. Não é inexplicável. Por azar essa América é também linda! As paisagens naturais são de uma beleza indescritível, que nenhuma das fotos que publique neste blogue pode transmitir. A primeira foto deste post mostra o Aquarius Plateau, um planalto terra-de-ninguém no Sul do Utah. Em nenhum outro local dos EUA se sente o isolamento e a distância da civilização e as cores da natureza assumem aqui grande esplendor.

O dia começou em Salina, uma pequena localidade e terminou em Green River, outra pequena localidade do Utah. Pelo meio, o Capitol Reef Canyon. Apesar de alguma experiência em viagens deste género, nunca tinha caminhado no fundo de um canyon. A sensação é esmagadora. As paredes laterais altíssimas e os constantes avisos “Danger! Flash Floods!” podem dissuadir alguns turistas. Nós arriscamos. Na segunda foto podem ver (se a ampliarem) a Ana a caminhar de costas para a objectiva. Ela não está longe. A dimensão gigantesca do canyon é que a faz parecer extremamente pequena.

No fundo do canyon, após uma longa caminhada, podemos encontrar o Mormon Pioneer Register, um conjunto de assinaturas na pedra datadas do final do século XIX, quando os pioneiros mormons atravessaram estas paragens em direcção ao Oeste.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Bauhaus

Nunca houve uma banda igual. Muitos tentaram imitá-los, mas sempre com resultados patéticos. Todos os discos dos Bauhaus estão agora em promoção na Fnac do Gaia Shopping por apenas 7,50€. Entre originais, discos ao vivo e BBC Sessions, comprei o único que me faltava, cujo primeiro tema toca ali ao lado...

quarta-feira, outubro 04, 2006

Salt Lake City (Utah)

Em viagem pelo Mormon Country...

Apesar dos preconceitos, Salt Lake City é uma lufada de ar fresco, depois de tanto viajar por zonas rurais. Os monumentos mais famosos estão ligados aos fiéis da religião Jesus Christ of Latter Day Saints, mais conhecidos por Mórmon. Até o famoso Delta Center, o gigantesco pavilhão onde joga habitualmente a equipa de basquetebol profissional dos Utah Jazz, está, pelo menos indirectamente, relacionado com a religião, já que a maioria dos jogadores são, também eles, Mórmon.

Como em Roma sê Romano, em Salt Lake City sê Mórmon. Fomos visitar o Museu da História da Igreja para conhecê-la, pelo menos sob o ponto de vista dos próprios crentes… Muita simpatia à entrada e, ao longo do percurso, vários guias para esclarecerem as dúvidas do visitante: “Este aqui é o relógio do John Taylor!”. Surpreendido, fico a olhar com cara de quem não entende. “Quem terá sido este tipo” – penso eu. A resposta vem mais adiante. O massacre que acabou com a vida de Joseph Smith, profeta e fundador da Igreja Mórmon, deixou vivo um dos primeiros seguidores, John Taylor, graças ao tal relógio que desviou a bala! Sigo o meu caminho a pensar que já não se fazem relógios como antigamente...

A História desta religião é igual à de todas as outras: um profeta inspirador e visionário, aumento rápido do número de seguidores, perseguições por desconfiança e inveja, assassinato do profeta e mais perseguições, sempre em busca da terra prometida. Que a terra prometida seja Salt Lake City já é menos compreensível, mas talvez isso explique por que razão ninguém quis expulsar os Mórmons de Salt Lake. Depois de conhecer Salt Lake percebo porquê. Quem gostaria de morar em Salt Lake?!

PS: A primeira foto mostra os contrastes em Salt Lake City. Dois edifícios históricos dos Mórmon e, por trás, o novo e gigantesco Mormon Administrative Center. A segunda foto revela o exterior do Tabernáculo Mórmon de Salt Lake City. O interior só é acessível aos membros da religião. A última foto foi tirada junto à Lion House, construída por Brigham Young para as suas mulheres e filhos. Se quiserem ler detalhes sobre a prática da poligamia, basta clicar na imagem.

PS2: No espírito da tolerância religiosa e do entendimento entre culturas, adquiri e estou a ler a obra Mormon Country (1942) de Wallace Stegner.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Middlesex


Já alguma vez sentiram saudades de um livro? Acabei de ler Middlesex no sábado e já sinto saudades dos personagens e do enredo. Este é um trabalho notável, não só pelo tema insólito que retrata, mas sobretudo pelo relato da longa sequência de eventos que conduz à revelação de um terrível segredo familiar. Com esta obra, Eugenides venceu merecidamente o prémio Pulitzer de 2003 para melhor obra de ficção.

Apesar da sua dimensão (530 páginas), ou se calhar por causa dela, a obra de Jeffrey Eugenides é de “ler e chorar por mais”. Eugenides escreveu apenas dois livros, ganhando reputação de forma instantânea com o seu As Virgens Suicidas, mais tarde adaptado ao cinema por Sofia Coppola. Middlesex é um livro que também implora ser transformado em filme, mas talvez pelo pai de Sofia, já que relata a saga de uma família de imigrantes gregos na América.

O que torna Middlesex uma peça literária única é o seu tema. A personagem principal, Calliope, nasce e é criada até aos 14 anos como rapariga; apenas com a chegada da puberdade se descobre a incrível verdade: Calliope é hermafrodita; exteriormente (quase) aparenta ser mulher, mas interiormente é homem, possuindo testículos que nunca chegaram a descer e, também por essa razão, não permitiram uma identificação atempada do sexo da criança.

O tom do enredo oscila entre uma comédia e uma tragédia grega, com momentos de soap opera americana. Uma delícia!

quinta-feira, setembro 14, 2006

Milão - Barcelona

Os poucos que responderam preferiram Barcelona. Aqui fica a avaliação detalhada e... subjectiva.
1. Beleza humana: Milão
Milão é a capital da moda e, só por isso, já seria uma cidade repleta de gente bonita, mas as italianas e os italianos capricham MESMO na forma de vestir.
2. Arquitectura citadina: Barcelona
Aqui sobram poucas dúvidas. A Barcelona de Antoni Gaudí é maravilhosa em termos arquitectónicos. O Parque Güell, a Sagrada Família, a Casa Milà (La Pedrera), entre muitos outros edifícios, dão a Barcelona um charme fantástico e surreal que é inesquecível. Milão, apesar de alguns edifícios interessantes sob o ponto de vista arquitectónico, está longe de poder competir.
3. Comida: Milão
Por lapso, cheguei a pedir Pasta Carbonara em Milão. Fui informado educadamente que (ler em Inglês com sotaque Italiano) "that pasta is not from this region". Mas a pasta daquela região é uma delícia. Há uma certa "unidade" na cozinha regional italiana que está ausente da comida catalã. Com o meu gosto por massas, natas e queijos, Milão ganha à vontade.
4. Metropolitano: Barcelona
Aqui a coisa complica-se. Nenhuma das redes de metropolitano é parecida com a de Moscovo, mas a de Barcelona impõe-se pela existência de ar condicionado permanentemente ligado, melhores carruagens, melhores passageiros e mais turistas. Milão que me desculpe, mas ainda não percebi qual é a ideia de abrir todas as janelas em todas as carruagens quando se anda a alta velocidade debaixo da terra...
5. Compras: Milão
Um Centro Comercial só com lojas Armani e a representatividade das marcas mais luxuosas (Gucci, Carolina Herrera, Louis Vuitton, Bvlgari, etc) permitem a Milão vencer Barcelona sem grande dificuldade.
6. Catedral: Milão
A Sagrada Família é uma obra impressionante pela sua dimensão e megalomania, é sobretudo encantadora por Gaudí pretender imitar as grandes catedrais da Idade Média em tamanho e tempo de construção. Neste momento, estão prontas 8 das 16 torres previstas e a construção já dura há mais de 100 anos. Acontece que a construção do Duomo (Catedral de Milão) foi iniciada em 1390 e terminada em 1817, tendo demorado quase quatro séculos e meio a terminar. Dada a duração do projecto, a Catedral de Milão resulta de uma mistura de estilos, embora o gótico seja predominante. A dimensão do Duomo é impossível de descrever em palavras. Para comprenderem melhor, basta dizer que as visitas ao telhado são um must e chegam a andar centenas de pessoas pelo telhado sem que este pareça sobrelotado.
7. Parque Automóvel: Milão
Passeava em frente ao Scala de Milão quando pararam num semáforo dois Porsches e um Ferrari entre eles. É preciso dizer mais alguma coisa?
8. Vida nocturna: Barcelona
Barcelona ganha por KO. Neste âmbito, a oferta é muita e diversificada e a localização da cidade, o clima e a mentalidade liberal transformam Barcelona na cidade mais aliciante para sair à noite e até de manhã.
9. Museus e actividade cultural: Barcelona
Aqui a preferência é pessoal. As pinacotecas e a Arte do Renascimento em Milão não me encantam por aí além, ao passo que o Museu Picasso, o Museu Dali e a Casa de Gaudí apresentam exposições que alimentam os meus olhos, o coração e a alma.
10. Equipa de futebol: Barcelona
A parada de estrelas em Milão é imensa. Entre a Internazionale e o A.C.Milan, a cidade é completamente fanática, não sendo por acaso que lhes chamam tiffosi. Em Barcelona, as estrelas da bola não são propriamente frequentadores da passerelle, mas sim verdadeiros artistas da bola. Relembro alguns: Ronaldinho, Deco, Messi, Eto'o, Iniesta, Giuly. Entre Milão e Barcelona... Barcelona sempre!
11. Estacionamento: Barcelona, apesar de tudo
O caos nas duas cidades é imenso, mas Milão desafia tudo que possam ter visto até hoje. Estacionar "de ouvido", estacionar de frente num local onde só cabe um Smart, acelerar nas passadeiras, estacionar nas mesmas, passar sinais vermelhos, vi de tudo em terras milanezas.

Resultado Final: Barcelona 6 Milão 5

segunda-feira, setembro 11, 2006

Milano - Barcelona

Duas cidades fantásticas competem num mini-concurso bloguístico para determinar qual a melhor. Aqui fica a lista dos 11 itens a avaliar:

1. Beleza humana
2. Arquitectura citadina
3. Comida
4. Metropolitano
5. Compras
6. Catedral
7. Parque Automóvel
8. Vida nocturna
9. Museus e actividade cultural
10. Equipa de futebol
11. Estacionamento

Votem através de comentário ou email (umpianonafloresta@gmail.com)

segunda-feira, setembro 04, 2006

Milano


Depois de uma divertida troca de impressões com a Inês sobre as bolachas Milano, posso agora confirmar que vou saborear a verdadeira Milano, a partir de amanhã e até ao próximo Domingo.

Com a sua mania das grandezas, o European Group of Public Administration decidiu reunir em Milão, de 6 a 9 de Setembro. É a minha primeira ida a Itália e nem o habitual nervoso miudinho, associado à apresentação pública do artigo "Regional Partnerships and Co-operation between Portuguese Municipalities: Recent Experiences in Service Delivery", impedirá um par de crónicas bloguísticas.

A publicação das crónicas americanas, totalmente escritas ao longo do mês de Agosto, será retomada após a conferência.

Boa semana para todos!

Crónicas Americanas 4: Montpellier (Idaho)


Abandonamos o Parque Nacional do Yellowstone pelo sul, passando por um outro parque nacional - o Grand Teton - cujo elemento mais marcante é a impressionante cadeia montanhosa que vêem na imagem. O Teton Range ultrapassa em vários pontos os 4 mil metros acima do nível do mar (mais do dobro da Serra da Estrela) e a paisagem tem elementos em comum com as Rochosas do Canadá, já que é também marcada por lagos resultantes do degelo dos glaciares.

O Estado Americano do Idaho é famoso pela qualidade das suas batatas, promovidas até nas matrículas dos automóveis! É o único local do mundo em que Montpellier fica a norte de Paris. É também a única forma de Montpellier ser maior do que Paris.
A paisagem é aqui composta por quintas e ranchos e pequenas localidades que nunca chegam a ultrapassar as duas ou três centenas de habitantes. Em contraste, Montpellier tem 2250 habitantes, uma "metrópole" que oferece comida, quarto e outros serviços úteis. Por comparação com Cody, os preços baixaram para metade. O quarto custa aqui 65 dólares (aproximadamente 50 euro), mas a qualidade é até ligeiramente superior, talvez devido ao facto do hotel ser novo.

Bem-vindos ao Idaho!

Nota: Obrigado a todos pelos vossos comentários às entradas anteriores. Gostaste dos bisontes? Toma lá mais esta!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Crónicas Americanas 3: Parque Nacional do Yellowstone


O Parque Nacional de Yellowstone é a jóia da coroa dos parques nacionais dos Estados Unidos. Absolutamente maravilhoso. Uma paisagem composta por géisers, fumarolas e nascentes de água quente torna o Yellowstone um local quase único no mundo, apenas comparável a certas áreas na Islândia e na Nova Zelândia. A razão deste cenário é a gigantesca cratera vulcânica com aproximadamente 3500 quilómetros quadrados que é totalmente abarcada pela delimitação do Parque. As erupções vulcânicas sucedem-se em intervalos de aproximadamente 600 milhões de anos. A primeira há 2 milhões de anos, a segunda há 1,3 milhões e a última há 640 milhões de anos, pelo que a próxima poderá estar iminente. Das dezenas de exemplos possíveis, o mais famoso dos elementos desta “explosiva” paisagem é o géiser “Old Faithful” (“Velho Fiel”), que, fazendo jus ao nome, permanece activo de 90 em 90 minutos.

A vida selvagem é abundante e diversificada: bisontes, alces, veados, ursos pretos e grizzlies, lobos, coiotes, cisnes trombeteiros e pelicanos. O mais incrível é que muitos destes animais se passeiam pelo Parque sem qualquer receio dos seres humanos (e dos automóveis). Os bisontes, em particular, são tão aparentemente dóceis, que não surpreende que tenham sido caçados quase até à extinção. O cenário da foto é esclarecedor.

Menos espectacular, mas de uma serenidade idêntica à sua dimensão, é o Yellowstone Lake. É o maior lago de montanha da América do Norte, com 32 quilómetros de comprimento, 22 de largura e 50 metros de profundidade média. A temperatura média à superfície em Agosto é de 12 graus centígrados. Os seus habitantes mais conhecidos são as trutas, de uma espécie nativa, que servem de alimento aos pelicanos brancos que também abundam pelo Parque.

Aproveitei a margem do lago para recuperar forças e absorver inspiração neste local magnífico.

terça-feira, agosto 29, 2006

Crónicas Americanas 2: Cody (Wyoming)


Cody é uma cidade de montanha à entrada do Parque Nacional de Yellowstone, mas é mais conhecida por ser a terra adoptiva do famoso William F. Cody (aka Buffalo Bill)(1846-1917), um personagem marcante do Oeste Americano e o exemplo acabado do espírito empreendedor dos Americanos. Sozinho, tornou-se responsável pela visão que os Americanos formaram do Oeste, ainda antes da era do cinema, da rádio e da televisão. No saloon que podem ver na fotografia de cima, agora restaurado para acolher turistas e motoqueiros, Buffalo Bill, Calamity Jane, Annie Oakley e outras figuras míticas do velho Oeste comiam, dormiam e, sobretudo, bebiam!

Por volta de 1880, Buffalo Bill montou um circo ambulante a que chamou Wild West e com o qual encenava as batalhas do passado entre cowboys e índios. O show foi crescendo e, no seu auge, incluía brancos, índios (o famoso chefe Touro Sentado!), negros, orientais e indianos, para além de uma panóplia de animais, desde o bisonte americano (búfalo) ao elefante asiático. Uma verdadeira excentricidade megalómana para a época.

William F. Cody encanta-me e decido aprender mais: compro uma autobiografia e vou visitar a Galeria de Arte adjacente ao Buffalo Bill Historical Center. Fico CHOCADO: o brilhante e extravagante pintor do expressionismo abstracto, Jackson Pollock , é natural de Cody! Sim, o revolucionário Pollock nasceu nesta terra perdida no Oeste!

Bem, ala para o Yellowstone que se faz tarde!

Crónicas Americanas 1: Thermopolis (Wyoming)


A viagem inicia-se pelo "cowboy country". A paisagem é retirada de um western e as cores dominantes são o castanho, o marrom, bege, terracota e o verde sujo (de pó). Todos os tons de castanho que possam imaginar. Uma estranha e avassaladora monotonia deixa adivinhar a dureza experimentada pelos primeiros exploradores da região. É notável, se bem que nada surpreendente, a coincidência entre a localização de cidades/vilas e os cursos de água. Os únicos locais em que os humanos se instalaram nesta região são os que se localizam próximo da água. Como há pouca água, o povoamento é escasso e concentrado.

As rancheiras da região informam-me que "Wyoming is beef country". That's Ok. Adoro bife. Thermopolis é uma pequena cidade simpática, com pouco mais de 3000 habitantes, mas que atrai turistas graças às suas "maiores nascentes de água quente do mundo". A publicidade é francamente exagerada e Thermopolis é apenas útil como local de repouso por uma noite entre Denver e o Yellowstone National Park.

Um pouco mais adiante, deparo-me com esta imagem bizarra. Nem quero imaginar o que se passa naquela habitação no cume da colina, mas o cenário de um filme de terror intromete-se nos meus pensamentos e adensa-se com a montanha de ossos à entrada deste rancho adjacente. Convenço-me que são apenas as vacas do anúncio anterior e prossigo viagem em direcção ao Yellowstone...

Música à Terça 15

segunda-feira, agosto 28, 2006

Um ano a tocar Um Piano na Floresta...

Este blog fez no passado dia 25 de Agosto um ano de existência. Quanto à minha experiência com blogs, já dura há 3 anos, depois dos dois anos de Angústias.

sexta-feira, agosto 04, 2006

USA Road Trip Nº 3


Depois de abandonar a ideia Alaska/Yukon, era necessário arranjar um destino alternativo igualmente inspirador. É a minha terceira road trip USA. Depois de uma viagem de costa-a-costa pelo Sul dos EUA e de uma visita a 8 estados do Sul (Florida, Georgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Tennessee, Mississipi, Louisiana e Alabama), chegou agora a vez do coração da América (Wyoming, Idaho, Utah, Arizona, Novo México e Colorado), dos Parques Nacionais (Grand Canyon e Yellowstone), das cidades "excêntricas" (Salt Lake City, Las Vegas e Santa Fé) e do fabuloso Monument Valley (ver foto acima). Deixo-vos com o mapa possível do que está planeado, sendo que as estradas secundárias serão sempre preferíveis à auto-estrada. A partida para Denver é já na segunda-feira e o regresso no dia 28.

segunda-feira, julho 31, 2006

Música à Terça 14


Agora que já vos disse onde não vou (Alaska e Yukon), este post e o tema musical a tocar ali ao lado contêm duas pistas sobre o meu destino de férias...

quarta-feira, julho 26, 2006

Alaska & Yukon




A ideia era simples, mas com a viagem a 1800 euro por pessoa, a aventura toda ficaria por mais de 5000 euro, 21 dias e um número de quilómetros próximo dos 7000. Voar para Anchorage (Alaska), alugar um carro e fazer o percurso de Anchorage a Fairbanks, de Fairbanks a Tok e de Tok a Whitehorse (no Estado Canadiano do Yukon). De Whitehorse a Dawson City, onde se inicia a Dempster Highway, uma das mais míticas estradas do Continente Americano. Regresso a Anchorage via Tok.

A Dempster tem 750 quilómetros e liga Dawson City, uma das últimas cidades preservadas desde o tempo da corrida ao ouro, a Inuvik, nos Territórios do Noroeste (Canadá). No Inverno, Inuvik está ligada por uma estrada de gelo a Tuktoyaktuk, uma cidade nas margens do Mar de Beaufort, parte integrante do Oceano Árctico. No Verão, a ligação faz-se por meios aéreos. A Dempster aparece representada com o número 5 no mapa inferior.

O solo, que alguns comentários mencionaram ser "areia", é, na verdade, "tundra" ou "permafrost", onde apenas cresce vegetação muito rasteira, já que permanece gelado praticamente todo o ano. Nem vale a pena explicar o fascínio exercido por esta região; as fotos reproduzidas nos dois posts são da autoria de Wolfgang Weber e falam por si...

sexta-feira, julho 21, 2006

O Sonho Esfumou-se...

(clicar para ampliar)

Tinha um sonho para as férias deste Verão. A estrada e a paisagem que podem observar nesta fotografia faziam parte desse sonho. Infelizmente, com o aumento brutal no preço do petróleo, o preço das viagens de avião disparou e o sonho tornou-se... miragem. A primeira reserva, que ficava por 1026 Euro por pessoa, teve que ser cancelada por razões profissionais. Na segunda reserva, já com as datas pretendidas, o preço aumentou para 1480 Euro. Ontem, quando fui à agência de viagens para proceder ao pagamento, o preço da reserva tinha sido alterado (o que é relativamente raro) e já ultrapassava os 1800 Euro. Os planos esfumaram-se...

Qual era o destino?

sexta-feira, julho 14, 2006

Padrinhos e Afilhados

A Visão desta semana relata que o encontro entre Gilberto Madaíl, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e Joseph Blatter, Presidente da FIFA, foi selado com dois beijos na face. Depois de ver tantas vezes "O Padrinho", de Francis Ford Coppolla, não surpreende...

segunda-feira, julho 03, 2006

Dúvida Existencial

Se a Igreja Católica é contra o casamento entre homossexuais, será que é a favor do divórcio?

segunda-feira, junho 26, 2006

Crónicas de Barcelona II


O Katraponga tem razão. Foi difícil deixar Barcelona. Ainda que eu seja um absoluto leigo na matéria, a cidade parece-me uma obra-prima de arquitectura. Estive no Parc Guell e fiquei fascinado com os edifícios, as esculturas e as vistas da cidade, que podem ser apreciados nas fotos aqui incluídas.

Quanto à cidade propriamente dita, os cheiros, os sons e as imagens são marcantes e inebriantes. Para além de ser lindíssima, Barcelona é provavelmente a cidade mais cosmopolita da Península Ibérica. Em contraste, Lisboa é pequena e Madrid provinciana. Tendo já visitado várias cidades espanholas, foi também em Barcelona que comi melhor. O nosso roteiro gastronómico incluiu dois excelentes restaurantes com comida tradicional Catalã e, claro, uma incursão na paelha à Valenciana que, não sendo Catalã, é deliciosa!

quinta-feira, junho 22, 2006

Crónicas de Barcelona I


Escolhemos uma tasca numa das travessas das Ramblas, propriedade de um clube de futebol amador, para ver o jogo Portugal-Angola. Não fosse o grande número de Portugueses que invadiram o espaço, dir-se-ia que o cenário era retirado de um filme de Pedro Almodovar. A cerveja era Estrella Galicia e a simpática empregada dirigia-se a todos por "cariño", o que só aumentava o consumo de cañas... O nosso compatriota de bandeira pelas costas é que não deve ter percebido que a dita cuja deveria ter castelos e não pagodes chineses...

sexta-feira, junho 09, 2006

Barcelona


Aproveitando compromissos profissionais do início da próxima semana, vou escapar à histeria futebolística portuguesa e juntar-me à Catalunha na luta pela independência!

quarta-feira, junho 07, 2006

Um Livro à Quarta III

Ontem foi o sexto dia do sexto mês do sexto ano do novo milénio. Não sendo exactamente um crente nas profecias do Livro do Apocalipse, abordei o dia com alguma cautela, isto apesar de estar convencido que, se a Besta nasceu ontem, ainda temos de esperar uns anitos até começar a fazer asneiras. Por outro lado, abrir as páginas dos jornais ou ligar a televisão no horário das notícias é prova suficiente que a Besta não nasceu ontem e sempre por cá andou; o formato é que varia. Para outros, mais mediáticos, a Besta já foi bestial, mas agora é simplesmente uma besta quadrada, como se poderá constatar pelo post anterior.

Seja como for, a velha luta entre o Bem e o Mal sempre me fascinou e mergulhei nela numa das recentes inclusões na mesa-de-cabeceira. O livro é Além (1891) de Joris Karl Huymans e tem preenchido algumas noites de insónia.

Além (2006; Lisboa: Assírio & Alvim) foi escrito numa linguagem directa, por vezes chocante, destinada a seduzir o leitor, envolvendo-o com suavidade, para depois o apunhalar, arrancando-lhe as entranhas e atirando o corpo para a valeta. O autor apresenta um escritor francês, de nome Durtal, na Paris dos finais do século XIX, que, através de uma pesquisa histórica intensiva, se propõe escrever uma obra sobre Gilles de Rais, um pedófilo, contemporâneo de Joana d’Arc, que assassinou centenas de crianças na Bretanha do início do século XV, associando-se a rituais satânicos praticados por membros transviados do clero, que rezam missas negras como vingança pela rejeição ou insucesso na vida religiosa dita “normal”. Apesar de repugnante, todos estes parecem apenas coloridos relatos da Idade Média, até que Durtal descobre que a sua Paris tem mais semelhanças com a Idade Média do que julgava possível…

O livro de Huysmans tem várias preciosidades. Escolhi algumas passagens para o vosso deleite.

“A realidade, é bem certo, não perdoa que a desprezem; vinga-se metendo o sonho ao fundo, espezinhando-o, atirando-o em farrapos para um monte de lama!” (p.199)

“Vê as máquinas, o jogo dos pistões nos cilindros: são Romeus de aço dentro de Julietas de ferro fundido. As expressões humanas em nada diferem do vaivém das nossas máquinas.” (p.205)

“Além disso, os edifícios que emergem deste charco caótico de telhados, a Notre-Dame, a Sainte-Chapelle, Saint-Séverin, Saint-Étienne-du-Mont, a torre Saint-Jacques, ficam afogados na deplorável massa dos monumentos mais novos. De forma nenhuma estou interessado em contemplar ao mesmo tempo a Ópera, esse espécime de arte para caixeiras bem vestidas, o arco de ponte chamado do Triunfo, e o candelabro que é a Torre Eiffel!” (pp.244-5)

Na contracapa:

"Em 1891, Além foi considerado uma grande audácia e multiplicou-se na tiragem até às dezenas de milhares. Como um desses malabaristas que mantêm vários objectos no ar, Huysmans concentrou temas de várias frentes no seu romance, todos a maior ou menor distância de uma mesma luta: a que confronta dois poderes, do Bem e do Mal, a que opõe desde a Idade Média a igreja de Roma e o seu reverso satânico. Há, como ilustração de tudo isto, a história de Gilles de Rais, monstruoso pedófilo dos tempos de Joana d'Arc, a história da promiscuidade das mais altas figuras da Igreja com os praticantes da magia, o relato de uma missa negra em Paris, uma aventura em lençóis um tanto frios mas sem o véu de nenhum disfarce sobre a sua sexualidade malsã. Mas também o escritor J.-K. Huysmans num ponto alto da sua obra. O que fez André Breton manifestar-se, nas primeiras páginas de Nadja, como grande devedor de um seu ensinamento: saber levar «ao extremo essa discriminação necessária, vital, entre o elo de tão frágil aparência que pode ser-nos do máximo socorro, e o aparelho vertiginoso das forças que se conjuram para meter-nos ao fundo»."

segunda-feira, junho 05, 2006

Crónicas da Província II - A Doutrina do Pensamento Único

Não tenho paciência para tanta unanimidade em torno da Selecção Nacional de futebol. A histeria colectiva gerada durante o estágio é completamente desproporcionada em relação ao que está em jogo. A recepção na Alemanha parecia uma celebração da vitória no Mundial. A verdade é que ainda não ganhamos nada, mas os Portugueses festejam como se não houvesse amanhã. Estará tudo louco? Se querem a minha opinião, não acho que a selecção vá a lado nenhum. Estou a escrever isto antes do Mundial começar para que não se diga que falar depois é fácil.

Começamos por menosprezar os adversários, achando que Angola e o Irão vão à Alemanha fazer turismo. Para confirmar a ideia que será tudo fácil, há jogadores que aproveitam a folga para dar um salto à discoteca até às 6 da manhã, passeiam-se pelo centro de Évora e fazem trabalho de Relações Públicas em frente ao Templo de Diana. Tudo muito social, tudo muito pop, para a cobertura jornalística e televisiva ser a melhor possível. Sim, tudo isto enquanto as outras selecções estão concentradas a trabalhar em locais remotos, adaptando-se ao clima da Alemanha. Até a todo-poderosa selecção do Brasil faz estágio numa aldeola Suiça com temperaturas mais à medida, protegida dos olhares curiosos dos media.

Os exemplos da mediocridade do nosso futebol “profissional” são muitos. O nosso estágio decorreu debaixo de temperaturas superiores a 35º centígrados, só porque um lobby de empresários da construção civil foi bem sucedido em Évora e o seu opositor de Melgaço fracassou. Uns terrenozitos fora da cidade para a construção das instalações do Lusitano a troco de uns terrenos para exploração imobiliária no centro da cidade foi o que bastou para convencer os (ir)responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol a irem pastar para o inferno Alentejano. Claro que a população de Évora não se importa nada com os maus investimentos e negociatas do município. O que o povinho quer é os artistas da bola lá por perto; o erário público que se lixe!

Os (ir)responsáveis da Selecção devem pensar que somos todos parvos, a começar pelo treinador, que decide começar a insultar António Pedro Vasconcelos, Miguel Sousa Tavares (“o pai dele foi um grande escritor. O pai, né, porque ele é uma bosta” sic), Rui Moreira (“o empresário fracassado”) e Rui Santos (“recebeu uma herança do tio e ficou rico”). Digam-me uma coisa: há paciência para esta falta de tolerância contra opiniões dissidentes? O Senhor Scolari não gosta de ser criticado e adora o seguidismo do povo Português. Acontece que nem todos lhe prestam vassalagem... e ainda bem! O problema é que naquele grupo de intelectuais há adeptos dos três grandes. É uma grande chatice, caso contrário poderia sempre culpar tudo no Pinto da Costa...

Querem alguma coisa mais reminiscente do pré-25 de Abril do que aquelas conferências de imprensa dos jogadores da selecção, nas quais só se dizem banalidades e em que as questões incómodas são censuradas? Não tenho paciência para tanta idiotice. Espero que o final seja rápido e indolor. Se ficarmos pela primeira fase tanto melhor. É da maneira que os Portugueses acordam mais rapidamente do estupor em que parecem ter entrado e começam a trabalhar para melhorar o ranking do… desenvolvimento.

terça-feira, maio 23, 2006

O Narcisista

Viram o Prós e Contras de ontem? Fazer um programa sobre um livro já me parece de duvidoso interesse público, mas quando o livro é particularmente MAU, o programa torna-se uma perda de tempo. Ainda pensei que a ideia fosse discutir a qualidade do jornalismo e o papel das agências noticiosas, mas tudo isso foi esquecido, até pela apresentadora, na voragem narcisista do protagonista.

Há professores universitários que envergonham a profissão. O Prof. Manuel Maria Carrilho demonstrou ontem tudo o que um professor universitário se deve abster de fazer: emitir opiniões não fundamentadas, assentes em informação casuística, enviesada ou usada unicamente para sustentar opiniões tendenciosas sobre determinado assunto e fazer generalizações abusivas com base numa amostra não representativa (neste caso, uma amostra igual a um). Como teoria da conspiração não podia ser melhor; como estudo sério é um miséria.

Em nome da profissão, lamento, e peço desculpa a todos. Acreditem que a maioria dos professores universitários recolhe informação e utiliza os dados recolhidos para testar hipóteses derivadas da teoria, procurando abstrair-se de pré-conceitos. Aparentemente, o Prof. Carrilho estava distraído nas aulas de Metodologia de Investigação nas Ciências Sociais...

sexta-feira, maio 12, 2006

Crónicas da Província I

No dia em que se inicia a semana académica da Universidade do Minho, mais conhecida como Semana do Enterro da Gata, inicia-se também a publicação de um conjunto de pequenas crónicas sobre a minha vivência em Braga. Espero que gostem e critiquem.

Nas últimas semanas, a revista Visão tem publicado várias cartas de leitores furiosos com a TV Cabo pela retirada da programação de um canal brasileiro chamado GNT. Pelos elogios ao dito, depreendo que seja da melhor televisão que se faz no "país-irmão", mas confesso que nunca tive oportunidade de conhecer a grelha de programação. Aparentemente, os habitantes da capital estão reféns da TV Cabo. São as esperas intermináveis ao telefone, os funcionários rudes no atendimento, a falta de consideração pelas preferências dos tele-espectadores, entre muitas outras queixas que demonstram um conjunto de clientes à beira de um ataque de nervos.

Tudo isto a propósito de escolha. Por influência americana, sempre apreciei a sensação de escolha. Poder escolher a escola onde colocar os filhos, o hospital onde ser operado, o café onde ler um bom livro, a loja de cds onde comprar os mais baratos e mais raros, a livraria com melhores condições de atendimento e conforto, etc, etc. Vocês percebem a ideia...

Acontece que os habitantes de Lisboa não têm alternativa. Se quiserem ver 50 canais via cabo, a única empresa que os proporciona é a TV Cabo. Ora aqui na província, não temos apenas uma, mas duas empresas de cabo: a TV Cabo e a Bragatel. Não sei a quem pertence esta última, mas escusado será dizer que é desta que sou cliente. Não tenho o GNT, mas tenho a Band TV (Bandeirantes, principal concorrente da Globo), que possui uma programação diversificada e me proporciona jogos de futebol de campeonatos a sério (Espanha e Itália) todos os fins de semana, sem que seja explorado pelos irmãos Oliveirinha e a "sua" Sport TV que cobra 20 euros para acesso a um único canal enquanto os 50 canais da Bragatel (Band TV incluída) ficam por 21 euros. Aproxima-se o Mundial de Futebol e a Band já prometeu transmitir vários jogos.

Vivo na província, mas tenho escolha. É uma escolha limitada, é certo, mas é melhor do que nada.

terça-feira, maio 09, 2006

Respostas ao post anterior

Obrigado a todos pelos comentários à posta anterior. Aqui ficam algumas respostas personalizadas...

Para todos: Vou comprar três livros de George Orwell e oferecê-los aos três melhores alunos daquela turma. Se não os posso converter a todos à literatura, pelo menos acarinho uma minoria!

K: Tens toda a razão. Ainda me lembro do prazer com que li, aos 18 anos, o romance "As Três Sereias" de Irving Wallace, influenciado pela professora de Antropologia Cultural do 1º ano da universidade. O livro tinha na capa uma imagem de um quadro de Gaugin. Foi dois em um!

Sinistro (Nota: Acho que devias usar o teu nome verdadeiro...): Sabes que já tive a sensação que os alunos mais dedicados são olhados de soslaio pelos outros? Parece que o trabalho e o esforço são vistos como uma espécie de lepra...

JJ: Quanto a erros de ortografia, um dia destes apresento a lista dos últimos exames... Saber escrever é pedir muito. Hoje uma aluna confessou-me que a sua principal dificuldade estava em saber distinguir a linguagem SMS do Português correcto. Não me surpreendeu. Construir frases correctas e com sequência é agora um acto de heroísmo.

Cláudia: Todos nós reconhecemos a influência de professores universitários verdadeiros mestres. Os meus foram um professor de Sociologia do Poder (Joaquim Costa) e um professor de História das Ideias Políticas e Sociais (João Rosas). O facto de eu ter continuado a dedicar-me à leitura nessas áreas por cultura geral indicia o seu papel na minha formação.

Cátia: Estou absolutamente de acordo com a necessidade de mais cultura e educação cívica, mas confesso-me céptico quanto à capacidade da actual geração de educadores (pais, professores, no fundo, todos nós) para inverter esta situação.

LN: Confesso alguma dificuldade em lidar com essas situações. Na maioria das vezes, opto por prosseguir a aula sem dar grande valor ao problema, mas de vez em quando irrito-me!

Musqueteira: Ora aí está uma questão pertinente! Os livros ganharão mofo nas estantes das bibliotecas ou serão vendidos para reciclagem de papel ao preço da chuva...

sexta-feira, maio 05, 2006

Ignorance is Bliss?

Ando deprimido com o ensino. Não é grande afirmação, sobretudo numa altura em que a maioria dos portugueses anda deprimida com tantos outros aspectos, mas sinto falta de uma chama que nos guie para um caminho melhor. A nível das universidades, já tive maiores alegrias do que tenho hoje. Fica aqui um exemplo do que digo; não o julguem como amostra representativa, mas apenas como um indício de um problema mais profundo...

Há um par de semanas, leccionava eu uma aula de Políticas Sociais para cerca de 30 alunos, em que se falava do peso do Estado, não apenas na Economia, mas também na vida do cidadãos, quando questionei os alunos sobre Eric Arthur Blair a.k.a. George Orwell...

Q: Já leram George Orwell?
R: ... (silêncio)
Q: Mas já ouviram falar...
R: ... (mais silêncio)
Q: Nunca ouviram falar das suas obras mais conhecidas, "1984" e "O Triunfo dos Porcos"? - insisti.
R: Não - responderam a medo.

Desisti. Que os alunos nunca tivessem ouvido falar de "Na penúria em Paris e Londres" ou "Homenagem à Catalunha", eu ainda compreendia. Já o facto de Big Brother ser, para eles, apenas um programa de televisão, é arrepiante! Como sugeriu o Prof. Medina Carreira esta semana, numa conferência a que assisti, as escolas e universidades portuguesas estão a criar e a reproduzir analfabetos, mostrando-se incapazes de inverter este ciclo de massificação de ignorantes encartados.

segunda-feira, maio 01, 2006

Mês novo, alma nova

Depois de um mês de Abril preenchido com muito, muito trabalho, estou de regresso. Nada de locais exóticos: apenas uma conferência em Coimbra e umas reuniões em Lisboa; mas a preparação de tudo isto foi demorada e impediu-me de dedicar atenção ao blog. Agora que entra Maio, talvez seja possível arranjar tempo para mais actividades de lazer...

Começo por mudar de livro de cabeceira. O curtíssimo conto do escritor russo Nikolai Gógol, Diário de um Louco, que podem ler aqui, vai ocupar o próximo par de noites. Obrigado Assírio & Alvim!

Musicalmente, ando voltado para os clássicos americanos contemporâneos que podem conhecer melhor a partir da lista ali ao lado, mas nada que impeça a audição do génio mais ou menos desconhecido do cantor, compositor e violinista Andrew Bird. Fica a tocar Sovay para amostra...