terça-feira, março 24, 2009

1951.Concerto para Piano e Orquestra Nº 2 - Lukas Foss

Lukas Foss faleceu no início do mês de Fevereiro de 2009, aos 86 anos. Foss tinha 28 anos quando concluiu o seu segundo concerto para piano e orquestra, uma obra de grande fôlego e revelando uma maturidade muito superior à do seu antecessor, que sofre de típicos defeitos de juventude, já que foi composto aos 17 anos.

Após uma longa introdução da orquestra, o piano entra, solitário, aos 3 minutos e 20 segundos do primeiro andamento, fortemente marcado pelas tonalidades da América dos espaços abertos, das grandes distâncias e da natureza em bruto. Em contraste, o segundo andamento segue um registo adagietto, de uma musicalidade esparsa e mais próxima da sonoridade cinematográfica. Mas é o terceiro andamento que representa o ponto alto desta obra, sobretudo a cadenza, que o próprio Lukas Foss definiu como "louca e obsessiva"(1), realçando o virtuosismo necessário à sua execução.

Entre as influências do compositor americano contam-se Paul Hindemith e, numa fase mais adiantada da sua obra, Igor Stravinsky. Este Concerto para Piano e Orquestra segue a forma do Concerto para Piano e Orquestra Nº5 (Imperador) de Ludwing Van Beethoven, mas as influências sonoras são claramente de Stravinsky, que Lukas Foss conheceu pessoalmente pela altura da première desta obra e de quem mais tarde se tornaria amigo.

(1) Lukas Foss, notas da edição Piano Concertos / Elegy for Anne Frank. Jon Nakamatsu (piano), Yakov Kasman (piano), Lukas Foss (piano), Eliza Foss (narrador), Pacific Symphony Orchestra /Carl St. Clair (maestro). Harmonia Mundi, 2001.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

Etiquetas:

3 Comments:

Blogger CarpeDiemaria said...

Porque deixamos de poder desfrutar da tua música da semana? Aí está, o que se pode chamar de uma "grande maldade"!

7:02 da tarde  
Blogger Fernando said...

Tens toda a razão! Não podia privar os meus visitantes regulares dessa singela oferta. Espero que gostes de Ludovico Einaudi...

1:10 da tarde  
Blogger CarpeDiemaria said...

Gosto, gosto muito!
Em visita, por aqui, há alguns meses atrás, descobri mais esta delícia e "baixei" o "Diario Mali" para o meu computador... Até te posso dizer que já fui muito feliz ao som deste senhor:)
E tudo isto, porque partilhas o tem bom gosto musical com os comuns mortais quue te visitam...

10:52 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home