domingo, novembro 30, 2008

René, René, René II

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sábado, novembro 29, 2008

1966. Portrait - The Walker Brothers

Portrait é o segundo álbum dos The Walker Brothers, que não eram irmãos nem se chamavam Walker: Scott Engel, John Maus e Gary Leeds. À partida, os leitores podem pensar tratar-se de uma boys band da época, mas nada de mais errado. O som que caracteriza a banda é dominado pela voz de barítono de Scott 'Walker' e pela secção de cordas luxuosas que saturam todo o som. Ao produzirem uma versão muito própria da famosa wall of sound, criada pelo conhecidíssimo produtor Phil Spector, os The Walker Brothers viriam a influenciar músicos que merecem hoje o máximo respeito dos seus pares, como sejam os Tindersticks, Divine Comedy ou Nick Cave.

Portrait não é um álbum particularmente diferente dos três editados pela banda nos anos 60. Contém temas originais compostos por Scott (Saturday's Child ou I Can See It Now), alternados com clássicos do jazz e dos blues (Summertime, de Gershwin ou People Get Ready, de Curtis Mayfield). A reedição de que sou orgulhoso proprietário inclui ainda os lados A e B dos singles que foram lançados contemporaneamente ao álbum, dos quais se destaca naturalmente The Sun Ain't Gonna Shine Anymore, uma versão do original dos The Four Seasons, que recebe o tratamento habitual da banda e do seu produtor (Bob Crewe), transformando-o no sucesso que ainda hoje é plenamente reconhecido por quem gosta de clássicos da pop.

A brilhante carreira a solo de Scott Walker demonstra igualmente que o sucesso meteórico da banda não foi casual e se propagou no tempo com uma resistência invulgar, sobretudo no que se poderia pensar ser um estilo musical datado. Talvez a principal explicação para semelhante durabilidade resida na voz de Scott Walker, que considero das mais maravilhosas que já escutei.

The Sun Ain't Gonna Shine Anymore (mp3)

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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quarta-feira, novembro 19, 2008

1967. O Melhor Ano de Sempre da Música Popular

O que dizer de 1967? Nunca um único ano gerou tanta música de qualidade. Fortemente coadjuvada pelo consumo maciço de drogas, sobretudo marijuana e LSD, a genialidade deste conjunto de músicos ficaria para a história e influenciaria quase todos os subgéneros musicais e bandas das décadas seguintes.
Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band - The Beatles (8º álbum)
Por várias vezes considerado pela crítica como o melhor álbum de música popular de todos os tempos. A Day in the Life (mp3)
Velvet Underground & Nico - Velvet Underground & Nico (1º álbum)
Da sua influência diz-se que apenas 1000 pessoas adquiriram a edição original, mas quase todas formaram um banda. Capa de Warhol. Heroin (mp3)

The Piper at the Gates of Dawn - Pink Floyd (1º álbum)
Astronomy Domine (mp3) e Interstellar Overdrive deram origem ao subgénero do space rock e transformaram o álbum de estreia dos Floyd numa obra-prima do psicadélico.
The Doors - The Doors (1º álbum)
Música fabulosa tocada e gravada em apenas 6 dias. The End (mp3)
Goodbye and Hello - Tim Buckley (1º álbum)
A voz soturna de Tim Buckley em Phantasmagoria in Two (mp3) é pop deprimente perfeita.
Forever Changes - Love (3º álbum)
O Summer of Love em versão discográfica. Alone Again Or (mp3)
Are You Experienced - Jimi Hendrix Experience (1º álbum)
Tocar guitarra com os dentes e depois pegar-lhe fogo, tanto metafórica quanto literalmente. FoxyLady (mp3)
Their Satanic Majesties Request - Rolling Stones
She's a Rainbow (mp3) desculpa estes dinossauros de todos os seus pecados posteriores.
Surrealistic Pillow - Jefferson Airplane (2º álbum)
Alice cresce e não cresce... Nunca mais olhei para Alice no País das Maravilhas do mesmo modo inocente. White Rabbit (mp3)
Chelsea Girl - Nico (1º álbum a solo)
Música folk de uma fonte inesperada, sobretudo pela influência dos Velvet. I'll Keep It with Mine (mp3)
Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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segunda-feira, novembro 17, 2008

1968. A Saucerful of Secrets - Pink Floyd

Por alguma razão as grandes bandas da música rock se tornaram grandes... No início das suas carreiras fizeram música com que ninguém sonhava. A fase psicadélica dos Pink Floyd é menos conhecida do que a generalidade dos seus trabalhos, mas nem por isso é pouco estimulante. Tal como aconteceria posteriormente, os Floyd iniciais estavam destinados a constituir uma influência para as décadas seguintes.

Let There Be More Light, tema de abertura do álbum A Saucerful of Secrets, foi recentemente alvo de um plágio descarado pela banda canadiana Hrsta, no tema Swallow's Tail do seu trabalho Stem Stem in Electro. Como o plágio é, segundo dizem, "a melhor forma de elogio", seguramente que a banda de Mike Moya tem uma admiração incontida por este álbum dos Floyd. Para ser inteiramente justo, hoje em dia os músicos inventam muito pouco. Tenho um amigo ainda mais fanático por música do que eu, que afirma que toda a música pop-rock foi inventada nos anos 60. Tudo o que se seguiu foi simplesmente redução, reciclagem e reutilização.
Nesse espírito, A Saucerful of Secrets é, como o próprio nome indicia, um maná de ideias para músicos da actualidade. Corporal Clegg é música de feira com uma guitarra distorcida proto-Pixies. Set the Controls for the Heart of the Sun é marcado pela percussão e pela voz quase sussurada de Roger Waters, sob um suave manto de teclas psicadélicas e um baixo em destaque. É completamente invulgar na sua estrutura: tem um nome longo, ausência de letras, presta-se à improvisação e tornar-se-ia um dos favoritos dos Floyd ao vivo nesta primeira fase da sua carreira. A terminar, Jugband Blues é o opus final de Syd Barrett com os Floyd.

Mas é o tema que dá título ao disco que o torna um produto radical para a era em que foi lançado. Os 12 minutos de A Saucerful of Secrets são uma experiência alucinogénica só ultrapassável por The End dos The Doors. Os primeiros 7 minutos são quase cacofonia sonora, difícil de ouvir para a maioria, mas extremamente interessante enquanto exercício de improvisação dissonante. Cada instrumento - guitarra eléctrica, bateria e piano - assume à vez o papel principal na condução do ouvinte para paisagens sonoras inexploradas no contexto do rock e que só têm paralelo nos trabalhos do compositor de música contemporânea György Ligeti. Por esse motivo, é absolutamente surpreendente que, lá pelos 8 minutos, se inicie uma secção final que suaviza tudo o que se ouve anteriormente. A Saucerful of Secrets é quase uma demonstração de como do caos sonoro pode surgir a música mais celestial e melódica, apenas porque os seus autores assim o desejaram.

Set the Controls for the Heart of the Sun (mp3)
A Saucerful of Secrets (mp3)

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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sábado, novembro 15, 2008

Back to Black...

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quarta-feira, novembro 12, 2008

1969. Bitches Brew - Miles Davis

Miles Davis reinventou o jazz várias vezes ao longo da sua carreira, com o seu pecúlio de álbuns originais a roçar a meia centena. De todas as revoluções que operou, a fusão jazz-rock terá sido a mais radical, e aquela que lhe custou o maior número de fãs do "velho jazz". Bitches Brew (1969) é a face mais alucinante dessa revolução, perfeitamente visível no surrealismo da capa e da música.

Escrever sobre este duplo álbum, gravado em 1969, é uma tarefa quase impossível. A música não é melodiosa, previsível ou estruturada. Com duração superior a 20 minutos cada, os dois primeiros temas - Pharaoh's Dance e Bitches Brew - constituem longas improvisações do trompete de Miles Davis sobre um fundo caótico de sonoridades eléctricas, tecidas pelo piano e baixo eléctricos e pelo saxofone soprano. Tentar encontrar padrões melódicos no seio destas imensas improvisações pode ser tarefa hercúlea, sobretudo para ouvidos pouco pacientes para explorar texturas musicais densas.

Pelo que foi escrito no parágrafo anterior, ninguém esperaria que este fosse um best seller. Mas o facto é que Bitches Brew foi o primeiro disco de ouro de Miles Davis, vendendo mais de meio milhão de cópias nos Estados Unidos. Embora não seja um adepto fervoroso da Wikipedia, podem consultar o artigo referente ao álbum para constatarem o seu impacto em termos de inovação, gravação e pós-produção.

Bitches Brew (mp3)
Miles Runs the Voodoo Down (mp3)

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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