terça-feira, fevereiro 02, 2010

Sunset (The Death of Thumbelina)

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sábado, janeiro 02, 2010

No Rescaldo da Cimeira de Copenhaga...

...Nada como uma visão desencantada da ecologia. Rushing to Paradise, do recentemente falecido J.G. Ballard, é um exemplo acabado de como as melhores intenções de alguns em defesa do ambiente, podem ser distorcidas por uma liderança demente e redundar num apocalipse tropical. Ou de como a tentativa de proteger o albatroz de testes nucleares franceses numa ilha remota do Pacífico Sul termina numa espécie de campo de extermínio no paraíso.

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quarta-feira, dezembro 30, 2009

1941. Quarteto para o Fim do Tempo - Olivier Messiaen

O cenário é o campo de prisioneiros alemão Stalag VIII A em Görlitz (actualmente Zgorzelec, Polónia) em que o compositor francês Olivier Messiaen está internado. A 15 de Janeiro de 1941, cerca de 400 prisioneiros acompanhados por guardas alemães reúnem-se para assistir à estreia do Quarteto para o Fim do Tempo, música de câmara composta por Messiaen para os instrumentistas internados no campo: um clarinetista, um violinista e uma violoncelista. Messiaen juntou-se-lhes ao piano para formar um quarteto invulgar e que constitui hoje a mais famosa peça de música de câmara contemporânea.

Rebecca Rischin (2003) relata na sua obra For the End of Time: The Story of the Messiaen Quartet que um dos guardas alemães do campo, Karl-Albert Brüll, apreciador da música do compositor, proporcionou-lhe condições 'excepcionais' para que pudesse trabalhar. Para além de lápis, borrachas e papel de música, foi permitido a Messiaen isolar-se num quarto vazio com um guarda de plantão à porta para evitar que fosse incomodado (Rischin, 2003; Ross, 2007).

O Quarteto para o Fim do Tempo é uma obra dividida em 8 andamentos, totalizando aproximadamente 50 minutos. Embora o contexto em que foi composta possa sugerir a associação entre o regime Nazi e o apocalipse, a intenção do compositor reporta-se, em abstracto, ao fim do tempo, passado e futuro, e ao início da eternidade. Segundo o próprio Messiaen, o Quarteto é uma espécie de extensão musical da passagem do Livro do Apocalipse (capítulo 10) sobre a descida do sétimo anjo ao som de trombetas consumando o mistério de Deus e anunciando o fim do tempo.

Para ilustrar a obra escolhi o primeiro andamento, intitulado Liturgia de Cristal e descrito pelo próprio Messiaen como representando o canto solitário de despertar às 3 ou 4 da manhã de um melro (o clarinete) e de um rouxinol (o violino) rodeados por um som difuso, por um halo de trinados que se perde pela copa das árvores. Transposto para o plano religioso tal equivale ao silêncio harmonioso do Céu.




Referências:
Rischin, Rebecca (2003) For the End of Time: The Story of the Messiaen Quartet. Ithaca, NY: Cornell University Press.
Ross, Alex (2007) O Resto é Ruído: À Escuta do Século XX. Alfragide: Casa das Letras.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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sexta-feira, dezembro 18, 2009

Música de 2009

Embora 2009 tenha sido um ano com menos entradas neste blog do que era habitual, a música continua omnipresente na minha vida. Seguem-se 10 excelentes álbuns que fizeram parte das minhas escutas regulares ao longo do ano de 2009.

Solo II - António Pinho Vargas

Andrew Bird - Noble Beast


James Blackshaw - The Glass Bead Game

Land of Kush - Against the Day

Timber Timbre - Timber Timbre
Larkin Grimm - Parplar

Elfin Saddle - Ringing for the Begin Again


Ludovico Einaudi - Nightbook

Fire on Fire - The Orchard

Clan of Xymox - In Love We Trust

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quinta-feira, novembro 12, 2009

1942. Sinfonia Nº 7 "Leninegrado" - Dmitry Shostakovich

A Sinfonia nº7 de Shostakovich foi escrita em 1941 durante a invasão da União Soviética pela Alemanha Nazi e constitui uma glorificação do espírito de resiliência que caracteriza o ser humano quando colocado perante situações extremas de agressão, sofrimento e desespero. A sua paisagem sonora evoca momentos de conflito, violência e pânico alternados com a desolação, a descrença e a inércia associadas ao sentimento de quem tudo perdeu.

A obra foi estreada em 1942 durante o longo cerco (870 dias) da cidade de Leninegrado e recorreu a todo e qualquer músico que pudesse ser libertado do esforço de guerra, de modo a completar a delapidada Orquestra da Rádio de Leninegrado.

Esta é uma sinfonia de excessos. Musicalmente, oscila entre melodiosos temas pastorais, construídos em torno flautas celestiais, harpa e violino e a violência sonora e marcial, de que é exemplo toda a secção central do primeiro andamento. Os excessos da 'Leninegrado' revelam-se ainda pela sua duração. O primeiro andamento marca uns obscenos 26 minutos e a sinfonia no seu todo regista mais de 75!



Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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sábado, agosto 22, 2009

1943. La Mer - Charles Trénet

A importância de La Mer de Charles Trénet no contexto da música popular não pode ser de modo algum ignorada. O seu aparecimento em múltiplas ocasiões, desde o cinema à televisão, tornou-a numa das canções mais facilmente reconhecidas da cultura popular. Consistente com esse espírito humilde, Charles Trénet escreveu-a em 10 minutos num pedaço de papel higiénico a bordo de um comboio da Société Nationale de Chemins de Fer Français corria o ano de 1943. A potência da voz de Trénet é evidente e o epílogo quase glorioso provoca-me arrepios de cada vez que o escuto. La Mer (1943) - Charles Trénet (mp3)

As utilizações mais famosas do tema incluem filmes como Lua de Mel, Lua de Fel (de Roman Polanski, 1992), Apollo 13 (de Ron Howard, 1995), O Resgate do Soldado Ryan (de Steven Spielberg, 1998) e Os Sonhadores (de Bernardo Bertolucci, 2003). A canção aparece igualmente em grandes êxitos de televisão como Ficheiros Secretos (1994), Perdidos (2005) e Saturday Night Live (2007). A versão inglesa é cantada por Robbie Williams em À Procura do Nemo (2003), um dos maiores êxitos do cinema de animação. A mais recente aparição do tema ocorre em O Escafandro e a Borboleta (2007), um filme de Julian Schnabel, muito do agrado do meu amigo Pedro e que ainda não tive oportunidade de ver.
Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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domingo, agosto 16, 2009

1944. Appalachian Spring - Aaron Copland

Appalachian Spring é um bailado comissionado pela Coolidge Foundation a Martha Graham e estreado na Biblioteca do Congresso em Wahsington, DC (1944). A música foi composta por Aaron Copland e, segundo o próprio, retrata a celebração primaveril por parte de um grupo de pioneiros que festeja a conclusão da construção da sua quinta nas colinas da Pensilvânia no início do século XIX. O futuro casal que a irá ocupar sente emoções antagónicas, associadas à alegria e tensão provocadas pelo novel desafio. Os vizinhos mais experientes e o reverendo recordam o casal das incertezas do destino, antes de os deixarem apreciar a paz proporcionada pelo seu novo lar.

O início de Appalachian Spring é inevitavelmente associado ao amanhecer de um novo dia, com um tema pastoral marcado pelos violinos, flauta e harpa. A partir dos 2'15'', a obra torna-se "expressiva", denotando os referidos sentimentos antagónicos de felicidade e inquietação face ao futuro, sendo que o tema inicial regressa pouco depois.

A secção mais famosa da obra, porém, é a sétima, um conjunto de variações sobre 'Tis the Gift to Be Simple', um hino religioso composto originalmente pelo Elder Joseph Brackett em 1848. Um excerto de Appalachian Spring com este tema pode ser escutado aqui:


Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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