domingo, junho 29, 2008

1990. Aion - Dead Can Dance

Os Dead Can Dance são frequentemente associados com um estilo musical conhecido como dark wave, que é manifestamente redutor para o alcance e diversidade da música praticada por este duo global: Lisa Gerrard vive na Austrália e Brendan Perry na Irlanda, encontrando-se ocasionalmente para gravar. A combinação da voz celestial e onírica de Lisa com a voz grave e etérea de Brendan, associada a uma grande quantidade de instrumentos acústicos e electrónicos converteu os Dead Can Dance numa das bandas mais amadas em todo o mundo, quer pelos críticos musicais, quer pelo público em geral.

Em Aion (1990), os Dead Can Dance transportam-nos para tempos antigos e música imemorial. Saltarello é uma dança instrumental de um compositor italiano anónimo do século XIV; The Song of Sybil é uma versão de um tema tradicional da Catalunha com raízes no século XVI; e a canção mais intensa é Fortune Presents Gifts Not According to the Book, com poema de Luis de Góngora, poeta e dramaturgo espanhol do final do século XVI conhecido pela corrente literária que gerou: o gongorismo. Toda a sonoridade é mística e misteriosa, com evidentes ligações ao folclore celta, às danças tradicionais italianas, ao canto gregoriano e à música barroca, com paisagens remotas a servirem de inspiração a toda a composição.

A capa do disco é um detalhe do "Jardim das Delícias" de Hieronymus Bosch é a cereja em cima de um bolo muito bem recheado. Outros discos excelentes dos Dead Can Dance são Within the Realm of a Dying Sun (1987), Into the Labyrinth (1993) e Toward the Within (1994).

DEAD CAN DANCE - Saltarello

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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sexta-feira, junho 27, 2008

1991. White Light From the Mouth of Infinity - Swans

Na costa oeste dos EUA, vivia-se o ano do grunge. Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e, sobretudo, os Nirvana eram o centro das atenções. Um dos temas mais populares da década, Smell Like Teen Spirit, servia de hino de revolta a uma geração e conduzia os Nirvana a um ponto de não-retorno. Na América, Nevermind é o álbum de uma geração de revoltados contra o establishment do rock decadente dos Def Leppard, Motley Crue, Ratt e Poison. Tal como o punk no seu tempo, o grunge promoveu uma saudável "limpeza étnica" no seio da música popular. Tal como o punk no seu tempo, o grunge acabaria por cometer os mesmos excessos.

Mas na Costa Leste o tempo era de reinvenção. Os Swans de Michael Gira abandonavam uma das suas muitas peles e renasciam com White Light From the Mouth of Infinity. A voz de Gira é grave, profunda, e transpira arrogância. As letras manifestam revolta, egoísmo, desolação, isolamento e morte. A música alterna as melodias suaves com momentos de descarga sonora.

O álbum vale fundamentalmente pelo seu conjunto, pela forma como os temas estão encadeados e pela utilização de um vasto leque de instrumentos, dos quais se destaca a percussão poderosa, que contribui para uma textura musical sufocante. Os temas mais marcantes são, porventura, Love Will Save You, Miracle of Love, e Song For the Sun. O poema de Failure é o mais notável do disco e um dos mais impressionantes relatos do que a obsessão com um sucesso pode fazer para a destruição de um ser humano.

Em 1991 merecem ainda destaque os álbuns:
  • Yerself is Steam - Mercury Rev
  • The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld - The Orb
  • Out of Time - REM
  • Trompe Le Monde - Pixies
  • Loveless - My Bloody Valentine
  • Achtung Baby - U2
  • Island - Current 93
  • On the Way Down From the Moon Palace - Lisa Germano
Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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quarta-feira, junho 25, 2008

1992. Thunder Perfect Mind - Current 93

Thunder Perfect Mind é o mais longo disco de originais dos Current 93, com quase 79 minutos de música, e um dos mais consistentes e articulados do início ao fim. É considerada uma obra-prima dentro do pouco divulgado género do folk apocalíptico, termo usado para descrever música à base de guitarra acústica sombria e letras melancólicas e depressivas. Os textos são notoriamente inspirados na poesia de William Blake e a música nos temas folk inglês de Shirley Collins. Embora a guitarra acústica seja predominante, há aspectos muito pouco convencionais neste disco. Os primeiros 30 minutos (9 faixas) são extremamente melódicos, marcados pela guitarra acústica e pela flauta gentilmente tocadas e pela voz do “outro mundo” de David Tibet. Os meus momentos favoritos são In the Heart of the Wood and What I Found There e A Lament For My Suzanne.

Este excelente disco de música folk muda significativamente de sonoridade a partir da faixa número 10, All the Stars are Dead Now. Inesperadamente, é aqui introduzido um sampler de Saint Louis Blues, um original dos anos 20, do swing e das big-bands. Simplesmente desconcertante. Mas nada prepara o ouvinte para o que se segue. Entra um repetitivo riff de guitarra acústica tocado até à náusea e acompanhado por Tibet a recitar um longo poema, de conteúdo largamente obscuro e ininterpretável, mas que, tanto quanto consigo compreender, é uma profecia sobre o apocalipse. O tom sinistro prossegue com Rosy Stars Tears From Heaven e a voz de Tibet, sinistra na faixa anterior, torna-se aqui simplesmente diabólica, ainda que sussuradamente diabólica.

Como a surpresa é, por vezes, a mãe da genialidade, When the May Rain Comes, uma versão de um original dos Sand, é lindíssima. Os instrumentos usados (baixo, flauta e guitarra) produzem uma sonoridade melódica e a interpretação pelo dueto David Tibet e Rose McDowall faz estragos na mais empedernida insensibilidade. Segue-se o tema título, Thunder Perfect Mind, um crescendo musical ameaçador acompanhado pela leitura de textos do livro homónimo.

Depois de 55 minutos de música deslumbrante, faltava um tema épico para atirar tudo o que é convencional pela janela. Hitler as Kalki dura 16 minutos e 28 segundos e é dedicado ao pai de David Tibet, já falecido, que combateu na II Guerra Mundial. O início é influenciado por música tradicional hindu, mas a peça musical transfigura-se lentamente numa espiral eléctrica, levemente tocada pelo minimalismo, com David Tibet a dissertar sobre Hitler e o apocalipse. No texto que acompanha o cd, Tibet explica-nos que algumas pessoas consideram que Hitler foi Kalki, a décima e última incarnação do Deus Hindu Vishnu, que vem num cavalo branco para destruir o cosmos no final de cada ciclo universal. Tibet incita à reflexão e à oração para que a destruição termine e um novo paraíso e uma nova Terra possam surgir.

Para além de ser um disco místico e experimental, Thunder Perfect Mind é também uma obra complexa sob o ponto de vista lírico. Já tentei interpretar muita da poesia contida nesta obra, mas as conclusões são pouco satisfatórias. Os conteúdos genéricos são o apocalipse, o arrependimento, a piedade e a salvação, mas qualquer interpretação imediata dos textos aqui contidos será, muito provavelmente, precipitada.

Ouvir A Sad Sadness Song

A minha crítica ao disco Thunder Perfect Mind apareceu publicada pela primeira vez na Rede 2020, Vol. 3, Nº5

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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segunda-feira, junho 23, 2008

1993. So Tonight That I Might See - Mazzy Star

Este é um daqueles discos que passou despercebido. A sobriedade da capa, a diminuta visibilidade comercial da banda e a atitude algo despojada da música conduziram os Mazzy Star a um quase anonimato, do qual foram salvos pela impressionante voz de Hope Sandoval. A música oscila entre o psicadelismo dos Velvet Underground, a distorção de guitarras dos Jesus & The Mary Chain e o blues-rock dos Doors. Mas o papel da exótica e enigmática vocalista dos Mazzy Star é tão preponderante, que a música quase assume papel secundário sobre o qual desfila a voz de seda de Sandoval.

Fady Into You é quase celestial. Mary of Silence é de uma textura musical densa, a fazer lembrar os Velvet Underground na sua vertente mais negra. Blue Light é uma balada doce e espiritual. Into Dust é a voz lacónica de Hope Sandoval a pregar no deserto sobre uma guitarra dedilhada que impõe uma nostalgia avassaladora. Seria curioso descobrir o que inspira esta banda de culto que, após três discos excelentes, nada editou nos últimos 12 anos. Mas a personalidade esquiva e distante dos seus elementos impede qualquer vislumbrar de luz nesta paisagem sonora crepuscular.

Ouvir Into Dust

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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sábado, junho 21, 2008

1994. Dummy - Portishead

Os Portishead são um duo de Bristol, Inglaterra, e representam o apogeu de um género musical que ficou conhecido como trip-hop e que integra igualmente os Massive Attack e Tricky, só para mencionar os mais conhecidos fundadores.

A figura franzina de voz frágil é Beth Gibbons, mas a mensagem transmitida é poderosa. Dummy é um disco que me marca pela capacidade dos músicos em abdicarem da estrutura tradicional de uma "banda pop-rock" e apostarem no sampling, nos loops e no scratch para produzirem uma sonoridade original, associada a temáticas intemporais como o amor, o sonho, a verdade e a vida. Embora o disco tenha sido editado em 1994, foi só entre 1998 e 2001 que o ouvi centenas de vezes, uma por cada tarde que passava na Epitome Coffee House, em Tallahassee, a estudar para o meu doutoramento. Naquele local, caracterizado pela irreverência e inconformismo de um bando de não-alinhados na cultura americana dominante, era habitual ouvir Dead Can Dance, Blues Traveller ou Björk. Os Portishead também faziam parte do lote de escolhas do barista/dj de circunstância.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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sexta-feira, junho 20, 2008

1995. Tindersticks II - Tindersticks

O primeiro álbum homónimo dos Tindersticks foi lançado em 1993, tornando-se um sucesso junto da crítica e criando um fenómeno de culto que se propagou rapidamente. Por altura do segundo álbum homónimo, toda a crítica vaticinava o fiasco, segundo o princípio que quando uma banda atinge sucesso de forma fulgurante com o primeiro disco, limita-se a repetir a fórmula de sucesso no segundo. Neste caso, a crítica estava enganada.

Tindersticks II é um disco fenomenal. São 70 minutos de música perfeita, que utiliza luxuosas secções de cordas e combinações de acordes invulgares. Os enigmáticos sussurros de El Diablo en el Ojo, a decadência das relações amorosas em Talk To Me, a promiscuidade em No More Affairs, e o serrote de Vertrauen III proporcionam uma densidade musical única e de elevada intensidade poética e lírica. Juro-vos que, a certa altura, a voz de Stuart Staples a murmurar aquela poesia carregada de fina ironia, é veludo puro para os meus ouvidos.

Depois, há esse furacão chamado My Sister, que já ouvi seguramente mais de um milhar de vezes! Que mente lunática seria capaz de conceber tal peça de poesia? Um esquizofrénico, talvez… E quanta coragem é necessária para assumir 8 minutos e 15 segundos de banda sonora a uma história delirante sobre uma família que atrai todas as tragédias possíveis e imaginárias? Quem se lembraria de combinar baixo, guitarra acústica e bateria, com vibrafone, trombone, violoncelo e serrote? Se nunca ouviram My Sister, não conhecem a combinação perfeita de letra, música e voz. Podem ouvir alguns temas do álbum no site da banda.

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sábado, junho 14, 2008

1996. Beautiful Freak - Eels

Para além dos bons momentos que passei a ouvir este álbum, há uma relação afectiva que se estabeleceu com os estranhos personagens de olhos arregalados que perpassam a arte da capa e do interior. A música é de uma ternura comovente, a começar pela suavidade instrumental que acompanha as letras emotivas e atormentadas de Mark Oliver Everett e a acabar nos nomes das canções Beautiful Freak e My Beloved Monster. Esta última é tão amorosa que acabou na banda sonora do filme Shrek. O grande êxito do álbum é Novocaine for the Soul, que podem ouvir aqui. Ali ao lado, toca outro excelente tema aqui mencionado: My Beloved Monster.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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sexta-feira, junho 13, 2008

1997. Ladies and Gentlemen We Are Floating In Space - Spiritualized

Variando entre o rock-'n'-roll puro e o rock cósmico de influência Pink Floyd, os Spiritualized de Jason Pierce sempre foram uma anomalia no panorama pop-rock britânico. Criticado pelo uso excessivo de instrumentação sinfónica (um dos álbuns inclui arranjos para uma sinfonia com mais de 100 músicos!), o líder e único membro permanente da banda é um caso raro de genialidade comercialmente reconhecida, com Ladies and Gentlemen We Are Floating In Space a bater os álbuns Ok Computer dos Radiohead e Urban Hymns dos Verve como álbum do ano de 1997 para o New Musical Express.

O título do álbum é retirado do livro de Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia, e a sua aparência exterior e interior aproxima-se de uma caixa de medicamentos, incluindo substância activa, dose recomendada, efeitos secundários e contra-indicações. Ao longo de 70 minutos somos transportados para uma enorme variedade de sons, incluindo canções rock (Electricity e Come Together), temas românticos (I Think I'm in Love e Broken Heart), culminando numa peça épica, inebriante e atonal com 17 minutos de duração (Cop Shoot Cop).

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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quinta-feira, junho 12, 2008

1998. F # A # Infinity - Godspeed You Black Emperor!

"The car is on fire/and there is no driver at the wheel". É com esta tirada lynchiana que se inicia o monólogo sinistro do magnífico álbum de estreia dos canadianos Godspeed You Black Emperor! Esqueçam tudo o que já ouviram nas vossas vidas. Este disco desafia todas as convenções musicais e apresenta o apocalipse em versão enigmática. Não existem canções ou temas no sentido canónico do termo e as faixas sucedem-se sem clara separação entre elas.

A produção cola discursos apocalípticos de pregadores de rua com loops intermináveis em Fá sustenido e Lá sustenido; daí o título do disco. O mais extraordinário é que esta obra é muito mais acessível do que aparenta à partida, muito por via dos arranjos orquestrais caracterizados por crescendos grandiosos e explosões sonoras controladas. Para um disco com mais de uma década, ainda é avançado para o nosso tempo, talvez porque o fim do mundo ainda não está próximo... Para ficarem com uma ideia do que é o álbum, podem ouvir (e ver) os primeiros 9 minutos:



Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.
http://sendmedeadflowers.com/music/hungover.mp3

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domingo, junho 08, 2008

1999. The Fragile - Nine Inch Nails

The Fragile é o momento mais alto da carreira dos Nine Inch Nails (NIN). É um duplo álbum denso, deprimente e com poucos pontos de luz: "she shines/in a world full of ugliness/she matters/when everything is meaningless". Até por definição, os NIN são uma banda pesada, mas, muitas vezes, a violência da música esconde a qualidade das letras. Em The Fragile, talvez pela maior textura atmosférica da instrumentação, as letras aparecem mais realçadas, permitindo um maior reconhecimento de Trent Reznor enquanto compositor. Os poemas curtos que acompanham quase todos os temas transmitem cinismo, desespero e ausência de esperança. Ouvir The Great Below.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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quinta-feira, junho 05, 2008

2000. Felt Mountain - Goldfrapp

A atmosfera etérea é proporcionada pela fusão entre a suavidade da electrónica, a batida do Trip-Hop e a voz de Alison Goldfrapp, plena de sedução. Não sendo um campeão de vendas, marcou o ano 2000 e representa bem a passagem do milénio, com as hesitações constantes entre a segurança do passado e a incerteza do mundo global futuro.

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Projecto 200 Anos de Música

A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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