sexta-feira, março 30, 2007

1. Disintegration (1989) - The Cure

Este é o primeiro de vinte posts sobre os discos da minha vida. Iniciei a publicação de alguns destes textos no Angústias de um Professor, mas nunca cheguei a termina-la por falta de tempo e vontade. Renovo agora a intenção de escrever sobre os 20 discos de música pop/rock/alternativa que mais me marcaram e que melhor representam a minha extensa colecção. A ordem de publicação dos posts é arbitrária, mas os posts encontram-se numerados para facilitar a organização. Sempre que possível incluirei música a acompanhar o post.
Desde a longa entrada instrumental de Plain Song que se percebia que Disintegration (1989) dos The Cure não ia ser um disco igual aos outros. Inebriante, hipnótica e orquestral, a música em Disintegration é única e o culminar apoteótico de uma década cheia de equívocos e contrastes na música pop-rock - a década de oitenta.
Um belo dia, tinha eu 18 anos, ouvi este disco pela primeira vez. Robert Smith canta o Amor na sua vertente mais triste: a saudade, o arrependimento, a depressão, o amor não correspondido, o ciúme e o sentimento de posse. Muito pouco é optimismo em Disintegration e, no entanto... tem tanto para oferecer. Nunca mais fui o mesmo. A minha inocência sofreu um rude golpe, perante o realismo da separação, do sofrimento, do abandono e da solidão revelados pela poesia de Robert Smith.
Musicalmente, a utilização dos teclados é subtil, de modo a criar uma atmosfera melancólica, um textura densa, quase irrespirável. A música vale como um todo, sem espaço para demonstrações de virtuosismo individual dos elementos da banda, o que constitui um ponto forte deste álbum, e faz com que as letras extremamente pessoais e, paradoxalmente, universais, sejam realçadas na voz melancólica, agastada, revoltada, de Robert Smith.
São mais de 70 minutos de música, incluindo dois verdadeiros épicos (The Same Deep Water As You Are e Disintegration, tema-título). Embora o álbum tenha ficado conhecido pelos seus temas mais comerciais (Pictures of You, Lullaby e Love Song), as verdadeiras pérolas são Plain Song, Closedown, Prayers For Rain e o já referido Disintegration.
Não há muitos discos que ainda coloco no leitor de cds com o mesmo prazer que colocava nas primeiras audições. Disintegration é um deles. Há momentos importantes da minha vida vividos ao som destas músicas e que são delas inseparáveis. Tal só foi possível devido a uma coincidência espantosa de música, letra e vida. Disintegration é vida! A separação cantada de uma maneira dolorosa, como quase todas as separações o são.
Closedown
"I'm running out of time
I'm out of step and
Closing down and
Never sleep for wanting hours
The empty hours of greed
And uselessly
Always the need
To feel again the real belief
Of something more than mockery
If only I could
Fill my heart with love"
Publiquei este texto originalmente aqui.

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2 Comments:

Blogger Sinistro said...

Todos temos dias na vida que nunca esqueceremos.
Parabéns!
;)

9:53 da tarde  
Blogger Zito said...

por acaso foi apartir deste disco que deixei de acompanhar os The Cure, aliás o último grande disco dos Cure foi mesmo "Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me" ....

6:28 da tarde  

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