quarta-feira, maio 16, 2007

13. Dark Side of the Moon (1973) - Pink Floyd


Tinha 15 anos. Foi numa tarde de semana em que não tive aulas e fui para casa de um amigo chamado Rui que o ouvi a primeira vez. Certamente influenciado pelo pai, Rui era fã de ficção científica, o que explica termos visto 2001-Odisseia no Espaço vezes sem conta. O filme é, ainda hoje, um dos meus favoritos de sempre, pelas questões que coloca sobre a natureza humana e sobre os condicionamentos provocados pela tecnologia, mas a crítica fica para outra entrada. Aqui vai falar-se de Dark Side, que aborda alguns dos mesmos tópicos e que escutamos inúmeras vezes.

O disco é, a todos os títulos, invulgar. Lançado em 1973, é o primeiro mega-sucesso dos Pink Floyd, que já tinham editado 7 discos anteriormente, "menos convencionais", com uma sonoridade críptica e psicadélica. Estranhamente, Dark Side of the Moon tornou-se um sucesso de forma lenta e persistente: esteve mais de 700 (setecentas!!!) semanas (14 anos!!!) classificado no Billboard 200, top americano de vendas. (Apesar disso, não é o disco mais vendido de todos os tempos.) Este facto chegaria para tornar o disco mítico, mas há mais, muito mais.

Já apelidei muitas edições musicais de "obra-prima", mas provavelmente a nenhuma outra a expressão se adapta melhor do que a Dark Side. É o primeiro disco gravado em som quadrifónico, o que torna a audição nas aparelhagens de som "último modelo" uma delícia e a única capaz de proporcionar a verdadeira apreciação do detalhe sonoro. Produzido por Alan Parsons e pelos Floyd, Dark Side é pura e simplesmente perfeito, em termos de letra, música e produção. As únicas críticas que ouvi a este disco é que é demasiado perfeito, fazendo com que se perca o encanto, a improvisação e alguma "aspereza" de produção que caracteriza habitualmente a criação artística e musical. Mas o perfeccionismo também pode ser uma vertente relevante da arte e aqui revela-se em todo o seu esplendor.

Tal como sobre outros discos memoráveis se contam certos mitos, também de Dark Side se diz que deve ser ouvido com uma experiência visual. Se colocarmos o disco e o filme O Feiticeiro de Oz simultaneamente, as coincidências são espantosas, quase se podendo dizer que o primeiro constitui a banda sonora do segundo. Eu próprio já fiz essa experiência e fiquei surpreendido. Se a experiência for acompanhada por "substâncias", digamos, favoráveis à abertura do corpo e do espírito, o prazer pode ser infinitamente superior. E mais não digo...

Quanto à música propriamente dita, toca ininterruptamente em cada um dos lados do vinil. Desde a primeira batida cardíaca até à última, experimentamos todas as sensações que um ser humano conhece, desde que nasce até à sua morte. Mas as letras centram-se fundamentalmente:

No stress da vida quotidiana em Breathe:
"Run, rabbit run.
Dig that hole, forget the sun,
And when at last the work is done
Don't sit down it's time to dig another one."

e em Time:
"So you run and you run to catch up with the sun but it's sinking
Racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way but you're older,
Shorter of breath and one day closer to death."

Na ganância, em Money:
"Money, it's a crime.
Share it fairly but don't take a slice of my pie.
Money, so they say
Is the root of all evil today.
But if you ask for a raise it's no surprise that they're
giving none away."

E na alienação, em Brain Damage:
"The lunatic is in my head.
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me 'til I'm sane.
You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me."

O disco termina de uma forma nihilista, com a frase:
"There is no dark side of the moon really. Matter of fact it's all dark."
Até a batida cardíaca se extinguir por completo...

Podem ler mais curiosidades sobre The Dark Side of the Moon aqui.
O final glorioso do álbum pode ser escutado neste "film-clip" kitsch acompanhado por imagens de algumas figuras dominantes da época como Nixon, Arafat ou o eterno Fidel Castro e milhares de discos de vinil a explodirem.

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7 Comments:

Blogger Mário Jader said...

Simplesmente fantástico =)

Post magnífico.

Cumprimentos.

3:33 da tarde  
Blogger ∫nês said...

Bibó Puorto Carago!!!!!

12:03 da manhã  
Blogger ∫nês said...

Esses Bracarenses são uns palermas, não lhes ligues!

PUORTO!!!

3:22 da manhã  
Blogger amazing said...

A música que tens no sidebar, é quanto a mim, uma das melhores, apesar de muita gente não achar o mesmo.

9:56 da manhã  
Blogger ∫nês said...

Só mais uma vez: Puuuooorto! :)

12:04 da manhã  
Blogger ∫nês said...

Inês aos saltos:

E quem não salta não é Tripeiro! Não é Tripeirôo!!

Inês a bater palmas:

E quem bate palmas é Tripeiro! E' Tripeirôoo!

Inês ontem no squash, sempre que marcava ponto:

Puuuooorrto!!!

Carago!! E' uma naçonhe!!!

2:21 da manhã  
Blogger Zito said...

um álbum q ouvi muito quando era puto, depois vieram os joy division e os bauhaus e afins e perdi o interesse, tenho q voltar a ouvir as raridades q para lá tenho em vinil :)

4:04 da tarde  

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