segunda-feira, junho 23, 2008

1993. So Tonight That I Might See - Mazzy Star

Este é um daqueles discos que passou despercebido. A sobriedade da capa, a diminuta visibilidade comercial da banda e a atitude algo despojada da música conduziram os Mazzy Star a um quase anonimato, do qual foram salvos pela impressionante voz de Hope Sandoval. A música oscila entre o psicadelismo dos Velvet Underground, a distorção de guitarras dos Jesus & The Mary Chain e o blues-rock dos Doors. Mas o papel da exótica e enigmática vocalista dos Mazzy Star é tão preponderante, que a música quase assume papel secundário sobre o qual desfila a voz de seda de Sandoval.

Fady Into You é quase celestial. Mary of Silence é de uma textura musical densa, a fazer lembrar os Velvet Underground na sua vertente mais negra. Blue Light é uma balada doce e espiritual. Into Dust é a voz lacónica de Hope Sandoval a pregar no deserto sobre uma guitarra dedilhada que impõe uma nostalgia avassaladora. Seria curioso descobrir o que inspira esta banda de culto que, após três discos excelentes, nada editou nos últimos 12 anos. Mas a personalidade esquiva e distante dos seus elementos impede qualquer vislumbrar de luz nesta paisagem sonora crepuscular.

Ouvir Into Dust

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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5 Comments:

Blogger CarpeDiemaria said...

Sempre que aqui entro uma sensação de prazer invade a minh'alma! ´

Bem hajas, por partilhares as emoções... que as sonoridades nos proporcionam!

11:47 da tarde  
Blogger Isobel said...

É, de facto, um álbum extraordinário.. sóbrio, esquivo, sim, como a banda (que tão bem descreves) mas é um monumento. Não me canso de o ouvir...

4:05 da tarde  
Blogger Morgana La Folle said...

Boa banda, bom post, boa ideia :)

Conta comigo para tocar as teclas graves deste piano perdido no meio da floresta (quer dizer que virei ver os teus "200 anos de música", para além das outras coisa que aqui me haviam de trazer sempre ;)

Beijo*

12:18 da manhã  
Blogger Fernando said...

Obrigado pelos elogios. 200 anos de música requerem uma "tolerância" para diferentes géneros musicais e, por isso, uma perspectiva de longo prazo.

Esta primeira década é a mais fácil...

10:08 da manhã  
Blogger Zito said...

não passou assim tão 'despercebido'

foi um sucesso 'indie' e a hope é adorada por muitos

um disco belíssimo !

3:05 da tarde  

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