sexta-feira, junho 20, 2008

1995. Tindersticks II - Tindersticks

O primeiro álbum homónimo dos Tindersticks foi lançado em 1993, tornando-se um sucesso junto da crítica e criando um fenómeno de culto que se propagou rapidamente. Por altura do segundo álbum homónimo, toda a crítica vaticinava o fiasco, segundo o princípio que quando uma banda atinge sucesso de forma fulgurante com o primeiro disco, limita-se a repetir a fórmula de sucesso no segundo. Neste caso, a crítica estava enganada.

Tindersticks II é um disco fenomenal. São 70 minutos de música perfeita, que utiliza luxuosas secções de cordas e combinações de acordes invulgares. Os enigmáticos sussurros de El Diablo en el Ojo, a decadência das relações amorosas em Talk To Me, a promiscuidade em No More Affairs, e o serrote de Vertrauen III proporcionam uma densidade musical única e de elevada intensidade poética e lírica. Juro-vos que, a certa altura, a voz de Stuart Staples a murmurar aquela poesia carregada de fina ironia, é veludo puro para os meus ouvidos.

Depois, há esse furacão chamado My Sister, que já ouvi seguramente mais de um milhar de vezes! Que mente lunática seria capaz de conceber tal peça de poesia? Um esquizofrénico, talvez… E quanta coragem é necessária para assumir 8 minutos e 15 segundos de banda sonora a uma história delirante sobre uma família que atrai todas as tragédias possíveis e imaginárias? Quem se lembraria de combinar baixo, guitarra acústica e bateria, com vibrafone, trombone, violoncelo e serrote? Se nunca ouviram My Sister, não conhecem a combinação perfeita de letra, música e voz. Podem ouvir alguns temas do álbum no site da banda.

Projecto 200 anos de música. A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão.

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