terça-feira, maio 09, 2006

Respostas ao post anterior

Obrigado a todos pelos comentários à posta anterior. Aqui ficam algumas respostas personalizadas...

Para todos: Vou comprar três livros de George Orwell e oferecê-los aos três melhores alunos daquela turma. Se não os posso converter a todos à literatura, pelo menos acarinho uma minoria!

K: Tens toda a razão. Ainda me lembro do prazer com que li, aos 18 anos, o romance "As Três Sereias" de Irving Wallace, influenciado pela professora de Antropologia Cultural do 1º ano da universidade. O livro tinha na capa uma imagem de um quadro de Gaugin. Foi dois em um!

Sinistro (Nota: Acho que devias usar o teu nome verdadeiro...): Sabes que já tive a sensação que os alunos mais dedicados são olhados de soslaio pelos outros? Parece que o trabalho e o esforço são vistos como uma espécie de lepra...

JJ: Quanto a erros de ortografia, um dia destes apresento a lista dos últimos exames... Saber escrever é pedir muito. Hoje uma aluna confessou-me que a sua principal dificuldade estava em saber distinguir a linguagem SMS do Português correcto. Não me surpreendeu. Construir frases correctas e com sequência é agora um acto de heroísmo.

Cláudia: Todos nós reconhecemos a influência de professores universitários verdadeiros mestres. Os meus foram um professor de Sociologia do Poder (Joaquim Costa) e um professor de História das Ideias Políticas e Sociais (João Rosas). O facto de eu ter continuado a dedicar-me à leitura nessas áreas por cultura geral indicia o seu papel na minha formação.

Cátia: Estou absolutamente de acordo com a necessidade de mais cultura e educação cívica, mas confesso-me céptico quanto à capacidade da actual geração de educadores (pais, professores, no fundo, todos nós) para inverter esta situação.

LN: Confesso alguma dificuldade em lidar com essas situações. Na maioria das vezes, opto por prosseguir a aula sem dar grande valor ao problema, mas de vez em quando irrito-me!

Musqueteira: Ora aí está uma questão pertinente! Os livros ganharão mofo nas estantes das bibliotecas ou serão vendidos para reciclagem de papel ao preço da chuva...

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6 Comments:

Blogger Sofia said...

E porque não oferecer livros aos que não são assim tão bons? Talvez fosse um incentivo, não?

8:14 da manhã  
Blogger cooltourista said...

Assim muito basicamente me interrogo se tudo isto não estará relacionado com o facto de, actualmente, saber ler Orwell e escrever sem k's não garantir emprego nem dinheiro ao fim do mês...? Tornou-se socialmente desnecessário aprofundar o intelecto para se ser (re)conhecido e bem sucedido na vida, ora, se é essa a mensagem que os jovens recebem por todo o lado, apoiada também por um sistema de ensino medíocre em que se vai passando à custa de trabalhos de grupo plagiados (por alegadamente ser mais importante a capacidade de trabalhar em equipa e mostrar empenho, tanto que os peso avaliativo dos exames tem vindo a ser brutalmente reduzido) e onde os professores foram impedidos de corrigir os "hades" e "hadem" sob pena de serem acusados de discriminar as camadas de população menos culta que os utilizam (a bela história de aproveitar os saberes prévios das crianças, mesmo que sejam erros grotescos)...enfim, não sei, mas suspeito que isto já não tem volta. Ah, é verdade, os Morangos com Açúcar vão ser incluidos nos programas curriculares, "para motivar os alunos" e "integrar/valorizar a cultura juvenil". A seguir, como convém, os profs terão de aprender a "língua" sms pa tds pudrmux paxar a flr axim, lolol!!

12:29 da tarde  
Blogger Fernando said...

Sofia: Se eu fosse o professor Marcelo ofereceria livros a toda a turma; acontece que o meu salário mal dá para pagar as contas ao fim do mês...

Cool Tourista (Lenita?): Concordo contigo. A mudança é inevitável e está fora do nosso controlo, mas temos de fazer o possível para valorizar a leitura, o conhecimento e o empenho. Porém, receio que este discurso "paternalista" não seja bem compreendido...

3:07 da tarde  
Blogger jj said...

"Sabes que já tive a sensação que os alunos mais dedicados são olhados de soslaio pelos outros? Parece que o trabalho e o esforço são vistos como uma espécie de lepra..."

Mais que sensação, é a realidade. Infelizmente. A imagem da lepra é muito boa, porque o bom aluno universitário é de facto ostracizado ao longo de todo o curso pelos colegas (excepção feita, claro, aos dois períodos críticos: Janeiro e Junho...). Por experiência própria (e recente). Depois passa-se para o lado de lá do estrado e observa-se que as mesmas coisas acontecem exactamente da mesma maneira todos os anos... é a vida!

Concordo em absoluto com a discriminação positiva... enquanto não ganhares o Euromilhões :)

4:28 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

o meu comentário a este post está em www.ogerme.blogspot.com
" Ainda acredito na educação (embora cada vez menos)"

(LFB)

9:10 da tarde  
Blogger AEnima said...

Fernando, não é para parecer injusta com a tua revolta. Eu própria sou uma ávida leitora, muitas vezes nem dormindo e indo para o trabalho de directa porque não consegui pousar um livro, e isso já me acontece desde a infância... mas pensa... quantos livros já tinhas lido tu aos 18/19 anos (idade média dos teus alunos, presumo)? Quão bem conhecias G. Orwell? Ou outras leituras mais "sérias", que não fossem os típicos livros de detectives de juventude e romances à lá "Lendas de Avalon" para as meninas? Se nós gostamos de leitura, se calhar por algum motivo escolhemos carreiras académicas, deixando para outras pessoas menos apreciadoras serem gerentes de bancos e outras funções, como alguns colegas meus, que acham a carreira deles fascinante e eu morreria de tédio se fizesse o trabalho deles. É um pouco neurológico também... qual é a parte do cérebro que tens mais desenvolvida? Acredito sinceramente que se formos fazer um teste de QI, não o temos superior a muitos dos comuns alunos, simplesmente a nova geração tem outros interesses e outras prioridades. Por favor não nos vamos tornar como os nossos avós "No nosso tempo, com o Salazar, não havia nada destas poucas vergonhas... e se falhavamos alguma coisa na escola apanhavamos reguadas até ficar com o corpo cheio de nódoas negras!"... Por muito respeito que lhe tenha e lhe deva e por muito culto que seja, não acho o meu avó um ser com inteligencia superior à minha, muito honestamente. No entanto sou quase indigna de respeito dele porque não acredito que um fóssil de um peixe que ele encontrou venha da altura do dilúvio da arca de Noé, e porque nem sou casada e vivo com um homem, sou mulher e fumo entre muitas outras atrocidades culturais que cometo aos olhos dele. Beijinhos

2:09 da manhã  

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