sexta-feira, outubro 05, 2007

1. More (1969) - Barbet Schroeder

O primeiro filme do realizador franco-alemão Barbet Schroeder retrata a descida ao abismo de um jovem alemão que se apaixona por uma americana com vasta experiência no mundo da droga. Stefan viaja à boleia para Paris, onde conhece Estelle Miller que o convence a passar o Verão consigo em Ibiza. Aqui, na pequena ilha de Formentera onde todos se conhecem, Stefan experimenta vários tipos de drogas, partindo dos inocentes charros, para as anfetaminas, passando pelo LSD e acabando dependente do cavalo (heroína).

O filme surge na ressaca do movimento hippie, do flower power e do Verão do Amor, assumindo uma surpreendente postura crítica do consumo de drogas. O argumento é simples, quase diria amadoresco, e os actores têm desempenhos relativamente fracos, ainda que Mimsy Farmer (Estelle) vista, de forma convincente, a pele de anjo negro. Um dos principais méritos do filme reside na forma como trata o tema da toxicodependência, em contracorrente com o optimismo prevalecente durante grande parte dos anos 60. Nesse sentido, pode ser considerado um percursor, fraco, é certo, de Trainspotting, ou de relatos como os de Christiane F. ou Sid & Nancy.

A banda sonora foi composta integralmente pelos Pink Floyd e constitui outro ponto alto do filme. A música alterna longas sequências psicadélicas (Quicksilver) com interlúdios que contextualizam a acção (Party Sequence ou A Spanish Piece) Os temas mais marcantes são Cirrus Minor, Crying Song e Cymbaline (com voz de Roger Waters e não de David Gilmour, como acontece no álbum original). A paisagem sonora é acompanhada por uma excelente fotografia das paisagens sublimes de Ibiza (pôr-do-sol, mar, falésias, etc.). Não fosse o tema sério, tratado de forma realista, quase diria que se trata de um óptimo filme de Verão, mas provavelmente o contraste entre a vitalidade da paisagem e a decadência das personagens não é casual.

PS: Não deixa de ser curioso o facto de, tanto no cinema como na vida real, os relatos de casais de toxicodependentes atribuírem à mulher o papel de víbora (Sid Vicious & Nancy Spungen, Kurt Cobain & Courtney Love, Estelle & Stefan em More).

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